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Teorias Feminist As e Representações Sociais

Teorias Feminist As e Representações Sociais

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Este artigo visa analisar o contributo das teorias feministas para as epistemologias e práticas metodológicas das ciências sociais, nomeadamente da psicologia social. Partindo da apresentação das propostas feministas da Terceira Vaga para as ciências e da epistemologia dialógica das representações sociais, discutimos as possibilidades de uma conceptualização assente nos conhecimentos situados para o desenvolvimento de saberes científicos emancipatórios.
Este artigo visa analisar o contributo das teorias feministas para as epistemologias e práticas metodológicas das ciências sociais, nomeadamente da psicologia social. Partindo da apresentação das propostas feministas da Terceira Vaga para as ciências e da epistemologia dialógica das representações sociais, discutimos as possibilidades de uma conceptualização assente nos conhecimentos situados para o desenvolvimento de saberes científicos emancipatórios.

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Estudos Feministas, Florian\u00f3polis, 14(3): 272, setembro-dezembro/2006597
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TTeorias feministas e representa\u00e7\u00f5es
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sociais: desafios dos
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conhecimentos situados para a
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psicologia social
psicologia social
psicologia social
psicologia social
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RResumo
esumo
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esumo

esumo: Este artigo visa analisar o contributo das teorias feministas para as epistemologias e pr\u00e1ticas metodol\u00f3gicas das ci\u00eancias sociais, nomeadamente da psicologia social. Partindo da apresenta\u00e7\u00e3o das propostas feministas da Terceira Vaga para as ci\u00eancias e da epistemologia dial\u00f3gica das representa\u00e7\u00f5es sociais, discutimos as possibilidades de uma conceptualiza\u00e7\u00e3o assente nos conhecimentos situados para o desenvolvimento de saberes cient\u00edficos emancipat\u00f3rios. Assim, analisaremos o modo como os conhecimentos situados e os desafios que colocam podem engendrar uma mudan\u00e7a nas pr\u00e1ticas cient\u00edficas da psicologia social e das ci\u00eancias sociais.

P
PP
PPalavras-chave
alavras-chave
alavras-chave
alavras-chave
alavras-chave: teorias feministas; representa\u00e7\u00f5es sociais; conhecimentos situados; psicologia
social; epistemologias.
Copyright
2006b y Revista
Est ud os Femi nist as.
Jo\u00e3o Manuel de Oliveira
Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e de Interven\u00e7 \u00e3o Social
L\u00edgia Am\u00e2ncio
Instituto Superior de Ci\u00eancias do Trabalho e da Empresa
A cr\u00edtica feminista \u00e0 ci\u00eancia na T
A cr\u00edtica feminista \u00e0 ci\u00eancia na T
A cr\u00edtica feminista \u00e0 ci\u00eancia na T
A cr\u00edtica feminista \u00e0 ci\u00eancia na T
A cr\u00edtica feminista \u00e0 ci\u00eancia na Terceira
erceira
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V
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VVaga do F
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aga do Feminismo
eminismo
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eminismo
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Uma da sprinc ipa ispreocupa \u00e7\u00f5es do feminismo de Terceira Vaga tem sido a cr\u00edtica feminista \u00e0 ci\u00eancia e os estud os feministas da ci\u00eancia.1 Anima da s por um esp\u00edrito cr\u00edtico e reflexivo, essas cr\u00edticas emergem a partir dos anos 19702 e estendem-se a quase todas as disciplinas do conhe-cimento cient\u00edfico. Logo no p\u00f3s-guerra, Simone de Beauvoir3 empreende uma s\u00e9rie de cr\u00edticas aos pressupostos androc \u00eantricos quer da filosofia, quer da ci\u00eancia e da sua persist\u00eancia em apresentar uma vis\u00e3o

1 Conc ei\u00e7\u00e3o NOGUEIRA, 2001 a.
2 Ev ely n KELLER, 1996.
3 BEAUVOIR, 1949.
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Artigos
tigos
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JO\u00c3O MANUEL DE OLIVEIRA E L\u00cdGIA AM\u00c2NCIO
598Estudos Feministas, Florian\u00f3polis, 14(3): 597-615, setembro-dezembro/2006
do mundo centrada na qualidade referencial do
masculino e da alteridade do feminino.

A evid\u00eanc ia de que a maioria dos cientistas s\u00e3o homens,4 a den\u00fancia do androcentrismo 5 na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica6 e a preocupa\u00e7\u00e3o em construir modelos de ci\u00eancia politicamente implicados7 s\u00e3o alguns dos pressupostos da cr\u00edtica feminista \u00e0 ci\u00eancia. Igualmente, a transi\u00e7\u00e3o do modelo das cientistas \u2018excepcionais e exclu\u00edda s\u2019, at\u00e9 a emerg\u00eanc ia do movimento da s mulheres, para passarem a ser uma \u2018minoria tolerada\u2019, a partir dos anos 1970, apesar das perman\u00eanc ias nessa mudan\u00e7 a,8 contribuiu para a emerg\u00eancia dessa reflex\u00e3o feminista sobre a ci\u00eancia.

Deve-se a Sandra Harding9 uma primeira tipologia dos modelos de cr\u00edtica feminista \u00e0 ci\u00eancia, estruturando esse campo de estudos. Dessa forma, para o empirismo feminista, o cerne de preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a discrimina\u00e7\u00e3o e sub-representa\u00e7 \u00e3o das mulheres na ci\u00eancia. A manuten\u00e7\u00e3o das metodologias positivistas permite apresentar evid\u00eanc ias inq uestion\u00e1veis dessa sub -rep resenta\u00e7 \u00e3o, ma ntendo assim intocados os valores da neutralidade e da objectividade. Ou seja, consiste em fazer ci\u00eancia mantendo os valores dominantes da cultura cient\u00edfica tradicional. Portanto, a solu\u00e7\u00e3o para essa sub-representatividade consiste nas medidas de ac\u00e7\u00e3o afirmativa e tamb\u00e9m em medidas de atrac\u00e7\u00e3o de jovens licenciadas para a investiga\u00e7\u00e3o, em uma tentativa de aumentar a representa\u00e7\u00e3o das mulheres na s disciplina s. Os princ ipa is questionamentos que t\u00eam sido coloc ados a essa linha de orienta\u00e7 \u00e3o s\u00e3o essencialmente a manuten\u00e7\u00e3o das cren\u00e7as positivistas fora do escrut\u00ednio da cr\u00edtica feminista, a operacionaliza\u00e7\u00e3o dessa proposta, bem como o seu ca r\u00e1c ter a-pol\u00edtico, uma vez que continua a funcionar dentro do paradigma da ci\u00eancia normal10sem analisar as teorias e m\u00e9tod os imb u\u00eddos de androc entrismo. Nas palavras de Harding, o empirismo feminista implica que

o sexismo e o androc entrismo poderiam ser eliminados dos resultados da investiga\u00e7\u00e3o, se os cientistas simplesmente seguissem de forma mais rigorosa e cuidadosa os m\u00e9todos existentes e as norma s de pesquisa.11

J\u00e1 no caso das teorias dostandpoint,12 herdeiras directas do feminismo radical,13as mu lhe res cien tistas s\u00e3o consideradas oprimidas pela comunidade cient\u00edfica, tamb\u00e9m ela patriarcal. Antes de serem cientistas, partem de um determinado posicionamento na hierarquia social (etnicidade, sexo, classe, orienta\u00e7 \u00e3o sexual, nacionalidade, etc.). Esse posicionamento \u00e9, pois, lido de forma a ser integrado na investiga\u00e7\u00e3o propriamente dita. Assim, as

10Tho ma s KUHN, 19 62 .
11 HARDING, 1996, p. 237,
tradu\u00e7 \u00e3o nossa.
12 Op tamos por n\u00e3o traduzir o

conceito, \u00e0 semelhan\u00e7a de NOGUEIRA, 2001a. Uma tradu\u00e7 \u00e3o aproximada poderia ser \u201cteorias do posicionamento\u201d ou do \u201cponto de vista\u201d, como fazem Sofia NEVES e Conc ei\u00e7\u00e3o NOGUEIRA, 2005.

13Kate MILLET, 1969; e Shulamith
FIRESTONE, 1969.
4KELLER, 1996.
5 \u201cRefere-se \u00e0s pr\u00e1ticas que

baseiam teoria e pr\u00e1tica na experi\u00eancia dos homens, mascaradas de experi\u00eancias \u2018humanas\u2019 e que contam como fontes de conhec imento \u2018genera- lizadas\u2019 e inquestion\u00e1veis\u201d (Lorraine CODE, 2000, p. 20, tradu\u00e7\u00e3o nossa).

6 Helen LONGINO e Ruth DOELL,
1996.

7KELLER, 1996.
8 AM\u00c2NCIO, 2005.
9 HARDING, 1986 e 2004.

Estudos Feministas, Florian\u00f3polis, 14(3): 597-615, setembro-dezembro/200659 9
TEORIAS FEMINISTAS E REPRESENTA\u00c7\u00d5ES SOCIAIS

mulheres seriam as cientistas ideais para estudarem as mulheres, evidenciando um privil\u00e9gio epist\u00e9mico que ad viria da sua pr\u00f3p ria cond i\u00e7\u00e3 o feminina . O conhec imento \u00e9 assumida mente pa rcial, contextua lizad o14e expe rien cial. A ideia da experi\u00eancia feminina e da necessidade de dar voz \u00e0s mulheres15 \u00e9, pois, uma da s ma neiras de comb ater essa opress\u00e3o patriarcal instalada na ci\u00eancia. O desenvolvimento de teorias e m\u00e9todos radicalmente diferentes dos convencionais-positivistas, assentes nos posicionamentos e nos percursos da s mulheres, enfatiza a utiliza\u00e7\u00e3o das biografias, como forma de traduzir a experi\u00eancia feminina e o modo \u00fanico como olham o mundo. Da s principa is cr\u00edtica s a essas ep istemolog ias, sobressaem o essencialismo e o consequente diferencialismo que prec onizam, por estarem assentes num privil\u00e9gio epist\u00e9mico derivado da condi\u00e7\u00e3o feminina, ou seja, da perten\u00e7a ao grupo das mulheres.16

O p\u00f3s-modernismo feminista \u00e9 uma corrente de pensamento que se loc aliza na Terceira Va ga do feminismo e que vai buscar ao movimento p\u00f3s-modernista e p\u00f3s- estruturalista as sua s princ ipa is influ\u00eanc ias.17 Rejeitando as propostas essencialistas e diferencialistas das teorias do

standpoint e a abordagem a-pol\u00edtica do empirismo

feminista, essa linha cr\u00edtica centra-se na constru\u00e7\u00e3o genderizada do projec to da ci\u00eancia moderna. Esse projec to pol\u00edtico-ideol\u00f3gico serviu e serve a uma s\u00e9rie de interesses e contribuiu para a eclos\u00e3o e exclus\u00e3o de determinados grupos, nomeadamente o grupo das mulheres. A pr\u00f3pria ideia do grupo das mulheres enquanto categoria ontol\u00f3gica \u00e9 posta em causa, dado que essa grande categoria ilude as divis\u00f5es intracategoriais. Nas palavras de Donna Haraway,

Com o rec onhecimento, t\u00e3o arduamente conq uistad o, da sua constitui\u00e7\u00e3 o hist\u00f3rica e soc ial, o g\u00e9nero, a ra\u00e7 a e a classe n\u00e3 o podem constituir a ba se pa ra a cren\u00e7a na unida de \u2018essencial\u2019. N\u00e3 o existe nad a no fac to de ser \u2018f\u00eamea \u2019 que vinc ule na turalmente as mulheres. N\u00e3 o existe seq uer o estad o de \u2018ser\u2019 f\u00eamea , uma ca teg oria em si mesma altamente complexa, constru\u00edda em contestados discursos cient\u00edfico-sexuais e outras pr\u00e1tica s soc iais.18

\u00c9, pois, partindo desse pressuposto, dessa mir\u00edade de rea lida desque se escond em atr\u00e1s da homogeneiza\u00e7 \u00e3o ca teg orial, que ec lod iram os feminismos ma is loc alizad os, como sejam o feminismo negro,19 o feminismo l\u00e9sbico,20 entre outros, e mesmo feminismos que cruzam essas v\u00e1rias categorias, problematizando g\u00e9nero, \u2018ra\u00e7a\u2019 e orienta\u00e7\u00e3o sexua l.21 S\u00e3o tamb\u00e9m esses feminismos que contribuem para a problema tiza\u00e7\u00e3o que o(s) feminismo(s) p\u00f3s-

16 NOGUEIRA, 2001 a.
17 NOGUEIRA, 2001 a ; OLIVEIRA e
AM\u00c2NCIO, 2004.
18 HARAWAY, 1991a, p. 232,
trad u\u00e7 \u00e3o nossa .
19 Bell HOOKS, 1981.
20 Adrienne RICH, 1980.
21 Audre LORDE, 1984, e Gloria
ANZALD\u00daA, 1987.
14Como veremos, a contextua-
lidade do conhecimento \u00e9 uma
das heran\u00e7as das teorias do
standpoint, que \u00e9 utilizada por

Donna HARAWAY, 1991b, para o seu conceito de conhecimentos situa dos (situated knowledges) e por HARDING, 1996, para a con- cep\u00e7\u00e3o da objetividade forte (strong objectivity).

15Ca rol GILLIGAN, 19 97 , pa ra um
exemplo dessa abordagem das
Women\u2019s Voices.

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