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Preconceito e Discriminaçao Como Expressoes de Violencia

Preconceito e Discriminaçao Como Expressoes de Violencia

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Neste ensaio discutem-se a construção do preconceito e a visibilidade das
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discrimina£ies decorrentes, duplamente associadas á condição de emergência das diferen£as: seja pela afirma£Ño e manipula£Ño da condição da diferença, seja por suainsistente negação ou dissimulação.
Neste ensaio discutem-se a construção do preconceito e a visibilidade das
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discrimina£ies decorrentes, duplamente associadas á condição de emergência das diferen£as: seja pela afirma£Ño e manipula£Ño da condição da diferença, seja por suainsistente negação ou dissimulação.

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P
PP
PPreconceito e discrimina\u00e7\u00e3o como
reconceito e discrimina\u00e7\u00e3o como
reconceito e discrimina\u00e7\u00e3o como
reconceito e discrimina\u00e7\u00e3o como
reconceito e discrimina\u00e7\u00e3o como
express\u00f5es de viol\u00eancia
express\u00f5es de viol\u00eancia
express\u00f5es de viol\u00eancia
express\u00f5es de viol\u00eancia
express\u00f5es de viol\u00eancia
ESTUDOS FEMINISTAS119 1/2002
Lourdes Bandeira
Universidade de Bras\u00edlia
Anal\u00eda Soria Batista
Universidade de Bras\u00edlia
R
RR
RResumo:
esumo:
esumo:
esumo:

esumo: Neste ensaio discutem-se a constru\u00e7\u00e3o do preconceito e a visibilidade das discrimina\u00e7\u00f5es decorrentes, duplamente associadas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia das diferen\u00e7as: seja pela afirma\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a, seja por sua insistente nega\u00e7\u00e3o ou dissimula\u00e7\u00e3o. Em ambos os casos, o n\u00e3o-reconhecimento das diferen\u00e7as ou a falta de respeito a elas se fazem presentes, criando novos padr\u00f5es de viol\u00eancia. A reflex\u00e3o constr\u00f3i uma ponte entre o preconceito e a viol\u00eancia, enfatiza as diversas formas de discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o, e compreende os seguintes aspectos: os par\u00e2metros jur\u00eddicos em rela\u00e7\u00e3o a co-existir e a re-conhecer; as ci\u00eancias sociais diante da constru\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as/ dis-semelhan\u00e7as; os fundamentos conceituais da categoria \u2018preconceito\u2019 e suas derivantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s de discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social; os mecanismos do preconceito; a rela\u00e7\u00e3o diferen\u00e7a\u2013preconceito, imagem e racionaliza\u00e7\u00e3o do outro.

P
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PPalavras-chave:
alavras-chave:
alavras-chave:
alavras-chave:
alavras-chave: preconceito, discrimina\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o, viol\u00eancia.
Introdu\u00e7\u00e3o
Introdu\u00e7\u00e3o
Introdu\u00e7\u00e3o
Introdu\u00e7\u00e3o
Introdu\u00e7\u00e3o

\u00c0s portas do novo s\u00e9culo a sociedade em geral torna- se cada vez mais consciente das diferen\u00e7as e multiplicidades sociais emergentes que a comp\u00f5em, bem como da necessidade de regular os v\u00e1rios aspectos envolvidos nos relacionamentos sociais decorrentes dessas diferen\u00e7as.1Isso se traduz em uma identifica\u00e7\u00e3o quase obsessiva de reivindica\u00e7\u00f5es que estabelecem novas linhas de demarca\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio das intera\u00e7\u00f5es sociais. Estas podem ser suscept\u00edveis de regula\u00e7\u00e3o com base em novos valores que pretendem gerar uma \u2018\u00e9tica de igualdade\u2019, baseada no respeito (moral) e no reconhecimento (direito) das diferen\u00e7as e dos pluralismos, que dependa cada vez menos de leis e procedimentos formais.2

At\u00e9 h\u00e1 pouco, bater em mulheres, negros e homossexuais, por exemplo, era uma pr\u00e1tica considerada se n\u00e3o corriqueira, mas despercebida como uma forma de

1 Este texto \u00e9 parte da reflex\u00e3o
desenvolvida no subprojeto

Discrimina\u00e7\u00f5es e Conflitos nos Espa\u00e7os de Trabalho e sua Resolu\u00e7\u00e3o Institucional,

parte do projeto integradoA

Resolu\u00e7\u00e3o Institucional de Conflitos: Acesso aos Direitos Humanos das Mulheres do Brasil, financiado pela Fun-

da\u00e7\u00e3o Ford e pelo CNPq.
2 Richard SENNETT, 1999.
Copyright\ue0002002 byR e v i s t a
Estudos Feministas
Ensaios
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ANO 10120 1\u00ba SEMESTRE 2002
LOURDES BANDEIRA E ANAL\u00cdA SORIA BATISTA

viol\u00eancia na sociedade. Os alvos da viol\u00eancia escondiam-se no pr\u00f3prio sofrimento sem poder nome\u00e1-lo, denunci\u00e1-lo ou compreend\u00ea-lo. As mudan\u00e7as em curso na conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade traduzem-se na produ\u00e7\u00e3o de conceitos e teorias tendentes a interpreta\u00e7\u00f5es dessas realidades, preparando o caminho tortuoso de sua supera\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, mulheres, negros e homossexuais, al\u00e9m de outras tantas ditas \u2018minorias\u2019, organizaram-se em movimentos cujo objetivo era, genericamente, a supera\u00e7\u00e3o dessas situa\u00e7\u00f5es de desqualifica\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria e sofrimento existencial impostas pela sociedade ao n\u00e3o reconhecer as diferen\u00e7as e especificidades. A intensidade dessas novas demandas colocaram \u00e0 prova a intoler\u00e2ncia reinante e estimulam nossa diversidade criadora.

Neste ensaio propomos discutir a constru\u00e7\u00e3o do preconceito e a visibilidade das discrimina\u00e7\u00f5es decorrentes, duplamente associadas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia das diferen\u00e7as: seja pela afirma\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a, seja por sua insistente nega\u00e7\u00e3o ou dissimula\u00e7\u00e3o. Em ambos os casos, o n\u00e3o-reconhecimento ou a falta de respeito \u00e0s diferen\u00e7as se fazem presentes, criando novos padr\u00f5es de viol\u00eancia. A reflex\u00e3o, que busca construir uma ponte entre o preconceito e a viol\u00eancia, enfatiza as diversas formas de discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o e compreende os seguintes aspectos: os par\u00e2metros jur\u00eddicos em rela\u00e7\u00e3o a co-existir e a re-conhecer; as ci\u00eancias sociais diante da constru\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as/dis-semelhan\u00e7as; os fundamentos conceituais da categoria \u2018preconceito\u2019 e suas derivantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s de discrimina\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social; os mecanismos do preconceito; a rela\u00e7\u00e3o diferen\u00e7a\u2013preconceito, imagem e racionaliza\u00e7\u00e3o do outro.

Portanto, pensar o preconceito nos parece indispens\u00e1vel, uma vez que este pode se constituir em uma fonte de viol\u00eancia. Embora seja uma categoria suficientemente ainda obscura para ser submetida ela pr\u00f3pria a uma interroga\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, conforme prop\u00f5e Pierre-Andr\u00e9 Taguieff,3 isso n\u00e3o nos impede de nos lan\u00e7armos \u00e0 reflex\u00e3o.

Os par\u00e2metros jur\u00eddicos em rela\u00e7\u00e3o a co
Os par\u00e2metros jur\u00eddicos em rela\u00e7\u00e3o a co
Os par\u00e2metros jur\u00eddicos em rela\u00e7\u00e3o a co
Os par\u00e2metros jur\u00eddicos em rela\u00e7\u00e3o a co
Os par\u00e2metros jur\u00eddicos em rela\u00e7\u00e3o a co-existir
-existir
-existir
-existir
-existir
e a re-conhecer
e a re-conhecer
e a re-conhecer
e a re-conhecer
e a re-conhecer

Freq\u00fcentemente o poder do Estado \u00e9 monopolizado por um grupo \u2013 a \u2018elite pol\u00edtica\u2019, que se edifica em detrimento da presen\u00e7a dos demais e em certa medida os priva de todo o poder e influ\u00eancia. No momento em que o poder p\u00fablico, atrav\u00e9s da elite pol\u00edtica, parece favorecer ou desfavorecer determinados grupos identificados por sua etnia, ra\u00e7a, religi\u00e3o, sexo, regi\u00e3o, etc., nega a legitimidade de existir e de se exprimir de muitos outros segmentos, deixando as portas abertas \u00e0s

3 TAGUIEFF, 1987.
PRECONCEITO E DISCRIMINA\u00c7\u00c3O COMO EXPRESS\u00d5ES DE VIOL\u00caNCIA
ESTUDOS FEMINISTAS121 1/2002

pr\u00e1ticas preconceituosas e discriminat\u00f3rias. Em outras palavras, nega a possibilidade do outro (da diferen\u00e7a) de ter acesso seja ao arsenal jur\u00eddico de igualdade e de eq\u00fcidade como tra\u00e7o ideol\u00f3gico dominante, seja ao reconhecimento e participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.

A categoria social da includ\u00eancia/inclus\u00e3o, neutralizada pelo valor negativo atribu\u00eddo pela condi\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a (de cor, ra\u00e7a, sexo, classe, etc.), marcou a sociedade brasileira durante s\u00e9culos, o que resultou, segundo Roberto Kant de Lima,4 \u201cnuma sociedade hierarquizada, em que diferentes segmentos n\u00e3o t\u00eam acesso a deveres e direitos e, tamb\u00e9m, regem suas rela\u00e7\u00f5es por diferentes \u2018c\u00f3digos de honra\u2019. No entanto, como somos uma Rep\u00fablica, tais diferen\u00e7as se tornam objeto de estigma, n\u00e3o sendo capazes de despertar sentimento de universal reconhecimento como leg\u00edtimos c\u00f3digos de conduta\u201d.

Do ponto de vista jur\u00eddico, uma sociedade que prega a constru\u00e7\u00e3o diferenciada e n\u00e3o-plural de seus membros, como signo do preconceito, que admite o acesso particulalizado de alguns, seja aos bens materiais, seja aos bens culturais, que d\u00e1 valora\u00e7\u00e3o positiva \u00e0 desigualdade substantiva de seus membros est\u00e1 fadada \u00e0 instaura\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia nas suas variantes materiais e simb\u00f3licas.

Assim, a busca pela universaliza\u00e7\u00e3o de tratamento jur\u00eddico, independentemente dos signos da diferen\u00e7a, nos diversos \u00e2mbitos da sociedade, n\u00e3o pode ocorrer sem uma renova\u00e7\u00e3o dos conceitos fundamentais da filosofia jur\u00eddica e pol\u00edtica do Estado em rela\u00e7\u00e3o a todas as express\u00f5es de diferen\u00e7as que remetem \u00e0s exclus\u00f5es. Essa posi\u00e7\u00e3o trouxe \u00e0 tona a quest\u00e3o do preconceito, cuja discuss\u00e3o sairia do anonimato para ser alvo de puni\u00e7\u00e3o legal. A Lei Afonso Arinos (n\u00ba 1.390, de 3 de julho de 1951), pioneira no Brasil, considerou \u2018contraven\u00e7\u00e3o\u2019 quaisquer tipos de preconceitos de ra\u00e7a ou de cor. A partir de 1\u00ba de outubro de1955, passou a ser \u2018crime de genoc\u00eddio\u2019 a destrui\u00e7\u00e3o de qualquer grupo nacional \u00e9tnico, racial ou religioso (Lei n\u00ba 2.889). E, de acordo com lei posterior (n\u00ba 7.170, de 14 de dezembro de1983), constitui-se crime contra a Seguran\u00e7a Nacional qualquer forma de propaganda ou express\u00e3o de discrimina\u00e7\u00e3o racial. Com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, preconceitos de origem, ra\u00e7a, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discrimina\u00e7\u00e3o (art.3\u00ba, IV), tais como a pr\u00e1tica do racismo, constitu\u00edram-se juridicamente em \u2018crimes inafian\u00e7\u00e1veis e imprescrit\u00edveis\u2019, sujeitos \u00e0 pena de reclus\u00e3o nos termos da lei (art.3\u00ba, XLII).

O efeito dos movimentos sociais se fez sentir sobre o contexto legislativo, pois, de 1988 a 1997, a lei recebeu v\u00e1rias emendas abrangentes que incluem um leque enorme de outras formas e express\u00f5es de discrimina\u00e7\u00e3o.5 Entre estas, est\u00e3o aquelas espec\u00edficas que se observam no trabalho. Por exemplo, os crit\u00e9rios relativos \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o diferencial dos cargos,

4 LIMA, 1996, p. 166.
5 Pode-se consultar, para

maior detalhamento, a Lei n\u00ba 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define em 21 artigos os crimes resultantes de preconceito de ra\u00e7a e de cor. A Lei n\u00ba 8.081, de 21 de setembro de 1990, estabe- lece os crimes e as penas aplic\u00e1veis aos atos discrimi- nat\u00f3rios ou de preconceito de ra\u00e7a, cor, religi\u00e3o, etnia ou proced\u00eancia nacional, prati- cados pelos meios de comu- nica\u00e7\u00e3o ou por publica\u00e7\u00e3o de qualquer natureza.

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