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Linguagem inclusiva

Linguagem inclusiva

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(1) A discriminação à mulher está presa à tirania das palavras e imagens - por Vera Vieira; (2) Tabela de Recomendações para a Utilização de uma Linguagem Inclusiva; (3) Uma linguagem inclusiva - por Beatriz Cannabrava; (4) O Mundo no masculino e no Feminino: Plural dos Gêneros – por Valéria Pandjiarjian; (5) A = 0 Campanha por uma Educação não Discriminatória na América Latina: 21 de junho – por Moema L. Viezzer
(1) A discriminação à mulher está presa à tirania das palavras e imagens - por Vera Vieira; (2) Tabela de Recomendações para a Utilização de uma Linguagem Inclusiva; (3) Uma linguagem inclusiva - por Beatriz Cannabrava; (4) O Mundo no masculino e no Feminino: Plural dos Gêneros – por Valéria Pandjiarjian; (5) A = 0 Campanha por uma Educação não Discriminatória na América Latina: 21 de junho – por Moema L. Viezzer

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Linguagem inclusiva \u2013 colet\u00e2nea de textos
(1) A discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher est\u00e1 presa \u00e0 tirania das palavras e imagens - por Vera Vieira
(2) Tabela de Recomenda\u00e7\u00f5es para a Utiliza\u00e7\u00e3o de uma Linguagem Inclusiva

(3 Uma linguagem inclusiva - por Beatriz Cannabrava
(4) O Mundo no masculino e no Feminino: Plural dos G\u00eaneros \u2013 por Val\u00e9ria Pandjiarjian
(5) A = 0 Campanha por uma Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o Discriminat\u00f3ria na Am\u00e9rica Latina: 21 de junho \u2013

por Moema L. Viezzer
(1)
A discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher est\u00e1 presa \u00e0 tirania das palavras e imagens
por Vera Vieira (*)

Quando se diz "A salva\u00e7\u00e3o do planeta est\u00e1 nas m\u00e3os dos homens", ao inv\u00e9s de " A salva\u00e7\u00e3o do planeta est\u00e1 nas m\u00e3os da humanidade", reflete-se a posi\u00e7\u00e3o que o homem vem ocupando na hist\u00f3ria, refor\u00e7ando-se seu papel hier\u00e1rquico e as rela\u00e7\u00f5es de poder e domina\u00e7\u00e3o masculina na sociedade.

Ao longo dos tempos, tem ficado bastante evidenciado o papel da linguagem sexista no
refor\u00e7o dos estere\u00f3tipos machistas que contribuem sobremaneira para o desequil\u00edbrio das
rela\u00e7\u00f5es sociais entre homens e mulheres, caracterizadas pelo bin\u00f4mio
domina\u00e7\u00e3o/subordina\u00e7\u00e3o. Ao nascermos, nosso sexo \u00e9 definido pela natureza. J\u00e1 o
comportamento diferenciado tem a influ\u00eancia direta da forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o que recebemos
no meio social, historicamente marcadas pela subordina\u00e7\u00e3o da mulher ao homem. Trata-se de
um fen\u00f4meno cultural que se arrasta ao longo de mil\u00eanios e que deve ser mudado.

As pessoas s\u00e3o educadas e formadas tanto pelas escolas, como pela fam\u00edlia, Igreja, meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, leis do Estado, etc., que s\u00e3o respons\u00e1veis pela clara defini\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is desiguais da mulher e do homem, com conseq\u00fc\u00eancias dram\u00e1ticas na sociedade. Bastam somente alguns dados para essa comprova\u00e7\u00e3o: alto \u00edndice de viol\u00eancia dom\u00e9stica sofrida pela mulher (com um n\u00famero assustador de mortes), independente de ra\u00e7a, cor, etnia, classe social ou escolaridade; a m\u00e9dia salarial baixa, mesmo com maior forma\u00e7\u00e3o; pouca ocupa\u00e7\u00e3o de cargos de lideran\u00e7a e n\u00famero elevado de mulheres chefes de fam\u00edlia, entre outros.

\u00c9 fundamental estarmos conscientes da rela\u00e7\u00e3o da linguagem com o conhecimento e a
cultura. \u00c9 somente depois da fase da aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem que a pessoa atinge o campo da

abstra\u00e7\u00e3o. O pensamento conceitual \u00e9 inconceb\u00edvel sem a linguagem, em conseq\u00fc\u00eancia do processo complexo da educa\u00e7\u00e3o social. O ser humano n\u00e3o s\u00f3 aprende a falar, mas a pensar. Enquanto ponto de partida social do pensamento individual, a linguagem \u00e9 a mediadora entre o que \u00e9 social, dado \u2013 portanto, ditatorial -, e o que \u00e9 individual, criador, no pensamento de cada pessoa. A linguagem n\u00e3o s\u00f3 constitui o ponto de partida social e a base do pensamento individual, mas influencia tamb\u00e9m o n\u00edvel de abstra\u00e7\u00e3o e de generaliza\u00e7\u00e3o desse pensamento. Ela influencia o nosso modo de percep\u00e7\u00e3o da realidade. A experi\u00eancia individual implica em esquemas e estere\u00f3tipos de origem social. O estere\u00f3tipo vem \u00e0 tona na rela\u00e7\u00e3o emocional do ser humano com o mundo. Por ser um processo n\u00e3o consciente, exerce sua a\u00e7\u00e3o com for\u00e7a tanto maior quanto mais se identifica em um todo unit\u00e1rio como conceito dentro da consci\u00eancia humana.

Este
\u00e9
o
segredo
da
famosa
\u2018tirania
das
palavras\u2019.

A linguagem enquanto discurso n\u00e3o constitui um universo de signos que serve apenas como instrumento de comunica\u00e7\u00e3o ou suporte de pensamento. \u00c9 intera\u00e7\u00e3o e um modo de produ\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o \u00e9 neutra, nem inocente, na medida em que est\u00e1 engajada numa intencionalidade, e nem natural, por isso o lugar privilegiado de manifesta\u00e7\u00e3o da ideologia.

Mitos da identidade masculina e feminina

O consenso social e hist\u00f3rico na constru\u00e7\u00e3o da imagem e mitos da identidade masculina e feminina, desde os prim\u00f3rdios, \u00e9 fator preponderante na continuidade do \u2018poder do macho\u2019. N\u00e3o obstante as press\u00f5es para se alterar suas estruturas, seu enraizamento \u00e9 extremamente profundo, exigindo uma incid\u00eancia maior de a\u00e7\u00f5es educativas.

Mas, qual seria exatamente a diferencia\u00e7\u00e3o entre os termos mito, s\u00edmbolo, arqu\u00e9tipo, esquema? Gilbert Durand, ao explicar a palavra mito, consegue incorporar e diferenciar as demais. De forma sint\u00e9tica, mito pode ser definido como um sistema formado por esquemas,

arqu\u00e9tipos e s\u00edmbolos, compondo-se em narrativa:
\u201c(...) No prolongamento dos esquemas, arqu\u00e9tipos e simples s\u00edmbolos podemos considerar o
mito. N\u00e3o tomaremos este termo na concep\u00e7\u00e3o restrita que lhe d\u00e3o os etn\u00f3logos, que fazem
dele apenas o reverso representativo de um ato ritual. Entenderemos por mito um sistema
din\u00e2mico de s\u00edmbolos, arqu\u00e9tipos e esquemas, sistema din\u00e2mico que, sob o impulso de um
esquema tende a compor-se em narrativa. O mito \u00e9 j\u00e1 um esbo\u00e7o de racionaliza\u00e7\u00e3o, dado que
utiliza o fio do discurso, no qual os s\u00edmbolos se resolvem em palavras e os arqu\u00e9tipos em
id\u00e9ias. O mito explica um esquema ou um grupo de esquemas. Do mesmo modo que o
arqu\u00e9tipo promovia a id\u00e9ia e que o s\u00edmbolo engendrava o nome, podemos dizer que o mito
promove a doutrina religiosa, o sistema filos\u00f3fico ou, como bem viu Br\u00e9hier, a narrativa hist\u00f3rica
e lend\u00e1ria. \u00c9 o que ensina de maneira brilhante a obra de Plat\u00e3o, na qual o pensamento
racional parece constantemente emergir de um sonho m\u00edtico e algumas vezes ter saudades
dele. Verificaremos, de resto, que a organiza\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do mito correspondente muitas
vezes \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o est\u00e1tica a que chamamos de \u2018constela\u00e7\u00e3o de imagens\u2019. O m\u00e9todo de
converg\u00eancia evidencia o mesmo isomorfismo na constela\u00e7\u00e3o e no mito.\u201d[1]

Paulo Freire reconhece a pr\u00f3pria linguagem machista
Ao publicar, em 1992, A pedagogia da esperan\u00e7a - um reencontro com a Pedagogia do
oprimido, Paulo Freire faz, com muita humildade, uma an\u00e1lise do volume imenso de cartas que

recebeu, em Genebra, com cr\u00edticas de mulheres norte-americanas, depois do lan\u00e7amento do livro, em sua primeira edi\u00e7\u00e3o no in\u00edcio de 1971. Eram tempos de ex\u00edlio, em fun\u00e7\u00e3o do longo regime militar brasileiro, e a primeira edi\u00e7\u00e3o foi publicada em ingl\u00eas.

\u201c(...) \u00c9 que, diziam elas, com suas palavras, discutindo a opress\u00e3o, a liberta\u00e7\u00e3o, criticando, com justa indigna\u00e7\u00e3o, as estruturas opressoras, eu usava, por\u00e9m, uma linguagem machista, portanto discriminat\u00f3ria, em que n\u00e3o havia lugar para as mulheres. (...) Em certo momento de minhas tentativas, puramente ideol\u00f3gicas, de justificar a mim mesmo, a linguagem machista que usava, percebi a mentira ou a oculta\u00e7\u00e3o da verdade que havia na afirma\u00e7\u00e3o: \u2018Quando falo homem, a mulher est\u00e1 inclu\u00edda\u2019. E por que os homens n\u00e3o se acham inclu\u00eddos quando dizemos: \u2018As mulheres est\u00e3o decididas a mudar o mundo\u2019? (...) A discrimina\u00e7\u00e3o da mulher,

expressada e feita pelo discurso machista e encarnada em pr\u00e1ticas concretas \u00e9 uma forma colonial de trat\u00e1-la, incompat\u00edvel, portanto, com qualquer posi\u00e7\u00e3o progressista, de mulher ou de homem, pouco importa. (...) A recusa \u00e0 ideologia machista, que implica necessariamente a recria\u00e7\u00e3o da linguagem, faz parte do sonho poss\u00edvel em favor da mudan\u00e7a do mundo. (...) N\u00e3o \u00e9 puro idealismo, acrescente-se, n\u00e3o esperar que o mundo mude radicalmente para que se v\u00e1 mudando a linguagem. Mudar a linguagem faz parte do processo de mudar o mundo. A rela\u00e7\u00e3o entre linguagem-pensamento-mundo \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica, processual, contradit\u00f3ria.\u201d[2]

As conclus\u00f5es a que chegou Paulo Freire remetem a Bakhtin, que se aprofundou na rela\u00e7\u00e3o da linguagem e da cultura, considerada enquanto rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito, isto \u00e9 bilateral: trata-se da influ\u00eancia da cultura sobre a linguagem, como da a\u00e7\u00e3o da linguagem sobre o desenvolvimento da cultura:

\u201c(...) A consci\u00eancia adquire forma e exist\u00eancia nos signos criados por um grupo organizado no curso de suas rela\u00e7\u00f5es sociais. (...) As palavras s\u00e3o tecidas a partir de uma multid\u00e3o de fios ideol\u00f3gicos e servem de trama a todas as rela\u00e7\u00f5es sociais em todos os dom\u00ednios. (...) A f\u00f3rmula estereotipada adapta-se, em qualquer lugar, ao canal de intera\u00e7\u00e3o social que lhe \u00e9 reservado, refletindo ideologicamente o tipo, a estrutura, os objetivos e a composi\u00e7\u00e3o social do grupo.\u201d[3]

Durante o desenvolvimento de um projeto da Rede Mulher de Educa\u00e7\u00e3o, intitulado G\u00eanero e Educa\u00e7\u00e3o para os Meios, a etapa denominada \u2018diagn\u00f3stico dos meios\u2019 apresentou exerc\u00edcios cr\u00edticos por parte das participantes, apontando, com bastante regularidade, a presen\u00e7a de linguagem sexista, como os exemplos abaixo destacados:

\u2022

As chamadas s\u00e3o feitas sempre no masculino, mesmo quando os programas suscitam ou t\u00eam a participa\u00e7\u00e3o de ouvintes, e essas, em sua grande maioria, s\u00e3o mulheres. Isto \u00e9 feito tanto por locutores masculinos, como pelas poucas locutoras femininas. (Programa \u2018Pop de Chapa Cruz\u2019 - FM-101,1 - Cuiab\u00e1/MT, monitorado por Madalena R. Santos).

\u2022

As fotos de mulheres predominam na coluna social. As de mulheres negras, s\u00f3 aparecem no caderno policial. (Jornal \u2018Vale dos Sinos\u2019, de S\u00e3o Leopoldo/RS, monitorado por Clair Ribeiro Ziebell)

\u2022
S\u00e3o comuns as imagens de mulheres donas-de-casa ou infratoras. (Jornal Nacional, da
TV Globo, monitorado por Denise Gomide)
\u2022

\u00c9 um esc\u00e2ndalo! Tem muita gente que se espelha nas novelas... Nunca aparece a fam\u00edlia das empregadas dom\u00e9sticas. As mulheres casadas est\u00e3o sempre cozinhando e lavando; os homens, solicitando comida e cerveja. (Telenovela \u2018La\u00e7os de Fam\u00edlia\u201d, da Rede Globo, monitorada por Sandra Monteiro, de S\u00e3o Miguel do Tocantins)

\u2022

O filho \u00e9 sempre da mulher; o homem n\u00e3o precisa ter responsabilidade - ou ele \u00e9 condenado pelo audit\u00f3rio, ou \u00e9 aplaudido por causa da \u2018lei de G\u00e9rson\u2019, no sentido de levar vantagem em tudo. (Programa do Ratinho, da SBT, monitorado por Thereza Ferraz, de Santos/SP)

A linguagem - escrita e imag\u00e9tica -, carregada de estere\u00f3tipos, h\u00e1 tempos vem merecendo \u00eanfase nas a\u00e7\u00f5es do movimento feminista, como bandeira fundamental para o avan\u00e7o da luta, tanto que, a partir de 1991, a REPEM (Rede de Educa\u00e7\u00e3o Popular entre Mulheres da Am\u00e9rica Latina e Caribe) passou a designar o dia 21 de junho, com uma s\u00e9rie de atividades, como a data \u201cPor uma educa\u00e7\u00e3o sem discrimina\u00e7\u00e3o\u201d.

Vamos romper com a linguagem sexista, em busca de um mundo com igualdade entre mulheres e homens! Quando se quebra com a linguagem, quebra-se tamb\u00e9m com padr\u00f5es comportamentais.

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