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A Marginalização Dos Estudos Feminist As

A Marginalização Dos Estudos Feminist As

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A marginalização dos estudos feministas e de gênero
na psicologia acadêmica contemporânea -

O objetivo deste estudo foi problematizar os discursos sobre relações de gênero na psicologia acadêmica
contemporânea. Inicialmente, apresentam-se as diferentes concepções de gênero a partir de diversas pers-
pectivas teórico-epistemológicas. Em seguida, discorrem-se acerca da articulação dos estudos de gênero
com o movimento feminista.
A marginalização dos estudos feministas e de gênero
na psicologia acadêmica contemporânea -

O objetivo deste estudo foi problematizar os discursos sobre relações de gênero na psicologia acadêmica
contemporânea. Inicialmente, apresentam-se as diferentes concepções de gênero a partir de diversas pers-
pectivas teórico-epistemológicas. Em seguida, discorrem-se acerca da articulação dos estudos de gênero
com o movimento feminista.

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v. 38, n. 3, pp. 216-223, set./dez. 2007
PSICO
PSICO\u03a8
\u03a8
A marginaliza\u00e7\u00e3o dos estudos feministas e de g\u00eanero
na psicologia acad\u00eamica contempor\u00e2nea*
Martha Giudice Narvaz
S\u00edlvia Helena Koller
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
RESUMO

O objetivo deste estudo foi problematizar os discursos sobre rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero na psicologia acad\u00eamica contempor\u00e2nea. Inicialmente, apresentam-se as diferentes concep\u00e7\u00f5es de g\u00eanero a partir de diversas pers- pectivas te\u00f3rico-epistemol\u00f3gicas. Em seguida, discorrem-se acerca da articula\u00e7\u00e3o dos estudos de g\u00eanero com o movimento feminista. S\u00e3o abordadas, ainda, pol\u00edticas governamentais com vistas \u00e0 inclus\u00e3o da tem\u00e1tica de g\u00eanero em diversos campos do saber, uma vez constatada a marginaliza\u00e7\u00e3o e a falta de legitima\u00e7\u00e3o dos estudos feministas e de g\u00eanero na academia, dentre elas, na psicologia acad\u00eamica contem- por\u00e2nea. Uma vez que discursos constituem pr\u00e1ticas, as autoras prop\u00f5em-se a apresentar aqueles que comumente circulam na ci\u00eancia psicol\u00f3gica em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero, uma vez que ser\u00e3o constitutivos dos saberes e das pr\u00e1ticas psicol\u00f3gicas incorporadas na forma\u00e7\u00e3o.

Palavras-chave: Discursos de g\u00eanero; universidade; feminismo; psicologia; pol\u00edticas p\u00fablicas; forma\u00e7\u00e3o
acad\u00eamica.
ABSTRACT
The marginalization of the feminist and gender studies in the contemporary academic psychology

The objective of this study was to problematize discourses about gender in the contemporary academic psychology. Initially, different gender conceptions starting from several theoretical and epistemological perspectives were presented. Secondly, it presented the articulation of the gender studies with the feminist movement. Government politics for the inclusion of the gender theme in several fields of the knowledge was approached, once verifying the marginalization and the lack of validation of the feminist studies and of gender in the academy, among them, in the contemporary academic psychology. Once discourses constitute practices, the authors intended to present those that commonly circulated in the psychological science in relation to gender, and are constituent of the knowledge and of the incorporate psychological practices in the career formation.

Keywords: Gender; university; feminism; psychology; public politics; academic formation.
* Este artigo foi baseado nos estudos de doutorado da primeira autora sob orienta\u00e7\u00e3o da segunda autora. Apoio CNPq.
INTRODU\u00c7\u00c3O

O objetivo deste trabalho \u00e9 o de problematizar os discursos sobre rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero na psicologia aca- d\u00eamica contempor\u00e2nea. O interesse pelo tema vem-se construindo no cotidiano de nossa pr\u00e1tica enquanto psic\u00f3logas, pesquisadoras, professoras, supervisoras e psicoterapeutas. Neste percurso, identificamos produ- \u00e7\u00f5es discursivas que legitimam desigualdades de g\u00ea- nero e normatizam pap\u00e9is e lugares de g\u00eanero nas re- la\u00e7\u00f5es afetivas, sexuais e familiares. N\u00e3o s\u00f3 as mu- lheres, nosso interesse inicial de investiga\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m outras ditas \u2018minorias\u2019, tais como n\u00e3o hete-

rossexuais, n\u00e3o brancos, n\u00e3o ocidentais e pobres, se- res ditos \u201cabjetos\u201d pela cultura dominante (Butler, 1998) ou, ainda, os \u201crefugos humanos\u201d, no dizer de Bauman (2005, p.75), s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia, de dis- crimina\u00e7\u00f5es e de exclus\u00f5es. A classifica\u00e7\u00e3o dos sujei- tos de acordo com a categoria sexo em g\u00eaneros est\u00e1- veis, uniformes, bin\u00e1rios e excludentes \u00e9, em si mesma, uma forma de viol\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 simb\u00f3lica (Castel, 1978; Costa, 1986), mas \u201cmaterial\u201d (Butler, 1998, p. 39).

Discursos engendrados por designa\u00e7\u00f5es natura- lizadas, heteronormativas, essencialistas, hier\u00e1rquicas e est\u00e1ticas dos lugares e das possibilidades v\u00e1lidas e intelig\u00edveis de viver corpos, prazeres e rela\u00e7\u00f5es afe-

A marginaliza\u00e7\u00e3o dos estudos feministas ...
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PSICO, Porto Alegre, PUCRS, v. 38, n. 3, pp. 216-223, set./dez. 2007

tivas, quer na esfera p\u00fablica, quer na esfera privada, determinam formas de sujei\u00e7\u00e3o espec\u00edficas (Butler, 2000, 2003; Foucault, 1995) n\u00e3o somente \u00e0s mulhe- res, mas a quaisquer g\u00eaneros. Estes discursos nor- mativos s\u00e3o produzidos e veiculados no senso comum, nos saberes cient\u00edficos e nas diversas pedagogias cul- turais, destacando-se aqui o papel da escola e da m\u00ed- dia (Louro, 1999, 2003). Poder e saber, entrela\u00e7ados, constituem discursos que, atrav\u00e9s de saberes e pr\u00e1ti- cas que se outorgam o estatuto de verdade, regulam formas morais de comportamento aos sujeitos. Uma vez que esta complexa rede de tecnologias e de siste- mas disciplinares pela qual o poder opera na regula\u00e7\u00e3o dos g\u00eaneros inscreve-se nas disciplinas normalizantes da medicina, da educa\u00e7\u00e3o e da psicologia (Castel, 1978; Foucault, 1969, 1995, 1975/2002), h\u00e1 que se in- vestigar os discursos sobre g\u00eanero que circulam na ci\u00eancia psicol\u00f3gica. Este trabalho prop\u00f5e-se, assim, a problematizar teorias e pr\u00e1ticas que nos constituem t\u00e3o profundamente que nem as percebemos mais como aprendidas; busca, ainda, incorporar o olhar do estran- geiro, exercitar o estranhamento, a perplexidade e a descoberta, tal como nos ensina Foucault (1988b, 1988c), o que nos \u201cajuda a pensar como, em nome da ci\u00eancia, passam a se inscrever novas formas de poder que regulam e esquadrinham os homens [e as mulhe- res] na trama do social\u201d (Nardi, 1999, p.35), tarefas te\u00f3rico-epistemol\u00f3gicas e pol\u00edticas implicadas na rea- liza\u00e7\u00e3o desta investiga\u00e7\u00e3o \u2018militante\u2019.

G\u00caNERO: A DIVERSIDADE DE CONCEP\u00c7\u00d5ES
TE\u00d3RICO-EPISTEMOL\u00d3GICAS

Os estudos de g\u00eanero e os estudos feministas cons- tituem um campo de estudos relativamente novo na ci\u00eancia. No Brasil, o termo \u2018g\u00eanero\u2019 foi inclu\u00eddo no meio acad\u00eamico ao final da d\u00e9cada de 1990, sendo definido a partir do sexo biol\u00f3gico. Nesta concep\u00e7\u00e3o, chamada \u2018sistema sexo-g\u00eanero\u2019, sobre o \u2018sexo\u2019 biol\u00f3- gico e reprodutivo \u00e9 constru\u00eddo o \u2018g\u00eanero\u2019, sistema de caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas e culturais que marcam diferen\u00e7as entre homens e mulheres (Strey, 1998). Perspectivas p\u00f3s-modernistas, tais como o constru- cionismo social, destacam a constru\u00e7\u00e3o social do g\u00eanero, ressaltando que o g\u00eanero \u00e9 umai n v e n \u00e7 \u00e3 o (Nogueira, 2001a, 2001b). J\u00e1 teorias p\u00f3s-estruturalis- tas e desconstrucionistas francesas (Butler, 1998, 2001; Nicholson, 2000; Scott, 1986) refutam tais pro- posi\u00e7\u00f5es, desconstruindo a perspectiva essencialista e heterossexista do sistema \u2018sexo-g\u00eanero\u2019. N\u00e3o mais ba- seado nas diferen\u00e7as biol\u00f3gicas ou \u2018naturais\u2019, diz-se que o g\u00eanero foi (des)naturalizado. Revisada a id\u00e9ia bin\u00e1ria de dois sexos e dois g\u00eaneros, o g\u00eanero passa a ser entendido como rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que ocorre num

campo discursivo e hist\u00f3rico de rela\u00e7\u00f5es de poder. Nestas perspectivas, g\u00eanero \u00e9 um efeito da linguagem, produzido e gerado a partir de discursos, e n\u00e3o a partir da biologia. Enquanto produ\u00e7\u00e3o discursiva, o g\u00eanero n\u00e3o apenas descreve constru\u00e7\u00f5es sobre corpos mate- riais, naturais e preexistentes. Os corpos tamb\u00e9m s\u00e3o produ\u00e7\u00f5es discursivas, pois \u201co que aparece exposto no corpo n\u00e3o \u00e9 separado do discurso que o situa\u201d (Perei- ra, 2005, p. 133). N\u00e3o h\u00e1, portanto, ess\u00eancias verda- deiras, naturais e \u00edntimas a serem manifestadas, repre- sentadas ou constru\u00eddas sobre a materialidade do cor- po. G\u00eanero e corpos s\u00e3o produ\u00e7\u00f5es discursivas que se constituem no ato mesmo a partir do qual s\u00e3o nomea- dos. Conforme Butler (2003, p. 22), \u201cdiscursos, na ver- dade, habitam corpos. Eles se acomodam em corpos; os corpos na verdade carregam discursos como parte de seu pr\u00f3prio sangue. E ningu\u00e9m pode sobreviver sem, de alguma forma, ser carregado pelo discurso\u201d. G\u00eanero, nesta perspectiva, \u00e9 concebido comoa t o

perform\u00e1tico, que se constitui enquanto pr\u00e1tica reafir-

mada ou (re)negociada a partir de determinado cam- po, sempre contingente, de possibilidades (Butler, 2000, 2001, 2003, 2004). Corpo, g\u00eanero e subjetivida- de est\u00e3o, assim, intrinsecamente articulados enquan- to produ\u00e7\u00f5es discursivas. A subjetividade constitui-se sempre discursivamente, ou seja, atrav\u00e9s dos discur- sos entre os sujeitos e entre as diversas inst\u00e2ncias das quais participam. Cabe ressaltar que os discursos n\u00e3o remetem apenas \u00e0 linguagem simb\u00f3lica. Os discursos s\u00e3o pr\u00e1ticas concretas que constituem o sujeito e que est\u00e3o disseminados nas mais diversas institui\u00e7\u00f5es na forma de pr\u00e1ticas disciplinares e disciplinantes (Foucault, 1969, 1995). Cumprem papel importante neste contexto as disciplinas normatizantes da medici- na, da psicologia, do direito e da educa\u00e7\u00e3o que imp\u00f5em normas para a constitui\u00e7\u00e3o das subjetividades em cada tempo e contexto hist\u00f3ricos (Foucault, 1975/2002). Embora o sujeito sempre esteja assujeitado a determi- nados discursos, ele n\u00e3o \u00e9 produzido de uma s\u00f3 vez, em sua totalidade (Butler, 2000, 2003). Na constru\u00e7\u00e3o da subjetividade (subjetiva\u00e7\u00e3o), ocorrem reconfigu- ra\u00e7\u00f5es, renegocia\u00e7\u00f5es e reposicionamentos complexos dentro das estruturas nas quais se constitui o sujeito. H\u00e1 espa\u00e7o, portanto, n\u00e3o s\u00f3 para a submiss\u00e3o (sujei- \u00e7\u00e3o ou assujeitamento, em termos foucaultianos), mas espa\u00e7o tamb\u00e9m para a subvers\u00e3o \u2013 ou resist\u00eancia \u2013 do sujeito aos discursos, ou ao discurso dominante, que o constitui (Butler, 2000, 2003; Foucault, 1995).

A MARGINALIDADE DOS ESTUDOS
FEMINISTAS E DE G\u00caNERO NA CI\u00caNCIA
Quaisquer que sejam as matrizes te\u00f3ricas dos es-
tudos de g\u00eanero (ver Colling, 2004; Mariano, 2005;
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Narvaz, M. G., & Koller, S. H.
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Pereira, 2004), o preconceito e a marginaliza\u00e7\u00e3o im- putados aos estudos feministas e de g\u00eanero t\u00eam sido apontados por diversas pesquisadoras, o que se consti- tui em importante obst\u00e1culo a sua legitima\u00e7\u00e3o acad\u00ea- mica (Adelman, 2003; Bordo, 2001; Costa, 1994). Tal marginaliza\u00e7\u00e3o parece estar associada \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do surgimento e da institucionaliza\u00e7\u00e3o deste campo de estudos com os movimentos sociais, sobretudo em sua estreita vincula\u00e7\u00e3o com os partidos de esquerda e com os movimentos de mulheres. No Brasil, o processo de forma\u00e7\u00e3o do movimento feminista ocorreu, em grande parte, no contexto da hist\u00f3ria dos partidos de esquerda na luta contra a ditadura militar. Tribut\u00e1rios das a\u00e7\u00f5es conduzidas pelo movimento de mulheres a partir dos anos 60, os movimentos feministas envolveram pes- quisadoras, acad\u00eamicas e militantes que atuavam den- tro de um mesmo projeto pol\u00edtico, qual seja, o de con- frontar e de contestar as discrimina\u00e7\u00f5es e as rela\u00e7\u00f5es de poder existentes na sociedade (Costa e Schmidt, 2004; Maluf, 2004; Toneli, 2003). Soci\u00f3logas, antro- p\u00f3logas e historiadoras buscavam, assim, denunciar a opress\u00e3o patriarcal e capitalista vivida pelas mulheres, sobretudo na fam\u00edlia e no mercado de trabalho. O cam- po de estudos de g\u00eanero, inicialmente voltado para os estudos sobre as mulheres, foi-se consolidando, no Brasil, no final dos anos 70, concomitantemente ao processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, ao fortaleci- mento dos movimentos sociais e do movimento femi- nista no pa\u00eds (Costa, 1994; Farah, 2004). Nos anos 80, a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica sobre o tema cresceu e diversi- ficou-se. Come\u00e7aram a surgir, nas Universidades, os n\u00facleos de estudos e pesquisas sobre a mulher, sendo que as publica\u00e7\u00f5es e teses envolvendo tal tem\u00e1tica au- mentaram consideravelmente nesta \u00e9poca. No final da d\u00e9cada de 1990, as principais associa\u00e7\u00f5es de cientis- tas do pa\u00eds, entre elas, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psi- cologia Social (ABRAPSO), contavam com grupos de trabalhos especializados na tem\u00e1tica de g\u00eanero. Ape- sar da crescente consolida\u00e7\u00e3o deste campo de estudos no Brasil, sua inser\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o acad\u00eamico sempre foi marginal, ocorrendo predominantemente na pes- quisa, em detrimento do ensino. A maioria dos cursos foi (e ainda \u00e9) oferecida na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, onde h\u00e1 maior flexibilidade curricular, sendo que, na gradua- \u00e7\u00e3o, s\u00e3o oferecidas apenas disciplinas optativas, n\u00e3o havendo cursos regulares sobre rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. Este cen\u00e1rio pode ser compreendido como resultado da repress\u00e3o (especialmente \u00e0s Ci\u00eancias Humanas e Sociais) a qual estava sujeita a Universidade. Pesqui- sadoras feministas, oriundas geralmente das \u00e1reas das Ci\u00eancias Humanas e Sociais, limitadas por dificulda- des financeiras e institucionais impostas pela referido regime, criaram, ent\u00e3o, centros de pesquisa privados e independentes nas universidades, buscando apoio e fi-

nanciamento de ag\u00eancias internacionais para a reali-
za\u00e7\u00e3o de suas pesquisas (Costa, 1994).

A resist\u00eancia para a incorpora\u00e7\u00e3o da tem\u00e1tica de g\u00eanero nos curr\u00edculos universit\u00e1rios, em especial nos curr\u00edculos b\u00e1sicos da gradua\u00e7\u00e3o, ocorre n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas em quase todos os lugares do mundo (Descarries, 1994). A relativa aceita\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos de estudos de g\u00eanero nos cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o das universidades evidencia que o g\u00eanero \u00e9 tomado como tem\u00e1tica apenas de especialistas, bem como desvela o conservadorismo do meio acad\u00eamico, que tem dificul- dade para atualizar seus curr\u00edculos. Al\u00e9m disso, os es- tudos de g\u00eanero est\u00e3o presentes apenas em algumas universidades e em alguns campos do saber, sobretu- do na Hist\u00f3ria e nas Ci\u00eancias Sociais, como se outras ci\u00eancias pudessem prescindir do g\u00eanero. A institu- cionaliza\u00e7\u00e3o e a transversaliza\u00e7\u00e3o dos estudos de g\u00ea- nero em todas as \u00e1reas de conhecimento \u00e9 uma im- portante reivindica\u00e7\u00e3o das pesquisadoras feministas (Adelman, 2003; Costa e Sardenberg, 1994; Lopes e Piscitelli, 2004; Malheiros, 2003; Maluf, 2004).

G\u00caNERO NA AGENDA DAS POL\u00cdTICAS
GOVERNAMENTAIS

O incentivo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o das mulheres no campo das ci\u00eancias e nas carreiras acad\u00eamicas nas quais ain- da h\u00e1 forte hegemonia masculina, especialmente nas ditas Ci\u00eancias Exatas, bem como a realiza\u00e7\u00e3o de pes- quisas sobre mulheres, g\u00eanero e feminismo no \u00e2mbito acad\u00eamico t\u00eam sido, ainda, objeto de preocupa\u00e7\u00e3o go- vernamental (Farah, 2004). O Estado Brasileiro \u00e9 sig- nat\u00e1rio de v\u00e1rios acordos, tratados e conven\u00e7\u00f5es na- cionais e internacionais atrav\u00e9s dos quais assume o compromisso de erradicar a discrimina\u00e7\u00e3o, os estere\u00f3- tipos de g\u00eanero e a viol\u00eancia contra as mulheres, bem como promover a igualdade de g\u00eanero e a autonomia feminina (Pr\u00e1 e Negr\u00e3o, 2005). Al\u00e9m da necessidade de garantir a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos humanos para as mulheres, a Comunidade Internacional e o Estado Bra- sileiro entendem que o desenvolvimento sustent\u00e1vel, a redu\u00e7\u00e3o da pobreza e o crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds somente ser\u00e3o viabilizados atrav\u00e9s da inclus\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas afirmativas para as mulheres. A in- clus\u00e3o do recorte transversal de g\u00eanero na formula\u00e7\u00e3o e na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas faz parte, pela primeira vez no pa\u00eds, do programa de governo, o que evidencia a relev\u00e2ncia da quest\u00e3o do g\u00eanero ante- riormente negligenciada pelas pol\u00edticas governamen- tais (Bandeira, 2005; Melo, 2005).

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Do- mic\u00edlios (PNAD/IBGE), de 2005, revelam que mais da metade da m\u00e3o de obra brasileira (51,6%) \u00e9 composta por mulheres. Contudo, a participa\u00e7\u00e3o feminina no

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