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MEMORANDO
Aspectos hidrogeológicos
Principais características e condicionantes da Quinta de S. Francisco
1- Está
condicionada, na sua quase totalidade, pela Reserva Ecológica Nacional
,sob o critério da protecção de cabeceiras de linhas de água, que pertencem à baciahidrográfica do Rio Real, principal afluente da Lagoa de Óbidos. Trata-se de uma áreacôncava, onde se pretende facilitar a máxima infiltração e evitar a escorrênciasuperficial e a consequente erosão do solo.2- Situa-se na
zona de recarga do sistema aquífero do Grés de Torres Vedras
,considerado pelo Instituto da Água (INAG) no estudo “Definição, caracterização ecartografia dos sistemas aquíferos de Portugal Continental” - Fev. 1997, como um dos60 grandes aquíferos, pelo que possuí interesse regional e uma importância estratégica para a política nacional de recursos hídricos.3- A
vulnerabilidade do aquífero existente no local
, o sistema aquífero do Grés deTorres Vedras, é de 160-179 (
média a elevada
) atribuído às fundações Jurássicas,conforme consta no Parecer do Prof. José Martins de Carvalho “Nota técnica sobre asimplicações nos recursos hídricos subterrâneos da construção do Aterro Sanitário doOeste na Quinta de S. Francisco”, na pág. 6 em que se reportou ao trabalho de LoboFerreira e outros, de 1995, intitulado “Desenvolvimento de um inventário das águassubterrâneas de Portugal”, volumes 1 e 2, LNEC.4- Os recursos hídricos subterrâneos existentes no local são evidenciados no “Relatóriogeotécnico para Acoril – Empreendimentos S.A., Aterro Sanitário do Oeste”, Sopecate,Setembro de 2000, em que foi detectada água em todos os furos e por determinação docliente foram colocados tubos piezómetros em 3 furos, verificando-se que o nível daágua estabilizou às seguintes profundidades: 9,10 metros (furo n.º 1), 7.35 metros (furon.º 2) e 22,85 metros (furo n.º 5).5- Relativamente aos recursos hídricos superficiais, o nível freático varia dos 0,60metros a 3 metros, segundo o “Parecer sobre as Condições Geológicas e Geotécnicas doTerreno para a Instalação do Aterro de resíduos Sólidos Urbanos”, GAO, 1998, tendosido detectada água em 53% dos poços efectuados.6- Segundo o mesmo parecer, a Quinta de S. Francisco apresenta variabilidadelitogica, existindo: a) veis gresoso, greso-calcáreos, que o apresentamcaracterísticas de depuração e mostram elevada vulnerabilidade à poluição; b) níveis predominantemente arenosos; c) níveis predominantemente argilosos. Assim, preconiza-se a “... realização de uma campanha de prospecção geotécnica complementar...”.
Morada: Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2 2550-069 VILAR CDVTel. / Fax: (+351) 262 771 060 – E-mail:mpicambiente@gmail.com  – Web: http://mpica.info 
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Para analisar cientificamente as condições hidrogeológicas existentes na área delocalização do ASO para uma melhor compreensão das implicações da construção doAso na Quinta de s. Francisco sobre os recursos hídricos, pedimos a colaboração doEurgeol Prof. José Martins de Carvalho, de que resultaram dois pareceres. Na opinião do especialista Eurgeol Prof. José Martins de Carvalho
“...não parece defensável,numa óptica global de ordenamento do território, e ao nível dos conhecimentos obtidos com osestudos realizados, instalar o Aterro Sanitário do Oeste sobre o único aquífero de importânciaregional reconhecidamente existente.”
Devido a diversas falhas detectadas nos estudosconsultados levaram-no a sugerir a
“...re-selecção de dois ou três locais considerados mais próprios para a instalação do Aterro Sanitário...”
. Pelo que,
“A selecção da Quinta de S. Francisco para a instalação do Aterro Sanitário do Oeste não atendeu ao princípio da precaução preconizado na Directiva – Quadro da água (U.E.) recentemente aprovada”.
 
Actuação das entidades e autoridades competentes
As entidades envolvidas neste processo assim como as autoridades competentes, quenacionais quer comunitárias, revelaram uma postura que nos parece incorrecta desvirtuando oseu papel de promotores do interesse comum e da legalidade. Assim:1- Emissão de Declaração pela DRARNLVT sem fundamento técnicoA Direcção Regional do Ambiente e Recursos Naturais de Lisboa e Vale do Tejo, emitiu em 4de Junho de 1997 a Declaração 9/97, atestando que o projecto “
Solução Intermunicipal para os Resíduos Sólidos da Região Oeste não se situa nem é adjacente a uma zona sensível do pontode vista do ambiente e não terá efeitos negativos significativos sobre as pessoas, a água, ...”
(indispensável para a candidatura ao Fundo de Coesão), sem ser apoiada em qualquer estudoou parecer técnico, sendo que nessa data esta mesma Direcção Regional tinha apresentado aoConselho de Ministros uma proposta de delimitação da REN (que integra a quase totalidade dolocal para a construção do aterro) que foi aprovada pela Resolução do Conselho de Ministrosn.º 189/97, de 29 de Outubro de 1997 e tinham já sido caracterizados os principais sistemasaquíferos de Portugal Continental pelo INAG.2- Emissão de Parecer pela DRARNLVT quanto à afectação dos recursos hídricos semreferência ao aquífero do “Grés de Torres Vedras”Em 11 Abril de 2000, a Direcção Regional do Ambiente e Recursos Naturais de Lisboa e Valedo Tejo, emite um parecer favorável à localização do Aterro Sanitário do Oeste na Quinta de S.Francisco, quanto à afectação dos recursos hídricos, sem que seja feita qualquer referência aoaquífero do “Grés de Torres Vedras” e às medidas minimizadoras dos impactes da instalação doaterro na sua área de recarga.Tal omissão é incompreensível, dado que se trata da autoridade nacional com competência parase pronunciar sobre a afectação dos recursos hídricos !
Morada: Edifício da Junta de Freguesia do Vilar, Largo 16 de Dezembro, n.º 2 2550-069 VILAR CDVTel. / Fax: (+351) 262 771 060 – E-mail:mpicambiente@gmail.com– Web:http://mpica.info 
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3- Selecção do local do ASO com base em critérios políticosO critério de selecção do local para o ASO foi meramente político, a confluência dosmunicípios de Cadaval, Torres Vedras e Alenquer.Foi realizado um estudo de macrolocalização, em que se compararam 10 locais da região Oesteem 2000 (“Estudo de localização do Aterro Sanitário do Oeste, IPA, Jan. 2000), devido à pressão da opinião pública regional e após a aquisição do terreno (a escritura de permuta ecompra e venda é datada de 27 de Janeiro de 1999). Vindo a confirmar-se a suspeita de que assuas conclusões não seriam fiáveis.4- Não realização de uma Avaliação de Impacte Ambiental Não foi realizada uma Avaliação de Impacte Ambiental, que considerámos obrigatória devido,entre outras razões, ao possível impacte negativo significativo sobre o Sistema Aquífero do“Grés de Torres Vedras”, uma vez que, nos termos do artigo 2º a Directiva 85/337/CEE, de 27de Junho de 1985, relativa à avaliação dos efeitos de determinados projectos públicos e privados no ambiente, “Os estados-membros tomarão as disposições necessárias para que,antes da concessão da aprovação, os projectos que possam ter um impacto significativo noambiente, nomeadamente pela sua natureza, dimensões ou localização, seja submetidos àavaliação dos seus efeitos”.Os projectos de aterro para resíduos urbanos não perigosos estão incluídos no Anexo II dadirectiva, com as alterações introduzidas pela Directiva 97/11/CE de 3 de Março, pelo que asua sujeição a uma avaliação de impacto ambiental nos termos da directiva é deixada àapreciação dos estados-membros. No entanto, este poder discricionário pode ser limitado peloartigo 2º acima transcrito.Para contornar esta disposição legal, o Estado Português começou por negar às autoridadeseuropeias a existência do aquífero de importância estratégica, alegando que todo o Oeste possuiaquíferos o que dificulta a escolha de um local para o aterro. Contudo, a Comissária Europeiado Ambiente admitiu, quando interpelada no Parlamento Europeu, que
“Se, uma veanalisados todos os esclarecimentos apresentados pelas autoridades portuguesas, a Comissãoconfirmar que, apesar de tais esclarecimentos, o local escolhido para o projecto possui,designadamente, aquíferos considerados como reservas estratégicas para a região, e que,consequentemente, o projecto é susceptível de exercer impactos significativos no ambiente, aComissão ver-se-á obrigada a recorrer a todos os instrumentos jurídicos previstos no TratadoCE para assegurar a correcta aplicação do direito comunitário.”
.Perante a prova inequívoca da existência do aquífero de importância regional, o EstadoPortuguês alegou, que dos estudos efectuados (Estudo de Incidência Ambiental – IPA 1998,Estudo de Localização do ASO – IPA 2000) é possível concluir que o projecto não produziráimpactes significativos sobre o aquífero. No entanto, no Estudo de Incidência Ambiental – IPA 1998 pode ler-se na página 103, por exemplo, o seguinte:
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