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Adaptação Bem Feita

Adaptação Bem Feita

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A
decisão de matricular o filho naEducação Infantil é movida por di-ferentes razões.Alguns precisam apenasde um lugar para deixá-lo,enquanto ou-tros entendem que esse é o ambiente maisapropriado para os pequenos.Nos doiscasos,os primeiros dias na creche costu-mam não ser fáceis.As mães (ou respon-sáveis) choram discretamente,se sentin-do culpadas pela separação,e a criança-da abre o berreiro ao ver os adultossaírem pela porta.Evitar cenas assim épossível quando os profissionais escola-res programam uma boa adaptação pa-ra todos.“Como,na maioria das vezes,es-sa é a primeira vivência de meninos e me-ninas num espaço coletivo fora de casa,devemos fazer dessa experiência a grandee boa referência para as próximas rela-ções”,diz Beatriz Ferraz,diretora de pro- jetos de formação continuada da Escolade Educadores,em São Paulo.
Sala de Aula
SEM ESTRESSE
A criança ambientadaaceita a ausênciados pais e se entregaås atividades diárias
Adaptaçãobem feita
Bebês e crianças pequenasse sentem à vontade quandoa creche acolhe as famíliase os objetos pessoais de todos
CRISTIANE MARANGON
cmarangon@abril.com.br
Identidade e autonomia
 
MAIS PERTO DE CASA
Fotos ajudam os bebêsa matarem a saudadedos pais e a professoraa conhecê-los melhor
No Colégio Farroupilha,em Porto Ale-gre,a professora Edimari Rodrigues Ro-meu tem grande preocupação com aadaptação.“Para amenizar o sofrimentodas famílias,é preciso mostrar que ascrianças ficam bem na creche”,lembra.Com isso em mente,ela desenvolveu noinício deste ano o projeto Um Cantinhoda Minha Casa na Escola com sua turmade berçário.O trabalho com os peque-nos,de até 1 ano e meio,durou dois me-ses e rendeu um diploma por ter ficadoentre os 50 melhores do Prêmio VictorCivita Educador Nota 10 em 2007.Durante a entrevista com as famílias,Edimari pediu fotos das crianças com osparentes,os animais de estimação e osbrinquedos preferidos.“É importante queelas encontrem objetos pessoais na esco-la”,justifica.“Isso dá a sensação de exten-são de casa na instituição.Com o mate-rial,escolheu um canto,colocou um ta-pete colorido de EVA no chão e espalhoualmofadas e brinquedos devidamenteidentificados.Em paralelo,confeccionouum painel com os retratos.Tirou cópiascoloridas e as fixou em cartolina brancacom um adesivo transparente largo.Porfim,colocou o mural na parede numa al-tura acessível ao grupo.
Álbum de fotos
As imagens originais foram para álbunsindividuais.A professora cortou ao meiofolhas coloridas de tamanho A4 e colouas fotos em cada pedaço.Depois,digitouas legendas no computador e imprimiuem papel branco.Nelas,o nome das pes-soas e a situação (“Pedro com seus avósno parque”,por exemplo).Para garantirmais durabilidade,envolveu as folhascom plástico adesivo transparente.Como furador,fez dois orifícios em todas aspáginas e as uniu com barbante.Na ca-pa,escreveu “Eu e minha família”.Comoa intenção era deixá-los ao alcance dacriançada,ela tomou o cuidado de nãousar grampeador nem fio de náilon pa-ra não causar machucados.Todos os dias,alguém chegava com umbrinquedo para juntar ao canto.Edima-ri reunia a turma numa roda,fazia a cha-mada e mostrava o novo objeto.“Eu con-tava quem havia trazido e estimulava oempréstimo,mas nem sempre era aten-dida.Quem não queria compartilhar erarespeitado”,diz.Dessa maneira,ficava en-tendido o que pertencia a quem.O mes-mo aconteceu com a inserção de fotosinéditas,com destaque para o nome e aspeculiaridades de cada família.O tempo todo,os pequenos estão li-vres para explorar o espaço.“Em algunsmomentos,eles ficam um longo perío-do olhando e observando seus parentese os dos colegas”,conta.Mas nem todosse acalmam vendo a imagem da famíliana parede.No princípio,era comum al-guns chorarem de saudade.Quando issoacontecia,a educadora os pegava no co-lo e conversava sobre o momento em quese reencontrariam com os pais novamen-te.Um de seus argumentos era a proxi-midade da hora de saída.Para os que nãotêm autonomia para se locomover,co-mo os bebês de colo e os que ainda nãoengatinham ou andam,a estratégia é le-vá-los ao painel ou fixar as fotos no chãocom plástico adesivo transparente.Des-de o início do ano,Edimari já refez o ma-terial algumas vezes por causa da mani-pulação,mas isso não é problema.O queimporta mesmo é o bem-estar da turma.
Envolvimento de todos
O CEI Mina,na capital paulista,tem umprojeto institucional de adaptação bas-tante elogiado.Assim que recebe a listade interessados em fazer a matrícula,adiretora Rosangela Santos Barbosa mar-ca uma entrevista com os pais ou os res-ponsáveis.No dia combinado,ela aplicaum questionário com perguntas sobreconcepção,gestação,parto,relações afe-tivas,higiene,alimentação,sono e outrosaspectos da vida da criança em casa.Suaintenção é reunir informações para quea equipe consiga fazer um atendimentopersonalizado.Depois,ela explica o pla-nejamento pedagógico e apresenta todosos espaços e funcionários,dando ênfaseaos lugares onde a criança vai ficar.O fimda conversa é um convite para que osadultos passem alguns dias na creche,acompanhando a rotina.Rosangela tem objetivos definidos.
   P   A   T   R    Í   C   I   A   S   T   A   V   I   S   E   D   I   S   O   N    V   A   R   A
 
Identidade e autonomia
Sala de Aula
“Quero proporcionar tranqüilidadee fazer com que todos se sintam segurosacompanhando nosso trabalho”,explica.A medida tem um ganho adicional.Coma família dentro da instituição,os profes-sores aprendem mais rapidamente a me-lhor maneira de cuidar do novo integran-te da turma.“O ideal é que a primeiratroca de fraldas seja feita pela mãe coma observação do educador”,defende a con-sultora Beatriz.Na CEI Mina,os adultos participamainda de palestras e discussões pedagógi-cas.“Sempre exibo um vídeo e leio sobreo tema adaptação antes de iniciar umareflexão”,conta a diretora.Além do am-biente preparado com mesa,cadeiras evideocassete,ela oferece um lanche.Nes-se clima descontraído,todos se sentem àvontade para compartilhar impressões eangústias.Com o entrosamento no espa-ço escolar,Rosangela propõe uma ofici-na de sucata para a confecção de um brin-quedo.A produção dos pais é sempre co-locada na sala da creche.Outra iniciati-va é integrar os participantes às ativida-des do dia-a-dia.“O envolvimento é tãogrande que as pessoas não se restringema dar atenção aos seus”,narra.Os especialistas recomendam aindacompartilhar um texto sobre o desenvol-vimento infantil e explicar o que aconte-ce em cada época da infância,principal-mente na fase em que está o filho.
A equipe e a família
A equipe pedagógica também mereceuma adaptação.“A rotina da instituiçãose altera completamente com a chegadade cada novo integrante,seja no início doano,seja agora,justifica Silvana Augus-to,assessora para Educação Infantil e for-madora de professores,de São Paulo.Nes-se caso,coordenadores e diretores devemorientar professores e demais funcioná-rios sobre como se comportar: por exem-plo,explicar aos cozinheiros que,se acriança rejeitar a comida,não é um pro-blema do trabalho dele.A adaptação é um período de aprendi-zagem.Família,escola e crianças desco-brem sobre convívio,segurança,ritmose exploração de novos ambientes,entretantas outras coisas (
confira no quadro da página ao lado uma seqüência de atividades para garantir o sucesso desse trabalho
).Pa-ra as famílias das crianças do CEI Mina,fica a clareza de fazer parte da creche,poisa equipe considera o sentimento delas pa-ra desenvolver o próprio trabalho.“Esta-mos prontos para receber os pais.Eles sãonossos parceiros!”,diz Rosangela.No Colégio Farroupilha,a professoragaúcha também alcançou seu objetivo:as crianças rapidamente ficaram tranqüi-las dentro do novo ambiente.Para de-monstrar isso aos pais ou responsáveis,fez fotos de diferentes situações,como abrincadeira no tanque de areia,a hora dolanche,o abraço apertado no brinquedoquerido e os olhares felizes em direçãoao mural.As crianças aprendem a ficarlonge da família e,com isso,se apropriamdos espaços da creche”,avalia.
PARCERIA EFICAZ
Envolver os familiaresna rotina aumenta asegurança para deixaros pequenos na creche
QUER SABER MAIS
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Contatos
Beatriz Ferraz,
beatrizferraz@escoladeeducadores.com.br
CEI Mina,
R. da Mina, 53, 04235-460, São Paulo,SP, tel. (11) 2272-2827
Colégio Farroupilha,
R. Carlos Huber, 420,91330-150, Porto Alegre, RS, tel. (51) 3382-1858
Daniela Teperman,
danitep@usp.br
Silvana Augusto,
silvana_augusto@uol.com.br
Bibliografia
Aprender e Ensinar na EducaçãoInfantil,
Eulália Bassedas, Teresa Huguete Isabel Solé, 360 págs., Ed. Artmed,tel. 0800-703-3444, 59 reais
A Criança e o Seu Mundo,
Donald Winnicott,272 págs., Ed. LTC, tel. (21) 3970-9450, 63 reais
   P   A   T   R    Í   C   I   A   S   T   A   V   I   S

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