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Resenha de Matrizes do Pensamento Psicológico de Luis Claudio Mendonça Figueiredo

Resenha de Matrizes do Pensamento Psicológico de Luis Claudio Mendonça Figueiredo

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Uma resenha de um excelente livro que vale a pena adquirir...
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Categories:Types, School Work
Published by: Romero Marcius Viegas Meireles on Nov 17, 2011
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RESENHA DO LIVRO“ MATRIZES DO PENSAMENTO PSICOLÓGICO”DELUÍS CLÁUDIO MENDONÇA FIGUEIREDO
1
 
CAPÍTULO IA CONSTITUIÇÃO DO ESPAÇO PSICOLÓGICOEMERGÊNCIA E RUÍNA DO SUJEITO
 Na Idade Moderna surge a redefinição das relações sujeito/objeto: A razãocontemplativa cede lugar à “razão” e à ação instrumental. A partir de Francis Bacon,enfatiza-se o caráter operante das relações entre homem e mundo, o sujeito possui o
 status
de senhor de direito da natureza, cabendo ao conhecimento transformá-lo em senhor de“fato”. Descartes compartilha com Bacon a mudança, no sentido de um interesse utilitário.O conhecimento cienfico subordinando-se à utilidade, à adaptão e ao controle,modelando-se a prática científica pela ação instrumental alcançou realce cada vez maior.Com o passar do tempo, desdobrando-se a tradição utilitária, a aplicação prática doconhecimento, deixa de ser apenas condicionante externo e passa a justificar e motivar a pesquisa. A possível e desevel aplicação prática do conhecimento, ao motiva profundamente a pesquisa, faz com que ocorra a ruptura, de uma forma, na qual as teoriasdo conhecimento ainda manifestavam-se sob o modelo da razão contemplativa, que buscava os fundamentos absolutos do conhecimento, na rao (Descartes) e naexperimentão (Bacon), para uma que fundamentava-se cada vez mais nainstrumentabilidade do conhecimento, cujos procedimentos e técnicas definem-se nostermos de controle, cálculo e teste.O “real” objeto desta ciência é o real tecnicamente manipulável, na forma docontrole e na forma simbólica do cálculo e da previsão exata. A ciência e a produçãotecnológica, por terem os mesmos projetos e meios empregados nas atuações produtivas, progridem juntas, amparando-se e incentivando-se mutuamente. Ambas encarnam um projeto único e visam o mesmo objeto, da mesma forma. Bacon afirma que o ser humano possui tendências inatas ou adquiridas que bloqueiam ou deformam a leitura objetiva danatureza; diz também que a mente humana foi possuída por ídolos e falsos preceitos e queexiste dificuldade para a verdade penetrar e ser absorvida e apreendida. Instala-se a partir de Bacon, uma atitude cautelosa e suspeitosa do homem para consigo mesmo. A produçãodo conhecimento produtivo pela objetividade e a ação instrumental, necessariamenteenfrentam uma dificuldade; o auto-conhecimento e o auto-controle seriam preliminaresindispensáveis. Tem-se por disciplina do espírito o objetivo das regras metodológicas, asquais definirão a própria prática científica, ou seja, a disciplina do método é o queespecifica o cientista.Emerge com Descartes, a vida medica; a nova ciência tem nela, seu procedimento fundamental. Na doutrina dos ídolos assim como na dúvida metódicaencontram-se todos os discursos de suspeição que a Idade Moderna elaborou, identificandoe extirpando, ou neutralizando a subjetividade empírica. A base segura para se validar efundar o conhecimento objetivo, no entanto, continuou sendo para Bacon, a evidênciaempírica que além de sua dificuldade de obtenção ainda exigia uma constante higienemental. Hegel e Marx inauguram um outro ponto de vista, onde surge a desconfiança em
2
 
relação ao sensível, ao imediatamente dado. Nessa concepção, todo conhecimento émediado e construído. Desenvolvia-se a suspeita dirigida à experiência sensorial e numaoutra tradição, a própria razão tinha seu valor e limites investigados. David Hume reduziuos processos mentais a fenômenos associativos apontando para a aprendizagem como sendoorigem das categorias e operações do pensamento. Hume inicia o procedimento quedesqualifica a lógica como reitora incondicional do discurso científico e a coloca comoresultado da experiência, portanto, condicionada e relativa. O que exige cautela, diante da própria razão. Não se encontra com facilidade, movimentos intelectuais que compartilhemsimultaneamente as suspeitas, diante das teorias e dos dados, da razão e da observação esuspeitas generalizadas diante dos afetos e das motivações. Isto reduziria o sujeito aodesespero e à condenação (por ilusória), de qualquer pretensão ao conhecimento objetivo.O niilismo Nietzschiano é o que mais se aproxima deste limite. Com Peirce e Popper a busca do fundamento absolutamente seguro do conhecimento foi substituída pelaespecificação de um procedimento, de uma gica da investigação, que diante daimpossibilidade de extirpar o subjetivismo e a arbitrariedade, no início da pesquisa, possa promover um processo infinito de auto-correção, no qual a verdade objetiva se coloca comoidéia reguladora. A época define-se pela presença destes ataques ao sujeito empírico doconhecimento, pelas táticas contra sua inclusão indesejada, pelo sítio armado em torno dasubjetividade.O sujeito empírico é concebido como fator de erro, de ilusão. Constitui-se e tenta-se colonizar um novo campo, “o da natureza interna” ou “intímo”. Este projeto carrega umacontradição peculiar: justifica-se por se presumir que a natureza interna seja essencialmentehostil à disciplina imposta pelo método científico e por isso deva ser neutralizada. Mas, por outro lado, o objetivo seria submeter a natureza interna às mesmas práticas de pesquisa e portanto de controle, que se firmaram e desenvolveram na interação com a naturezaexterna. O sujeito, então é atravessado por uma sucessão de rupturas. As ciências naturaisrepousam na pressuposição de uma exterioridade entre a prática da pesquisa e seu objeto, oconfronto nitidamente delimitado e rigidamente controlado entre sujeito e objeto, o que promove a multiplicação e o refinamento dos instrumentos conceituais e teóricos dedescrição, previsão e controle. Mas, a Psicologia que nasce no bojo das tentativas defundamentação das novas ciências acaba por destinar-se a jamais encontrar seus própriosfundamentos e nunca satisfazer os moldes de cientificidade que motivaram seu própriosurgimento.
EMERGÊNCIA E RUÍNA DO SUJEITO
  Numa sociedade agrária, a identidade social era pré-definida pela cultura emfunção de eventos biográficos, quase que totalmente. O indivíduo era o que a comunidadedefinia, ao menos em grande medida. A nova forma de organização social, a convivência émarcada pelas relações instrumentais e pela luta entre interesses particulares opostos, o quedá margem para o surgimento de uma subjetividade diferenciada em relação à identidadesocial pré- definida existente na sociedade agrária. Surge uma imagem de indivíduo legada pelo iluminismo e presente no liberalismo clássico: capaz de discernimento, capaz decálculo na defesa de seus interesses, etc., enfim: capaz de independência em relação àautoridade e à tradição.Mais tarde, quando a sociedade entra em crise, com as guerras, as lutas operárias,as recessões, os bolsões da miséria urbana, o indivíduo privado passa a ser visto como
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