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Cesar Schirmer Dos Santos - Presentismo Referencia ao Passado e Proposicoes

Cesar Schirmer Dos Santos - Presentismo Referencia ao Passado e Proposicoes

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Published by: Investigação Filosófica on Nov 18, 2011
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11/18/2011

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 Investigação
Φ
Filosófica
: vol. 2, n. 2, artigo digital 1, 2011.
Presentismo, Referência ao Passado e Proposições
César Schirmer dos SantosUniversidade Federal de Santa Maria
Resumo
: Os presentistas nos dizem que os únicos objetos percorridos pelos quantificadoresde escopo mais amplo são aqueles que existem no presente, o que leva seus críticos aperguntarem o que torna verdadeiros os enunciados sobre o passado, como “Sócrates foi umfilósofo”. Em defesa do presentismo, e seguindo a proposta de Fiocco (2007), argumentamosque o que torna verdadeiro um enunciado sobre o passado é uma proposição, que proposiçõesnão existem no tempo, e que nada na teoria presentista compromete seus defensores com atese de que o que não existe no tempo não existe.
Palavras-chave
: Tempo. Passado. Presentismo. Proposição.
 Abstract 
: Presentist philosophers say that the only objects covered by the quantifiers of broader scope are those that exist at the present, leading his critics to ask what makes true thestatements about the past, such as “Socrates was a philosopher.” In defense of presentism, andfollowing Fiocco (2007), we argue that what makes a statement about the past true is aproposition, that propositions do not exist in time, and that nothing in the presentist theorybind their supporters with the thesis that there are no atemporal objects.
Keywords
: Time. Past. Presentism. Proposition.
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 Investigação
Φ
Filosófica
: vol. 2, n. 2, artigo digital 1, 2011.
De acordo com o presentismo, o único tempo que existe é o presente, e todos osindivíduos que existem são os indivíduos que existem no presente. Ora, mas se é assim, entãonenhum indivíduo que existiu no passado e não existe no presente existe, o que nos leva aperguntar: um enunciado sobre um indivíduo que existiu no passado e não existe no presenteé um enunciado sobre nada? Se for assim, então o enunciado dito hoje:(1)Sócrates foi um filósofoÉ um enunciado que não é sobre Sócrates, pois Sócrates não existe no presente, apesar de terexistido no passado.Para enfrentar esse problema, um presentista como Thomas Crisp propõe queenunciados sobre indivíduos não mais existentes expressam proposições gerais, ao invés deproposições singulares (Crisp 2004). Com isso se resolve o problema da referência a umindivíduo inexistente, pois enunciados gerais têm duas características. Primeiro, denotamindivíduos sem tomá-los como elementos constituintes da proposição, logo sem o risco deconterem um indivíduo inexistente como um dos seus constituintes. Segundo, denotamindivíduos pela satisfação de uma descrição, não pelo foco direto no indivíduo, e não há nadano presentismo que impeça a denotação por descrição. Assim sendo, o enunciado (1) nãoexpressa a proposição (2):(2)FsA qual é formada por um par ordenado (3), contendo a propriedade de ser filósofo (F) e oindivíduo Sócrates (s):
(3)
(é um filósofo, Sócrates)Ao invés disso, quando Sócrates não mais existe, o enunciado (1) expressa a proposição geral
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 Investigação
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Filosófica
: vol. 2, n. 2, artigo digital 1, 2011.
(4):
(4)
Pas(
x[Fx & Fut{nome de x = “Sócrates”}])Onde “Pas” é o operador do passado, e “Fut” é o operador do futuro. Essa proposição geral dizque no passado houve um indivíduo que foi um filósofo e no futuro relativo a tal passado esseindivíduo foi chamado de “Sócrates”. Essa proposta dá conta do conteúdo proposicional de (1)segundo as exigências do presentismo, pois em (4), ao contrário do que ocorre em (2), não épreciso que um indivíduo não mais existente seja tomado como existente no presente. Noentanto, ainda que essa proposta esteja correta, ela não explica como um mundo passadopoderia dar um valor de verdade a (4), e assim a (1), dado que para o presentismo osindivíduos que não mais existem não existem, e o mundo passado como um todo também nãoexiste. O que torna uma proposição sobre o passado verdadeira ou falsa não é o presente ou opassado, mas sim um fato atemporal. Essa é a posição defendida por Fiocco (2007), e nós acorroboramos. No entanto, essa não é a visão usual sobre o problema. Normalmente, adiscussão passa pelo tema dos enlaces entre valores de verdade
(truth-value links)
(porexemplo em Peacocke 1999).Essa solução dá conta de um problema fundamental do presentismo, pois mostra queassim como não é preciso haver referência direta a um objeto que não mais existe para seestabelecer o conteúdo de um enunciado sobre o passado, como (1), não é preciso haverremissão direta ao passado em uma proposição geral, o que é consistente com a propostapresentista.O problema que abordamos tem várias ramificações, e está associado a diversasdiscussões laterais. No entanto, este ensaio diz respeito apenas ao problema da remissão aopassado de acordo com o presentismo. Não será apresentado nenhum argumento a favor oucontra o presentismo, nem será discutida a proposta dos enlaces entre valores de verdade.O que torna verdadeiros ou falsos os enunciados sobre o passado não são eventospassados, mas sim fatos expressos por proposições, as quais são atemporais. Assim sendo, se
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