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BENEFÍ CI OS DA APLI CAÇÃO DA FERRAM ENTA CPM NO PLANEJAM ENTO
OPERACI ONAL E NO CONTROLE FÍ SI CO DA PRODUÇÃO NA I NDÚSTRI A DA
CONSTRUÇÃO CI VI L SUB-SETOR DE EDI FI CAÇÕES

Fernanda M .P.F. Ramos Ferr eir a *
Roberto Gilioli Rotondaro * *
Resumo

Na atual indústria da construção civil, o CPM (Método do Caminho Crítico) é uma metodologia de planejamento e o controle de obras, e no entanto, não é tão imprescindível e nem muito usual.

Entretanto, este trabalho demonstra que, quando a ferramenta CPM é aplicada correta e integralmente, possibilita benefícios para o produto final como, qualidade, custo e prazo.

Apresenta, também, como e porquê algumas empresas não usam integralmente o CPM para fazer o planejamento operacional e o controle físico de suas obras, analisando as dificuldades e os procedimentos utilizados na tentativa de solucionar as mesmas.

Através de análise de alguns casos, sub- setor de edificações do Estado de São Paulo, foi possível medir o grau de utilização desta ferramenta, seus benefícios, dificuldades e procedimentos, comprovando que o método bem aplicado é eficiente.

Palavr as-chave:Planejamento de obras, Controle de
obras e Planejamento com PERT-CPM.
I ntrodão

Em um passado não muito remoto, a conjuntura econômica brasileira era inflacionária e grande enfoque era dado à Matemática financeira, na tentativa de mostrar a importância das entradas e saídas de capital, ao longo dos períodos de capitalização, nos investimentos de empreendimentos imobiliários.

Nessa conjuntura econômica, talvez o uso de ferramentas de planejamento operacional e controle de obras não fosse tão imprescindível e nem usual. Acontece que a economia brasileira mudou. A globalização está mudando a competitividade mundial, e o que antes não tinha grande importância, agora ganha destaque.

Começou assim, em um grande número de empresas de construção civil, uma desenfreada corrida atrás deste conhecimento, de como planejar e controlar uma obra. Se determinada empresa não

buscasse esta metodologia de controle da execução, sua concorrente o faria; na globalização, esta concorrente, muito mais preparada, poderia ser uma empresa italiana, americana, ou até mesmo latino- americana.

Se o problema fosse apenas o da aplicação de uma técnica de como planejar e controlar uma obra, acredita-se que a solução seria simples; porém, percebe-se a necessidade de um aprofundamento maior em como aplicá-la.

Para
melhor
entendimento,

essa metodologia aplica uma ferramenta conhecida por CPM (Método do Caminho Crítico), a qual pode ser representada por gráficos do tipo de planilhas, redes de programação, tabelas, cronogramas, histogramas, gráficos, etc.

Uma das finalidades deste trabalho será a contribuição ao meio acadêmico, acrescentando conhecimentos a respeito das soluções para combater as causas das dificuldades encontradas, que ocasionam o descrédito aos métodos usuais de planejamento operacional e controle físico de obras.

Outra finalidade é diminuir a distância entre a teoria, baseada na indústria seriada, e a prática, sedimentada pelas soluções encontradas no dia a dia, dentro de uma obra.

De forma genérica, verificamos o estado atual em que se encontra a indústria da construção civil, possuindo problemas estruturais de produção, buscando algumas tentativas ainda singelas de melhoria da qualidade, e percebendo que a tecnologia da informação pode contribuir neste processo. O uso de ferramentas de planejamento e controle serão, também, de relevada importância na melhoria da qualidade na construção civil, trazendo informações aos vários níveis de gerência da empresa, visando o processo de decisão, além de dar referência ao prazo e ao controle de gastos.

Quando do lançamento de um empreendimento imobiliário, uma das etapas mais importantes é o desenvolvimento dos Projetos. Suas fases de desenvolvimento devem ser respeitadas, e somente depois do projeto de execução definido, é que poderemos começar o orçamento executivo, o planejamento operacional e o controle físico do empreendimento.

* Professora da Faculdade de Tecnologia de São Paulo , Tecnóloga em Edifícios, Engenheira Civil e Mestranda da
Faculdade de Engenharia de Produção da Universidade de São Paulo.
** Professor Doutor da Faculdade de Engenharia de Produção da Universidade de São Paulo.

Somente através de projetos efetivamente
definidos, é que se pode desenvolver orçamento com
qualidade, formando o primeiro parâmetro para a
tomada de decisões, uma vez que se trata do custo do
empreendimento.

Entre os conceitos estudados, foi possível perceber a importância do fazer planejamento para o crescimento e a manutenção de uma empresa no mercado. Este é o propósito do planejamento que, através de processos, técnicas e atitudes proporcionam situações para avaliar as implicações futuras diante de decisões tomadas em função dos objetivos, da forma mais rápida, coerente e eficaz possível, reduzindo incertezas e buscando alcançar objetivos pré-estabelecidos.

Infelizmente, o planejamento operacional definido é encaminhado para a obra, muitas vezes, com falhas devidas às indefinições do projeto e do orçamento de custos. Outras vezes as falhas ocorrem por causa de fatores externos não analisados, no momento de sua elaboração. Enfim, tudo depende da qualidade da informação.

Estes desvios precisam ser analisados e medidos e, a partir disso, novo planejamento deverá ser estudado. Somente o controle sobre o planejado pode fornecer estas análises.

Na verdade, indo além da idéia do controle em si da obra, o mais importante é saber que as ocorrências são uma rica fonte de informações e autoconhecimento, para as próximas decisões que envolvem novos empreendimentos.

Concluindo, o controle da obra ganha em importância a partir do instante que é fruto de uma programação; levando-se em conta a visão sistêmica do conjunto de interferências entre os diversos tipos de insumos, e desses com o resultado da obra; visando a coleta de informações e aumento de conhecimentos, num processo de aprendizado contínuo.Somente através do planejamento prévio e

da programação dos serviços é que podemos pensar, “a posteriori” na organização do canteiro de obras. As tentativas de montagem de um canteiro desprovido do mínimo planejamento, já vem provando, há algum tempo, as grandes dificuldades e os desperdícios percebidos na construção civil.

As informações geradas no planejamento da obra, possibilitarão a movimentação de todos os insumos necessários para a execução da mesma como, também, a movimentação do canteiro, que muda à medida que a obra é feita; atendendo a diversas considerações, como por exemplo: ligações de água, esgoto, telefone, energia, distribuição de áreas para materiais a granel não perecíveis, almoxarifado, escritório, alojamento, vestiários, sanitários, refeitório, oficinas, destino do lixo, ambulatório, a distribuição de equipamentos, circulação, etc.

A qualidade e a cultura, dentro da empresa de construção civil, podem ser influenciadas positivamente pelo hábito da prática do planejamento e controle das obras; na verdade, a recíproca também é possível.

Quando da tentativa de implantação de

sistemas de melhoria da qualidade do processo na indústria da construção civil, buscamos, por exemplo, a melhoria e a conformidade nos projetos, nos orçamentos, e nas programações das obras; com o objetivo de viabilizar a execução, com controle; para o aprimoramento do produto final para o cliente, com prazo e custo compatíveis, almejando o marketing externo da empresa.

O uso de ferramentas de planejamento operacional e controle físico das obras, aumenta a competitividade dos produtos na indústria da construção civil, a partir do momento que realiza o prazo, com custos sem desperdícios e com a qualidade executiva esperada.

O atendimento à satisfação do cliente é o primeiro passo para o marketing da própria empresa. Este, por sua vez, deve trabalhar no sentido de criar condições de análise de empreendimentos, participando ativamente de decisões durante todo o processo; inclusive no departamento de planejamento de obras.

Na verdade, o programador além da análise de necessidades para alcançar determinado objetivo, no nosso caso a obra, deve analisá-lo, influenciado pelo aspecto da viabilidade e retorno do investimento, considerando sempre a satisfação do cliente.

Estudo de caso

A pesquisa de campo foi baseada na metodologia conhecida como estudo de caso, buscando a inserção do estudo no contexto de cada empresa, procurando validar a teoria existente, e trazendo contribuições, tentando diminuir as distâncias entre a teoria e a prática.

A análise de estudo de caso é ideal neste tipo de pesquisa devido ao caráter subjetivo das medidas tomadas dentro de uma empresa, como em relação à melhoria da qualidade de seus produtos, ou quais ferramentas escolher para essa busca. Enfim, tudo depende da cultura interna praticada na empresa.

A escolha das empresas levou em conta os objetivos a serem alcançados, e por isso, a pesquisa foi de múltiplos casos, ou sejam 4 empresas. A primeira empresa é de consultoria de Gestão de Projetos, onde fizemos apenas uma entrevista. As outras 3 empresas, são de construção civil, na categoria de obras de edificações, conforme ABNT (apresentadas com as letras B, C e D).

As empresas analisadas localizam-se no Estado de São Paulo; executam obras fazendo a comercialização de seus produtos de duas maneiras: por empreitada ou por incorporação.

O enfoque da pesquisa nessas empresas, foi o de analisar a influência do uso da ferramenta CPM no planejamento operacional e no controle físico da produção, através de indicadores; conforme as tabelas a seguir.

Tabela 1:Quais são as ferramentas de Planejamento de obras, derivadas do CPM, que auxiliam no controle
da obra, usadas nas empresas, pela autora.
Empresas
B C D
Relatório de acompanhamento entre o orçado e o realizado
x
x
Estrutura WBS ou EAP
x x x
Rede de programação PERT-CPM
x
Cronograma PERT-CPM
x x x
Calcula e utiliza folgas livres, totais e caminho crítico
x
Cronograma financeiro da obra
x
Histograma de recursos
x
Nivelamento de recursos
x
Índice de eficiência de desempenho
Utiliza o PERT-CPM para simular situações de recuperação do prazo da obra
x
x
Utiliza o PERT-CPM com linha de base (baseline) – cronograma de acompanhamento
x x
Tabela 2:Com relação ao benefício na utilização de cronogramas ou redes PERT-CPM, pela autora.
Empresas
B
C
D
A utilização de cronogramas ou redes PERT-CPM melhorou a qualidade do
produto?
Sim
80
Sim
(*)
Sim
80
A utilização de cronogramas ou redes PERT-CPM auxiliou no controle de custos
das obras?
Sim
100
Não
Não
A utilização de cronogramas ou redes PERT-CPM auxiliou no controle de prazo de
entrega das obras?
Sim
100
Sim
(*)
Sim
50
A utilização de cronogramas ou redes PERT-CPM melhorou os níveis de
produtividade da empresa?
Sim
80
Não
Sim
80
Qual é o nível de utilização do sistema informatizado para a produção de
cronogramas ou redes PERT-CPM?
Sim
100
Sim
50
Sim
100
Controle e retroalimentação do planejamento inicialmente elaborado através de
cronogramas ou redes PERT-CPM?
Sim
100
Sim
50
Sim
90
Nota (*) - A empresa C não forneceu indicadores com relação ao benefício na utilização de cronogramas ou
redes PERT-CPM.
Tabela 3:Tabela de pontuação, para conhecer melhor as empresas selecionadas, baseada em exercícios
desenvolvidos pelo CTE (Centro de Tecnologia de Edificações):
Pont.
Nível de
desempenho
Características
1
Muito fraco Não existe nenhum procedimento em relação ao requisito em análise. O desempenho
da empresa pode ser considerado muito fraco.
2
Fraco
Existem alguns procedimentos implantados, mas não documentados em relação ao
requisito em análise. O desempenho da empresa pode ser considerado fraco.
3
Regular
Existem alguns procedimentos parcialmente implantados e documentados em relação
ao requisito em análise. O desempenho da empresa pode ser considerado regular.
4
Forte

Existem procedimentos totalmente implantados e documentados em relação ao requisito em análise. O desempenho pode ser considerado forte, embora não haja retroalimentação e melhoria contínua.

5

Muito Forte Os procedimentos estão totalmente documentados e implantados em relação ao requisito em análise, há retroalimentação permanente e a empresa apresenta excelente desempenho.

Tabela 4:Tabela com os resultados obtidos nas empresas selecionadas.

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