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Oralidade é a essência dacomunicação interna eficiente
 Especialistas são unânimes em apontar a comunicação oral como a principal  ferramenta para integrar e promover o relacionamento nas organizações.
Nara Damante
er suas própriasidéias sobre osfatos da empresaé comum a todosque nela atuam. A forma deexpressá-las é que faz toda adiferença para o ambiente corpo-rativo, e para o pessoal e para onegócio em si. Mas nem sempreesse processo natural funciona bem e, na maioria das vezes, por falha na comunicação oraldecorrente de uma política quenão privilegia o relacionamento.Especialistas em comunicaçãogarantem que a oralidade é, delonge, a melhor forma de comu-nicação dentro da empresa, mastambém a mais difí-cil de se controlar.Para Eloi Zanetti,consultor em marke-ting e comunicaçãocorporativa e dire-tor do ABERJE Capítulo Paraná,as pessoas primeiro precisamaprender a se comunicar e aíestaria o grande problema nasempresas. “A comunicação nãoflui porque exige simplicidade,coerência, começo, meio e fim eas empresas não têm dado muitovalor a isso”, comenta. Ele apon-ta que uma das dificuldades é aempresa saber o que quer antesde escolher as ferramentas, masgeralmente acontece o contrário,desprezando o relacionamento.A comunicação interna estávinculada à área de comunica-ção corporativa em 63,2% dasempresas entrevistadas pela pes-quisa ABERJE de ComunicaçãoInterna, enquanto apenas 12,8%estão alocadas no marketing.Zanetti acha que as áreas demarketing não valorizam acomunicação organizacional,esquecendo que a comunicaçãose dá pela sedimentação e quetambém os funcionários dãoimportância ao sentimento de pertencer a uma organização de boa história e à imagem atual.Esse estado tem que estar pre-sente também no face a face, deacordo com o consultor.As estruturas das empresas sãoo primeiro inibidor para que acomunicação oral flua com efi-cácia. Política de recursos huma-nos muito rígida e pouco clara,hierarquização excessiva, poucoincentivo às idéias, gestores semconsciência da importância dacomunicação, hábito dos acon-tecimentos antecedem à infor-mação ao pessoal e cultura detransmitir informações antes àimprensa que aos funcionários podem ser alguns fatores de risco.Embora não haja a certeza de quea comunicação oral conseguiráser totalmente eficaz, há algumasformas de evitar os ruídos.
Timing correto
“Tenho dito freqüentementeaos meus clientes e aos meus alu-nos que a comunicação internavai “render” muito mais quandoo “timing” da informação oficialfor correto, os gestores assumi-rem seu papel de comunicador,a área de comunicação não for envolvida tarde demais, a logís-tica for adequada. Mas, prin-cipalmente, quando a diretoriada organização não tiver medode dar as “más” notícias, quesão absolutamente inevitáveis”,relata Amauri Marchese, consul-tor de comunicação e professor dos cursos de MBA e pós-gra-duação da ESPM e do curso decomunicação interna da Aberje.Para ele, o ponto fundamental éfazer os gestores entenderem eassumirem seus papéis de comu-nicadores. E, para isso, Marcheserecomenda “um treinamento
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COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL
vivencial por meio do qual elesconsigam perceber o valor da boa comunicação para a conse-cução dos objetivos e metas daorganização, os quais, em últi-ma análise, são decorrência daeficácia da gestão”. Na complexa tarefa de fazer acomunicação oral fluir na empre-sa de maneira eficiente, trans- parência e agilidade da infor-mação oficial são fundamentais.Também a qualificação do gestor  para o discurso comunicativomerece cuidado. Saber ajustar os discursos, com os tons emo-cionais e racionais necessários,é uma tarefa a ser desenvolvida por todos os gestores da orga-nização, mas que podem ter aajuda do profissional de comu-nicação. Marchese enumera asqualidades do líder ideal para possibilitar a comunicação oraleficiente: conhecimento do temaa ser discorrido, postura e atitu-de, criatividade, poder de sínte-se, memória, voz bem colocada, bom vocabulário, bom jogo de palco, boa expressão corporale entusiasmo. Mas como ape-nas alguns privilegiados reúnemtodas essas características, algu-mas empresas já consultam um profissional de fonoaudiologia para auxiliar neste processo,não só para os executivos comotambém para suas equipes. Demodo geral, as empresas liga-das ao mercado financeiro, comoos bancos, estão utilizando cadavez mais essa contribuição paraa comunicação interna porquevêem nela um dos pilares paraa rentabilidade.
Gestos e posturas
“O corpo todo envia sinais paraa outra pessoa, gerando impactocom as expressões facial e cor- poral, posturas, gestos, inflexõese ênfases. E estamos sempreobservando a reação dos outros.Mesmo de forma inconscien-te, vemos a disponibilidade deouvir-nos, se estamos conseguin-do concordância e muitos outrosindícios importantes para manter ou não o discurso”, indica LenyKyrilos, fonoaudióloga clínica e professora-doutora dos cursos defonoaudiologia e jornalismo daPUC-SP. Ela assessora veículose profissionais de comunicaçãona, muitas vezes árdua, tarefa defazer da comunicação oral umadas forças propulsoras da orga-nização. Leny explica que, paraquem comunica, tanto a mensa-gem verbal (seleção dos vocábu-los) quanto a não-verbal (expres-sões corporais) devem estar sin-cronizadas. Enquanto a primeira pode ser aprendida formalmente,a segunda é uma condição a ser trabalhada por se tratar de umadas formas mais primitivas eespontâneas de comunicação. Noentanto, quando ambas não estãocoerentes, a que prevalece para ointerlocutor é a não-verbal. No dia-a-dia da organização,nem sempre é possível dar notí-cias com as quais concordamos.Mas dá para ter convicção natransmissão dessas mensagensfazendo uma espécie de progra-mação mental para comunicar fatos da organização. Leny indi-ca que é necessário ter claro emmente qual a intenção da men-sagem e como nos sentimos emrelação à situação. Com isso tere-mos consciência para produzir um efeito produtivo. A fonoaudi-óloga acredita que os executivosque são sinceros ao se colocar como inábeis do ponto de vistada comunicação - e naturalmenteadmitem isso, prevenindo seusfuncionários - têm mais chancesde ser bem aceitos que aquelesque escondem o problema.Até pouco tempo atrás, o bomcomunicador era aquele quesabia impostar a voz e “falar grosso”. Mas a fonoaudiólogaafirma que a naturalidade soamelhor. Também o uso de humor no discurso de uma pessoa quenão tem essa qualidade impres-sa em sua personalidade, pode parecer falso ou então, irôni-co. Afinal, ninguém confia emquem parece pouco à vontade.De acordo ela, o caminho correto para a comunicação interpessoalé conhecer-se bem primeiro e promover internamente o ajusteentre o verbal e o não-verbal. Nesta jornada, um psicólogo efonoaudiólogo podem ajudar.
O bom líder
Uma das qualidades de um bom líder deve ser sua habilida-de como comunicador, ter cre-dibilidade para dirimir dúvidas,reproduzir informações, estar acessível para o contato direto ede intervir quando perceber queos comunicados não foram bem
 
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O bomcomunicador oral
1.
Tem consciência do quantose expõe quando fala face a face;
2.
Conhece o tema e se prepara previamente para o que irá dizer;
3.
Analisa que tipo de mensagemquer passar e o que espera da re-ação dos interlocutores;
4.
Tem poder de síntese, criativi-dade e boa memória;
5.
Possui bom vocabulário e sabelidar com a expressão corporal;
6.
Sincroniza as mensagensverbais com as não-verbais.digeridos ou deram margem acomentários negativos.Um bom líder é um bom con-tador de histórias, como o erao comandante Rolim, da TAM.Ao se postar ele mesmo na pistarecepcionando os passageiros deseus aviões com tapete vermelho,além de toda a atenção conferidaaos clientes e das histórias quecontava, colocava-se na posturade seus funcionários com simpa-tia e dava-lhes o exemplo. Comsua atitude, virou um ícone paraa empresa e seus colaboradores.A figura do líder participativoera mais comum nos antigosgestores e parece estar fazen-do falta às organizações. Hoje,Samuel Klein, das Casas Bahia,e Luiza Helena Trajano, doMagazine Luiza, são bons exem- plos dessa conduta.Ainda parece ser difícil paraos executivos brasileiros con-duzir platéias e expor projetos,tarefa que poderiam contar como auxílio de um profissional decomunicação. Talvez por essadificuldade, alguns apelam parao virtuosismo tecnológico, pre-ferindo apresentar seus power  points, escrever e-mails e ela- borar “blogs do presidente” ater contato com os funcionáriosdiretamente. “A presença físicaé fundamental. Muitos chegamcom seus carros na empresa,estacionam, pegam elevador pri-vativo e não sabem como são oucomo estão as pessoas nas fábri-cas. Vivem encastelados, distan-tes de todos, pilotando a empre-sa atrás de suas mesas. Nadasubstitui a oralidade”, comentaZanetti. Talvez esses executi-vos se esqueçam de que, muitasvezes, o funcionário só quer ser ouvido. Mas se não há quemesteja disposto a esse contato, elefica frustrado, comprometendoseu desempenho e, conseqüente-mente, o dos demais.O consultor lembra que aoouvir os colaboradores, muitasidéias se revelam grande sucesso.E conta o caso de uma visita quefez ao interior de Santa Catarinaquando dirigia o marketing deO Boticário. Ele foi investigar quantos presentes, em média, aslojas vendiam para o Dia dosProfessores. Numa delas, a pró- pria lojista detectou e lhe contouque, para alunos de uma mesmaclasse de uma escola, foram ven-didos muitos perfumes Thaty.Isso porque não havia sugestõesde presentes Boticário para a professora. A partir da consta-tação, foi criado todo um traba-lho mercadológico voltado paraas vendas no Dia do Professor,virando uma data comemorativamuito rentável para a rede.
Rádio peão
Quando a empresa não tem umaestrutura eficiente para comuni-cação interna e cujos líderes nãoestão abertos ao relacionamento,os funcionários encarregam-sede fazê-lo, dando origem à rádio peão. Trata-se de comunicaçõesinformais entre os colaboradores,que correm em paralelo às infor-mações oficiais. Mecanismo ágile de alta difusão, a rádio peãofunciona independente da vonta-de da alta direção ou das chefias.Seu sucesso advém do fato delasatisfazer à curiosidade dos cola- boradores sobre supostas açõesda empresa. Juntando o que umsabe com a informação do outro,nem sempre se chega à realidade,mas esse quebra-cabeça muitasvezes é a única fonte de informa-ção dos funcionários.Para muitos comunicadores, arádio peão é a vilã da comunica-ção interna. Zanetti acha que issosó acontece nas empresas que nãotêm a mesma agilidade que essecanal paralelo. “Há jeito de usar a rádio peão a favor da empresa,só que não dá para ter controle doque é dito. Ela sempre existirá,mas a organização tem que agir mais rápido para não virar fofocageneralizada”, alerta.Uma das formas de combater arádio peão é fazer programas deencontro entre a direção/chefia eos colaboradores. E aí vale café
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