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Dossiê sobre Jean-Paul Sartre da revista CULT

Dossiê sobre Jean-Paul Sartre da revista CULT

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      D     o     s     s      i      ê      D     o     s     s      i      ê      D     o     s     s      i      ê      D     o     s     s      i      ê      D     o     s     s      i      ê
 Sartre fotografo por Willy Ronis
 
52
Cult-
maio/2000
 
52
 
S
ARTRE
,
A
 
TRANSPARÊNCIA
 
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OBSTÁCULO
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52
Cult-
maio/2000
 
52
 
maio/2000 -
Cult
53
A
lbert Camus escreveu no ro-mance
 A peste
que uma “uma formacômoda de travar conhecimento comuma cidade é procurar saber como setrabalha, como se ama e como semorre”. O mesmo é válido para oshomens e, quando se celebra os vinteanos de morte de uma personalidadecomo Jean-Paul Sartre, o acento recainecessariamente sobre suas exéquias– pois elas revelam os extremos dareverência apaixonada e do ódiorespeitoso. O enterro do autor de
 Anáusea
foi provavelmente o últimogrande cortejo público de um inte-lectual francês, reunindo umamultidão que incluía intelectuais,estudantes, políticos, operários,militantes e minorias de toda ordem.A dignidade reservada e familiar que,apenas quatro anos depois, marcou osepultamento de Michel Foucault –sucessor natural de Sartre no posto defigura central da intelectualidadefrancesa – mostra a singularidade doescritor existencialista, seu
status
deestadista sem Estado que encarnava aconsciência e as contradições de umaera: o século de Sartre.É esse aliás o título do mais impor-tante livro publicado no âmbito dashomenagens ao pensador da
rivegauche
:
 Le siècle de Sartre
, do filósofoBernard-Henri Lévy (editora Grasset).E a obra começa, justamente, pela cenacinematográfica (e impensável emqualquer outro país que não a França)de uma manhã de abril, luminosa efriorenta, com grupos que se formavamdiante do prédio em que Sartre vivera,no boulevard Edgar Quinet, e seguiampara o cemitério de Montparnasse:“Esses milhares de homens emulheres, talvez dezenas de milhares,vindos de todas as regiões do mundo,tinham em poucos minutos invadidoas aléias do cemitério. Esses viventes.Esses fantasmas. Esses insurgentes eesses pequenos burgueses misturadosnum zunzunzum contido. Essesesquerdistas. Essas crianças. (...) Ogrupo da NRF [Nouvelle RevueFrançaise] e o da Associação dos Argeli-nos da França. Esses
 paparazzi
àespreita. Essas mulheres em lágrimas.Esses cachos de jovens que provavel-mente não o tinham lido, mas queestavam ali, pendurados nas árvores.Africanos. Asiáticos. Vietnamitas datendência
 Île de Lumière
e vietnamitasda tendência Ho Chi Minh – que gos-tariam de ter se evitado, mas que amassa, que não se mete nesse tipo dequerela, lançava uns contra os outros.Rostos célebres. Anônimos. Casais queo arrastão havia separado e que se fala-vam à distância antes de se perderemde vista. Antigos adversários, o crânioluzente de um, o olhar melancólicodo outro – com um ar tão emocionadoque por pouco teríamos esquecido ossarcasmos e a ferocidade de ontem. Etambém, é claro, afogados na multidão,sacudidos, às vezes arrastados pela tor-rente, às vezes empurrados para forado cortejo, o círculo dos íntimos, osapóstolos, cujos nomes eram murmu-rados com a consideração respeitosaque se dirige às testemunhas daverdadeira fé – e mais longe ainda,sentada sobre um banquinho portátil,diante da cova aberta, com o turbanteem desordem, atropelada e quasebrutalizada, apesar do fiel que tentavaabrir aos socos um pouco de espaçoem torno dela, uma mulher bela etriste, perdida em seu luto. Quem era
H
Á
 
VINTE
 
ANOS
 
MORRIA
 
O
 
ESCRITOR
 
EFILÓSOFO
 
QUE
 
DOMINOU
 
A
 
CENAINTELECTUAL
 
FRANCESA
 
DO
 
PÓS
-
GUERRA
 
ECUJA
 
OBRA
 
POLIÉDRICA
 
MARCA
 
O
 
TRIUNFO
 
DALITERATURA
 
SOBRE
 
OS
 
ATAQUES
 
SOFRIDOSPELO
 
EXISTENCIALISMO
 Na página oposta, reunião no ateliê de Picasso, em Paris. Em pé, da esquerda para a direita: Jacques Lacan, Dominique Éluard, Pierre Reverdi, Louise Leiris, Picasso, Zance de Campan,Valentine Hugo, Simone de Beauvoir e Brassaï. Sentados Jean-Paul Sartre, Albert Camus, Michel Leiris e Aubier.

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