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ZANETTI, Daniela. Cenas da periferia: auto-representação como luta por reconhecimento

ZANETTI, Daniela. Cenas da periferia: auto-representação como luta por reconhecimento

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Published by Daniela Zanetti
Artigo publicado originalmente na Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.11, n.2, maio/ago. 2008.
Artigo publicado originalmente na Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.11, n.2, maio/ago. 2008.

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Categories:Types, Reviews, Film
Published by: Daniela Zanetti on Nov 29, 2011
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11/29/2011

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   R   e   v   i   s   t   a   d   a   A   s   s   o   c   i   a   ç    ã   o   N   a   c   i   o   n   a   l   d   o   s   P   r   o   g   r   a   m   a   s   d   e   P    ó   s  -    G   r   a   d   u   a   ç    ã   o   e   m     C   o   m   u   n   i   c   a   ç    ã   o    |   E  -   c   o   m   p    ó   s ,   B   r   a   s    í   l   i   a ,   v .   1   1 ,   n .   2 ,   m   a   i   o    /   a   g   o .   2   0   0   8 .
www.e-compos.org.br
| E-ISSN 1808-2599 |
Cenas da perieria:auto-representação como lutapor reconhecimento
Daniela Zanetti
Resumo
Produções audiovisuais “de perieria”possuem cada vez mais espaços para exibição,principalmente em estivais como o
Cine Cua
 e
Visões Periéricas
. Considerando a existênciade um discurso pautado pelo direito à auto-representação, que aglutina e dá sustentaçãoao chamado “cinema de perieria”, este artigoapresenta algumas reexões acerca do modo comoessa produção audiovisual específca articula asrepresentações sociais em torno de sujeitos eterritórios periéricos e é usada como instrumentode luta por reconhecimento.
Palavras-chave
 Audiovisual. Perieria. Representações.Reconhecimento.
1 Introdução
O que poderia haver de comum entre os flmes
 Falcão, meninos do tráfco
(MV Bill e Celso Athayde/Cua),
O Campim
(Clandestino Filmes/ Cinema Nosso),
 Neguinho e Kika
(Nós do Morro),
O flme do flme roubado do roubo da loja de flme
(Marcelo Yuka, Júlio Pecly e Paulo Silva/CavídeoProduções) e
 Rap, o canto da Ceilândia
(Adirley Queiroz/Forcine, UnB), ora o ato de terem sidoexibidos em estivais que se dedicam a produçõesaudiovisuais “da perieria”, especifcamente asmostras
Visões Periéricas
e
Cine Cua
? O queos caracteriza como produtos que poderiamrepresentar uma “cultura da perieria”?Com o objetivo de identifcar a existência eexaminar as características de uma produçãoaudiovisual chamada “de perieria” (e o discursoque a sustenta), este artigo desenvolve umaarticulação teórica em torno dos conceitos derepresentação, esera da visibilidade públicae luta por reconhecimento, de modo a criar asbases de uma metodologia de análise do “cinemade perieria” e de suas instâncias de produçãoe diusão. Entendendo a linguagem audiovisual
Daniela Zanetti
|
daniela.zanetti@gmail.com
Doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporânea pelaUniversidade Federal da Bahia – UFBA. Bolsista do Conselho Nacionalde Pesquisa – CNPq.
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como plataorma de representações e discursos,o objetivo é investigar como certas práticasaudiovisuais existentes em avelas e perieriasdas grandes cidades brasileiras se confguramem estratégias de auto-representação e sãotomadas como instrumento de lutas porreconhecimento social.
2 Reconhecendo o fenômeno
Para compreender o que vem sendo chamadoneste trabalho de “produção audiovisual deperieria” (ou “cinema de perieria”) é precisoinicialmente localizar esse enômeno, situá-lodentro de um contexto.Esse conceito vem se estabelecendo eadquirindo certa projeção publicamenteprincipalmente através da realização de estivaise mostras que se propõem a dar visibilidade àcrescente produção audiovisual
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desenvolvidaem perierias de todo o país, como o
 Festival Internacional Cine Cua
(RJ), o
 Festival Visões Periéricas
(RJ) e o
Cine Perieria Criativa
 (DF), que tiveram suas primeiras edições em2007. Há outras experiências que também sededicam ao chamado “cinema de quebrada”,ou seja, obras produzidas por cineastas daperieria. Entretanto, por razões metodológicas,optamos por estudar trabalhos exibidos e/oupremiados apenas nos dois reeridos estivaiscariocas, que também já estão programados paraacontecer em 2008.O
 Festival Cine Cua
, realizado entre 4 e 16 desetembro no Centro Cultural Banco do Brasil, oiuma iniciativa da Central Única das Favelas doRio de Janeiro. O evento oi criado para exibirflmes produzidos nos cursos de audiovisualda própria Cua e de outras entidades. Foramexibidas cerca de 50 produções (do Brasil ede outros países, como Árica do Sul, Angola,Estados Unidos, França, Índia e Inglaterra) que“abordam o cotidiano das avelas e tratam deamília, religião, preconceito, exclusão social, violência e o convívio com o tráfco de drogas”(CINECUFA, 2007). O older distribuído noestival traz a seguinte chamada: “O mundo járetratou a perieria. Agora é a vez das posiçõesse inverterem”, e o texto de apresentação diz:
O Cine Cua é um estival dedicado às obrasaudiovisuais produzidas por perierias de todoo mundo e traz como proposta o incentivo auma nova ordem cultural e artística, que temcomo objetivo maior mostrar um novo ponto devista: a capacidade de contribuir não somentecom personagens que possam atuar à rentedas câmeras, mas também como protagonistasatrás delas. [...] Temos como objetivo omentara construção de uma identidade que passe aatuar mais ortemente no mercado cinemato-gráfco, azendo com que os realizadores dessa
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O audiovisual é um termo “guarda-chuva” que abarca ormatos, estilos e suportes distintos, incluindo todo o tipo produção quecombine imagem e som (linguagem verbal, eeitos sonoros, música, etc.). Pode ter como meio de circulação o cinema, a televisão,o vídeo analógico ou digital, ou mesmo a internet e, mais recentemente, aparelhos celulares. A denominação pode abranger curtas,médias ou longas-metragens, nos gêneros fcção, artístico (vídeo-arte) ou documentário, além de programas jornalísticos, fcçõestelevisivas, videoclipes, etc. No campo do “cinema de perieria”, predominam produções mais baratas, eitas com poucos recursose muitas vezes utilizando câmeras portáteis.
 
   R   e   v   i   s   t   a   d   a   A   s   s   o   c   i   a   ç    ã   o   N   a   c   i   o   n   a   l   d   o   s   P   r   o   g   r   a   m   a   s   d   e   P    ó   s  -    G   r   a   d   u   a   ç    ã   o   e   m     C   o   m   u   n   i   c   a   ç    ã   o    |   E  -   c   o   m   p    ó   s ,   B   r   a   s    í   l   i   a ,   v .   1   1 ,   n .   2 ,   m   a   i   o    /   a   g   o .   2   0   0   8 .
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crescente vertente audiovisual reconheçam-secomo representantes de um novo e legítimomovimento estético, social e político. (CINECU-FA, 2007)
O estival
Visões Periéricas
, organizado peloObservatório de Favelas, aconteceu de 6 a 16 de junho, no Centro Cultural da Caixa EconômicaFederal, no Centro do Rio de Janeiro, e emoutros espaços da região metropolitana. Foram184 trabalhos inscritos e 34 selecionados paraa mostra competitiva, entre vídeos produzidospor “escolas populares de comunicação eaudiovisual, e coletivos de realizadores, do país”. As obras concorriam aos prêmios de MelhorFilme, Crítica Social, Retrato da Perieria eCoisas Nossas. No catálogo deste estival, lê-seuma provocação: “Como a perieria vê o mundo?Como a perieria vê a perieria? E, afnal, deque perieria estamos alando?”. O texto aindaressalta: “É comum que as representaçõesdos espaços populares sejam marcadas peloestereótipo da pobreza e da violência ou porum tom olclórico”. O texto de apresentação doestival deende que o cotidiano da perierianão é tematizado, mas sim transormado emespetáculo, e que, rente a essa realidade, oevento parte da acepção de que a cultura é umimportante instrumento “para a construção deum novo olhar sobre as perierias brasileiras”(VISÕES PERIFÉRICAS, 2007, p. 5). Além das exibições, os dois eventos realizaramdebates sobre temas que se tornaramrecorrentes nesse circuito: a relação entre“centro” e “perieria”, novas possibilidadesde produção cinematográica, ormaçãode platéias, mercado de distribuição dasproduções da “perieria”, políticas deaudiovisual, ampliação de editais públicos,modos de representação da perieria namídia, etc. Há um discurso que demarca aexistência de um tipo especíico de produção(“audiovisual popular”, “núcleos popularesde ormação audiovisual”, “produçõesperiéricas”), a necessidade de ampliação demodos de diusão e de espaços alternativosde exibição, a importância da diversidadesócio-cultural nas produções, além, claro,de reivindicações “políticas”, que visam aampliação da participação da perieria nomercado do audiovisual como um todo.Reerências à utilização do audiovisuale à importância dada às representaçõesdecorrentes desses trabalhos também podem serencontradas nos sites das instituições e núcleosde produção audiovisual “da perieria”, como oCine Cua Audiovisual (www.cuaaudiovisual.blogspot.com), um núcleo que reúne diretores,produtores e roteiristas, muitos dos quaisormados pela própria instituição. Compatrocínio da Fundação Ford, a ONG mantémainda um curso de audiovisual, voltado para atransormação e ampliação das perspectivasprofssionais e pessoais, já que além depromover a inserção no mercado de trabalho,contribui de orma determinante na elevaçãoda auto-estima dos jovens. O site do projeto
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