dos habitantes do reino de Judá, depois da tomada de Jerusalém por Nabucodonosor, em 587 antes de Cristo. A mútua intolerância entre o judaísmo e o cristianismo, bem visível na Europa, do Atlântico aos Urales,a partir das primeiras três centúrias da nossa era – cada uma das duasreligiões arvorava deter o monopólio da verdade absoluta – iniciaria umaescalada de violência que se agravaria com o triunfo da Igreja Católica noséculo IV, passaria por grandes chacinas na Alemanha do século XI e pelaInquisição e só se viria a atenuar com a Revolução Francesa. Nos séculosXIX e XX os pogrons no Velho Continente e o nazismo fechariam o ciclo.Durante a Baixa Idade Média (séculos XI a XV), os judeus são acusados por toda a comunidade dita «cristã» de envenenar a água, de espalhar a peste, de matar crianças baptizadas, de profanar hóstias, de usura – como sefossem eles, naqueles tempos, os únicos a praticá-la! Só muito mais tarde,após a «confusão» entre línguas semitas e «raça» semita, Johann GottliebFichte (1762-1814) semearia outra «confusão» de consequências trágicas, ada língua alemã com uma pretensa «raça nórdica» superior. O nazismoviria a inserir-se, então, com toda a naturalidade, numa sequência deinverdades científicas «anti-semitas» que tivera no século XIX os seus maisactivos propagandistas intelectuais: o francês Joseph Arthur Gobineau(«Ensaio sobre a Desigualdade das Raças Humanas»,1853/1855) e o inglêsH. S. Chamberlain («O Fundamento do Século XIX», 1899). O ideólogonazi Alfred Rosenberg, com «O Mito do Século XX» (1930), levaria oPapa Pio XI – com quem contrastaria o seu «silencioso» sucessor, Pio XII,«O Papa de Hitler» – a proclamar: «Espiritualmente, somos semitas.»Gorada, não obstante os campos de extermínio e os muitos milhões demártires, a «solução final» de Adolf Hitler/Heinrich Himmler e criado oEstado de Israel, dizem sionistas, o alegado «anti-semitismo» persistiu soba forma de anti-sionismo. Não, não cremos que esta interpretação sejaválida. Se Telavive nunca serviu a plutocracia internacional, como tantossustentaram, muito menos quis ser trampolim para qualquer revolução queunisse proletários de todo o mundo a fim de pôr termo ao capitalismo. Oque se passa – e todos o sabemos – é que o expansionismo de Israel seencontra desde há muito estreitamente associado à política dos EstadosUnidos para o Médio Oriente e que os palestinianos da Cisjordânia e deGaza foram sacrificados aos interesses nacionais e geoestratégicos em jogo.