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1956 (¿) A concepção da diferença em Bergson, Deleuze

1956 (¿) A concepção da diferença em Bergson, Deleuze

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Gilles Deleuze
A CONCEPÇÃODA DIFERENÇAEM BERGSON
 
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A noção de diferença deve lançar uma certa luz sobre a filosofia deBergson, mas, inversamente, o bergsonismo deve trazer a maiorcontribuição para uma filosofia da diferença. Uma tal filosofia operasempre sobre dois planos, metodológico e ontológico. De um lado, trata-sede determinar as diferenças de natureza entre as coisas: é somente assimque se poderá “retornar” às próprias coisas, dar conta delas sem reduzi-las aoutra coisa, apreendê-las em seu ser. Mas, por outro lado, se o ser dascoisas está de um certo modo em suas diferenças de natureza, podemosesperar que a própria diferença seja alguma coisa, que ela tenha umanatureza, que ela nos confiará enfim o Ser. Esses dois problemas,metodológico e ontológico, remetem-se perpetuamente um ao outro: oproblema das diferenças de natureza e o da natureza da diferença. EmBergson, nós os reencontramos em seu liame, nós surpreendemos apassagem de um ao outro.
O que Bergson censura essencialmente a seus antecessores é nãoterem visto as verdadeiras diferenças de natureza
. A constância de uma talcrítica nos mostra ao mesmo tempo a importância do tema em Bergson. Aí onde havia diferenças de natureza foram retidas apenas diferenças de grau.Sem dúvida, surge por vezes a censura inversa; aí onde havia somentediferenças de grau foram postas diferenças de natureza, por exemplo, entrea faculdade dita perceptiva do cérebro e as funções reflexas da medula,entre a percepção da matéria e a própria matéria
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. Mas esse segundoaspecto da mesma crítica não tem a freqüência nem a importância doprimeiro. Para julgar acerca do mais importante, é preciso que se interroguea respeito do alvo da filosofia. Se a filosofia tem uma relação positiva e
1
Texto original em
Les études bergsoniennes
, vol. IV, 1956, p. 77-112. (Asreferências em nota foram reatualizadas e completadas. A paginação remete àedição corrente de cada obra de Bergson pelas ed. PUF, col. “Quadrige). Traduçãobrasileira de Lia Guarino e Fernando Fagundes Ribeiro.
2
MM, p. 19, p. 62-63.
 
3
direta com as coisas, isso somente ocorre na medida em que ela pretendeapreender a coisa mesma a partir daquilo que tal coisa é, em sua diferença arespeito de tudo aquilo que não é ela, ou seja, em sua
diferença interna
.Objetar-se-á que a diferença interna não tem sentido, que uma tal noção éabsurda; mas, então, negar-se-á, ao mesmo tempo, que haja diferenças denatureza entre coisas do mesmo gênero. Ora, se há diferenças de naturezaentre indivíduos de um mesmo gênero, deveremos reconhecer, com efeito,que a própria diferença não é simplesmente espaço-temporal, que não étampouco genérica ou específica, enfim, que não é exterior ou superior àcoisa. Eis por que é importante, segundo Bergson, mostrar que as idéiasgerais nos apresentam, ao menos mais freqüentemente, dadosextremamente diferentes em um agrupamento tão-só utilitário: “Suponhaisque, examinando os estados agrupados sob o nome de prazer, nada decomum se descubra entre eles, a não ser serem estados buscados pelohomem: a humanidade terá classificado coisas muito diferentes em ummesmo gênero, porque encontrava nelas o mesmo interesse prático e reagiaa todas da mesma maneira”
3
. É nesse sentido que as diferenças de naturezasão já a chave de tudo: é preciso partir delas, é preciso inicialmentereencontrá-las. Sem prejulgar a natureza da diferença como diferençainterna, sabemos já que ela existe,
supondo-se que haja diferenças denatureza entre coisas de um mesmo gênero
. Logo, ou bem a filosofia seproporá
esse
meio e
esse
alvo (diferenças de natureza para chegar àdiferença interna), ou bem ela só terá com as coisas uma relação negativaou genérica, ela desembocará no elemento da crítica ou da generalidade,em todo caso em um estado da reflexão tão-só exterior. Situando-se noprimeiro ponto de vista, Bergson propõe o ideal da filosofia: talhar, “para oobjeto, um conceito apropriado tão-somente ao objeto, conceito do qual
3
PM, p. 52-53.

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