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XX Conferência Nacional dos AdvogadosPainel 16 - O Direito Cidadão à Efetividade JurisdicionalPalestra - Sistema Eletrônico Processual, inclusão digital dos advogados e a suaresponsabilidade processualAlexandre Atheniense
“The illiterate of the 21st century will not be those who cannot read and write, but those whocannot learn, unlearn, and relearn."
Alvim Toffler
O analfabeto do século XXI não serão aqueles que não poderão ler e escrever, mas simaqueles que não poderão aprender, desaprender, e reaprender.“You cannot be literate in the 21st Century unless you are literate in all the media that areused to communicate."
C. Bazalgette
“Você não poderá um individuo alfabetizado no Século XXI a não ser que você saiba secomunicar em todas as mídias que são utilizadas para a comunicação”
Há exatamente dezesseis anos, o Conselho Federal da OAB tem oportunizado durante aConferência Nacional dos Advogados, o amplo debate sobre a evolução dos recursos datecnologia da informação na prática da advocacia. Desde então, a importância deste tema temse revelado de extrema relevância, pois o uso de computadores deixou de estar restrito apenaspara a operação de programas aplicativos passando a se tornar como instrumentoindispensável na prática da atos processuais após a vigência da Lei 11.419/2006.
Retrospectiva das propostas aprovadas nas Conferências Nacionais sobre o tema
 Considero relevante traçar um breve retrospectiva ao longo do período em que este assuntofoi abordado pela primeira vez nestes encontros para que possamos contextualizar e refletirsobre o momento atual diante da velocidade com que as mudanças do mundo digital estãoimpactando o cotidiano do advogado.
XIV Conferência Nacional dos Advogados em Vitória no ano de 1992Tema: A organização de um escritório de Advocacia
 Na primeira oportunidade em que o tema foi abordado na XIV Conferência em Vitória no anode 1992, estávamos há uma década do início da comercialização dos primeirosmicrocomputadores em nosso país. Os computadores ainda eram um objeto de luxo para amaioria dos advogados. Estávamos em um período de transição do sistema operacional DOSpara o ambiente Windows 3.1, dos computadores com um micro processador de terceirageração (386) para o de quarta geração (486). Os recursos mais avançados que eram
 
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alcançados correspondia ao compartilhamento de dados armazenados pelos editores de textoem uma rede local instalada no escritório de advocacia.Poucos tribunais detinham infra-estrutura para dispor de acesso aos dados sobre a tramitaçãoprocessual. Quando isto era possível, a rede de comunicação de dados utilizada era oVideotexto e depois a RENPAC numa velocidade de 1200/75 ou 1200/1200 bites porsegundo, que se comparada com a velocidade de acesso que dispomos pelos atuais
smartphones
correspondia a cerca de cem vezes mais lenta.Ao final do painel, foram relatadas e aprovadas seis conclusões que anos depois tornaramrealidade, vejamos:1a. Proposta -
Criar o Departamento de Informática na OAB.
Esta sugestão se concretizou oportunamente com a criação das Comissões de Informática e deTecnologia da Informação nas diversas Seccionais e no Conselho Federal da OAB.2a. Proposta -
 Incentivar a iniciação dos advogados à informática, inclusive nas faculdadesde Direito e em cursos outros.
Esta idéia culminou com a inclusão das disciplinas denominadas como Direito deInformática, Direito Virtual, Direito Eletrônico na graduação em diversas Faculdades deDireito no Brasil, bem como a oferta de vários cursos de atualização sobre o tema.No ano de 2006, tivemos o inédito lançamento do curso de pós-graduação Latu Sensu deDireito de Informática na Escola Superior de Advocacia da OAB/SP, que nos coube cuidar dacoordenação. Foi uma experiência muito rica pois contou com a participação de trinta equatro professores especialistas abordando temas diferenciados raramente abordados na gradecurricular das Faculdades de Direito no Brasil ao longo de dezesseis módulos durante cento evinte e cinco aulas lecionadas compreendendo um período de quatrocentos e quinze horasaulaEm 2008, a ENA – Escola Nacional de Advocacia lançou pela primeira vez o curso de ensinoa distância pela internet sobre Direito da Tecnologia da Informação, levando ensino dequalidade através de vídeo aulas e apostilas personalizadas para localidades que dificilmenteteriam condições de promover cursos presenciais desta natureza.
 
3a. Proposta -
 Acompanhar todo o processo de informatização que diga respeito à Justiça,inclusive junto ao Poder Judiciário e Ministério Público.
Esta proposta vem sendo colocada em prática pelo Conselho Federal e por diversasSeccionais por meio do estreitamento do diálogo entre a OAB e os órgãos do PoderJudiciário, visando colaborar com o desenvolvimento dos sistemas de autos digitalizados,bem como com a participação na Comissão de Regulamentação da lei do Processo Eletrônicono Conselho Nacional de Justiça.
 
 
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a
. Proposta -
 Estimular uma participação conjunta dos advogados, juízes e promotores nabusca de uma substituição progressiva do serviço cartorário manual por registroseletrônicos;
Esta recomendação se tornou realidade com a participação da OAB no debate legislativo doProjeto de Lei 5828, que culminou com a publicação da Lei 11.419/2006, que preceitua noartigo 16, que os livros cartorários e demais repositórios dos órgãos do Poder Judiciáriopoderão ser gerados e armazenados em meio totalmente eletrônico.
 
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a
. Proposta -
 Interferir para que o processo de informatização acima se faça não só comlivre acesso aos advogados, mas de modo a beneficiar toda a comunidade jurídica e a população.
Esta reivindicação também foi alcançada fruto da participação da OAB nos debates durante otrâmite legislativo do Projeto de Lei do Processo Eletrônico. O artigo 11 parágrafo sexto daLei 11419/2006, assegurou o acesso aos advogados, Ministério Público e as partesprocessuais aos documentos digitalizados juntados em processo eletrônico, respeitado odisposto em lei para as situações de sigilo e de segredo de justiça.
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. Proposta - Interferir para que os sistemas de acesso aos bancos de dados dos tribunaissejam uniformizados e simplificados.
Naquela época, o termo “
banco de dados
” significava o equivalente ao conceito atual de sitena internet. Esta proposta também foi aprovada e inserida no artigo 14 da Lei 11419/2006,que determinou que os sistemas utilizados pelo Poder Judiciário deverão preferencialmenteser desenvolvidos com o código aberto, acessíveis ininterruptamente por meio da redemundial de computadores e de forma padronizada.
XV Conferência Nacional dos Advogados em Foz do Iguaçu no ano de 1994Tema: Perspectiva da informatização do Direito
 Em 1994, na XV Conferencia Nacional em Foz do Iguaçu, estávamos em uma fase pré-internet. Os tribunais estavam deixando de elaborar os seus acórdãos por meio da máquina dedatilografia em troca do editor de texto. Por conseguinte, os bancos de dados de jurisprudência em formato digital tinham um crescimento exponencial.Vários acervos de julgados eram comercializados em CD-ROM, ou então eram acessadospela rede da dados RENPAC juntamente com as informações referentes ao trâmiteprocessual.Um número razoável de Tribunais já dispunham de consulta pública de andamentosprocessuais. Esta consulta ainda era muito precária, pois a pesquisa só poderia ser efetuadapor meio do número do processo ou do nome das partes. Era necessário que os tribunaisoferecessem uma filtragem agrupando vários processos pelo número da OAB dos advogados.A dificuldade cingia-se no fato que nem todos tribunais tinham cadastros com os dadoscontendo o número de OAB de forma confiável capaz de tornar possível esta pesquisa.
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