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A Forma da Técnica, por Cícero Silva

A Forma da Técnica, por Cícero Silva

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Texto publicado no livro Hipermídias. FILE/IMESP, 2005, ISBN: 8589730034.
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06/16/2009

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FestivalInternacionalde LinguagemEletrônica
A FORMA DA TÉCNICA | Cícero Silva
Antes do cinema falado, os filmes mudos é que são o ponto de partida material.O ator disse: "Estou sendo filmado. Assim sendo penso... pelo menos, penso nofato de que estou sendo filmado. É porque eu existo, que penso". Após o cinemafalado, houve um New Deal entre o assunto filmado, o ator e o pensamento. Oator começou dizendo: "Penso que sou um ator. Por isso sou filmado. É porque eupenso, que existo. Penso, logo existo".(Diálogo de Jean-Luc Godard & Jean-Pierre Gorin em Carta para Jane).
Espectros da Forma
Um dos belos contos de Machado de Assis narra a história de um homem quegostaria de ser reconhecido como um bom músico, mas que pela força dascircunstâncias e apesar de todos seus esforços, não conseguia produzir algoidêntico às formas até então aceitas como "alta música", tais como Bach eBeethoven e que acabava, no final das contas, produzindo algo para lhe garantiro sustento, sem nenhuma dignidade.As formas das coisas, vistas pela via do olhar que fomos desenvolvendo ao longodos tempos, tomaram muito do nosso tempo para se constitrem e seestabelecerem em relação aos padrões hoje normatizados das expressões, tantovisuais quanto sonoras, sendo de certa maneira tratadas como algo que temuma função na própria coisa, mas que talvez teria tido outra, não tivesse sido ocurso de nossa História (com H maiúsculo) tão árduo. Também ao longo dostempos, essas mesmas formas que se constituíram começaram a serquestionadas pela via da sua própria consisncia e probletica, o queacarretou um diálogo quase tão extenso como o que a filosofia travou entre osproblemas da verdade e da sofística. Levando em consideração que muitas dasformas que temos têm sido pautadas por critérios, e aqui tanto faz se estéticosou não, que ainda tentam dar conta daquilo que Kant vai fazer existir como"categoria do Belo", o que de certa maneira nos sobra é a insistência numavariação entre o que se enquadraria nessa classe kantiana, e o que ficaria aolargo dela, fazendo com que tudo que ficasse de fora seria excldo darepresentação, ou se não completamente excluído, ao menos jogado de lado na
 
história da representação das formas.Acontece que não foram tão simples as tentativas de se fazer com que a formado belo se fizesse presente como categoria de análise. Ainda que o senso comummais simples diga que o que definimos como belo vem de uma representaçãoanterior até a própria representação, prefiro não seguir com este. Penso queseria como tentar criar uma forma da forma, uma concepção que se ligaria adesconexas argumentações sobre gosto, rechaço, inclusão, olhar, natureza, entreoutras, que nos fariam desviar por muitos caminhos.O que formalmente foi se pensando sobre a própria problemática das formas foisendo discutido num plano essencialmente político. E o que não a torna menosinteressante, mas ao contrário, faz com que essa categorização venha entrar napauta da análise das implicões que tento trazer ao escrever esse texto.Resumindo: a forma, o belo, a representação e o sublime foram sentenciados porservirem a uma categorização de si mesmos, a uma brutalização de suasdefinições. O que seria a mesma coisa que dizer que, por motivos políticos,proibiu-se de pensar no que seria uma forma e no que ela representaria, tendoem mente que se alguém assim procedesse estaria se colocando numa posiçãoautoritária, autóctone e, digamos assim, rígida em relação às mais variadasexpressões do que quer que seja.Querendo obviamente fugir desse lugar que tanto incomodou a muitos, fomossendo levados até os dias de hoje a um maior afastamento do olhar sobre ascoisas em si. Se pensarmos que há um "em si" da coisa, é claro. Para constatarisso, basta observar como foram sendo deslocadas as referências dasmaterialidades das formas da arte contemporânea, da música e da filosofia, porexemplo.Nem todas as obras de artes plásticas contemponeas se submetem aosmesmos padrões de belo que foram descritos e categorizados pela filosofiatradicional, nem todas as formas de escrita filosóficas se submetem aos cânonesdas formas de expressão estabelecidas, e assim por diante. E daí, perguntamos:e mesmo assim não são elas então arte ou filosofia? Se eu responder que sim,tomo uma posição, se responder que não, outra. Danto, um filósofo que tentacompreender os problemas da arte, ficou um tanto surpreso quando algumas desuas certezas quanto à definição de arte foram suspensas diante de uma obra deAndy Warhol. A suspensão deu-se quando ele começou a questionar o que fariacom que um produto comercializado por uma empresa pudesse ocupar o lugarantes destinado, formalmente, à categoria de arte? Claro que depois dessasperguntas, Danto nunca mais cessou de escrever e tentar responder, se nãodiretamente essa, questões próximas e que traziam uma espécie de dialéticapara um primeiro plano.
 
Ao se considerar que a forma estaria sendo submetida a um processo deenrijecimento do olhar, quase como se fosse um projeto de algumas instânciasrepresentativas da política, muitos se deram conta de que a análise da formatambém trazia um certo distanciamento da obra. O que não é estranho paramuitos que ainda estão tentando descobrir as intenções de um ou de outroescritor e artista visual. Portanto, a cada vez que essa dialética fosseapresentada nesse formato dialético, tentar-se-ia, eno, neutrali-la eintroduzir, ao invés dessa discussão mais ligada a um parâmetro de questionar oespaço do belo, do sublime e da materialidade em relação a essas categorias,uma discuso sobre o que teria delimitado esse espaço que agora seriareconhecido como a própria categoria em questão. Seria como perguntar quemregula quem regula.Esse projeto político ideológico funcionou bem até o início do século XX, quandomuitas de suas fuões começaram a ser questionadas pelas formas derepresentação que surgiram e reivindicaram um espaço dentro dessascategorizações kantianas. O belo então poderia também começar a fazer partedo desejo dos que politicamente teriam sido colocados de lado pela esferapotica que os neutralizara anteriormente num espaço no qual tudo o quefizessem ou dissessem estaria desde já condenado por sua própria condição. Seexistissem como forma representacional, seria só por pouco tempo. Seria quasecomo perguntar sobre a mesma metáfora que hoje é extensamente utilizadasobre a classificação do mundo: Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo oclassificações impostas pelo próprio Primeiro Mundo. Não são criações dos quevivem no Segundo nem no Terceiro, e mesmo assim, as pessoas que vivemnesses espaços continuam utilizando essas refencias. Fechado os longosparênteses, o que se começou a analisar em relação ao fracasso, para utilizaruma palavra forte, da representação como instância da criação do belo e dosublime, foi o fato de que seria difícil que pudesse haver algo que fosse, emtermos simples, representado por essas categorias, e que essa representaçãoadquirisse uma universalidade, como poderia ser pensado que teria sido até oque denominamos modernidade. No entanto, muitos se colocaram diante de umemblema ao se posicionarem pelo viés político, esquecendo do viés da forma.Esqueceram que de certa maneira, falar da forma é também falar de política, eque raramente há como saber exatamente em qual área, restrita ou não, elasatuam.Ao pensar que a representação falhou enquanto idéia e que a capacidade de sepensar num mundo no qual as coisas possam novamente existir como coisas équase nula, o que falar então sobre as idéias de gesto e de expressão? Semquerer ficar aqui recontando parcialmente a história, fica um pouco deslocada aqueso de se separar forma de contdo atras de uma categorização

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