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RUMOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL Aristeo Leite Filho

RUMOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL Aristeo Leite Filho

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 TEIAS: Rio de Janeiro, ano 6, 11-12, jan/dez 2005 ARTIGOS
 
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RUMOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO BRASIL
 Aristeo Leite Filho
*
 
RESUMO
 As instituições de educação infantil surgiram por uma demanda do adulto, pois com a entrada da mulher nomercado de trabalho, houve a necessidade de um espaço para deixar os filhos. No Brasil, especificamente, aeducação infantil passou de
um mal necessário 
, a
um direito da mulher trabalhadora 
e atualmente, torna-se
direito da criança 
. Dentro dessa perspectiva histórica, suas funções passaram por diferentes momentos queainda persistem numa espécie de inconsciente coletivo dentro de algumas instituições: desde guardiã pura-mente assistencialista, passando por preparatória ainda com a idéia de educação compensatória ou com obje-tivo em si mesma.
Palavras-chave:
infância, direitos da infância, educação infantil.
INTRODUÇÃO
O final do século XX foi um período no qual a sociedade brasileira viveu um processo dedemocratização depois de mais de duas décadas e meia de regime autoritário instaurado a partir dogolpe militar de 1964. Especialmente na década de 1980 foi intenso o debate sobre a infância – ecriança sujeito de Direitos. Juristas, educadores, assistentes sociais, professores, dirigentes educa-cionais, militantes e parlamentares envolvidos nos movimentos sociais civis lutaram por conquistasnunca antes conseguida no ordenamento legal sobre infância, criança, educação infantil e direitos dacriança.Na verdade, foi a primeira vez que no Brasil a criança passou, pelo menos no texto da lei aser
gente
. A Constituição Federal, consequentemente as Constituições Estaduais e as Leis Orgâni-cas dos Municípios asseguram direitos para as crianças. Essas passam a ser consideradas cidadãs.Em nosso país, a Lei de Diretrizes e Bases (LDBEN) n
o
9394, promulgada em 20 de de-zembro de 1996, coloca a Educação Infantil como primeira etapa da Educação Básica, conferindo,assim, um cunho legal ao trabalho com a infância.Dentro dessa perspectiva, o papel do educador deixa de ter puramente a dimensão do cui-dado, assumindo conotações de intencionalidade pedagógica, ampliando o seu papel no que refere àdimensão do educar. Se consideramos a criança um ser ativo, produtor de cultura e cidadã, nossoeducador não poderá ser diferente.Portanto, os processos de formação deverão contribuir não somente para a aquisição deconhecimentos sobre a infância e as atividades pedagógicas, mas também, para o desenvolvimentoda sensibilidade do educador e do compromisso com a transformação da realidade educacional.Nesse sentido, urge re-significar a função das instituições de educação infantil no que serefere tanto à formação da criança quanto à dos profissionais responsáveis por esse atendimento.
 
O Brasil tem uma legislação avançada para a infância e a adolescência, conquistada graçasà luta dos movimentos sociais pela democratização dos serviços públicos e a humanização do aten- 
*Diretor da Escola Oga Mitá. Mestre em Educação pela PUC-Rio / Doutorando em Educação PUC-RJ. Professor docurso de Pedagogia da Universidade Estácio de Sá. Professor do curso de pós-graduação em Educação Infantil daPUC-RJ.
 
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dimento. Porém, o cumprimento desta legislação ainda está longe de ser realidade. A educação in-fantil é direito das crianças, e é dever do Estado assegurar o atendimento, em creches e pré-escolas,às famílias que optarem por esse serviço.No final da década de 70, em 1979, o ano internacional da criança leva o tema “infância”para a mídia. Mas é na década seguinte que começam algumas mudanças na educação das criançaspequenas na sociedade brasileira. Em 1981 o Ministério da Educação e Cultura - MEC/COEPRE -lança o “Programa Nacional de Educação Pré-escolar” e convida o Mobral para integrá-lo
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. Nosanos 80 há um crescimento significativo das matrículas de educação pré-escolar. Entre 1979 e 1989,o número de crianças matriculadas triplicou: das 1.198.104 passou para 3.530.000. O aumento mai-or se deu no atendimento público (municipal e estadual).(DIDONET, 1992)É incontestável que, na última década do século XX, a sociedade brasileira avançou noque diz respeito a assegurar, pelo menos no papel, os diretos das crianças. Com a promulgação daConstituição Federal, de leis e o estabelecimento de normas e diretrizes, passou-se, pela primeiravez em nossa história, a estarem, na letra da lei e no espírito da mesma, assegurados direitos para ainfância.No período que vai de 1988 até 2001, o ordenamento legal relacionado à educação das cri-anças pequenas, no Brasil, muda de maneira significativa as concepções de criança (0 a 6 anos) e deeducação infantil.
1988 Promulgação da Constituição Federal, em 5 de outubro de 19881990 Estatuto da Criança e do Adolescente , Lei 8.069, de 13 de julho de 19901994 Política Nacional de Educação Infantil, elaborada pela Comissão instituída pelo MEC atravésda Portaria 1.263/931996 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, aprovada em 20 de dezembro de 19961998 Elaborado pelo Ministério da Educação1999 Diretrizes Nacionais para a educação Infantil, aprovadas pelo Conselho Nacional de Educa-ção, Resolução n
o
1, de abril de 19992001 Plano Nacional de Educação, Lei n
o
10.172, de 9 de janeiro de 2001
A Constituição Federal de 1988 destaca que a educação é direito de todos (art. 205) e colo-ca a infantil como um dever do Estado. O artigo 208, inciso IV, diz:
Artigo 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:IV – atendimento em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade.
Sendo dever do Estado, a educação infantil passa, pela primeira vez no Brasil, a ser um di-reito da criança e uma opção da família. No seu artigo 227, a Constituição Federal coloca a criançae o adolescente como prioridade nacional.
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 Através desse programa, o MEC/COEPRE realiza convênios com as Secretarias Estaduais de Educação, com o obje-tivo de expandir a pré-escola no Brasil, a baixo custo, usando espaços ociosos nas comunidades, recorrendo a mãesvoluntárias para desenvolver as atividades junto às crianças.
 
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Artigo 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, comabsoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionaliza-ção, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além decolocá-lo a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade eopressão.
Essa Constituição, como afirmam Rosseti-Ferreira et alli (1998:177), representa uma vali-osa contribuição na garantia de nossos direitos. Isso porque é fruto de um grande movimento dediscussões e participação popular, intensificado com o processo de transição do regime militar paraa democracia, trazendo avanços em diferentes áreas do viver em sociedade.Elenca ainda a Carta Magna, no seu artigo 7
o
, inciso XXV, a educação infantil enquantodireito constitucional dos trabalhadores urbanos e rurais, a “assistência gratuita aos filhos dependen-tes desde o nascimento até os seis anos de idade em creches e pré-escolas.”A Constituição federal de 1988 foi um marco decisivo na afirmação dos Direitos da Criançano Brasil
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e é nesse esteio que foram, também, nos anos subseqüentes, elaboradas as ConstituiçõesEstaduais das diferentes unidades da Federação e, posteriormente, as Leis Orgânicas dos municípios.Em 1990, foi aprovada a lei 8069/90 – O Estatuto da Criança e do Adolescente, que ficouconhecido como o ECA
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. Ele, ao regulamentar o artigo 227 da Constituição Federal insere as crian-ças no mundo dos direitos, mais especificamente no mundo dos Direitos Humanos.
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Reconhecendo-as como pessoas em condições peculiares de desenvolvimento, não as considerando como adultos egarantindo-lhes os seus direitos, assegurados em lei especial. Essa lei contribuiu com a construçãode uma nova forma de olhar a criança - a visão de criança como cidadã. Pelo ECA a criança é con-siderada como sujeito de direitos. Direito ao afeto, direito de brincar, direito de querer, direito denão querer, direito de conhecer, direito de sonhar e de opinar.É nesse contexto, norteado pela Constituição Federal e pelo ECA, que o Ministério da E-ducação e Desporto (MEC) assume em 1994 o seu papel insubstituível e inadiável de propor a for-mulação de uma Política Nacional de Educação Infantil.Registra-se que entre os anos de 1994 e 1998 a Coordenação Geral de Educação Infantil(COEDI), da Secretaria de Educação Fundamental do MEC, publicou uma série de documentos quetêm um significado especial para a educação infantil no Brasil
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. Em primeiro lugar, por se tratar dedocumentos escritos de forma objetiva e clara, tendo como leitor o professor de creches e pré- 
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 A expansão da Educação Infantil no Brasil e no mundo, a intensificação da urbanização, a participação da mulher nomercado de trabalho e o início de uma maior consciência da importância da Educação Infantil na primeira infânciaresulta, na década de oitenta, no Brasil, em movimentos da sociedade civil e de órgãos governamentais para que oatendimento às crianças de zero a seis anos fosse reconhecido na Constituição Federal de 1988.
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Com a Constituição Federal de 1988 e o ECA, o Brasil adere formalmente à concepção da criança como sujeito dedireitos, detentor de potencialidades a serem desenvolvidas, em sintonia com as normativas internacionais. DECLA- RAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA – 1959 / UNICEF; CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DACRIANÇA – 1989 / ONU/UNICEF 
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Os Direitos Humanos são afirmados há mais de 200 anos e viraram Declaração da ONU (Organização das naçõesUnidas) em 1948.
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Os conhecidos cadernos da COEDI – cadernos com as carinhas de crianças são: “Subsídios para a Elaboração de Diretrizes e Normas para a educ. Infantil ” (1998); “Proposta Pedagógica e Currículo para a Educ. Infantil: um Di-agnóstico e a Construção de uma Metodologia de Análise” (1996); “Critérios para um Atendimento em Creches e Pré-escolas que Respeitem os Direitos Fundamentais das Crianças” (1995); “Educação infantil no Brasil: Situação Atual”(1994); “Por uma Política de Formação do Profissional de Educação Infantil “ (1994); Política de Educação Infantil(Proposta) (1993) e o “política Nacional de educação infantil” (1994)

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