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Abandono Escolar

Abandono Escolar

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05/16/2013

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Abandono Escolar 
OAbandono Escolar
 
O insucesso e abandono escolares tomaram-se um problema dos actuaissistemas de ensino. Não sendo novo, ele requer hoje uma reavaliação, devidoàs mudanças profundas que as sociedades têm vindo a registar, quer nasocialização dos jovens quer nas exigências que estas fazem, cada vez mais, àparticipação destes em diferentes esferas sociais.Em sociedades como a portuguesa, em que o sistema de ensino seuniversalizou mais tardiamente e em que o mercado de trabalho é poucoexigente em qualificações, a atracção pelo trabalho juvenil constitui um factor de peso para o abandono escolar. Um estudo recentemente realizado, cujoobjectivo consistia em analisar, numa área rural (onde as taxas de abandonosão mais acentuadas), as determinantes sociais desse abandono, permitiuretirar algumas conclusões que ajudam a compreender o problema, a suagravidade e dimensão.Verificou-se que o perfil dos jovens que abandonam a escola evidencia umapertença a famílias com baixas habilitações, baixos rendimentos e dificuldadeseconómicas. Se estas dificuldades empurram os jovens, desejosos deautonomia financeira, para o mercado de trabalho, também a escola assumeuma parte da responsabilidade no abandono precoce pela incapacidade queela mostra de motivar e de desenvolver o interesse dos jovens pela educação epela formação. A análise dos motivos que levam os jovens a abandonar aescola constitui, assim, o cerne deste artigo e assenta num modelo complexoque procura relacionar entre si as variáveis Escola, Família e Mercado deTrabalho, todas elas concorrentes na determinação do fenómeno.
 A desvalorização dos jovens, o insucesso e o desinteresse escolar constituem ainda hoje, nasnossas escolas fenómenos massivos cuja natureza e determinantes parecem ser de essênciasócio-económica.Estes fenómenos conduzem-nos essencialmente a dois tipos de situações que correspondem aoutras tantas posições relativamente ao percurso escolar de muitos jovens e são as seguintes:à os que ficam retidos, uma ou mais vezes no mesmo ano ou em diferentes anos escolares; èos que, tendo transitado, terminam o seu percurso escolar quando atingem a escolaridadeobrigatória.No primeiro caso, o desinteresse manifestado por estes jovens, que muitas vezes desenvolvematitudes de fracasso face à escola e ao ensino que dispensa, conduz a uma constanteinterrupção do seu percurso escolar e consequentemente ao abandono escolar. No segundocaso, encontram-se os alunos que, tendo sido aprovados, terminam no final da escolaridadeobrigatória, o seu percurso escolar.Aparentemente, estes alunos decidem eles mesmos, abandonar o sistema de ensino, mas naverdade, esta interrupção voluntária dos estudos, corresponde, também ela a uma forma deabandono escolar.Nos últimos anos, com a revisão curricular da educação básica e com os currículosalternativos, tentou-se travar o abandono escolar nas nossas escolas mas, de facto, tal parecenão se ter revelado suficiente, uma vez que não se conseguiu inverter esse sentido. 
 
O universo dos estudantes, matriculados nas nossas escolas, é constituído maioritariamente,por jovens com idades que estão de acordo com o ano escolar que frequentam. No entanto,são igualmente muitos os alunos que, por terem já ficado retidos uma ou mais vezes, as suasidades encontram-se “desfasadas” face ao ano escolar que frequentam, tendo já idades quenão se encontram abrangidas pela escolaridade obrigatória.Este facto prende-se certamente com o número de alunos que já ficaram retidos uma ou maisvezes em anos lectivos anteriores. Contribuindo, igualmente para este facto, estão também osalunos que interromperam o seu percurso escolar, abandonando a escola antes das aulasterminarem, apesar de alguns poderem, porventura, regressar às aulas em anos lectivosseguintes.Ser estudante parece assim, ser um atributo dominante dos jovens até aos 15 anos e quenunca ficaram retidos. A partir desta idade e também para aqueles alunos que, apesar de aindase encontrarem dentro da escolaridade obrigatória, vivem uma ou mais retenções durante oseu percurso escolar, começa já a marcar-se uma ruptura, com alguma intensidade, com omundo escolar.Muitos dos alunos que abandonaram o sistema de ensino, antes de concluírem o 9° ano deescolaridade, encontram-se já totalmente inseridos no mundo do trabalho. Alguns apenasconcluíram o 2° ciclo, confirmando-se, assim, a ideia de que os jovens que estão inseridos nomundo do trabalho têm baixas qualificações escolares. Dos jovens que frequentamactualmente o 9° ano, muitos pertencem a grupos etários superiores aos 15 anos. A maioriadestes jovens, parecem assim, ter estabelecido uma ruptura definitiva com o mundo escolar,uma vez, que não prosseguem os seus estudos e preferem optar por iniciar uma actividadeexterior ao sistema de ensino.A questão das habilitações escolares é um assunto que preocupa a todos, pela naturezaespecífica e delicada da situação. Apesar de se verificar que muitos jovens possuem baixasqualificações académicas, parece não haver interesse, por parte dos mesmos, em alterar essasituação. Esta “despreocupação” pode ser comprovada pelos seguintes factos:-->muitos jovens afirmam que não pretendem continuar os estudos após a conclusão do 9° anode escolaridade;-->outros afirmam que não se revêem neste tipo de ensino, pelo que quando atingirem os 15anos de idade, mesmo que não concluam o 9° ano, preferem abandonar a escola eingressarem no mercado de trabalho.Em muitas das escolas situadas em áreas rurais, alguns destes estudantes gostariam deingressar numa das escolas profissionais existentes mas, devido à distância a que as escolaspor vezes se encontram das suas residências e às dificuldades encontradas nas mesmas, essapossibilidade toma-se remota sendo praticamente posta de parte por muitos destes jovens.
 
Quanto aos jovens que têm sempre transitado de ano, apesar de muitos ainda não saberemque grau académico desejam ter, têm porém, consciência das dificuldades inerentes àfrequência do ensino secundário e mesmo ao processo de ingresso na universidade. 
Comportamentos/atitudes que conduzem aoabandono/insucesso escolar:
 O fenómeno do abandono escolar tem merecido especial atenção nos últimos tempos. Sendoum acontecimento que não aparece por acaso, ele acarreta consequências nefastas para asociedade em geral, pelo que se torna urgente identificar as causas da sua persistência. Aselevadas taxas de abandono escolar que actualmente ainda se verificam, para além dasconsequências imediatas, têm consequências que só terão efeito no futuro.O abandono escolar prejudica a produtividade de um país e representa um desperdíciolamentável de vidas jovens. O abandono escolar não é só um problema social e educacional,ele é simultaneamente um problema económico.A caracterização dos jovens que abandonam a escola é imprescindível para se identificar,atempadamente, o aluno em risco de abandono. Identificar o “aluno em risco de abandono”permite que se possa agir sobre ele a fim de evitar a situação real de abandono e conseguir que ele “volte” à escola.Não existe uma causa única do abandono escolar. Este só recentemente começou a ser objecto de estudo, no entanto já existem várias tentativas de interpretação do fenómeno. Sãodiversos os autores que, na esperança de encontrar uma solução para o problema, oanalisaram tentando indicar as suas causas.Segundo Boudon, a decisão de se continuar ou não no sistema de ensino depende de umaavaliação antecipada, baseada em cálculos que os jovens e as suas famílias fazem em termosde custos, riscos e vantagens. Estes cálculos dependem directamente da situação escolar do jovem e da forma como se avalia o interesse do mesmo em continuar ou não no sistema deensino, bem como dos riscos que se terá de assumir no futuro. Esta decisão é, assim,fortemente marcada pela posição social da família.A família exerce, assim, uma grande influência na decisão dos seus educandos emprosseguirem ou não os estudos. As precárias condições sócio-económicas de muitas famíliasconduzem muitos dos nossos jovens a entrarem prematuramente no mercado de trabalho.Segundo o modelo teórico de Ferrão (1995) as várias causas do abandono escolar tem trêsfocos principais: Escola, Família e Mercado de Trabalho. Para este autor, numa das trêsentidades reside a explicação da maioria das situações reais e potenciais deste fenómeno.Com base nos estudos efectuados pelos autores supracitados, pode-se afirmar que existemfactores de ordem social, cultural e económica que condicionam o sucesso escolar e,consequentemente, o abandono precoce do sistema de ensino. Realizando um cruzamentoentre os vários estudos passa-se a enumerar os comportamentos/atitudes conducentes aoabandono escolar:-->Desmotivação dos alunos - o ensino que a escola actual dispensa é ainda muito centradoem conteúdos, enquanto deveria se mais no saber-fazer, levando muitos alunos a revelaremum grande desinteresse pelas matérias leccionadas e falta de empenho na resolução dastarefas propostas pelos professores;-->Desestruturação das famílias - famílias monoparentais, muitas desfavorecidas nos planoscultural e económico. A pressão familiar face às dificuldades económicas e perante umasociedade consumista faz com que muitos jovens se lancem rapidamente no mercado detrabalho;-->Problemas pessoais - estes problemas podem muitas vezes estar ligados directamente àfalta de apoio dos pais ou à inexistência dos mesmos, à influência de más companhias quepodem conduzir os jovens por caminhos ilícitos, como a droga e a indisciplina, por vezes aliadaà revolta. A análise seguinte refere-se à opinião de professores acerca das possíveis causas doabandono escolar e as razões apontadas estão intimamente relacionadas com o sistema deensino:-->A desmotivação;-->As dificuldades de aprendizagem;-->Não gostar da escola;

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gostei muito dessa matéria
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