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Elementos de Doutrina Neocartista, por Luís Aguiar Santos

Elementos de Doutrina Neocartista, por Luís Aguiar Santos

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Elementos de Doutrina Neocartista
Luís Aguiar SantosNovembro de 2005Elementos de Doutrina NeocartistaO que é o Neocartismo?#O Neocartismo defendido (réplica a João Noronha)#A Legitimidade Dinástica e a Carta (resposta a um miguelista)Notas
O que é o Neocartismo?
§1ONeocartismoéadoutrinaquereafirma,sobretodososoutrosmodelosconstitucionais portugueses,asuperioridadedatradiçãodeDireitoPúblicoconsubstanciadanaCarta ConstitucionaldaMonarquiaPortuguesa,de29deAbrilde1826.MaisafirmaqueaCarta constituiuumasoluçãodecontinuidadeconstitucional,partindodaordemjurídico-política anterioredaautoridaderégianelalegitimamenteconstituída.Afirma,enfim, que o ordenamento  jurídicoresultantedasuaOutorgaéaqueleque,relativamenteaosoutrosmodelos constitucionais,maisemelhorconsagraosprincípioséticosejurídicos universais da Tradição Liberal Clássica.§2ACartaConstitucional, longe de ser uma curiosidade morta de um passado distante, é, além deumcódigojurídicointegrantedaexpernciahistórico-poticaportuguesa,umenunciadode princípioseregrasdevalidadeperenee,comotal,passíveldeleitura, reflexão e inspiração no tempopresente.Emborasofrendováriasvicissitudes,a Carta serviu como Lei Fundamental do Paísentre1826e1910efoitidaemconta,comoelementodeponderação,naelaboraçãode todosostextosconstitucionaissubsequentes.Essaponderação,mesmonaausênciadeuma tradiçãocartistacontínua,assumidaeestruturada,éaprovadavitalidadedosprinpios explícitoseimplícitosconsagradosnaCartaConstitucional. Como se argumentará
infra
, esses prinpiosinterdependentesoacontinuidadeconstitucional,oprimadodaLei,aliberdade individual, a separação de poderes e a partilha da soberania.§3Relativamenteàschamadas«constituições»de1822e1838,filhasdeprocessos revolucionários,teveaCartaConstitucional a sagrada vantagem de não nascer de uma ruptura comalegitimidadedaordem jurídico-política tradicional do Reino de Portugal, materializada nas prerrogativasdaCoroaenasOrdenações.NopreâmbulodaCarta,D.PedroIVreferia-seàs 
1
 
Novembro 20011
1
 
TrêsOrdensdoEstado
queadeveriamjurare,nasdisposiçõesfinais,aludeàsOrdenações,
 
paraasconsideraremvigoreapenasrevogadasnaquiloquecolidircomodispostonotexto outorgado.Enquantoa«constituição»de1822omitiatodaarealidadejurídico-política preexistente,comoseoPaísestivesseaserfundadopelasdisposições decretadas por umas Cortessoberanasquenuncahaviamexistido,aCartade1826eraoutorgadapelamajestade realeoseutextopublicadocomoCartadeLei;nestesdoisactos,oseutextoerespectivo alcanceforam,porassimdizer,adicionadosàordemjudico-políticapreexistente,passando depoisedepois,pelaconseqnciadeseupróprioenunciado, a tutelar essa ordem. Assim, naorigemdaCartaConstitucionalestáimplícitaaimpossibilidade,ouainconveniência,do femenoouprocessoconstituinte,riasvezesrepetidonaexperiênciahistórico-política portuguesa.Daideiadequeumanaçãosepode«reunir»e«fazer»asuaConstituiçãonão partilhamaCartaeasuacircunstânciahistóricadaOutorga.Estafoiestranhatantoaesse idealvoluntaristaconstituintecomoaoseuidealmeodeumasoberanianacionaloupopula quefazedesfazasleis.Desteperniciosoidealsefizeramecoos«constituintede1822e todasas«constituiçõesubsequentesàCarta,incluindoasrepublicanasde1911,1933e 1976.Todasestas«constituiçõetiveramemcomumessapredisposiçãoparafazerbua rasadoqueasprecediae,emconseqncia,para se apresentarem como uma nova fundação doPaísresultantedeumasupostavontadecolectivatodapoderosaeaqualquermomento podendodeclarar-seconstituinte.Foiassimque,inspiradanosprecedentesdeixadospelos textos de 1822 e 1838, a «constituição» de 1911 pôde derrubar todas as formas precedentes deexercíciodasoberaniaecriar, do nada, uma «república democrática»; esgotado este modelo, a «constituição»de1933decretouqueoPaíssetransformasseem«repúblicacorporativa»;e, seguindodefactotaisexemplos,a«constituição»de1976quismoldaroPaísauma «democraciasocialist.Comoestahistóriaconstitucionaldemonstra,adoutrinadasoberania ilimitada,democticaouodemocrática,éincompavelcomacontinuidadeconstitucional, que é o garante prático do Primado da Lei.§4SáaCartanasceusemrupturaconstitucio-naleaCartaconsagrouumaconcepçãode soberaniapartilhada;nela,cabeaoRei,aosPareseaosDeputados,conjuntaenão isoladamente,oseuexercio.AnaturezamesmadasoberanianaCartaéasuacondição partilhada,edeummodoquesepodedizer,comrigor,queelapermitequecadaumdosts pilaresdasoberaniaRei,maradeParesemaradeDeputadosparaliseaacçãodos doisrestantes(paraseconstataristo,consulte-seoseuTítuloIV,capítuloIV,respeitanteà 
 proposição,discussão,saãoepromulgaçãodasleis
).Defacto,aqualqueractolegislativo
 
erarequeridaumatriplaaprovação:adacâmaraproponente,a da outra câmara e a da sanção régia,cujaoconcessãoeraderrogatória.O fundamento desta possibilidade de paralisação é odequeumedifícioconstitucionalsedestinaessencialmenteapreservardeterminadas garantiasecondiçõesgeraisadquiridasenãoaasseguraraeficiênciadeumdeterminado podernaprossecuçãode seus objectivos particulares. Historicamente, a oposição demagógica àCartaradicou sempre na asserção – aliás correcta – de que ela impedia o estabelecimento de umasoberaniademocráticaplena.Damesmaforma,oschamadosabsolutistas,depois partidáriosdaspretensõesindevidasdoinfante D. Miguel ao Trono, opunham-se-lhe porque ela impediatambémoestabelecimentodeumasoberaniarealplena.Averdadeera,pois,quea 2
 
Cartalimitavatodaasoberania,monárquica,aristocráticaedemocrática.Apropenodos «constituintes»de 1822, 1838, 1911, 1933 e 1976 para limitarem ou banirem a monarquia e paraestabelecerem
dejure
oude
de facto
um parlamento unicameral devia-se a um desiderato mais
 
oumenosconfessadodeinstalarumasoberaniaexclusiva(e,logo,tendencialmenteilimitada), da Câmara dos Deputados ou do Governo.§5Masapartilhadasoberanianãoéumameradivisãodepoderes,queaCartanãosó consagra,masrelativamenteaosoutrostextosconstitucionaismultiplica,acrescentando aostrêscomunsoquartopoderqueespecialmenteincumbeà monarquia (o moderador). Essa partilhadesoberaniadiz,sim,respeitoàcoabitaçãodeduasfontesdistintasdasoberaniaa nacionaloupopular,eadinástica.Aocontráriodosoutrostextos,aCartanãodizque
a
 
soberaniaresideessencialmenteemanação
(ounopovo); ela diz, sim, que
os representantes daNaçãoPortuguesaooReieasCortes Gerais
(artigo 12.º). Tal fórmula assume, antes de
 
mais,ocacterrepresentativodetodoopoderpolíticoalgoquenemsempreéclaramente assumidopelasfórmulasdemocráticaspuras,que não raro se explicam a si mesmas como um autogovernopopularcompletamentefantasioso.Épossívelumindivíduoautogovernar-se;o épossívelumgrupoautogovernar-se.Quandosedizqueumgruposeautogovernaestá-sea usarumalinguagemmetafóricadesapropriadaqueocultaarelaçãodecomandoeobedncia forçosamenteexistenteemtodasas formas de poder político. O principal problema da ideologia democráticapuraéofactodeocultaressaincontornávelnaturezadopoderpolítico,criandoa iluodeumcompactoemqueamassadeindiduoseopoderpolíticopretensamentese fundem,evacuandoarelaçãodecomandoeobediência.Talrelação,porém,estásempre presenteondequerqueexistaumpoder político estabelecido, o qual se exerce universalmente pelarepresentação,istoé,pelatransferênciadacapacidadededecioeaãodeum conjuntodeindivíduosparaumalguém singular ou colectivo; e essa transferência opera-se por  delegaçãoformal,comonumprocessoeleitoral,ouporconsentimentocito,como no caso da relaçãoentrebditosemonarcahereditário.Sóaconsciênciadestanaturezauniversaldo poderpolíticopermite,comonaTradiçãoLiberalClássica,centrararefleonoproblemada sualimitaçãopossíveloudesejável,independentementedasuaforma(monárquica, aristocráticaoudemocrática,namelhordashiteses,tinica,olirquicaoudemagógica,na pior).Osverdadeirosliberrios,integradosnareferidatradição,julgampossíveledesejávela eliminaçãodopoderpolíticoedestasuanatureza;osrestantesliberaisclássicos(comoos cartistasdeontemeosneocartistasdehoje),porajulgaremimprovável,continuama centrar-senaproblemáticadalimitaçãodopoderou,ditodeoutraforma,nacontenção,senão neutralização,dasoberania.AmesmarmuladarepresentaçãonaCartasignificaaindaque estarecusaqualquertipodemonismopotico,comoacontecequandose consagra uma única fontedasoberania.Ora,implícitanestarecusademonismo,estáaconviãodequetal partilhadasoberania cria condições de segurança para uma efectiva separação de poderes: se todaaorigemdasoberaniaéuma,qualquerseparaçãodepoderesposteriormenteinstituída serásempreumartificialismofrágil.Pelocontrio,apluralidadedefontesdesoberaniafaz radicar a separação dos poderes numa base sólida e não fundível.§6Aliberdadepessoalouindividualdeconsciênciaeacção,queaTradiçãoLiberalClássica 3

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