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Família e Educação na Perspectiva dos Direitos Fundamentais, por Fernando Adão da Fonseca

Família e Educação na Perspectiva dos Direitos Fundamentais, por Fernando Adão da Fonseca

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Família e Educação na Perspectivados Direitos Fundamentais
Fernando Adão da FonsecaMaio de 2004
I. Centralidade da família na educação
Dizotextodeintroduçãoaesteseminárioser«inquestionávelqueospaistêmumpapel insubstituíveledeterminantenaeducaçãodosseusfilho.Umadasvertentesmais importantes deste papel tem a ver com o quadro de valores que todos nós permanentementenecessitamos,como«bússoladeorientação»dasnossasopções.Ora,ésabidoqueuma «ssoladeorientaçãprecisadeum«nortderefenciainicial.Poroutraspalavras,o desenvolvimentodapersonalidadedascriançasedosjovensemordemàformaçãode homenslivreseresponveis,ecomsentidodefraternidadeedeparticipaçãosolidária, precisadeumpadrãovalorativooriginal,apartirdoqualpossam,depois,virafazero contrasteracionalcomoutroscódigosenormasdeconduta, aceitando-os ou rejeitando-os, nopermanenteprocessodeintegraçãonasociedade.Afaltadeumpadrãooriginalde medidadeixa-ossem âncora para as suas referências e órfãos de sentido de pertença, sem defesasperanteaspressõesculturaisexteriores,desprovidosdehorizonteseesvaziados desentidopessoaldevida.Ovazioé,então,preenchidopelorelativismoeosentidodo imediato,semprojectosdelongoprazoeincapazesdeassumiremcompromissos incondicionais.Aevidênciamostrasera família quem oferece o melhor quadro emocional e moral para uma criançaoujovemadquiriressepadodereferênciaoriginal.Claroquenãoéafamília sozinhaquesustentaessepadrãooriginalemuitomenososconhecimentose competênciasexigidospelassociedadesmodernas. Especificamente em relação ao padrão valorativooriginal, este resulta de diversos contributos e influências de muitos lados, em quea televisão e o exemplo dos adultos e dos jovens mais velhos são dos mais preponderantes.Masacimadetodoselesestá(oudeveestar)certamenteaescola,enquantoinstituição especializadaaoserviçodaeducação,querealizatantomelhorasuafunçãoeducativa quanto mais perfeita for a cooperação entre ela e a família de cada criança ou jovem.Estacomplementaridadeentrefamíliaeescolapodefuncionarbemseospaiseos professorespartilharemaresponsabilidadesobreaeducaçãoadaracadacriançaou  jovem.Ora,umprimeiropassoparadesresponsabilizarospaispelaeducaçãodosfilhosé 
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TextodesuporteàapresentaçãofeitanoSeminário«FamíliaeEducação:Querelaçãoparao futuro?»,realizadopeloConselhoNacionaldeEducação,nodia27deMaiode2004,porocasiãodo décimo aniversário do Ano Internacional da Família
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Presidente doFórum para a Liberdade de Educação.1
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dadoquandoselhesretiraaliberdadedeescolheraescolaquedevecooperar com eles nessaeducação.Nãodeixarospaisescolherem a escola é incentivá-los a sentirem que as suasresponsabilidadesdepaiscessamàentradadoportãodaescola.Tambémnãoé possívelresponsabilizarosprofessorespelaeducaçãodosseusalunosquandoselhes impõeumcoletedeforçascurricular,pedagógicoeatémoral,queossubjuga,nãolhes dandoespaçoparaapresentaremofertasdeeducaçãoalternativasemqueacreditem
 semprejuízodonecessáriocumprimentodosrequisitosbásicosdoensino.Seos professoresoobrigadosatrabalharemescolascomasquaiselesouospaisnãose identifiquemmutuamente,assuasresponsabilidadesdeeducadoresficamreféns dentro do portãodaescolaetorna-sediciloumesmoimpossível a cooperação e solidariedade entre a família e os professores.Osistemaeducativonãopodeserumsistemadeseducativodospaisedosprofessores. Pelocontrário,temdecontribuirparaquefalias e escolas não possam fugir facilmente às suasresponsabilidade.Emparticular,temderefoarclaramenteopapeldospaisedos professores
nãoesquecendoaprimaziadaqueles
induzindonelesodeverde cooperaremnaeducaçãodascriançasedosjovensàsua responsabilidade e alertando-os paraograveerroquecometemquandotransferemparaoutrosmuitasvezessabe-selá quemadeciosobreopadovalorativooriginalaser-lhesproposto.Mas,paraquetal sejapossível,énecessário que os pais possam optar pela escola cujo «projecto educativo» sejaconsistentecomopadrãovalorativooriginaltransmitidonafamília.Tambémé necessárioqueosprofessorespossamcriar(ouaderira)projectoseducativos,emque acreditem,queospaispoderãoou não escolher. Isto é, tem de existir liberdade de aprender  e de ensinar.
II. Educação, direitos fundamentais e EstadoGarantia
TodasasdeclaraçõessobreosdireitoshumanoseappriaConstituiçãodaRepública Portuguesaconsagramacentralidadedafamílianaeducaçãocomoumdireitoegarantia fundamental dos cidadãos.Emconcreto,aConstituãodaRepúblicaPortuguesaestabeleceteroEstadoaobrigão deasseguraraliberdadedeaprenderedeensinaraTODOS.Napráticaissosignifica garantiraTODOS o direito de optarem sem quaisquer constrangimentos, nomeadamente de naturezaeconómica,peloprojectoeducativoquedesejamparaosseusfilhosouparasi próprios, sendo o ensino básico universal, obrigatório e gratuito (cf. artigos 43.º e 74.º).Note-sequegarantirumaliberdadedeescolheraTODOSéequivalenteagarantira igualdade de oportunidades no acesso a essa liberdade. Por isso, na prática, são as famíliascommenoresrecursoseconómicosquetêmdeestarnaprimeiralinhadaobrigaçãodo Estado de assegurar a liberdade de educação a todos os cidadãos.SendoanossaConstituiçãoPolíticainspiradanalutapelasliberdadesegarantiasdos cidadãos,nãoadmiraquereforceestesvalores,afirmando(cf.artigo16.º)queosdireitos 
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fundamentais«devemserinterpretadoseintegradosdeharmoniacomaDeclaração UniversaldosDireitosdoHomem»,sendoqueestaestipulaque"aospaispertencea prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos».Als,quandolemosoprmbulodaDeclaraçãoUniversaldosDireitosdoHomem,escrita em1948,norescaldo de «actos de barbárie que revoltaram a consciência da Humanidade», percebemosbemporqueéquenaquelemomentoeratãoclaroseraFamíliaumbaluarte essencialdaquiloqueéo«fundamentodaliberdade,dajustiçaedapaznomundo»: referimo-nosaosdireitosfundamentaisdetodoo homem, entre os quais está a liberdade de educação.Oslongosanosdepazquetemosvindoadesfrutardesde meados do século passado não podemfazer-nosesquecerqueocombatepermanentepelosvaloresconsagradosna DeclaraçãoUniversaldosDireitosdoHomemnospermitiráteresperança na o repetição dosenormessofrimentosquecaracterizaramoculoXX.Paraisso,énecessárioqueo Estadonãoseafastedasuaraodeser,queéadegarantirosdireitosfundamentaisde todos os cidadãos e das liberdades que lhes estão subjacentes.ReconhecemosqueoEstado,naincessantebuscadeformasdegarantiroexercíciodas liberdadesfundamentaispeloscidadãose,portanto,dapromoçãodobemcomum,temtido diversasformasdeseorganizaraolongodostempos.Nessesentido,oEstadoSocialda segundametadedoculoXXrepresentou,semdúvida,umavançoassinalávelsobreo EstadoLiberaldoséculoXIX,tendonascido da consciência do valor da solidariedade como exigênciadaigualdadedetodososcidadãosnoexercíciodasliberdadesfundamentais. Mas,aoreservarparaasiopapelprimordial,atribuindoumcactermeramentesupletivo aoscorpossociaisintermédios,tornoumuitasvezesdifícil compatibilizar a igualdade com a liberdade,eointeressecolectivocomainiciativaindividual,aomesmotempoque desresponsabilizouocidadãoeenfraqueceuaconsolidaçãodeumaculturaderigor,de exigênciaedesãconcorrêncianasociedade.OresultadofoiumEstadoSocial frequentementecativodeinteressescorporativoseindividuais,habituadosaviveràcusta dosimpostosquetodospagamos,comrelevoparaosquesedeixamseduzirpelo proteccionismoepelosfavoresdoEstadoeparaalgunsgruposdeinteressesretrógrados que fazem o jogo dos inimigos da liberdade.Peranteasnovasrealidadeseaexperiênciaadquirida,énecessáriorestaurarosvalores humanistasqueestiveramnaorigemdoEstadoSocial,emordemaumEstadodoculo XXIquesejarealmentegarantedosdireitosfundamentaisdetodososcidadãos.Este Estado Social do século XXI é um «
Estado Garanti
, na medida em que deixa claro ser suarazãodeserade garantir sem hesitações as liberdades concretas que estão subjacentes a todososdireitosfundamentaisdoserhumano.E,sendodetodos,étambémogarantede umaverdadeiraeefectivaigualdadedeoportunidades,nosentidodeigualdadedeacesso aos direitos fundamentais.Num
EstadoGarantia
assimdefinido,semprequeoexercíciodeumdeterminadodireito
 
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Art.º 26.º da
Declaração Universal dos Direitos do Homem
.3
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