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1963 (2006) A idéia de gênese na estética de Kant (in 'A ilha desserta...') (br), Deleuze

1963 (2006) A idéia de gênese na estética de Kant (in 'A ilha desserta...') (br), Deleuze

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Gilles Deleuze
A IDÉIA DEGÊNESE NAESTÉTICA DEKANT
Revue d'esthétique, v. XVI, nº 2, abril-junho, Paris,PUF, 1963, pp. 113-136
1
 
As dificuldades da estética kantiana, na primeira parte da
Crítica da faculdade de julgar 
NT 
, estão ligadas a uma diversidade de pontos de vista.Kant nos propõe tanto uma estética do espectador, como na teoria do juízode gosto, quanto uma estética, ou, mais ainda, uma meta-estética do
1
No mesmo ano, Deleuze publica pela PUF
La philosophie critique de Kant 
(Afilosofia crítica de Kant).
NT 
Traduzimos assim
Critique du jugement 
para melhor correspondermos aooriginal alemão (
Critik der Urteilskraft)
.
 
2
criador, como na teoria do gênio. Tanto uma estética do belo na naturezaquanto uma estética do belo na arte. Tanto uma estética da forma, deinspiração "clássica", quanto uma meta-estética da matéria e da Idéia,próxima do romantismo. Só a compreensão dos pontos de vista diversos, eda passagem necessária de um ao outro, determina a unidade sistemática da
Crítica da faculdade de julgar 
. Esta compreensão deve explicar asdificuldades aparentes do plano, ou seja, de um lado, o lugar da Analíticado sublime (entre a Analítica do belo e a dedução dos juízos de gosto) e, deoutro lado, o lugar da teoria da arte e do gênio (no final da dedução).O juízo de gosto "é belo" exprime no espectador um acordo, umaharmonia de duas faculdades: imaginação e entendimento. Com efeito, se o juízo de gosto se distingue do juízo de preferência, é por que ele pretendeuma certa necessidade, uma certa universalidade
a priori
. Ele toma doentendimento, portanto, sua legalidade. Mas esta legalidade não apareceaqui em conceitos determinados. A universalidade no juízo de gosto éaquela de um prazer; a coisa bela é singular, e permanece sem conceito. Oentendimento intervém como a faculdade dos conceitos em geral, mas feitaabstração de todo conceito determinado. A imaginação, por sua vez,exerce-se livremente, já que ela não está submetida a tal ou qual conceito.Que a imaginação entre em acordo com o entendimento no juízo de gostosignifica, então, o seguinte; exercendo-se como
livre,
a imaginação entraem acordo com o entendimento tomado como
indeterminado
. O próprio do juízo de gosto é exprimir um acordo, ele mesmo livre e indeterminado,entre a imaginação e o entendimento. De modo que o prazer estético, longede ser primeiro em relação ao juízo, depende dele, ao contrário: o prazer é oacordo das próprias faculdades, na medida em que este acordo, fazendo-sesem conceito, só pode ser sentido. Dir-se-á que o juízo de gosto só começacom o prazer, mas não deriva dele.
 
3
Devemos refletir sobre este primeiro ponto: tema de um acordoentre várias faculdades. A idéia de um tal acordo é uma constante daCrítica kantiana. Nossas faculdades diferem por natureza e, contudo,exercem-se harmoniosamente. Na
Crítica da razão pura
, o entendimento, aimaginação e a razão entram numa relação harmoniosa, em conformidadecom o interesse especulativo. Igualmente, a razão e o entendimento, na
Crítica da razão prática
(deixamos de lado o exame de um papel possívelda imaginação neste interesse prático). Mas vemos que, nesses casos, umadas faculdades desempenha sempre um papel predominante."Predominante" quer dizer aqui três coisas: determinado em relação a uminteresse, determinante em relação a objetos, determinante em relação àsoutras faculdades. Assim, na
Crítica da razão pura
, o entendimento dispõede conceitos a priori perfeitamente determinados no interesse especulativo;ele aplica seus conceitos a objetos (fenômenos) que lhe sãonecessariamente submetidos; ele induz as outras faculdades (imaginação erazão) a preencher tal ou qual função neste interesse de conhecer e emrelação a esses objetos de conhecimento. Na
Crítica da razão prática
: asIdéias da razão, e inicialmente a Idéia de liberdade, encontram-sedeterminadas pela lei moral; por intermédio desta lei, a razão determinaobjetos supra-sensíveis que lhe são necessariamente submetidos; enfim,ela induz o entendimento a um certo exercício, em função do interesseprático. Nas duas primeiras Críticas, já nos encontramos diante do princípiode uma harmonia das faculdades entre si.
 Mas esta harmonia é sempre proporcionada, constrangida e determinada
: há sempre uma faculdadedeterminante que legisla, seja o entendimento no interesse especulativo,seja a razão no interesse prático.Voltemos ao exemplo da
Crítica da razão pura
.
É
bem conhecidoque o esquematismo é um ato da imaginação, original e irredutível: só aimaginação pode e sabe esquematizar. Porém, a imaginação não

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