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"Ensino e pesquisa em história": entrevista com Maria Yedda Linhares (Revista Arrabaldes, no 1, maio/agosto 1988)

"Ensino e pesquisa em história": entrevista com Maria Yedda Linhares (Revista Arrabaldes, no 1, maio/agosto 1988)

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"Nos dias 19 e 20 de abril do corrente ano [1988], a professora Maria Yedda Leite Linhares recebeu ARRABALDES na coordenação do Curso de Pós-Graduação em História do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminese, aceitando proposta de discutir alguns problemas relativos ao ensino e pesquisa de Historia no Brasil, a partir de três conjunturas distintas (1967-69, 176-80 e 1988), vivenciadas ativamente pela professora, respecitivamente no IFCS, no Horto Florestal e no ICHF. Perpassaram pela entrevista a repressão política, o exílio, a anistia, os avanços e retrocessos teóricos-metodológicos da historiografia brasileira." Entrevistadores: Maurício Vicente Ferreira Júnior, Renato Rocha Pitzer e Ricardo Figueiredo de Castro.
"Nos dias 19 e 20 de abril do corrente ano [1988], a professora Maria Yedda Leite Linhares recebeu ARRABALDES na coordenação do Curso de Pós-Graduação em História do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminese, aceitando proposta de discutir alguns problemas relativos ao ensino e pesquisa de Historia no Brasil, a partir de três conjunturas distintas (1967-69, 176-80 e 1988), vivenciadas ativamente pela professora, respecitivamente no IFCS, no Horto Florestal e no ICHF. Perpassaram pela entrevista a repressão política, o exílio, a anistia, os avanços e retrocessos teóricos-metodológicos da historiografia brasileira." Entrevistadores: Maurício Vicente Ferreira Júnior, Renato Rocha Pitzer e Ricardo Figueiredo de Castro.

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04/04/2013

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text

original

 
21 Ver meu
artigo
"Historical
Demography
and the
Reinterpretations
of
Earty
Modern
French
History:A
Research
Review",
Journal
of
Interdisciplínary
History,
n. 1
(1970).22
Robin,
La
société
française
en
1789,
pp.
229-343,
"Lê
vocabulaire
dês
cahiers
dedoleances".23
Michel Tyvaert
e Jean-Claude
Giacchetti,
Argenteuil,1740-1790,étude
de
démogra-
phie
hístorique,
in
Annales de
démographie
historique
(1969),
pp.
40-61.
24
Maryvonne
Brassens,
"Recherches
sur
lês
biens
communaux
a
l'Est
de
Paris",
me-
moire de maftrise
n3o
publicada, Sorbonne, Paris, 1970.
25
26
82
Ver
Annales
de
démographie historique
(1969),
pp.
11-292
(vinte
estudos
mono-
gráficos);
Michel
Vovelle,
"Etat
présent
s
études
de
structure agraire
en
Provence
à
Ia fin de1'Ancien
Regime",
Provence historique,
n. 74
(1969),
450-484.
Annalesde
Normadie
e
Cahiers
s
Annales
de
Normadie
(estudos
dirigidos
por
Pierre
Chaunu).
Publicações
do
Centre de
Recherches.
sur
lês
Civilisations
de
1'Europe
Mo-
derne,
dirigida
por
Roland
Mousnier;
as
mais recentes
publicações
são de
Madelei-
ne
Foisil,
La
revolte
s
Nu-Pieds
et
lês
revoltes
normandesde
1639
(Paris,
1970),
eRoland Mousnier e
outros.
Conseil
du Roí de
Louis
XII à Ia
Révolution
(Paris,
1970).A ser
publicada
em
breve,
tese sobre
Anjou,
por
François
Lebrun;
a
serem
publica-
das
nos
próximos anos, regiSo
sul de
Paris,
por
Jean
Jacquart;
norte
da
Normandia,
por G. Lemarchand;
Lorena,
por G.
Cabourdin; Delfinado,
por B.
Bonnin;
Proven-
ça,
por M.
Vovelle
e R.
Pillorget;
Toulouse,
por G. Freche;
Gasconha,
por
AnneZink.
Arrabaldes
ENSINO
E
PESQUISA
EM
HISTÓRIA
UMA
ENTREVISTA
COM
MARIA YEDDA
LINHARES*
Nos
dias
19 e 20 de
abril
do
corrente,
aprofessora
Maria Yedda Linhares concedeu
entrevista
à Revista
ARRABALDES.
Revista
Arrabaldes.
Ano l,
1
,
matotegosto
1988
\\.\
 
Maria
Yedda Leite Linhares nasceu em Fortaleza em
1921.
Realizou sua
formação
em
História
na Universidade do
Brasil
{Rio deJaneiro)e nos
Esta-
dos
Unidos (Nova York) entre
1941-1944.De1946a
1969
foi
professora uni-
versitária
na Faculdade Nacional de
Filosofia
(UFRJ),
onde
obteve os
títulos
de Livre Docente (1953) e Professor Catedrático de
História
Moderna e Con-temporânea
(1957),
ambos
através
de concurso
público
e
defesa
de
tese.
Em1969,foiaposentada compulsoriamente pelo
AI-5,
transferindo-se paraaFran-
ça,
onde
lecionou na Universidade de
Paris
VIII,
sendo em
1970
nomeada
Pró-
fesseur
Associe
de História Moderna e do
Brasil
na Universidade Toulouse-Le
Mirail,
onde lecionou até 1974.
Neste
mesmo ano retorna ao Brasil, passando
a
dedicar-se
à
pesquisa
em
História Agrária. Entre 1977-80
foi
professora-che-fe do Departamento de História da
Agricultura
Brasileira (Centro de
Pós-Gra-
duação em Desenvolvimento Agrícola, da Escola Interamericana de
Adminis-
tração Pública da Fundação
Getúlio
Vargas),
coordenando
o Programa de His-
tória
da
Agricultura
Brasileira. Ex-Secretária
de
Educação
do
Município
e do
Estado
do Rio deJaneiro, atualmenteéProfessora
Titular
eCoordenadorado Curso de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense
e
Professora
Titular
do Departamento de
História
da Universidade
Federal
do
Rio de
Janeiro. Além
da
participação
em
diversos congressos
e
conferências,
produziu
duas
teses,
inúmeros artigos e
resenhas,
bem
como
publicou,
entre
outros,
os seguintes livros:
História
do
abastecimento:
uma
problemática
emquestão
(1530-1918).
Brasília, Binagri, 1979;
História
política
do
abasteci-
mento
(1918-1974).
Brasília,
Binagri,
1979
(em colaboração comFrancisco
Carlos
Teixeira da Si
va);
História
da
agriculturabrasileira:
combates e
contro-
vérsias.
o
Paulo, Brasiliense, 1981
(em
colaboração
com
Francisco Carlos
Teixeira
da Silva);
A
luta contra
a
metrópole:Ásia
e
África
(1945-1975).
SãoPaulo, Brasiliense, 1981.
Nos
dias
19 e 20 de abril do corrente ano, a professora Maria YeddaLeite Linhares recebeu
ARRABALDES
na coordenação do Curso de
Pós-Gra-
duaçãoem
História
do
Instituto
deCiências HumanaseFilosofiadaUniversi-dade
Federal
Fluminense, aceitando
nossa
propostade
discutir
alguns
proble-
mas
relativos ao ensino e pesquisa de
História
no Brasil, a
partir
de três con-junturas distintas
(1967-69,
1976-80 e
1988),
vivenciadas ativamente pela
professora,
respectivamente no
IFCS,
no
Horto
Florestal e no
ICHF.
Perpas-sam pela
entrevista
a
repressão
política,
o
exílio,
a
anistia,
os
avanços
e
retro-
cessos
teórico-metodológicos
da
historiografia
brasileira.
As
continuidades
e
descontinuidades
destas
experiências no Estado do Rio de Janeiro, centradas
na
análise
das
pesquisas
desenvolvidas
nos
últimos
vinte anos
e
suas
perspecti-
vas
futuras.
*
Participaram
da entrevista: Maurfcio
Vicente Ferreira
Júnior,
Renato Rocha
Pitzer
e
Ricardo Figueiredo
de Castro.
84
Arrabaldes
Arrabaldes
Como
era o
processo
de
ensino
e
pesquisa
em
História
na
antigaFaculdade
Nacional
de
Filosofia
(FNFi-RJ)
equaisas
perspectivas
de
mudan-
ça
no
período
compreendido
entre os anos de 1967 e 1969?
Maria Yedda Linhares —
A antiga Filosofia foi
muito
mais concentrada no en-sino
do que na
pesquisa.
E era por
essa
integração
dentro
de uma
reformaampla
- que
lutávamos. Ocorre
que em 67 a
Filosofia
foi
extinta pelo
regime
militar
exatamente por
tudo
que ela
simbolizou
neste país na
luta
contra as
ameaças
que
pesavam
sobre
a
escola
pública,
na
luta
pela reforma universitá-ria, pela participação
estudantil,
pelas
reformasde
base,
no
final
dosanos50 e
início
dos 60. De 67 a 69,
quando
vieram as
cassações,
estávamos
no
Instituto
de
Filosofia e Ciências Sociais
1
, o que
restara
do esfacelamento da antigaFilosofia.
A.
-
Mas em 68 a
senhora
tinha
um
projeto
de
pesquisa
que
estava
aprova-
do
2
...
M.
Y.L.
É
verdade.
Tratava-se
de um
projeto
de
ensino
e
pesquisa
que
nun-
ca
foi
posto
em prática. No
fundo,
em 68
queríamos organizar
o
Instituto,
nos sentíamos
meio perdidos,
numa espéciede
últimatrincheira,
sem
muito
tempo
para pensar em pesquisa, embora achando que era preciso fazer algo.
A.
E
quais
os
outros professores
que
estavam
também envolvidos
nesse
processo?
M. Y.L.
Os que
restaram
da
divisão
da
Filosofia
e não
comprometidos
com
a
ditadura.
Éramos poucos, talvez uns 10, 15, no máximo. Não sei ao certo.Foi
nesse
momento
que apresentei aquele
projeto
no sentido de integrar oensino
à
pesquisa,
partindo
de um
Mestrado
em
História Social
e com a
pes-quisa
básica
sobre o Rio de Janeiro. Era
muito
simples e correspondia ao que
Labrousse
havia
proposto
no Congresso de Roma de 1955 para o estudo daburguesia
atlântica
3
.
Ocorrequeachávamosque erapreciso
também
estar-
mos presentesnoprotesto contraaditadura, estruturandoo
movimento
de
professores,
no
qual
eu
tive
uma
participação
que
considero
importante,
no
debate sobre
os
problemas
que nos
afligiam,
nas
manifestações
de
rua.
No
fundo
eu não
acreditava
muito
que
tudo
aquilo
quepromovíamosiria dar
certoe
muito
menos derrubara
ditadura.
A
Passeata
dos 100 mil foiinesque-cível.
Mas
logo
veio
o
A|-5
e
seis
meses
depois
as
cassações
de
professores.Fui logo na primeira
leva.
A.
Mas
esse
projeto
que a senhora
apresentou
representava uma inovaçãono nível da Metodologia da História?
M.
Y.L.
Sim,
sem
dúvida, pois
se
tratava
de uma
análise
sistemática
de
fon-
tes
demográficas, eleitorais, cartorárias
e
fiscais
para
o
estudo
das
estruturassociais urbanas,
o que na
época
até que era considerado
reacionário, isto
é,
terrivelmente
empírico,
ou
melhor,
empirista.
Era um projeto dentro do
qual
seriam
feitas,
ao
longo
de
quatro anos,
e
numa primeira
fase,
as
dissertações
deMestrado, antesque se
pudesse pensar
emqualquer
tipo
deDoutorado.No
fundo,
gostaríamos de ter
feito
o que Roberto Cardoso de
Oliveira
estava
desenvolvendo, com grande competência e com grande
sucesso,
no Museu
Arrabaldes
Bi,
 
Nacional,
em
Antropologia
Social.
Mas do meu
lado
nada
deu
certo.
Fui
presa
logo no dia 2 de janeiro de 69. A
junho,
sofri
mais duas
prisões.
Enfim, não
foi
fácil toda
essa
onda.
A segunda,
aliás,
pois
a
primeira,
a
pior
para
mim,tinha
sidoem1964.
A.
O professor
Ciro
Cardoso
diz
que por
volta
de
67-69
existia uma ética
por
parte
dos
professores
e
que, segundo ele, hoje
o
mais
existe.
Como
asenhora
definiria
essa
questão
da
ética
dos
professores, neste
momento?
M.
Y.L.
Não sei bem a que o
Ciro
se
refere.
Talvez ete se
referisse
a um mo-
mento anterior. De qualquer forma, nós
éramos
um grupo
muito
pequenonaquele
momento.
Em
História Moderna
e
Contemporânea,
não
passamos
deuns
quatro
professores. Dávamos aulas, estudávamos, éramos
pontuais.
Otra-balho
eraalgode
muito
sério para
s
todos
e
tínhamos
uma
Cadeira
extre-
mamente
bem
organizada.
Ao
Catedrátíco
— e eu era
Catedrática,
por
concur-
so
público
deteseeprovas
cabia
escolher
seus
colaboradores,
esempre
escolhi
os
melhores
que
poderiam existir. Ciro Cardoso
foi
nosso
colaborador
antes
de
seguir
para
a França com bolsa de
Doutorado
em 67, Francisco
Fal-
con, Hugo
Weiss
foram
Assistentes da Cadeira. Berenice Cavalcanti, Heloísa
Menandro,
Bárbara
Levy,
Janaína
Amado, trabalharam comigo.
Era uma
equi-
pe
formidável, como nunca
se viu
antes.
Daí eu
perguntar:
até que
ponto
oconcurso
público
de
entrada
de
professores
na
carreira
de
Magistério
é a
melhor forma
de
selecionar?
Realmente, tenho dúvidas.
A.
Como
a
senhora avalia,
em
termos
de
frutos textuais,
a
produção
do pe-
ríodo?
M.
Y.L.
Honestamente,
não
dava para
produzir
muito.
Não foi um
momento
que
propiciasse
a pesquisa. É
verdade
que
nessa
época
botei
alguma
coisa emmarcha no
Arquivo
da
Cidade
e no
Arquivo Nacional,
montando
a
pesquisa
de
fontes,
inclusive
a de
preços,
que foi
seguida
pela
Professora
Eulália Lobo
comsucesso
4
.
Cheguei
a
escrever
um
artigo
que me
agradou
muito
sobre
o
Imperialismo
e que foi
publicado
na
Revista
Civilização
Brasileira
5
.
Nesse
artigo
eu
questionava
a
tese
de que
todos
os
males
da
Nação
se
encontram
fora,
nos 'exploradores
externos',
no
Imperialismo,
e chamava a
atenção
para
anecessidadede
olhar
para
dentro
ebuscaracausalidadena
estrutura
de
classes
dopaís,no
sistema
de
poder historicamente determinado. Naquelemomento, 67-69,
começávamos
a ter uma
visão
crítica
dos
esquemas
isebía-
nos
6
,
sem
medo
de
sermos
chamados
de
'coniventes
com areação'ou de
fazer
o
jogo
de
O
Globo.
Assim,
começávamos
a
colocar
a
questão
da
Univer-
sidade
em
termos diferentes, isto
é, não é a Universidade que
muda
a
socie-
dade.
Pelo
contrário,
a
sociedade
muda
e a
Universidade
permanece
como
umbastião
do
passado. Basta
lembrar
o
caso
da
Inglaterra,
que
dominou
o
mun-
do, fez a
revolução industrial,
controlou
os
mares
do
planeta Terra
e, no
entanto, Oxford
e
Cambridge continuavam ensinando grego,
latim,
arqueolo-
gia
e
formando
os
melhores administradores
de seu
vasto
império.
Repensar
a
Universidade
foiparanós
estimulante,
assim
como
repensar
os
grandes
es-
quemas
explicativos
da
sociedadebrasileira.
Tudo
isso
era
importante,
masnão eraexatamenteuma
produção
acadêmica,
científica.
86
Arrabaldes
A.
E a
formação
desse
grupo todo?
Foi
influenciado,
por
exemplo,
por La-brousse,
pelos
autores
que vão
trabalhar
com
história
serial?
M. Y.L.
Vejo
duas
coisas,
dois movimentos.
Um -
estávamos
certos
- eu
pelo menos
assimpensava
de que era
preciso reformular
a pesquisa,
partir
para novas
fontes,
novos
métodos,
'os
novos
caminhos'
de que falava Labrous-
se
em
1955.
Daí o
projeto frustrado
de
fontes. Isto
é, em
parte frustrado, pois
daí
emergiram dois frutos:
o
trabalho
sobre preços
executado
por
Eulália
Lo-bo e o de
Demografia Histórica produzido
por
Maria Bárbara
Levy
e eu
pró-pria,
com
grandessacrifíciospara
nós
duas,
já que em
julho
seguia
eu
para
o
exílio,
ficando
Bárbara
aqui, estimulada
por meu
marido,
a dar
soco
em
ponta
defaca.Mas ela de
alguma forma
concluiu
a
tarefa
e a
apresentou
aoSeminá-
rio de
História Quantitativa
realizado
em
Paris
em
1971
7
.
O
outro
movimen-
to de que
falava
dizia respeito
à
atuação
política
mais
badalativa os
movi-
mentos de
rua,
o
movimento
de
professores,
a
participação
na
luta
contra
a
ditadura. Então,
nesse
ponto
repensávamos
o
Brasil,
criticávamos
as
visões
existentes,interessados,nãomais
tanto
na
história
geral,
mas emalgo
aqui
dentro,
em
refazer
o
conhecimento sobre
o
país.
No
fundo,
era
aquela
discus-
o
sobre Feudalismo, Capitalismo, Dependência, etc. Tudo
isso
nos
tornou
indiscutivelmente
mais
competentes como
professores
e
pesquisadores.Fica-
mos
mais
maduros,
com
capacidade
de
dominar melhor
— de
maneira
mais
útil
— a
nossa
erudição européia,
de ler de
forma
diferente
os
nossos
historia-dores importados.
A.
Professora,
uma
última colocação
sobre
este
momento,
com relação à
produção
que foi
veiculada
fora daUniversidade,como a de
Caio
Prado Jr.,
Celso
Furtado.
Como
era
absorvida
essa
produção?
M~.Y.L.
Houve toda
uma
geração
de
intelectuais
que
produziram
grandes
obras de
interpretação
do
Brasil
sem
que,
no
entanto,
pertencessem
à
Univer-
sidade,
à
vida
acadêmica.O
próprio
Sérgio Buarque
de
Holanda,
um
espíritocosmopolita, por excelência, uma grande
cultura,
uma
sabedoria
ímpar,
um
colosso
de
erudição,
um
humanista extraordinário,
foi
ligado
à
Universidade
e
foi
por ela
cooptado.
o
creio
que a sua
imensa
Tese
A
Visão
do
Paraí-
so
6
—,
embora feita para
a
Universidade, tenha emergido
da
Universidade.
O
mesmo
se
pode dizer
de
Victor Nunes
Leal
com o seu
Coronelismo,Enxada
e
Voto
9
,
uma
tese
feita para
a
Universidade
mas
que,
no
fundo,
lhe
escapa.
Trata"-se,
igualmente,
de uma
obra magna
de
interpretação
do
Brasil.
Diríamospraticamente
a mesma
coisa
com
relação
a
Celso
Furtado
com o seu
livro
ab-
solutamente
fantástico
A
Formação Econômica
doBrasil™
—,
saído
no
final
da década de 50. Caio
Prado
11
seria
ainda
outro
fenômeno extraordiná-rio, embora,
mais
do que osoutros,
fruto,
atécerto
ponto,
de umamilitância,
de um
desejo
de
luta,
de uma
vontade
de
mudar
o
Brasil.
Eu
tenho
aqui
uma
opinião
com a
qual talvez
vocês
o
concordem.
É a de
que a
tese
universitária,
fruto
acadêmico
de uma
vivência
universitária,
apare-ce
no Brasil e se
institucionaliza
a
partir
da
USP.
É
pois
um
fenômeno paulista
no esforço de
construir
uma
universidade
neste
país,
passando
a
tese
a ser
fru-
to de uma
'escola',
de um
grupo
de
pensadores,
de uma
corrente intelectual
Arrabaldes
87

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