Há alguns meses lendo, pensando, pesquisando e repensando sobre o tema, precisavaorganizar as considerações resultantes desse processo inquietante. Sendo assim, sigamos em frente, porém _por hora_ detendo-se à questão do “bom ou mau gosto” concernente à Ma.Será mesmo que essa não passa de mais uma “questão subjetiva”, do tipo defendido pelos queafirmam: “o que é bom gosto pra você, pode não ser pra mim”, ou vice-versa? Será que devoesmo, a partir disto, elencar alguns Ícones das últimas três gerações _por exemplo_ juntamente a algumas produções “musicais” da contemporaneidade? Penso que não... digo que não...amo que jamais...Quando me deparo com alguma questão aparentemente problemática, ajo conforme aprendicom a tradição grega do ocidente: perscrutar tal questão até o seu princípio, e a partirdisto reconstruí-la. Então, voltemos à Música com um olhar “panorâmico”, e percebamos o cao que a mesma percorre na História das Civilizações.Não pretendo reescrever a História da Música; e nem mesmo defender um “estilo” em detrimento de outro. Em tempos e épocas diferentes; entre tribos e nações que nunca tomaram conhecimento uma da outra; e em qualquer dimensão humana que tenha passado por essenosso chão, a Música, sempre, esteve entre as manifestações mais sublimes, significativas, relevantes de cada povo. Em suas cerimônias e rituais mais importantes; nas celebrações de maior êxtase...enfim... uma forma de expressão da interioridade, uma manifestação de valores, princípios, expectativas; e por algumas vezes, um busca por contatocom a Divindade.Em seu best-seller “Uma Breve História do Mundo”, Geoffrey Blainey ,relata como figuras expostas em “parques arqueológicos” no mundo inteiro são traços marcantes que apontam para uma relação fundamental entre Homem e Música desde quando aprendemos os primeiros modos de comunicar-se, há milhares de anos. O mesmo pode ser testemunhado ao se ler“A Cidade Antiga”, de Foustel de Coulanges, onde se encontra relatos da imanência damusicalidade entre as primeiras “grandes civilizações ocidentais”.E não seria necessário discorrer de modo prolixo aqui, falando sobre a Música na IdadeMédia, entre os Modernos...; pois no fim, o faria para corroborar sobre o mesmo discurso: que existe sim, um critério que demarque, afira, na discussão sobre o famoso “gosto musical”: o chamo de “critério de relevância e significado”. Minha geração é quee isto...!Não se trata de julgamento de valor moral; antes, de valor estético. Se a Música é, foi,e será sempre uma expressão de determinada cultura; ou se até mesmo “a arte imita a vida”, como já rezava o dito popular, então lamento: coitados serão meus descendentes...! Serão da geração que faz “música” com o traseiro (bunda mesmo...!), que consome lixo técnicultural, acima de tudo existencial, sobre o pretexto de ser uma música “diferente”, animada, um barato...! Triste geração: consome lixo como entretenimento, mas que aindaarroga-se disto.Sim; entretenimento também compõe a musicalidade, sendo uma de suas muitas facetas;mas Música sem o que a originou, estabeleceu-a, legitimou-a como sendo essa “coisa” que tanto nos apela e constrange, não é boa mesmo...! E assim têm sido desde o princípio das eras: o homem pondo na música uma carga de valor afetivo, existencial, o que mais lhe apela individualmente, o que possui uma relevância tamanha que chegue a marcar sua própria cultura e etnia; é desse poder e fascínio da Musa Euterpe (http://pt.wikipedia.org/wiki/Musas) a que me refiro..., a capacidade de mover multidões, unir