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Ribeiro Couto e Outros

Ribeiro Couto e Outros

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Ribeiro Couto e ohomem cordial
Elvia Bezerra
E
m 1946, quando fez o discurso de recepção a Peregrino JúniornaAcademiaBrasileiradeLetras,ManuelBandeiradestacou,en-tre as virtudes do empossado, a cordialidade. Dizia ele: “Ribeiro Coutoinventoudeumafeitaateoriado‘homemcordial’.Segundoonossoami-go, a cordialidade seria a contribuição brasileira à obra da civilização.Nascido em Santos, SP, Couto ficou conhecido como fundadordo Penumbrismo – que não chegou a ser uma escola, mas, como elemesmo definiu, “uma certa atitude reticente, vaga, imprecisa, nevo-enta,nojeitodeescreverversos”porvoltadosanos1920a1923–eporseroautorde
Cabocla
(1931),romanceduasvezesadaptadoparanovela de televisão. Por outro motivo, seu nome se ligou para sem-pre ao de Sérgio Buarque de Holanda: foi o historiador paulistaquem deu “fundamento sociológico”, como disse Antonio Candi-do, à expressão “homem cordial”, criada pelo poeta santista.Os alicerces da teoria do “homem cordial” já foram visitadospelo professor americano Fred Ellyson, que localizou, na Capilla123
Elvia Bezerra éautora de
 A Trinca doCurvelo
. Rio de Janeiro, Topbooks,1995,
Meu Diário de Lya
. Rio de Janeiro,Topbooks, 2002 eresponsável pelaorganização,introdução e notasde ensaios deRibeiro Coutoreunidos em
Três Retratos de Manuel Bandeira
. Rio de Janeiro, AcademiaBrasileira de Letras,2004. É colabo-radora/redatora
daEnciclopédia BarsaPlaneta Internacional 
.
 
Alfonsina, biblioteca de Alfonso Reyes na Cidade do México, as cartas de Ri-beiroCoutoaoamigomexicano.Em1984,Ellysonpublicouoartigointitula-do “Alfonso Reyes e Ribeiro Couto: uma correspondência cordial”, em
Misce-neadeEstudosLiterios:homenagemaAfnioCoutinho
. Posteriormente, ele o de-senvolveria no capítulo “
Monterrey
chega ao Rio”, de
 AlfonsoReyeseoBrasi
.
1
A origem do “homem cordial” remonta aos primeiros anos da década de1930,noRiodeJaneiro,quandoentrounocerioafiguradeAlfonsoReyes,embaixador mexicano no Brasil, notável poeta e intelectual que se juntou aogrupo de escritores e boêmios freqüentadores do lendário Restaurante Reis,nocentrodacidade.Casahumilde,“cujogrossodafreguesiaerademotoristase carroceiros” – conta Manuel Bandeira –, ali se podia, com algum espanto,encontrar o embaixador do México sendo homenageado com um jantar ofere-cido por jornalistas e poetas.Pensando em estimular o intercâmbio entre artistas, Dom Alfonso, comomuitos o chamavam, decidiu editar, na então capital da República, onde per-maneceria de 1930 a 1936, a revista
Monterrey:CorreoLiterariodeAlfonsoReye
. Apublicação entusiasmou Manuel Bandeira, que tratou de enviar os três primei-ros números, dos catorze que seriam publicados, a seu querido amigo RibeiroCouto, então funcionário do Consulado do Brasil em Marselha.Couto, de temperamento vibrante, e especialmente animado sempre que setratasse de ligações intelectuais ultramarinas, espontaneamente escreveu a Re-yes cumprimentando-o pela iniciativa. É nessa carta, datada de 7 de março de1931, que ele usa, pela primeira vez, a expressão “homem cordial”. Aprecian-do o assunto, e em reconhecimento à atenção do remetente, Reyes publicoutrecho da referida carta com o título de “
ElHombreCordial,productoamericano
”,na seção “Epistolário” da
Monterrey
.
2
Provavelmente nenhum dos dois imaginava o desdobramento que teria adivulgãodotexto.Abre-seaquiumpanteseparaumsaltoadiante,notem-124
Elvia Bezerra
1
Rio de Janeiro: Topbooks, 2002.
2
N.
o
8, de março de 1932, p. 3.
 
po:vinteanosdepois,em25defevereirode1952,embaixadoremBelgrado,e sabedor do caminho que tomara o seu “homem cordial”, Ribeiro Couto es-creveria a Alfonso Reyes pedindo-lhe cópia da carta de 1931. É esse docu-mento, que hoje integra o Arquivo Ribeiro Couto, sob a guarda do Arquivo-MuseudeLiteraturadaFundaçãoCasadeRuiBarbosa,noRiodeJaneiro,quese transcreve a seguir:“Overdadeiroamericanismorepeleaidéiadeumindianismo,deumpu-rismoétnicolocal,deumprimitivismo,maschamaacontribuãodasraçasprimitivas ao homem ibérico; de modo que o homem ibérico puro seria umerro (classicismo) tão grande como o primitivismo puro (incultura, desco-nhecimentodamarchadoesritohumanoemoutrasidadeseoutrosconti-nentes).Édafusãodohomemibéricocomaterranovaeasraçasprimitivas,que deve sair o ‘sentido americano’ (latino), a raça nova produto de umacultura e de uma intuição virgem – o Homem Cordial. Nossa América, ameu ver, está dando ao mundo isto: o Homem Cordial. O egoísmo euro-peu, batido de perseguições religiosas e de catástrofes econômicas, tocadopela intolerância e pela fome, atravessou os mares e fundou ali, no leito dasmulheres primitivas e em toda a vastidão generosa daquela terra, a Famíliados Homens Cordiais, esses que se distinguem do resto da humanidade porduas características essencialmente americanas: o espírito hospitaleiro e atendência à credulidade. Numa palavra, o Homem Cordial. (Atitude opos-ta do europeu: a suspicácia e o egoísmo do lar fechado a quem passa).(Como é bom, nos pueblos e aldeias da nossa América, no seu Méxicocomo no meu Brasil, mandar entrar o caixeiro-viajante francês que vendepeças de linho, ou o engenheiro alemão que está estudando a geologia local,e convidá-lo para almoçar! A gente grita logo lá para dentro: – Ó fulana,manda matar uma galinha!)...Ofato, porém, é que se não somos latinos, nós, oriundos da aventura pe-ninsular celtibérica em terras americanas (alimentada pela redes nupciais deíndias bravias e pela sensualidade dócil de negras fáceis), se não somos lati-125
Ribeiro Couto e o homem cordial

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