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A QUESTÃO DAS UNIÕES DE FACTO

A QUESTÃO DAS UNIÕES DE FACTO

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02/06/2013

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ALBANO MACIE
OFICINA N.º 1/AR/CASGA/2011DE 2 E 3 DE MARÇOHOTEL POLANAA QUESTÃO DAS UNIÕES DE FACTO: ENSAIO DEFUNDAMENTAÇÃO DO ANTEPROJECTO DE LEI
1.
A FAMÍLIA COMO CÉLULA DA SOCIEDADE MOÇAMBICANA VS.AUTONOMIZAÇÃO DAS UNIÕES DE FACTO
Nos termos constitucionais, artigo 119, a família é o elemento fundamental ea base de toda a sociedade. O Estado reconhece e protege o casamento comoinstituição que garante a prossecução dos objectivos da família.O casamento pode ser civil, tradicional e religioso.Ao lermos o texto constitucional, podemos concluir que:
À família incumbe um conjunto de objectivos, que são concretizadospelo casamento. Portanto, fora o casamento, não existe nenhumainstituição que garanta a prossecução dos seus objectivos. Portanto,exclui-se a união d facto como entidade familiar, contra toda arealidade moçambicana.Será isto correcto?Afinal o que e a família?A Lei da Família define este instituto como sendo uma comunidade demembros ligados entre si pelo parentesco, casamento, afinidade e adopção. Ereconhece-se a uno de facto como entidade familiar para efeitospatrimoniais. Isto é duplamente uma exclusão.Ora, se o próprio texto constitucional reconhece à família o papel de orientaro crescimento harmonioso da criança e educa as novas gerações nos valoresmorais, éticos e sociais. Como deferir os objectivos da família à instituiçãocasamento, tão somente?
1
 
ALBANO MACIE
É sabido que em Moçambique que a união de facto corresponde a maisde 50 por cento, substituindo em grande medida o casamento.Embora a união de facto apresente na maioria dos casos um casamentoexperimental, mas para o nosso caso, representa uma convivência definitiva enão transitória como a doutrina tem pretendido demonstrar.SMOCK ressalta que ao assumir que o principal propósito de um casamento éa reprodução, e, ao examinar o comportamento da fecundidade dos casais quecoabitam, e comparar com o das mulheres casadas e solteiras, é possívelperceber algum indício da mudança de significado da união de facto. Segundoa autora, se a reprodução está tornando comum a coabitação, pode concluir-se que esse tipo de união não é apenas um “passo” em direcção ao casamento,mas talvez uma alternativa a ele.A união de facto representa uma substituição ao casamento formal, portanto,merece uma consagração autónoma, ao lado do casamento.SMOCK & MANNING analisaram a relação entre potencial económico etransição para o casamento e união de facto, para ambos os sexos.Os seus estudos concluíram que apenas entre homens o potencial económico éforte e positivamente relacionado com a probabilidade de se casarformalmente. Os resultados sugerem que, apesar das tendências em direcçãoa uma relação igualitária de género e o aumento dos rendimentos entre asmulheres, as circunstâncias económicas dos homens que coabitam possuem umpeso maior na constituição do casamento, quando comparados com a dasmulheres.Circunstâncias económicas positivas entre as mulheres podem gerar umadualidade de interpretação, uma vez que mulheres com altos salários podemser mais atractivas no mercado matrimonial, ao mesmo tempo em que podemver reduzidas suas necessidades de casamento.GREEN & RAO, num dos estudos mais polémicos, alegam que a compreensãodo mercado matrimonial (maior ou menor oferta de homens ou mulheres nomercado matrimonial) afecta directamente a formação das uniões.
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ALBANO MACIE
Com isso conluiem que à medida que se tem população mais jovem, o mercadomatrimonial é afectado, uma vez que há uma escassez de homens mais velhoscom os quais as mulheres tendem a se casar. Uma das possíveis soluções paraatenuar esta “escassez de maridos”, segundo as autoras seria a reciclagemdos homens. Isto é, os homens poderiam mover-se entre as várias uniõesinstáveis, dividindo-se entre várias mulheres ao longo dos anos.Argumentam que esta instabilidade conjugal dos homens permitiria uma maioroportunidade das mulheres encontrarem parceiros, apesar da problemáticada escassez dos homens.As autoras conluiem que a chamada reciclagem explica, pelo menosparcialmente, o aumento do número de casamentos informais, talvez ligado àelevação no nível de instabilidade conjugal.Segundo as autoras, é comum encontrar nas classes sociais domicílios em queos filhos são de pais que tiveram uma série de uniões livres.A autonomização das uniões de facto justifica-se, pois, como fundamentou aAssembleia da Reblica, o Anteprojecto de Lei de Falia, era para“garantir a protecção às famílias constituídas a margem do casamento, quecorrespondem mais de 50% das falias existentes na sociedademoçambicana”.
1
Outra razão, está ligada ao facto de que o casamento transformou-se numacerimónia de pompa e circunstâncias, na qual se tem despendido avultadassomas de dinheiro o que faz com que os nubentes que não disponham de taismeios não celebrem o matrimónio por falta de recursos. Essa é uma dasrazões que poderá concorrer para a redução de casamentos celebrados noordenamento jurídico moçambicano e aumento de parceiros vivendo em uniãode facto
2
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1
Síntese do Seminário de Apresentação do Anteprojecto da Lei da Família, 12 de Abril de 2000, Maputo, p. 5.
2
Dados estatísticos de 2004/2006, da Direcção Nacional de registos e Notariado,
apud 
MARGARIDO,Raquel.
 Feitos da União de Facto.
Tema apresentado no Trabalho de Fim de Curso, para a obtenção dograu de Licenciatura, na UDM, 2007, Maputo.
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