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Sobrecargas no Direito Penal do Menor - Intratextos UERJ

Sobrecargas no Direito Penal do Menor - Intratextos UERJ

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Categories:Types, Research, Law
Published by: Jackson da Silva Leal on Jan 01, 2012
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VULNERABILIDADES E SOBRECARGAS DE PUNIÇÃO Jackson da Silva Leal
INTRATEXTOS,
Rio de Janeiro, 3(1): 143-166, 2011 Página 143
VULNERABILIDADES E SOBRECARGAS DE PUNIÇÃO NO DIREITO PENAL DOMENOR
Jackson da Silva Leal
RESUMO
O presente trabalho tem por objeto abordar a problemática que envolve a juventude emcontato com o Sistema de Justiça Criminal, suas ambigüidades e perversidades. Nestepercurso analítico/reflexivo aborda-se as armadilhas subjacentes ao discurso modernoprotetivo controlador que legitima o Estatuto da Criança e do Adolescente e sua práticadiscriminatória e estigmatizante. Para isso se percorre um breve histórico, trabalhando-se coma hipótese da infância como construção social e o recente passado higienista das políticascriminais repressoras. Após passa-se a abordagem contemporânea da promessa de proteçãointegral e a realidade da prática da repressão e do medo massificado. Onde se verifica amanutenção a figura menor/infrator, mantendo-se o binômio menor-criança que o ECAdiscursivamente pretendia acabar. Em seguida, analisa-se os desdobramentos que envolvem ocontexto de vulnerabilidades e desvio, ou pelo menos o entendimento de um indivíduo comodesviante a fim de tentar desvelar elementos da condição do indivíduo (jovem) envolvido coma sistema penal criminalizador/penalizador e estigmatizante. Objetiva-se reafirmar ainsuficiência e incapacidade do Direito moderno estatal (monista) em dar conta dascomplexidades surgidas no seio da sociedade moderna e a juventude inseridas nesta perversarelação dos imperativos do consumo e da liberdade vigiada. Não se tem a pretensão proporrespostas, apenas a discussão detida do tema na tentativa de abarcar a problemática com acomplexidade que merece. Trata-se de pesquisa eminentemente bibliográfica que se pauta porum de viés crítico reflexivo.
Palavras-chave
: juventude; modernidade; vulnerabilidades; desvio; armadilhas.
VULNERABILITIES OVERLOADS AND PUNISHMENT IN CRIMINAL LAW FORMINORSABSTRACT
This paper aims to address the problem involving the childhood and youth in contact with thecriminal justice system, its ambiguities, and perversities. In this way analytical / reflectiveapproaches to the pitfalls underlying the modern discourse protective controller thatlegitimizes the Child and Adolescent and practice discriminatory and stigmatizing. That iswhy it goes through a brief history, working with the hypothesis of childhood as a socialconstruction and the recent past hygienist repressive criminal policies. After passing up acontemporary of the promise of full protection and the reality of the practice of repression andfear en masse. Where there is the figure lower maintenance / infringing, maintaining thelowest-child dyad that wanted to end ECA discursively. Then, we analyze the developmentsthat involve the context of vulnerabilities and deviations, or at least the understanding of anindividual as deviant in order to try to uncover elements of the individual's condition (young)
 
VULNERABILIDADES E SOBRECARGAS DE PUNIÇÃO Jackson da Silva Leal
INTRATEXTOS,
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involved with the criminal justice system criminalizing / penalizing and stigmatizing . Theobjective is to reaffirm the failure and inability of the modern state law (tier) to give anaccount of the complexities that arise in modern society and childhood and youth included inthis perverse relationship between the imperatives of consumption and probation. You do nothave the intention to propose answers, just a thorough discussion of the topic in an attempt toembrace the issue with the complexity it deserves. It is eminently literature search that isguided by a critical reflective of bias.
Keywords
: youth; modernity; vulnerability; misuse; traps.
 
VULNERABILIDADES E SOBRECARGAS DE PUNIÇÃO Jackson da Silva Leal
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INTRODUÇÃO: para uma apresentação das infâncias
Este trabalho é desenvolvido a partir de uma análise crítico reflexiva, através derevisão bibliográfica, que busca desvelar os paradoxos e reconhecer as armadilhas subjacentesnos discursos que envolvem a situação da infância e adolescência no Brasil, em sua relaçãocom a lei penal e seu contato com o sistema de Justiça Juvenil. Estes, especial de índolegarantista, se propõem como resultado da evolução técnico-científica jurídica moderna, noentanto, a hipótese é de que, ainda que possua uma discursividade apurada, a prática não estámuito longe dos modelos predecessores, e também de um Direito Penal que em suasdinâmicas práticas e condições materiais é produtor de perversidades. Assim, tais discursosassumem uma retórica inaplicável que procura esconder um retrocesso real com um supostoavanço dogmático-humanista.O trabalho dedica especial atenção ao discurso atual e liberal-democrático, quepreconiza, ao menos discursivamente, a garantia das liberdades e oportunidades. No entantoeste discurso esconde a armadilhas subjacentes a seus reais objetivos de educação/dominação,trabalho/exploração, segurança/repressão,
welfare
 /mercado, identidade/homogeneização.A fim de viabilizar esta análise se procede a um breve resgate conceitual dacambiante definição de infância e juventude, e da recente história/reflexos na infância noBrasil, suas concepções, trajetórias e tratamento.Parte-se de um pressuposto teórico: a infância como construção social, variante notempo e no espaço, de acordo com o contexto, ou seja, as necessidades e possibilidades de usodesta categoria política, ideológica e social. Para pautá-lo, a partir deste pressuposto, faz-senecessário uma breve apresentação de como se entende e percebe a infância na trajetóriaocidental e seus desdobramentos.A infância foi e é entendida no senso comum e proposta pelas ciências médico-naturais como sendo o período que compreende o desenvolvimento físico, psíquico e moraldo indivíduo, concepção esta estanque e determinista, biológica e morfologicamente definidapela natureza dos corpos como algo inquestionável e imutável. Não se refuta, neste trabalho, aexistência de uma base natural constituinte das infâncias e juventudes. No entanto,
a contrariosensu
do proposto no bojo das ciências naturais, a infância tem sido verificada como algocambiante no decorrer dos séculos, demonstrando concepções várias de acordo com asnecessidades políticas de cada tempo e lugar, percorrendo procederes que vão do cuidado àeducação, e deste ao controle.

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