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UNIÃO HOMOAFETIVA: adoção e paternidade homoparental no Brasil contemporâneo.

UNIÃO HOMOAFETIVA: adoção e paternidade homoparental no Brasil contemporâneo.

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A concepção moderna do instituto de família reflete o novo modo de pensar do homem contemporâneo e é fruto das inúmeras mudanças sociais evidenciadas durante toda a nossa história. A união de pessoas do mesmo sexo, as chamadas uniões homoafetivas, protagonizam, nesse contexto, uma árdua batalha para serem reconhecidas, apesar da amplitude do leque de direitos fundamentais que as ampara.O presente trabalho trata a homoparentalidade como um novo paradigma de família pós-tradicional que, desassociando a ideia de reprodução de filiação, dá ênfase a socioafetividade. Aborda também o direito à paternidade e à maternidade, examinando a possibilidade de seu reconhecimento legal, bem como a viabilidade de seu exercício por meio do instituto da adoção. Por intermédio da análise dos princípios constitucionais do pluralismo, da igualdade, da não-discriminação e do respeito à dignidade da pessoa humana, conclui pela possibilidade de reconhecimento do direito de homossexuais serem pais e mães, podendo este direito tornar-se efetivo pelos meios oferecidos pelo Estado Democrático de Direito.Este estudo caracteriza-se como bibliográfico de caráter exploratório, no qual se buscou analisar as principais contribuições identificadas na literatura nacional no campo dos direitos dos homossexuais, em especial sobre a paternidade e maternidade.
A concepção moderna do instituto de família reflete o novo modo de pensar do homem contemporâneo e é fruto das inúmeras mudanças sociais evidenciadas durante toda a nossa história. A união de pessoas do mesmo sexo, as chamadas uniões homoafetivas, protagonizam, nesse contexto, uma árdua batalha para serem reconhecidas, apesar da amplitude do leque de direitos fundamentais que as ampara.O presente trabalho trata a homoparentalidade como um novo paradigma de família pós-tradicional que, desassociando a ideia de reprodução de filiação, dá ênfase a socioafetividade. Aborda também o direito à paternidade e à maternidade, examinando a possibilidade de seu reconhecimento legal, bem como a viabilidade de seu exercício por meio do instituto da adoção. Por intermédio da análise dos princípios constitucionais do pluralismo, da igualdade, da não-discriminação e do respeito à dignidade da pessoa humana, conclui pela possibilidade de reconhecimento do direito de homossexuais serem pais e mães, podendo este direito tornar-se efetivo pelos meios oferecidos pelo Estado Democrático de Direito.Este estudo caracteriza-se como bibliográfico de caráter exploratório, no qual se buscou analisar as principais contribuições identificadas na literatura nacional no campo dos direitos dos homossexuais, em especial sobre a paternidade e maternidade.

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UNIÃO HOMOAFETIVA: adoção e paternidade homoparental noBrasil contemporâneo.
VALDEMAR ALVES FERREIRA,
Graduado em Serviço Social, Pós –graduando emTrabalho Social com Famílias. Participação em diversos congressos internacionaissobre Direitos Humanos, na qualidade congressista expositor e apresentação deposters. No Brasil foi voluntário do GAPA, fez parte de várias atividades domovimento LGBT, principalmente como palestrante em eventos municipais,estaduais e interestaduais. Teve a oportunidade de fazer vários cursos na área deDireitos Humanos em Barcelona, El Salvador e Trininad and Tobago e outros cursosno Brasil.
 
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INTRODUÇÃO 
"Nenhuma luta haverá jamais de me embrutecer, nenhum cotidiano será tão pesado a ponto de me esmagar, nenhuma carga me fará baixar a cabeça. Quero ser diferente, eu sou, e se não for, me farei”.
(Caio Fernando Abreu).Na contemporaneidade, os homossexuais vêm requisitando para si direitos jurídicos antes sonegados àqueles que ao assumirem uma orientação sexualdivergente da heterossexualidade. Entre estes destaca-se o direito à paternidade ematernidade conjunta ou isoladamente. No Brasil, este direito vem ganhandodestaque na pauta de reivindicações do movimento de lésbicas, gays, bissexuais,travestis e transexuais (LGBT)
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que, por sua vez, tem trazido para o cenário políticoe social a luta pelos direitos de cidadania das lésbicas, gays, bissexuais, travestis etransexuais.O presente trabalho trata a homoparentalidade como um novo paradigma defamília pós-tradicional que, desassociando a ideia de reprodução de filiação, dáênfase a socioafetividade. Aborda o direito à paternidade e à maternidade,examinando a possibilidade de seu reconhecimento no Direito brasileiro de hoje,bem como a viabilidade de seu exercício através do instituto da adoção. Através daanálise dos princípios constitucionais do pluralismo, da igualdade, da não-discriminação e do respeito à dignidade da pessoa humana, conclui pelapossibilidade de reconhecimento do direito de homossexuais serem pais e mães,podendo este direito tornar-se efetivo pelos meios oferecidos pelo EstadoDemocrático de Direito.A importância de estudar o tema assenta-se no entendimento dascontribuições com o compromisso ético-político da categoria dos/as AssistentesSociais, sobre o sentido da liberdade e a necessidade histórica da categoriaprofissional de se posicionar apoiando reivindicações e lutas dos indivíduos LGBTsobre sua afetividade e sexualidade, tornando-se relevante compreender a
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A denominação LGBT aqui usada segue a fórmula recentemente aprovada pela I ConferênciaNacional GLBT, referindo-se a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Antes disso, o XIIEncontro Brasileiro de Gays, Lésbicas e Transgêneros, de 2005, incluiu oficialmente o B debissexuais e convencionou que o “T” referia-se a Travestis, Transexuais e Transgêneros. Emboracom a deliberação da I Conferência nacional, a sigla LGBT venha predominando nos meios ativistas,ela eventualmente assume outras variantes, que invertem a ordem das letras (colocando o “T” “afrente do “B”), duplicam o “T” (para distinguir entre travestis e transexuais, por exemplo) (Simões eFacchini, 2009 p. 15)
 
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problemática, bem como os caminhos que o Serviço Social percorre na efetivaçãodos direitos já constituídos pela população LGBT, respeitando a identidade de cadaindivíduo e os direitos civis, políticos e sociais garantidos constitucionalmente, sendoimprescindível conhecer as necessidades desta parcela da população, conforme nosdiz Guerra ao afirmar que:
Se as demandas com as quais trabalhamos são totalidades saturadas dedeterminações (econômicas, políticas, culturais, ideológicas) então elasexigem mais do que ações imediatas, instrumentais, manipulatórias. Elasimplicam em intervenções que emanem de escolhas, que passem peloscondutos da razão crítica e da vontade dos sujeitos, que se inscrevem noscampos dos valores universais (éticos morais e políticos). Mas ainda, açõesque estejam conectadas a projetos profissionais aos quais subjazemreferenciais teóricos metodológicos e princípios ético-político (2000, p.11).
A adoção não é um fato contemporâneo. Há relatos que ela seja anterior aera cristã, para tanto temos a lenda dos gêmeos Rômulo e Remo, que foramabandonados sobre o leito do Rio Tibre. A lenda narra que após o abandono por suagenitora os gêmeos foram acolhidos por uma loba, que lhes proporcionou todas ascondições para se desenvolverem, e quando adultos fundaram a cidade de Roma.Voltando da mitologia para os dias atuais, observa-se que o abandono de criançasnão se trata de um fato recente, e que a necessidade de um lar para estas é fatorimprescindível. A criança e o adolescente são pessoas dotadas de direitos edeveres, o direito à convivência familiar deve ser a eles assegurado. Para tanto, aCarta Magna de 1988, trouxe para a família um capítulo inteiro, em que estãogarantidos todos os direitos e responsabilidades de cada ente familiar.Mesmo tendo amparo legal, ainda hoje, o que mais preocupa, são os altosíndices diários de crianças e adolescentes que são desrespeitados pelos seusgenitores. Estes desrespeitos envolvem o trabalho forçado e escravo, casos deabuso sexual familiar, abandono nas ruas ou instituições e até mesmo a exploraçãosexual de subsistência, muitas vezes incentivada pelos pais. Contudo o que maisindigna, é ver o estado miserável que estas são submetidas, tendo muito dos seusdireitos privados, como o de brincar, praticar esportes e se divertir, elencados noartigo 16 da lei nº 8.069, de 13/07/1990-
Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA).
Estes vilipêndios refletem diretamente no aumento de crianças que fogem decasa, causando assim um índice cada vez maior de crianças e adolescentes emsituação de rua. Muitos destes infantes são acolhidos ou encaminhados parainstituições de apoio a criança, onde aguardam adoção. Por outro lado o Estado é

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