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Sermão de Santo António aos Peixes

Sermão de Santo António aos Peixes

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Published by: Francisca Cazenave Ribeiro on Jan 08, 2012
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01/09/2013

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Sermão de Santo António aos Peixes
A oratória 
define-se como a arte do bem falar em público, teve o seu máximocultor no Padre António Vieira, que transformou o púlpito em tribuna política paracomentar os grandes problemas da época.No séc. XVII apregação era um espetáculo cuja principal função era deleitar
(delectare)
, para além de ensinar
(docere)
e influenciar comportamentos 
(movere)
 eestava no espírito da contra-reforma e captação e evangelização das multidões nãotanto pela razão, mas pela sensibilidade, prazer, para o gozo intelectual e também peloterror e piedade.
Sermão de Santo António aos Peixes
é um dos mais célebres sermões deAntónio Vieira e insere-se no contexto da sua luta empenhada contra os desmandosdos colonos portugueses do Brasil na exploração do trabalho servil dos índios, negrosou outros colonos menos afortunados. Este sermão procura denunciar a exploração ea escravidão vistas como uma espécie de universal antropologia em que os homenscomo os peixes se comem uns aos outros e em que os pequenos são o pão doquotidiano dos grandes. O sermão é uma peça alegórica, pois o pregador finge pregarnão aos homens, mas sim aos peixes, louvando-lhes as virtudes e criticando-lhes osdefeitos.Vieira não se afasta muito dométodo português de pregas,seguindo aestrutura retórica da época;primeirosurgia otemaou a passagem evangélica, a partir da qual se construirá todo o texto (oconceito predicável). Depoisdas ideias que seriam trabalhadas, vinha ainvocação, o apelo à Virgem. Seguir-se-ia então a parteprincipal do sermão, aProposição, em que desenvolveria as ideias a serem trabalhadas, apoiando-se sempre em casos bíblicos, sentenças de santos, exemplos da SagradaEscritura ou não;coincidia com a Confirmação, em que o pregador se justificava, refutava, argumentavaquase sempre com citações bíblicas. Finalmente, naPeroração  proporá as lições de moral e apela ao público a segui-las, na vida, na prática.
Exórdio:
y
 
O orador expõe o plano, o assunto, a matéria que vai defender e pede atenção ea benevolência do público. O conceito predicável vai tirá-lo da Sagrada Escritura,dando-lhe um sentido alegórico ou verdadeiro. Sobre os pregadores, ele dirá:
V
os estis sal terrae.
 
Invocação:
y
 
Invoca o pregador o auxílio divino para a exposição das suas ideias:
M
aria querdizer, Domina maris:
Senhora do
M
ar; e posto que o assunto seja tãodesusado, espero que não me falte com a costumada graça. Avé
M
aria.
 
Confirmação:
y
 
Era a exposição e desenvolvimento do tema indicado, filosofando,argumentando, de forma a provar a matéria que se propôs a trabalhar.
 
Peroração:
y
 
A conclusão do discurso, em que o orador recapitulava tudo quanto dissera eterminava de uma forma brilhante para impressionar e convencer o público a pôrem prática os seus ensinamentos.
Resumo
Exórdio  Capítulo I
O texto estrutura-se em torno da importância da palavra dos pregadores equivalente ao sal  na preservação da moralidade e da integridade dos homens  aTerra. Assim, tal como o sal impede a corrupção, também os pregadores devemimpedir a corrupção das almas.O valor simbólico do sal aparece associado ao poder regenerador e purificadorda palavra de Deus. O verdadeiro sal é aquele que evita a corrupção e aquele que nãosalga é inútil e deve ser desprezado.Vieira elogia aqueles que espalham a doutrina divina (pregadores que ensiname fazem o que devem) e acusa aqueles pregadores que não cumprem o seu dever (osque pregam o contrário).Vieira diz também que a culpa pode ser dos ouvintes porque preferam imitar osactos dos pregadores ou porque se deixam levar pelos seus desejos.Depois Vieira fala de Santo António e o milagre da pregação aos peixes, em queos habitantes da cidade não o quiseram ouvir e ele foi pregar aos peixes.
Sal = Pregadores Impedir a corrupção(efeito)
Porém, a Terra se tão corrupta Seis razões
Os Pregadores: Os Ouvintes:1 
Não pregam a verdadeira doutrina
1 
Não a querem ouvir
2 
Dizem uma coisa e fazem outra
2 
Imitam o que eles fazem e não o queeles dizem
3 
Pregam-se a si e não a Cristo
3 
Satisfazem os seus desejos e não aCristo
Soluções
Desprezar os pregadores que não dãoexemplo nem pregam a doutrinaMudar de auditório
Conselho do Pregador 
Imitar Santo António e pregar aos peixes
Confirmação  Capítulo II
O orador afirma que nunca teve pior auditório do que os peixes porque não sepodem converter, embora tivessem duas boas qualidades: ouvem e não falam.
 
Vieira promete aos peixes que o sermão será mais agradável do que o quecostuma pregar aos homens, promessa irónica, visto que os peixes são uma alegoriados homens.Refere, mais uma vez, as propriedades do sal, que deve conservar e preservar.Apoia-se nas palavras de S. Basílio que diz que os peixes não são só dignos derepreensão, mas também de louvor e exemplo a seguir.O orador apresenta o exemplo de Cristo, que comparou a sua igreja a uma redede pesca, na qual os pescadores recolhiam os peixes bons e deitavam fora os maus (háque louvar  bons  e que repreender  maus). Assim, a estrutura deste sermão, éinspirada na dupla função do sal, louvando-se as virtudes e as qualidades dos peixes eem seguida repreender os seus vícios.
ualidades dos peixes:
y
 
Foram os primeiros seres que Deus criou;
y
 
Ouvem e não falam;
y
 
São os maiores e os mais numerosos;
y
 
São obedientes;
y
 
Prudentes;
y
 
Os peixes são quietos e devotos;
y
 
São livres e não se deixam dominar.
Defeitos dos Homens:
y
 
O deslumbramento face à adulação;
y
 
A altivez e a presunção;
y
 
A violência e a obstinação;
y
 
A crueldade irracional;
y
 
O exibicionismo e a vaidade.A glorificação aos peixes e a críticao ao homem é argumentada por argumentosbíblicos.O capítulo termina com o apelo aos peixes para que sigam o exemplo de SantoAntónio que deixou tudo, a sua cidade e o deu país, alterando a sua própriaidentidade.Esta atitude radical foi a forma que encontrou para se afastar das maldades doshomens e se encontrar com Deus, optando por uma vida solitária, afastado doconvívio com os homens.
V
os estis sal terraePropriedades do Sal: Propriedades das Pregações:1 
Conservar o são (saudável)
1 
Louvar o bem
2 
Preservá-lo para que não secorrompa.
2 
repreender o mal.
Divisão de Argumentos do sermão em 2 momentos:
y
 
momento louvor das atitudes 
y
 
2
º
momento repreensão dos vícios dos peixes
 

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