/  2
 
Católico e maçom?
uma contradição nos próprios termos
Dom Dominique Rey, bispo de Fréjus-Toulon, publicou, já em 2007, o livro"Pode-se ser cristão e maçom?". Afirma que a posição da Igreja sobre a questãonão mudou. A revista "Valeurs actuelles" entrevistou-o
Laurent Dandrieu le jeudi, 28/07/2011
 
Poderia resumir a posição da Igreja?
 A posição da Igreja, desde que aquestão se pôs pela primeira vez, éque não é possível pertencer a umaloja maçónica e ao mesmo tempoprofessar a fé católica. A pertença àmaçonaria é a adesão a um sistemade pensamento que se inscreve norelativismo, na negação do papel dagraça de Deus na relação com oesforço do homem, num sistemaque relativiza também o lugar daIgreja, e que pode ser definido comoa exaltação de uma inteligência pri- vada do amor. É uma nova forma degnosticismo.
Mas não podemos distinguir diferentestipos de maçonarias?
Há de fato maçonarias para quem aafirmação de Deus é absolutamentefundamental, numa forma de deís-mo: mas, de que Deus estamos afalar? Nós, cristãos, falamos deDeus manifestado em Jesus Cristo,que se revela através do Magistérioda Igreja. Deus não resulta apenasda subjetividade, mas manifestou-secomo logos, isto é, como razão,como sabedoria.E nele encontramos o critériosupremo da inteligência, a explica-ção completa sobre o sentido da vida. A maçonaria, pelo contrário,está marcada pelo racionalismo:tudo o que não se justifica pelarazão, não tem valor intrínseco; a féé rapidamente relegada para o sub- jetivismo e, segundo alguns, para oobscurantismo. Isto significa que,na sua essência, para lá das suas variantes, a maçonaria é um princí-pio que lesa a doutrina da Igreja.
Para os maçons, a verdade é considera-da insusceptível de ser conhecida;enquanto na fé católica ocupa o centro.
De fato, para os maçons, não há verdade absoluta. Tudo parte dainteligência do homem, da explica-ção de que o homem dá de si mesmoe do sentido das coisas. A vida jánão é recebida; é construída. É aohomem que compete transformar omundo através do conhecimentoíntimo das leis do universo (é a visão do arquiteto), é o homem quese salva pela sua inteligência, elenão precisa de Deus. O recurso aDeus passa então a valer mais comouma emoção interior do que comouma graça; enquanto, para nós cris-tãos, é o principal alento para a nos-sa ação.
Mais concretamente, a Igreja acusa osmaçons de estarem, muitas vezes, navanguarda da legislação que contraria amoral natural.
Com efeito. Porque, como é aohomem que compete transformar omundo, chegamos ao que se chamaconstrutivismo, que atualmenteencontramos numa série de teoriascomo a do
gender 
(género). É anegação da natureza humana, queprecisaria, pelo contrário, ser rece- bida, que se enraiza na biologia ouna natureza. Na visão maçónica, é ohomem que é levado a auto-definir-se, a auto-construir-se. No planoprático, essa visão leva a uma moralque é, em última análise, muitoauto-centrada, subjetivista.No cristianismo, existe o respeitopela natureza. É a partir de Deusque se define a natureza humana: ohomem é criado à imagem e seme-lhança de Deus. Há uma relação nadefinição daquilo que somos, nósreferimo-nos a um ser que nos pre-cede e que nos fez surgir para a exis-tência. E ao mesmo tempo, é natomada de consciência dessa relaçãoda nossa existência em referênciaDeus que nós encontramos um sinaldaquilo a que a Igreja chama divini-zação. Não se trata de nos rebai-xarmos, mas de nos situarmos narealidade de que Deus é Deus, paradescobrir no rosto de Cristo aquele

Share & Embed

More from this user

Add a Comment

Characters: ...