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Nicola Abbagnano - Dicionário de Filosofia - Parte IV [Doc]

Nicola Abbagnano - Dicionário de Filosofia - Parte IV [Doc]

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JOGO
590
JUDAICA, FILOSOFIA
"expansividade livre" ou "atividade improdutiva e inútil", porque anula as características repressivas e exploradorasdo trabalho e do ócio e "simplesmente
brinca
com a realidade". Desse ponto de vista, o próprio trabalho deveriatornar-se lúdico, ou seja, subordinar-se ao livre desenvolvimento das potencialidades do homem e da natureza(M
ARCUSE
,
 Eros and Civi-lization,
1954, cap. IX). Na realidade, hoje não se pode aceitar sem restrições a definição tradicional de J., que evidencia o seu caráter deabsoluta espontaneidade e liberdade, contrapondo-o, pois, ao caráter coativo do trabalho que é determinado pelo fimou pelo resultado que deve atingir. Esse caráter de espontaneidade não pode ser entendido em sentido absoluto: defato, todos os jogos têm restrições ou regras que delimitam suas possibilidades. Mesmo em J. simples e individuaisexistem tais restrições: não se pode, p. ex., lidar do mesmo modo com um cubo e com uma bola. Nos J. coletivos, asregras definem e regulamentam, sendo impossível ignorá-las. Na cultura contemporânea, quando se lança mão doconceito de J., como por vezes fazem filósofos e economistas, estã-se acentuando exatamente esse caráter de ser guiado por regras cabíveis, escolhidas e estabelecidas para possibilitar a realização do J. e a alternativa entre sucessoe malogro. Wittgenstein alude a isso quando fala em "J. lingüísticos", ou seja, linguagens diferentes, cada uma dasquais é regida por regras próprias
{Philosophical Investiga-tions,
I, § 81). Assim, também considera a linguagemmatemática como J. e entende que jogar é "agir de acordo com certas regras"
(Re-marks on the Foundations of Mathematics,
IV, 1). Em
economia
(v.), a chamada "teoria dos J." considera que o J. é uma atividade limitada por regras, graças às quais o jogador pode escolher, entre as várias estratégias possíveis, a que lhe assegure maisvantagens (N
EUMANN
-M
ORGENSTERN
,
Theory of Games and Economic Behavior,
1944). Nestes empregos, o significadodessa palavra compreende: l
e
limitação das escolhas, impostas à atividade do jogador pelas regras; 2° caráter nãorigorosamente determinante dessas regras, que possibilitam escolher entre várias táticas e, eventualmente, determinar a melhor tática caso por caso (que assegure sucesso ou o melhor resultado do J.). Obviamente essas característicasnão eliminam as tradicionais, já expressas por Aristóteles, mas a elas se somam, corrigem-nas e às vezes as so- brepujam, como acontece no caso da teoria da linguagem como J. e da teoria dos J. na economia política. Recorreu-sea conceito análogo de J. na elaboração de uma teoria do comportamento individual que permitisse explicar asalterações psíquicas como "brigas" de J.: confusão entre antigas e novas normas para as interações sociais, recusa em participar de um J. comandado por outros, não-aceitação da importância do J. (T. S. S
ZASZ
,
The Myth of Mental  Illness,
1961).
JUDAICA, FILOSOFIA
(in.
 Jewish philosophy,
fr.
 Philosophy judaique,
ai.
 Jüdischen Philosophie,
it.
 Filosofia giudaica).
A filosofia J! é de tipo escolástico (v. F
ILOSOFIA
; E
SCO
-
LÁSTICA
); consiste essencialmente na tentativa deinterpretar a tradição religiosa J. em termos de filosofia grega, mais precisamente de neo-platonismo ou dearistotelismo. A filosofia J. nasceu, portanto, quando o judaísmo entrou em contato com o helenismo no séc. II a.C.Uma de suas primeiras manifestações é a seita dos essênios, dos quais nos falam Fílon, Jo-sefo e Plínio, à qual parecem pertencer os documentos encontrados nas proximidades do Mar Morto em 1947, que costumam ser chamados de "manuscritos do Mar Morto", (cf. B
URROWS
,
The Dead Sea Scrolls,
 Nova York, 1956). Essa seita mostra profunda afinidade com o neopitagorismo, supondo-se que se tenha desenvolvido sob a influência dos mistériosórfico-pitagóricos. Era constituída por várias comunidades submetidas a disciplina severa, com certo número deregras ascéticas. Do ponto de vista doutrinai, os essênios interpretavam alegorica-mente o Antigo Testamento deacordo, segundo tradição que atribuíam a Moisés; acreditavam na preexistência da alma e na vida depois da morte,admitiam divindades intermediárias ou demônios, bem como a possibilidade de profetizar o futuro. Fílon deAlexandria (que viveu na primeira metade do séc. I d.C.) é a maior personalidade filosófica desse período da filosofiaJ.: sua intenção é interpretar alegorica-mente as doutrinas do Antigo Testamento mediante conceitos da filosofiagrega. O resultado dessa interpretação é uma forma de neopla-tonismo muito semelhante àquela que se desenvolveráem Alexandria por obra do
neopla-tonismo
(v.).A segunda fase ocidental da filosofia J. desenvolveu-se na Idade Média, principalmente na Espanha, durante odomínio árabe. A essa fase pertencem Isaac (que viveu no Egito entre
 
JUÍZO591JUÍZOos sécs. IX e X); Saadja (séc. X); Ibn-Gebirol, que os escolásticos latinos conheceram com o nome deAvicebron, autor de uma obra famosa intitulada
 Fonte da vida
(séc. XI), e Moisés Ben Maimoun,denominado Maimônides (séc. XII), autor do
Guia dos perplexos.
Os temas fundamentais dessa segundafase da Escolástica J. são os seguintes: l
s
utilização do neoplatonis-mo árabe, especialmente da filosofiade Avi-cena, para a demonstração da existência de Deus;
2
e
 
negação do necessarismo característico dafilosofia árabe e, portanto, crítica das duas doutrinas decorrentes desse necessarismo:
d)
da eternidade domundo e conseqüente defesa da criação como início das coisas no tempo por obra de Deus;
b)
do rigorosodeterminismo astrológico, com a reafirmação da liberdade humana. Estas teses aproximam muito aEscolástica J. da Escolástica cristã, que defende filosoficamente crenças religiosas análogas. Portanto, aEscolástica cristã empregou muito a filosofia J., e especialmente a de Maimônides (cf. J. G
UTTMANN
,
 Die Phil. des Ju-dentums,
Munique, 1933).JUÍZO (gr.
KpitiKÓv, Kpíoiç, lat.
 Judicium;
in.
 Judgment;
fr.
 Jugement;
ai.
Urteilskraft, Ur-teil;
it.
Giudizió).
Este termo, oriundo da linguagem jurídica, possui quatro significados principais: 1
Q
faculdadede distinguir e avaliar ou o produto ou o àto desta faculdade, bem como sua expressão; 2
S
uma parte dalógica; 3
S
em relação a uma proposição, ato de assentir, discordar, afirmar ou negar; 4
Q
operaçãointelectual de síntese que se expressa na proposição.l
g
No sentido mais geral, entende-se por J. a faculdade de avaliar e escolher, própria de todos os seresanimados. Aristóteles dizia que o J. é uma das faculdades da alma dos animais (a outra é a faculdademotriz), sendo obra do pensamento e da sensação
{De an.,
III, 9, 432 a 15). Em especial, atribuía aointelecto a capacidade de julgar as qualidades sensíveis com o sensório e a substância das coisas com ummeio diferente
{Ibid.,
III, 4, 429, b 10). O significado geral conservou-se constante na tradição filosófica ena linguagem comum. A faculdade de julgar consiste em avaliar, escolher, decidir. "Ter J." significa saber ser comedido nas escolhas, ou fazê-las de acordo com as melhores regras. Nesse sentido, o J. équalificado segundo os campos específicos em que age, falando-se de "J. moral", "estético", "histórico","político", etc. Esse termo ainda indica, em todas lín-guas, o resultado ou o produto da atividade judicativa e a expressão lingüística desta: por isso, chama-sede J. tanto a decisão ou a escolha que elimine uma incerteza, dirima uma controvérsia ou elimine umconflito quanto a formulação verbal de alguns desses atos. Nesse sentido, a faculdade judicativa não sereduz ao intelecto, conquanto compreenda também o intelecto. S. Tomás observava que "a palavra 'J.', quesegundo a primeira imposição significa a correta determinação do que é justo, foi ampliada para significar a correta determinação em todas as coisas, tanto nas especulativas quanto nas práticas"
{S. Th.,
II, 11, q.60 a. 2 ad I
o
). Kant, que definia o intelecto como "a faculdade de julgar"
{Crít. R. Pura,
Anal. transe, I,cap. I, seç. I;
 Prol,
§ 22), em
 Antropologia
conceituava de modo mais geral o J., entenden-do-o como "acapacidade intelectual de distinguir se cabe ou não uma regra", e afirmava que o J. não pode ser ensinado,mas só exercitado, e que o seu desenvolvimento chama-se "maturidade"
{Antr,
1, § 42). Locke haviarestringido o J. à faculdade de utilizar os conhecimentos prováveis na falta do conhecimento seguro
(Jud.,
IV, 14, 3), mas Leibniz observava que "outros chamam de julgar a ação realizada todas as vezes em quealguém se pronuncia com algum conhecimento de causa"
{Nouv. ess,
IV, 14). Nesse sentido, o J. é uma atividade va-lorativa, embora possa expressar-se (como de fato o fez comfreqüência) por fórmulas verbais diversas, como regras, normas, exortações, imperativos, pareceres,conselhos, conclusões e, em geral, fórmulas que expressam uma escolha ou um critério de escolha. Peircediz: "O hábito cerebral da mais alta espécie, que determinará o que faremos, tanto em imaginação quantoem ação, chama-se
crença.
Chama-se J. a representação, que fazemos para nós mesmos, de que temosdeterminado hábito"
{Coll. Pap.
3, 160). Na mesma linha, Dewey considerou o J. como a conclusão de uma busca e a sistemati-zação efetiva dasituação que a provocou, segundo o modelo do procedimento judiciário
{Logic,
1939, cap VII).2
a
Cícero deu o nome de "J." à
dialética{v.)
dos estóicos, que "foi inventada quase como árbitro e juiz doverdadeiro e do falso"
{Acad.,
II, 28, 91). Disse ele: "Todo tratamento completo da argumentação possuiduas partes, uma que se ocupa da invenção a outra do J.". Aristóteles foi o fundador de ambas, os estóicosse-

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