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Deliberação mediada: Uma tipologia das funções dos media para a formação do debate público

Deliberação mediada: Uma tipologia das funções dos media para a formação do debate público

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O objetivo do trabalho é oferecer uma sistematização teórica acerca do tema da deliberação mediada. De início, são apresentados, brevemente, os princípios deliberacionistas. A seguir, discute-se o lugar da comunicação de massa nas práticas discursivas a permearem a democracia contemporânea, enfatizando-se a contribuição que os media ofertam à noção de sistema deliberativo. Partindo do exame de um conjunto de trabalhos a lidar com a interface entre deliberação e comunicação, detecta-se a existência de um intervalo compreensivo gerado pelas distintas acepções de deliberação mediada expostas nestas referências. Propõe-se, então, uma sistematização teórica da ideia de deliberação mediada, sublinhando-se três funções dos media para a formação do debate público: 1) Instrumentos; 2) Provedores autônomos de insumos informacionais; 3) Agentes de interesses a tomarem parte nos debates.
O objetivo do trabalho é oferecer uma sistematização teórica acerca do tema da deliberação mediada. De início, são apresentados, brevemente, os princípios deliberacionistas. A seguir, discute-se o lugar da comunicação de massa nas práticas discursivas a permearem a democracia contemporânea, enfatizando-se a contribuição que os media ofertam à noção de sistema deliberativo. Partindo do exame de um conjunto de trabalhos a lidar com a interface entre deliberação e comunicação, detecta-se a existência de um intervalo compreensivo gerado pelas distintas acepções de deliberação mediada expostas nestas referências. Propõe-se, então, uma sistematização teórica da ideia de deliberação mediada, sublinhando-se três funções dos media para a formação do debate público: 1) Instrumentos; 2) Provedores autônomos de insumos informacionais; 3) Agentes de interesses a tomarem parte nos debates.

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Deliberação mediada: Uma tipologia das funções dos
media
para a formação do debate público
Francisco Paulo Jamil Almeida Marques & Edna Miola
Universidade Federal do Maranhão, Brasil 
E-mail:
marquesjamil@yahoo.com.br, ednamiola@yahoo.com.br
A
ideia de deliberação pública vem se mostrando uma das mais proemi-nentes em Teoria Democrática nos últimos anos. Desde a confluênciaentre alguns dos princípios da Filosofia de Jürgen Habermas (2003) e de JohnRawls (1999), até o lançamento das obras pioneiras para o desenvolvimentodo deliberacionismo, alega-se que o modelo discursivo se coloca como alter-nativa voltada para lidar com os problemas teóricos e práticos não resolvidosde forma satisfatória pelas tradições Liberal e Republicana (Benhabib, 1996;Bohman, 1996; Gutmann e Thompson, 1996 e 2004; Dryzek, 2000). Não quea vertente deliberativa rejeite os pressupostos destas concepções anteriores;na verdade, os investigadores ligados ao modelo discursivo rearticulam mui-tas das contribuições clássicas em uma tentativa de responder a reivindicaçõescrescentes (como maior permeabilidade à participação política da esfera civil;transparência no trato dos assuntos públicos; administração mais adequadados conflitos que marcam as democracias plurais e multiculturais contempo-râneas) que recaem sobre os processos institucionais de produção da decisãopolítica.Nesse sentido, dentre as ideias primordiais do modelo deliberativo se en-contra a defesa da discussão pública enquanto mecanismo de produção e legi-timação das decisões políticas. Um conjunto de princípios normativos a regu-larem o curso das discussões democráticas teria em alta conta a necessidadede se lançar mão da ideia de razão pública na elaboração e apresentação dosargumentos; defende-se, adicionalmente, uma consideração cuidadosa da va-riedade de agentes, visões de mundo e interesses a caracterizar as sociedadescomplexas contemporâneas.Ora, uma das maiores dificuldades encontradas pelos teóricos vinculadosà noção de deliberação pública é, justamente, operacionalizar a existência deambientes que possibilitem troca de razões entre indivíduos, grupos e institui-ções com perspectivas divergentes. Mais especificamente, como seria possível
Estudos em Comunicação 
nº7 - Volume 1,
1-28
Maio de 2010
 
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2 Francisco Paulo Jamil Almeida Marques & Edna Miolatornar os debates de questões de concernência pública cada vez mais visíveise, ao mesmo tempo, convidativos e aptos a receberem contribuições de fontesdistintas e plurais?Não parece haver saída para esta questão que não passe pelo empregoda comunicação de massa enquanto elemento fundamental para se efetivarespaços de discussão pública. Ainda que tenha sua atuação questionada emdeterminados momentos e sob certas circunstâncias, os
media
têm um papelde crescente destaque nas investigações atinentes à Teoria Democrática quese espraiam na Ciência e na Filosofia Políticas. É assim que conceitos comoo de
sistema deliberativo
e o de
deliberação mediada
foram consideradosessenciais para se explicar não apenas a ampliação das arenas de discussãopública, mas, também, as próprias consequências (isto é, os efeitos sobre asdecisões tomadas no âmbito do campo político) que advêm destes processosde embate argumentativo.Note-se, assim, que a conexão entre deliberação e comunicação de massa já orienta, há um tempo razoável, um conjunto substantivo de trabalhos na-cionais e internacionais dispostos a problematizar os diversos fenômenos queenvolvem a discussão pública mediada, seja em eventos como os debates elei-torais, em editoriais da imprensa ou, mesmo, nas conversações que se dão nosfóruns políticos da internet.Entretanto, por mais que se venha conferindo um maior patamar de im-portância à influência dos
mass media
sobre os processos democráticos (e,particularmente, sobre os confrontos discursivos), considera-se que ainda per-manecem algumas dúvidas teórico-analíticas quanto aos modos de se exami-nar as funções políticas da comunicação. Em outras palavras, identifica-seuma dificuldade peculiar a muitas destas investigações, uma vez que se per-cebe alguma falta de clareza no que tange às diferentes funções que os
media
podem assumir quanto à promoção de trocas argumentativas. É exatamenteeste intervalo compreensivo provocado pelas acepções plurais de deliberaçãomediada que este trabalho propõe examinar.Assim sendo, o primeiro objetivo deste trabalho é esclarecer o que se en-tende por deliberação mediada. O segundo objetivo tem como ponto de par-tida diferentes trabalhos que circundam a agenda de pesquisa dedicada a in-vestigar a interface entre comunicação de massa e deliberação e consiste emdistinguir e definir os vários perfis que os
media
assumem no que se refereà promoção da deliberação pública. Mais exatamente, compreende-se que os
 
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Deliberação mediada 3
media
desempenham pelo menos três funções: 1) servir de instrumento; 2)prover, de acordo com sua deontologia e imperativos mercadológicos, insu-mos informacionais; 3) atuar enquanto um dos agentes interessados e que, porisso, também tomam parte ativa no jogo político.Conforme será discutido logo à frente, é fato que estas três funções sãodesempenhadas em conjunto pela comunicação de massa e suas instituições,sendo que, em algumas ocasiões, há certa interseção ou sobreposição entreelas. Nesse sentido, a distinção aqui delineada se volta, de maneira prepon-derante, à necessidade de se diferenciar fenômenos e agentes diversos que seabrigam dentro de uma única ideia de deliberação mediada.O itinerário do trabalho se dá a partir de uma breve apresentação e contex-tualização da corrente teórica deliberacionista, apresentando-se seus princi-pais pressupostos para, em seguida, defender-se a ideia de um
sistema delibe-rativo
. Esta linha argumentativa permitirá que, nas partes seguintes do texto,sejam abordadas as vantagens e os riscos que a comunicação de massa trazpara a conformação de debates públicos, bem como as diferentes funções queos
media
podem desempenhar em relação à promoção da deliberação.
A noção de deliberação pública: premissas fundamen-tais
De acordo com John Dryzek, a ideia de deliberação não representa, em ab-soluto, uma novidade. Os antecedentes desse conceito remontam à antigui-dade clássica e se manifestam, também, no pensamento ocidental do séculoXIX (com Edmund Burke e John Stuart Mill), bem como no início do séculopassado (com John Dewey). O que define a importância contemporânea da
democracia deliberativa
– termo cunhado por Joseph Bessette, em 1980 – éa força e o sentido que o conceito adquiriu entre o fim dos anos 80 e o iníciodos anos 90, nomeadamente com Bernard Manin, Joshua Cohen, John Rawlse Jürgen Habermas (Dryzek, 2000, p. 2).Dentre tais precursores da concepção deliberativa, destacam-se John Ra-wls e Jürgen Habermas, por suas diversas contribuições à construção daquiloque atualmente se pode identificar como um modelo democrático (HELD,1987). Rawls propôs uma reforma do Liberalismo, que, de acordo com o filó-sofo norte-americano, estava ameaçado em suas estabilidade e legitimidade,

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