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Para entender a Crise econômica americana de 2008 e europeia de 2011

Para entender a Crise econômica americana de 2008 e europeia de 2011

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Análise do Dr. Antonio Avelãs Nunes, da universidade de Coimbra, sobre as causas e consequencias da crise econômica mundial de 2008 e 2011.
Análise do Dr. Antonio Avelãs Nunes, da universidade de Coimbra, sobre as causas e consequencias da crise econômica mundial de 2008 e 2011.

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Published by: Carlos Antonio Fragoso Guimarães on Jan 16, 2012
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11/08/2012

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Para entender a Crise econômico-financeira de 2008 e 2011
Professor da secular Universidade de Coimbra, Portugal, António Avelãs Nunes,discorre sobre as causas da crise mundial, a partir da estreiteza do modelo neoliberal, e seuimpacto especialmente na Europa, desde 2008.Transcrevemos aqui uma entrevista concedida ao jornal Correio da Paraíba por ocasiãodo recebimento do título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Paraíba,UFPB, publicada dia 08 de janeiro de 2012.Entrevista:
- Professor, como se explica essa sucessão de crises econômicas que vêm atingindo aEuropa? 
- A crise começou por
não
ser uma crise europeia. É uma crise do capitalismo como umtodo e ela surgiu mais uma vez, como em 1929, no centro do capitalismo e com muitos pontosem comum com a crise de 29.
- O senhor se refere aos Estados Unidos? 
- Sim, foi o berço da crise, o maior país do mundo capitalista. Como em 1929, a crise sedeve a um período de euforia nas bolsas com desenfreada especulação financeira, ou seja, de jogo de papeis em bancos buscando ganho fácil em cima de juros em detrimento doinvestimento na produção real de bens.
- O que realmente aconteceu? 
 
- O capital financeiro (especialmente bancário) descobriu uma maneira de seremunerar a partir da especulação sem ter as dificuldades do capital aplicado, produtivo, quedá emprego, e sem os riscos da atividade produtiva normal. Depois, com a consolidação daideologia neoliberal (após Reagan e Thatcher e com Collor e FHC no Brasil), ou seja, com aliberalização absoluta dos movimentos de capitais  impostas pelos grandes senhores domundo  o capital financeiro tem se dedicado aos jogos de cassino, a apostar perigosamentepara ganhar muito em pouco tempo. Por isso alguns autores tratam o capitalismo atual comocapitalismo de cassino. Veja que os bancos apostaram e criaram a crise e foram os que maisreceberam dinheiro dos governos depois de esta instalada. Essa tem sido a grande prática docapitalismo nos últimos anos com riscos diagnosticados há muitos anos.
- O senhor poderia ser mais preciso em relação a esse espaço de tempo? 
- O próprio Keynes, há 50 anos, alertou para isso: vamos mal se o capital financeiro sesobrepor ao capital produtivo. E particularmente Keynes tinha uma grane aversão ao que elechamava de rentista (o que vive de rendas de aplicações financeiras em bancos) e tem umaexpressão famosa dele em que defendeu a eutanásia dos rentistas, ou seja, daqueles quevivem das rendas do seu dinheiro, dos que não poupam para a atividade produtiva.
- Que solução o senhor vê para o problema? 
- Tenho defendido que o estado deveria intervir com oferta de moeda para evitar quea oferta fosse inferior à procura e assim evitando subir a taxa de juros (exatamente o opostodo que propagam os arautos do neoliberalismo para quem quanto mais auto a taxa de juros,melhor para uma minoria e pior para toda a humanidade). É preciso que o Estado venha aintervir para reduzir a taxa de juros e acabar com o rentista, o endeusado investidorespeculativo.
- O que realmente esses rentistas trouxeram de mau para o mercado? 
- Produtos financeiros derivados que são, nada mais nada menos, que objetos deapostas, no capitalismo de cassino em que se transformou o mundo do capitalismo. (Veja-se odocumentário de Michael Moore
Capitalismo, uma história de amor 
, sobre o jogo sujo por trásda criação dos tais derivativos das bolsas de valores) Os capitalistas dizem que a sofisticaçãodesses produtos financeiros é tal que, muitas vezes, nem os próprios jogadores habituais destecassino sabem o que compram e vendem...
- E é interessante que a crise tenha chegado à Europa via um banco alemão que haviacomprado títulos podres...
- Mas boa parte do sistema financeiro europeu fazia aplicação em títulos podres dosgrandes empórios, dos grandes conglomerados financeiros americanos  as companhias deseguros, os fundos de pensão e investimentos privados e todos os bancos. Fazia isso de modoque as poupanças das pessoas comuns foram investidas em produtos que os especialistas jávinham chamando a atenção como sendo armas de destruição em massa.- Apesar do alerta, todos foram enganados?
 
- Todos os gurus do neoliberalismo, com o senhor Allan Greenspan à frente, diziam:
oque é preciso é o mercado agir sozinho, nada do Estado regulamentando, nada de intervenção,nenhuma instituição do Estado é mais eficiente que o mercado 
. Disseram isso ao Brasil (e FHCassinou embaixo, daí o desmonte do Estado brasileiro configurado nas privatizações) edisseram isso no Congresso americano. O que é bom para o capital financeiro é bom para omundo. E na audiência no Congresso, o presidente da instituição disse ao Greenspan:
osenhor com essa ideologia nos prejudicou e estamos todos a pagar um preço alto. O senhor não tinha meios para evitar essas consequências? 
Respondeu Greenspan: 
Não, eu pensavaque o não intervir era a melhor opção...
O que levou à réplica óbvia do presidente dainstituição:
Então, parece que o senhor se enganou 
e o Greenspan, guru nos neoliberais,finalmente disse:
Tenho de reconhecer.- E é ainda em Marx que se encontra a melhor explicação para a crise? 
 - Eu penso que Marx ainda é o melhor autor que compreendeu o capitalismo. Semchegarmos ao Marx não compreendemos nada do que se passa. Essa é uma crise tal qual Marxcaracterizou as crises do capitalismo. É uma crise que resulta de contradições profundas docapitalismo. Quanto mais o capitalismo estiver livre do Estado, como sonham os neoliberais, edas pressões externas  como o desaparecimento da União Soviética  mais ele se convenceque pode tudo.
- Como o fim da União Soviética contribuiu para esse assoberbamento ainda maior docapitalismo? 
- O capitalismo se convenceu que tinha sua eternidade garantida. Dizia-se entre osneoliberais estupidamente que a queda do Muro de Berlim marcava
o fim da História.
 Passou-se a permitir ao capital todas as liberdades, inclusive, as liberdades que matam, bemcomo aquilo que o próprio Keynes já havia descrito: o capitalismo tem dois víciosfundamentais, ou produz duas contradições fundamentais: Gera situações de desempregoinvoluntário e dá origem a desigualdades insuportáveis. E essas duas contradições sãobastante prejudiciais ao desenvolvimento da própria economia...
- Que desigualdades são essas? 
- As desigualdades de rendimento, as desigualdades de rendas. São duas contradiçõesfundamentais. Essa desigualdade do rendimento só tem se acentuado nos últimos anos e decerta forma pode-se afirmar que a crise foi programada.
- Esse problema começou a se agravar quando? 
- Há uns 20 anos, por toda a parte, a ideologia neoliberal vinha procurando reduzir osalário real dos trabalhadores (veja-se aqui no Brasil que o aumento do salário mínimo, um dosmenores do mundo, traz a crítica de partidos neoliberais, como o PSDB e do empresariadoneoliberal e da mídia atrelada a estes), contrariando toda a teoria econômica do século XVIII.Há estudos da OIT (Organização Internacional do Trabalho), da ONU, da OCDE, além deinúmeros estudos científicos de diversos autores, todos mostrando que as desigualdades têmse acentuado, não só entre os países, mas até mesmo dentro de cada país, inclusive nos maisricos.

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