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Ricardo Reis

Ricardo Reis

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05/22/2013

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Características temáticas
 
Epicurismo - procura do viver do prazer;
 
Estoicismo - crença de que o Homem é insensível a todos os malesfísicos e morais;
 
Horacionismo - seguidor literário de Horácio;
 
Paganismo - crença em vários deuses;
 
Neoclacissismo - devido à educação clássica e estudos sobre Roma egrécia antigas;
 
 
Características estilísticas
 
Submissão da expressão ao conteúdo: a uma ideia perfeita correspondeuma expressão perfeita;
 
Forma métrica: ode;
 
Estrofes regulares em verso decassílabo alternadas ou não comhexassílabo;
 
Verso branco;
 
Recurso frequente à assonância, à rima interior e à aliteração;
 
Predomínio da subordinação;
 
Uso frequente do hipérbato;
 
Uso frequente do gerúndio e do imperativo;
 
Uso de latinismos ( atro, ínfero, insciente,...);
 
Metáforas, eufemismos, comparações;
 
Estilo construído com muito rigor e muito denso;
vive o drama da fugacidade da vida e da fatalidade da morte
Ricardo Reis
Contemplativo (observa);
Racional (conclui resignando-se);
Clássico:
equilibrio
linguagem
forma
Horaciano
“aurea mediocritas”
“carpe diem”
ode
Pagão
Crença nos deuses/Fado (destino)
 
crença na presença divina das coisas
Estoico-epicurista
Estoicismo
supremacia nos Deuses e no Fado
aceitação voluntária das leis do universo (ilusão de liberdade)
ideal de apatia (indeferença)
Epicurismo
procura a felicidade moderada (= ausência de sofrimento)
ideal de ataraxia (indiferença)
“carpe diem”Ricardo Reis é o poeta da serenidade epicurista, que aceita, com calma,lucidez, a relatividade e a fugacidade de todas as coisas.A filosofia de vida de Ricardo Reis é a de um epicurismo triste, pois defende oprazer do momento, o carpe diem, como caminho da felicidade, mas sem ceder aosimpulsos dos instintos.Apesar deste prazer que procura e da felicidade que deseja alcançar, consideraque nunca se consegue a verdadeira calma e tranquilidade, ou seja, a ataraxia(tranquilidade). Sente que tem de viver em conformidade com as leis do destino,indiferente à dor e ao desprazer, numa verdadeira ilusão da felicidade.Ricardo Reis recorre à ode e a uma ordenação estética marcadamenteclássica.Em Ricardo Reis há a apatia face ao mistério da vida mas também se encontrao mundo das angústias que afecta Pessoa.
Análise do poema "Prefiro rosas, meu amor, à pátria" 
"O poema "Prefiro rosas..." de Ricardo Reis, como outros deste heterónimo de Fernando Pessoa, é marcado por temasfortes e constantes da sua obra. Nomeadamente observamos, quase de imediato, a atitude expectante perante a vida, aresignação e a nobreza de espectador perante a realidade que se desenrola perante os seus olhos.Heterónimo clássico por definição, Reis tem de Pessoa toda a sua disciplina mental, incorporando quase em ícone umclassicismo perfeito, quer na forma quer no conteúdo dos seus poemas. Terá surgido a Pessoa como contraposição aofuturismo, representando em teoria uma perfeita imagem do passado no presente - um verdadeiro poeta neoclássico.Por ser clássico Reis traz uma atitude contemplativa da vida, mas que já não é ingénua como a de Caeiro. Reis é umhomem perturbado e a sua aceitação, a sua ataraxia é uma aceitação muito menos pacífica. Por isso podemos dizer que Reis vê na sua atitude perante a vida uma decisão nobre e não apenas uma necessidade, embora esta última perspectiva seja também essencial para o compreender.Reis sabe que é diferente da Natureza e está revoltado com isso, em vez de, como Caeiro, procurar a proximidade comas coisas. Afasta-se para dentro e encontra nesse afastamento a razão de viver. Austero e contido, ele é - usando palavras de Jacinto do Prado Coelho - civilizado, na beleza do artificio e na prática constante e perfeccionista da Ode.
 
Esta indiferença, aceitação da vida, recusa do esforço ou do compromisso - tudo isto encontramos nesta Ode queanalisamos agora."Prefiro rosas, meu amor, à pátria, / E antes magnólias amo / Que a glória e a virtude." - Reis demite-se da vida, e prefere as flores à realidade. Não é em vão que Reis clama pelas rosas ao iniciar este poema. As rosas, para os Gregosrepresentam um ideal estético por excelência e opõe-se eficazmente à realidade crua e dolorosa da vida imposta. Estasflores, sobretudo as rosas, são um símbolo da contraposição entre o ideal estético nobre do poeta face à obrigação deviver. Efémeras e belas, as flores não prolongam a dor. Reis prefere as rosas (símbolo do amor), mas ama asmagnólias (símbolo da nobreza)."Logo que a vida me não canse, deixo / Que a vida por mim passe / Logo que eu fique o mesmo." - marcadaindiferença pela vida, um
leit motif 
de Reis ao longo de todas as suas odes. A vida ao passar, deixa-o na margem dorio, do mesmo rio onde ele se senta com Lídia, apenas a observar. Ser alheio, ser estrangeiro é a forma de Reis se proteger da dor, mesmo que assim tenha de se proteger da vida. De notar também aqui os traços clássicos ("Logo quea vida" e "Que a vida")."Que importa àquele a quem já nada importa / Que um perca e outro vença, /Se a aurora raia sempre," - o ritmo morto do poema sugere isto mesmo, que Reis está indiferente à vida, às tribulaçõese movimento, em favor de um "quietismo" assustador, mas ao mesmo tempo mágico e infinito. Para além do homem edas suas preocupações, afinal está o destino e a natureza. Tudo se move e acontece mesmo sem as nossas acções e oegoísmo (de quem vence ou perde) dilui-se no momento."Se cada ano com a primavera / As folhas aparecem / E com o Outono cessam?" - eis o reforço do que dizíamos antes.Os ritmos incessantes da natureza. Da primavera (símbolo da renovação) e do Outono (símbolo da negatividade e dofluir do tempo)."E o resto, as outras coisas que os humanos / Acrescentam à vida, /Que me aumentam na alma?" - o que os homens acrescentam à vida opõe-se ao que é natural, às flores de gostoclássico. O passar pela vida sem a modificar opõe-se também à mudança, ao que os homens acrescentam à vida.A interrogação retórica de Reis fica no ar e leva-nos de novo à pátria (em minúsculas, diminuída), à glória e à virtude- "as outras coisas"."Nada, salvo o desejo de indiferença / E a confiança mole / Na hora fugitiva." - responde Reis à sua própriainterrogação. As coisas da vida trazem-lhe apenas indiferença. Reis espera apenas pela "hora fugitiva", pelo passar dotempo, e fica sereno, sempre igual.Veja-se agora como é curioso todo o poema. Reis dirige-se a alguém (ao seu amor), mas fala como a um confidente,de maneira calma e solitária. Como se quem o ouvisse não existisse, senão na sua concepção ideal. Até a maneiracomo o vocativo está intercalado no verso 1 é clássica, fria, formal. Reis fala, mas é como se falasse consigo mesmo,não conseguindo quebrar a barreira que o impede de se encarar o exterior. Esta contemplação, sinal do seuepicurismo, não permite comunicação sincera, nem laços emocionais.Estilisticamente o poema constitui-se por 6 estrofes isomórficas, com um verso decassílabico e dois hexassílaboscada. Os versos são brancos, sem rima, uma marca também de Reis, que lhe advém da influência Horaciana."
Ricardo Reis propõe, pois, uma filosofia moral de acordo com osprincípios do epicurismo e uma filosofia estóica:- “Carpe diem” (aproveitai o dia), ou seja, aproveitai a vida em cada dia,como caminho da felicidade;- Buscar a felicidade com tranquilidade (ataraxia);- Não ceder aos impulsos dos instintos (estoicismo);- Procurar a calma, ou pelo menos, a sua ilusão;

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