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Consumo e Meio Ambiente

Consumo e Meio Ambiente

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 1
Consumo Sustentável
1
 Por Marilena Lazzarini e Lisa Gunn
2
 Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor 
 
Consumo e meio ambiente: uma equação sem solução?
Nos últimos 45 anos, a economia global praticamente quintuplicou, o consumo degrãos, carne e água triplicou e o consumo de papel cresceu mais de seis vezes. O uso decombustíveis fósseis aumentou em quatro vezes, assim como o nível de emissões de CO
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,principal gás responsável pelo efeito estufa
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.Porém, ainda hoje cerca de 2,8 bilhões de pessoas vivem com menos de 2 dólarespor dia (82% da população da Índia, 65% da população da Indonésia, 55% da população daChina, 37% da população da África do Sul e 17% da população do Brasil)
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. Enquanto isso,as três pessoas mais ricas do planeta têm mais do que o Produto Interno Bruto dos 48países mais pobres, onde vivem 600 milhões de pessoas. Ou ainda, pouco mais de 200pessoas, detentoras de ativos superiores a US$ 1 bilhão, têm mais do que a renda anual de45% da população mundial, o equivalente a 2,7 bilhões de pessoas
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.Os países ricos, com menos de 20% da população mundial, são responsáveis por cerca de 80% do consumo privado mundial, enquanto os países pobres com cerca de 35%da população mundial representam apenas 2% do total do consumo privado
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.O estilo de vida ocidental e seu padrão de consumo estão servindo de modelo paraas classes mais ricas da China e Índia, para os países da Europa Oriental e da antiga UniãoSoviética, assim como para as classes média e rica de países emergentes, como México,Venezuela, Brasil, Turquia, Coréia do Sul, Taiwan, Indonésia, Malásia e Tailândia. Estima-se
1
Este artigo é baseado em texto publicado no livro “O Estado do Nosso Meio Ambiente: Uma Visãoda Sociedade Civil” (2002) da Fundação Getúlio Vargas e Instituto Socioambiental.
2
Marilena Lazzarini é coordenadora executiva do Idec – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e Presidenta do Fórum Nacional de Entidades Civis de Defesa do Consumidor. O Idec, criado em1987, é uma associação de consumidores sem fins lucrativos e independente de governos, empresase partidos políticos. Sua missão é promover a educação, a conscientização, a defesa dos direitos doconsumidor e a ética nas relações de consumo. Lisa Gunn, socióloga e mestre em ciência ambiental,é consultora no Idec.www.idec.org.br  
3
Brandsma, Erich H. & Eppel, Jeremy. “Produção e consumo sustentáveis: um enfoqueinternacional”.
In
: Ribemboim, Jacques (org.). Mudando os Padrões de Produção e Consumo. IBAMA,1997. Pág. 112.
4
UNEP,
Sustainable Consumption: A Global Status Report 
. Abril/2002.
5
Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional (CPDS) –Ministério do Meio Ambiente (MMA) / Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).Agenda 21 Brasileira: Bases para Discussão. Junho/2000.
6
World Resources Institute. World Resources 2000-2001 – People and ecosystems: The fraying webof life. 2001. Pág. 27.
 
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que esses novos consumidores totalizem cerca de 750 milhões de pessoas, número similar ao dos consumidores dos países ricos
7
.Se a China consumisse a mesma quantidade per capita de carros e de combustívelque os Estados Unidos, seria preciso produzir cerca de 850 milhões de carros e mais do quedobrar a produção mundial de combustível. Essa frota de carros adicional produziria maisCO
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do que o atual sistema de transporte do mundo. Se o consumo per capita de peixe naChina fosse o mesmo do que o do Japão, seriam necessárias 100 milhões de toneladas amais do que se pesca hoje
8
.Se tivermos a réplica do padrão de consumo dos países ricos, de consumismoexacerbado e enorme nível de desperdício para as populações da América Latina, Ásia eÁfrica, calcula-se que precisaríamos dispor de mais dois planetas Terra para atender a essademanda. Assim como não existem recursos naturais suficientes para oferecer o mesmopadrão de consumo de um americano médio para toda população mundial, o planeta Terratambém não é capaz de absorver toda a poluição e degradação que seria gerada por esseaumento de produção e consumo dos padrões atuais.O consumo é desigual não apenas entre países, como também dentro dos mesmos.No Brasil, enquanto as classes média e rica brasileiras consomem da mesma forma, ou atémais, que o europeu ou o americano; 53 milhões de pessoas são consideradas pobres e 22milhões podem ser considerados indigentes
9
.“A desigualdade no Brasil tem duas faces: por um lado, o consumo irracional,o desperdício; e por outro, as frustrações pessoais e a violência que resultada impossibilidade de participar desse ‘novo mundo’”.
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 O grau de desigualdade no Brasil é um dos maiores do mundo. Em 1960, os 50%mais pobres da população tinham 18% da renda. Em 1995, tiveram sua parcela reduzidapara 11,6% da renda nacional. Enquanto isso, os 10% mais ricos passaram de 54% darenda nacional, em 1960, para 63%, em 1995
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.“O diagnóstico básico referente à estrutura da pobreza entende que o Brasil,no limiar do século XXI, não é um país pobre, mas um país extremamente
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UNEP,
Sustainable Consumption: A Global Status Report 
. Abril/2002.
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UNEP,
Sustainable Consumption: A Global Status Report 
. Abril/2002.
9
São considerados indigentes aquelas pessoas que não conseguem atender as suas necessidadesbásicas de moradia, alimentação e vestuário. Enquanto que: “…. a pobreza refere-se a situação decarência em que os indivíduos não conseguem manter um padrão mínimo de uma vida condizentecom as referências socialmente estabelecidas em cada contexto histórico.” (IPEA, 2001).
10
Sodré, M. G.; Cervi, C.E. e Uchoa, J. Globalização e mudança nos padrões de consumo: casobrasileiro, 1998.
11
Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional (CPDS) –Ministério do Meio Ambiente (MMA) / Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).Agenda 21 Brasileira: Bases para Discussão. Junho/2000.
 
 3
injusto e desigual, com muitos pobres. A desigualmente encontra-se naorigem da pobreza e combatê-la se torna um imperativo”
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.Os atuais padrões de consumo são insustentáveis, injustos socialmente edepredadores do meio ambiente. É urgente o estabelecimento de um novo paradigma dedesenvolvimento.“Enquanto a meta do mundo industrializado é manter um alto padrão de vidae, ao mesmo tempo, reduzir drasticamente o uso de recursos naturais, nospaíses em desenvolvimento, a meta é promover, da melhor maneiradisponível, um crescimento da prosperidade com a menor utilização possívelde recursos naturais.”
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 A busca de um padrão de consumo sustentável passa pela eliminação da pobreza emudança nos padrões de consumo, a partir da mudança dos sistemas de produção,comércio e consumo no mundo.
Mudar os padrões de produção e consumo: as propostas
A Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ECO 92, foium marco no debate internacional sobre consumo sustentável. A Declaração da Conferênciaestabeleceu a conexão entre desenvolvimento sustentável e consumo no Princípio 8:"Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma qualidade de vidasuperior para todos os povos, as nações deveriam reduzir e eliminar ospadrões de produção e consumo insustentáveis e promover políticasdemográficas apropriadas."
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 Outro resultado da ECO 92, a Agenda 21, dedica um capítulo específico, o Capítulo4, para a mudança dos padrões de consumo:"Devemos considerar a necessidade de novos conceitos de bens eprosperidade, que não apenas permitam padrões de vida superiores, atravésda mudança nos estilos de vida, mas que sejam também menos dependentesdos recursos finitos da Terra, e mais harmônicos com a capacidade da Terraem renová-los.""...a principal causa da contínua deterioração do meio ambiente global são ospadrões insustentáveis de produção e consumo, particularmente nos países
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IPEA. Barros, R.P.de; Henriques, R. & Mendonça, R. “A estabilidade inaceitável: desigualdade epobreza no Brasil”. Texto para Discussão 800. Junho, 2001. Pág. 23.
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Van Brake, Manus. Os desafios das políticas de consumo sustentável. Cadernos de Debate 2.Brasil Sustentável e Democrático. 1999. Pág. 21.
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Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – Rio 92.“Declaração do Rio para o Meio Ambiente e Desenvolvimento”. In: Agenda 21. Senado Federal,Brasil, 2001.

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