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A mineração em MG

A mineração em MG

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GEONOMOS
3 (1): 77-86
A MINERAÇÃO EM MINAS GERAIS:PASSADO, PRESENTE E FUTURO
Olintho Pereira da Silva
ABSTRACT
The first Portuguese pioneers who entered the newly discovered Brazilian lands were not succesful inthe prospection of precious metals and stones. The primitive inhabitants were not enough cultivated toextract the metals from the rocks. They lived in the stone age yet. They became the sole valuable productof the “entradas” ventures. The mining in Brazil started when, in the end of the XVIII century, goldplacers were found in the lands which were later named Minas Gerais.The beginnings were terrible. The rich placers were depredated, the environment heavily spoiled byunskilled and thoughtless miners.The Portuguese royal authorities tried to recuperate the mining activities by sending to Minas Geraisthe German Metallurgical Technician, the baron W.L. von Eschwege who did a great effort to improve thegold and diamond mining works and to create alternative metallurgical undertakings.During the Imperial Times, several English ventures were organized to continue exploiting gold depositsin Minas Gerais. The majority failled being succesfull. English capital left Brazil when the South Africangold rush started in 1886.By 1910, American entrepreneurs tried to exploit the rich iron ore deposits found in the heart of Minas Gerais state. Political controversy prevented the American from implanting the projected iron oreundertakings. Now, looking far back, some doubts remain about the feasibility of the proposed ventures.The year of 1934 marked important dates for the Brazilian mining legal structure. In 1942 werecreated the Companhia Vale do Rio Doce and the Companhia Siderúrgica Nacional.In the second half of the 1960 decade started the best times for the Brazilian mining, but by 1982 thepolitical and economical turmoils reverted the trend. Wild gold rush bursted out with great politicalsupport.In 1988 a constitutional assembly elaborated a new Charter in which foreign capital was forbidden tocontrol a mining company and the wild mining activities were deserved an encourageous treatment.Minas Gerais has always been in the heart of old mining history. This prominent position was affectedwhen the Carajás district came upon. Nobody may say this trend will be reverted.
INTRODUÇÃO
A descoberta do Brasil não despertou em Portugal,nas primeiras décadas que a seguiram, qualquer grandeinteresse exploratório. A pequena e grande naçãoibérica estava mais interessada no desenvolvimento deseus canais comerciais que abasteciam a Europa comprodutos orientais, as especiarias.Foi, certamente, o sucesso das conquistasespanholas, no México e no Peru, que motivaram osinteresses portugueses a explorar suas novas terrasamericanas, sem esquecer, também, as motivaçõesreligiosas advindas da Contra-Reforma, procurandocompensar as perdas de espaço no Norte da Europapela evangelização católica dos povos recém-descobertos.O sucesso das empreitadas espanholas foi facilitadopelas conquistas de povos culturalmente avançados, jáconhecedores dos metais por outro povo que, também, já possuía certa tradição de indústria mineral.No Brasil foi diferente. As Entradas, organizadaspor um povo sem tradição mineral, encontraram umpovo que desconhecia o metal. Não havia tesouros aserem saqueados. O único produto das expediçõesexploratórias foi a escravidão do índio encontrado.
UM MAU COMEÇO
A situação se modificou quando foram encontradosos ricos aluviões auríferos de Minas Gerais, já no séculoXVII, onde o pouco conhecimento da arte da mineraçãoera compensado pela riqueza do jazimento e facilidadede extração do metal, liberado e grosseiro. Além disso,escravos trazidos de regiões africanas frequentadas porárabes conheciam princípios de mineração aprendidoscom esses povos. Esta foi certamente a primeiraimportação de tecnologia da mineração brasileira.A atividade de mineração do chamado “CicloEconômico do Ouro” que se sobrepõe também àdescoberta e extração de diamantes (século XVII)caracterizou-se por ações predatórias dos jazimentos,agressão violenta ao meio ambiente, imprevidentedesequilíbrio que causava desabastecimento e,consequentemente, ciclos de fome que castigavam ospioneiros da mineração. As autoridades, como sempre,estavam ausentes nas funções de encaminhar soluçõesaos problemas, mas muito presentes na cobrança doquinto e na manutenção de seus privilégioscorporativistas.Ao esplendor mineral do século XVIII segue-se adecadência do século XIX e a migração dos mineradores
 
mais previdentes para as fronteiras agrícolas, ondeviveriam o novo Ciclo Econômico do Café.
À PROCURA DE RUMO CORRETO
A transferência da Corte Portuguesa para o Rio deJaneiro, em 1808, permitiu que D. João VI, entãoPríncipe Regente, tomasse conhecimento da inexoráveldecadência da mineração de ouro e de diamantes eprocurasse recuperá-las. Foi, então, contratado pelacoroa portuguesa o Barão Wilhelm Ludwig vonEschwege, formado na Universidade Göttingen, naAlemanha. O Barão von Eschwege chegou ao Brasilem 1810 com a missão de diagnosticar o estado damineração brasileira e encaminhar-lhe soluções práticase modernas para sua recuperação, assim como avaliaroutros recursos minerais ainda não explorados,sugerindo formas de aproveitamento.É impressionante observar os inúmeros obstáculosque o Barão teve de enfrentar para executar as tarefaspara as quais foi contratado. Estes eram de toda ordem,e especialmente burocráticos. Pelo que se podeconcluir, toda estrutura governamental procuravasabotar as iniciativas do Barão, embora deva-se tambémdizer que o Barão apresentava claras falhas de caráter,sendo muito vaidoso e prepotente.Nos relatos dos naturalistas que visitaram o Brasilapós 1808, atendendo convite da coroa portuguesa,somente uma observação positiva se fazia a respeitodos mineradores brasileiros. Eles eram mestres na artede captar e conduzir água. Na verdade, é espantosocomo eles conseguiam conduzir água nas encostaselevadas, de onde a lançavam para desmontarcoberturas que lhes impediam o acesso ao corpomineralizado, num processo fantástico de agressãoambiental.A ação de Eschwege não se limitou a sugerir,projetar, aconselhar (e ser muito pouco acatado). Elecriou a primeira verdadeira empresa de mineração aofundar a Sociedade Mineralógica de Passagem, comobjetivo de dar continuidade à lavra da camada auríferaque mergulhava à margem direita do ribeirão do Carmo,em Passagem de Mariana. Na margem esquerda, acamada havia sido lavrada, após ter sido exposta pelaremoção do minério de ferro a ela sobrejacente.Em Passagem, o minério era, então, moído porpilões e o metal extraído por amalgamação.O Barão von Eschwege foi incansável nos seusesforços de desenvolver a indústria mineral brasileira.Procurou visitar todas as ocorrências que lhe foramrelatadas e fomentar o aproveitamento das que julgavaúteis e econômicas. Em memorável esforço, tentoudesenvolver o aproveitamento das galenas argentíferasdos sertões do Abaeté, cuja existência conhecera poramostras que chegaram à corte. Finalmente, dedicou-se ao aproveitamento das reservas de minério de ferro,fazendo construir a Imperial Fábrica de Ferro, nasproximidades de Congonhas do Campo.Eschwegwe fez uma estimativa do ouro produzidono Brasil no período que cobre o Ciclo Econômico doOuro. Os números a que chegou não nosimpressionam,pois correspondem a pouco mais que aprodução anual da África do Sul, nos seus maisprofícuos momentos. Entretanto, não nos é permitidocomparar produções em termos de massa. O importantesão os valores relativos das cousas. Uma tonelada deouro no século XVIII possui um valor econômico muitodiferente do valor de uma tonelada no século XX. Oque importa é que a mineração foi a motivadora dacolonização dos sertões do Brasil. Se com ela muitasmazelas vieram, não se pode esquecer que as virtudese os pecados são a essência da condição humana.
O SÉCULO XIX - AS COMPANHIASINGLESAS
As evoluções capitalistas efervescentes na Inglaterraforam campos férteis para criação de empreendimentose aventuras especulativas. No início do séc.XIXfloresceram em Londres organizações societárias queobjetivavam desenvolver empreendimentos auríferosno Brasil, levantando os necessários recursos pela vendade participações no já consolidade mercado de capitais.Como sempre, nessas ocasiões, muitas das organizaçõesrevelaram-se simples falcatruas destinadas a tomardinheiro de incautos investidores. Outras, tendolevantado recursos, enviaram procuradores bizarros edespreparados, por vezes desonestos, que adquiriramaluviões exauridos, sem continuidade de mineralizaçãoprimária, evidenciando seu despreparo ou suadesonestidade, ou ambas.Algumas se revelaram empreendimentos sérios queaqui se consolidaram, sendo que a Mineração MorroVelho S/A é a única evolução que ainda permanece,tendo já completado 160 anos de atividades mineiras.É interessante, mas lastimável, notar que a presençadas empresas inglesas de mineração de ouro no Brasil,com todo o drama humano que isto representou, nãodespertou um real e válido interesse entre nossoshistoriadores e sociólogos, tão numerosos, serecenciados por títulos e atos de autopromoção. Élouvável a recente iniciativa da Mineração Morro VelhoS/A, que organizou seu Memorial, sinalizando quepretende proteger, resgatar, conservar a sua memória,impedindo que com ela aconteça o que destruiu outrosvaliosos acervos. Nós ousamos sugerir à MineraçãoMorro Velho S/A lançar um desafio a quem queira epossa, poder no sentido de ser capaz, de redesenhar odrama da presença dos ingleses em Minas Gerais, bemcomo dos que por eles foram aqui trazidos, italianos eespanhóis etc.As empresas inglesas que aqui se consolidaramforam introdutoras de novas e revolucionáriastecnologias, especialmente processos hidrome-talúrgicos para extração do ouro de minérios com baixograu de liberação para o metal. Pelas mãos dos ingleses,as minas de ouro brasileiras conheceram tem-pestivamente os processos de extração do metal por
A MINERAÇÃO EM MINAS GERAIS: PASSADO, PRESENTE E FUTURO78
 
cloração e, posteriormente, por cianuretação, aquiimplantados no século XIX.Nas lavras subterrâneas, além de métodosmodernos, os ingleses foram mestres em implantarinteligentíssimos sistemas condicionantes das frentes,pois econômicos e eficientes.O que lamentamos, embora não saibamosexatamente explicar, é que a presença de técnicosbrasileiros era rara nestas unidades industriais. A mãode obra privilegiava os ingleses, italianos, espanhóis eescravos.A despeito da visão bastante correta do SegundoImpério ao tratar dos assuntos da indústria mineral, osesforços fomentadores não resultaram em avançonotável no setor. O século XIX recebeu, então, amineração brasileira no mais lastimável estado dedecadência. Assistiu aos esforços envidados pararecuperá-la e à chegada de recursos estrangeiros quemodernizaram-na. Ele assistiu também à inexoráveldecadência da incipiente siderurgia que se desenvolveraem São Paulo e Minas Gerais, e que não acompanhoua evolução tecnológica do processual siderúrgico.A Primeira República, com seu caráter basicamentepositivista, assumiu uma posição reativa à política doImpério, não reservando à mineração nenhum espaçoprivilegiado, tratando-a como parte do conjunto deatividades industriais, indistintamente, desconsiderandoos riscos inerentes do setor.Porém, foi exatamente neste período histórico queo mundo econômico tomou conhecimento das grandesreservas de minério de ferro existentes no coração doestado de Minas Gerais. Como é difícil compreenderque essas reservas, anunciadas por todos os grandesnaturalistas que visitaram o Brasil, tenham sido portanto tempo esquecidas, e que os mineradores ingleses,que por tanto tempo aqui estiveram, não tenhamtransmitido o conhecimento do gigantismo e daqualidade das reservas, nem que seja por curiosidadeintelectual, se é que foram capazes de avaliar a pobrelogística que lhes impedia o aproveitamento.Organizaram-se, então, nos Estados Unidos, asempresas que objetivavam aproveitar as reservasanunciadas em Estocolmo.Grandes programas exploratórios foramimplantados pelos americanos, utilizando técnicasnunca vistas pela mineração brasileira. Infelizmente,estes trabalhos de pesquisa foram executados semqualquer participação de brasileiros que não tiveramoportunidade de tirar proveito tecnológico do esforçoempreendido.Acostumamo-nos a ouvir, e muito aplaudir, oposicionamento das autoridades mineiras e brasileirasque inviabilizaram os empreendimentos norte-americanos que objetivavam aproveitar o minério deferro do Quadrilátero Ferrífero na décade de 1910. Emverdade, o posicionamento xenófobo atrasou de 30 anoso início da verdadeira mineração de ferro em MinasGerais, somente recomeçada timidamente na décadade 1940.Gostaríamos que o assunto voltassedesapaixonadamente ao exame crítico da atual geraçãode técnicos. É, porém, discutível que os investidoresalcançassem sucesso, se o ambiente político lhes foraacolhedor. Em verdade, numa visão em temposafastados, pode-se colocar em dúvida a viabilidade dosempreendimentos, pois é duvidoso que o transportemarítimo da época garantisse a competitividade dominério nos centros consumidores de então. Mesmopara as hematitas compactas, então largamente usadasnas aciarias americanas, talvez os empreendimentosainda fossem prematuros. O que não podemosconcordar é que aqueles que inviabilizaram por razõespolíticas os empreendimentos, possam ser hojelouvados como heróis da nacionalidade. Se a posiçãode intransigência se justificava na possibilidade deimpor vantagens para o Brasil, a estimativa de poderde barganha foi exagerada. Não se justificambarganhas, quando deve haver unicamente regrasracionais pré-estabelecidas.
A MINERAÇÃO E A NOVA REPÚBLICA DE1930
A Nova República, a primeira nova de 1930, pois asegunda nova viria em 1986, um novo conceito noarcabouço legal da mineração foi consagrado, peladefinição do bem mineral como propriedade da Nação,cujo aproveitamento seria concedido a pessoas dedireito privado.O ano de 1934 representa um marco na história damineração brasileira, pois foi nele que se criou oDepartamento Nacional de Produção Mineral - DNPM(Decreto número 23.979, de 08/03/1934), assinou-se(em 10 de julho de 1934) o Código de Minas epromulgou-se a Carta Constitucional de 1934, de curtaduração mas de grande repercussão no destino damineração brasileira.
ORIGEM E EVOLUÇÃO DO DNPM
Voltemos ao período do Reino Unido na busca dasorigens do DNPM, pois até então a mineração somenteera lembrada pela Coroa Portuguesa para receber seuquinto.O primeiro órgão público a ter legalmente de tratarda geologia foi o Museu Nacional, criado em 03/02/ 1818. Sua estrutura sofreu completa reorganização em03/02/1842, passando a existir uma seção para tratardos assuntos, dentre outros, de “Mineralogia, Geologiae Ciências Exatas”.Em 25/02/1843 foi criado, na Secretaria do Estadodos Negócios do Império uma seção “... de Agricultura,Mineração ...”, verdadeira semente do atual DNPM.Em 28/07/1860, pelo Decreto núm. 1067 foi criadaa Secretaria dos Negócios da Agricultura, Comércio eObras Públicas, a que foi atribuída competência peloDecreto nº 2747 de 16/02/1861, para inspecionar “...amineração, excetuada a dos terrenos diamantinos, cuja
SILVA, O. P.79

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