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Resumo - desobediência Civil

Resumo - desobediência Civil

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11/12/2012

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[...]Aceito com entusiasmo a divisa: “ O melhor governo é o que menosgoverna “ ; e gostaria de vê-la posta em prática mais pronta esistematicamente.[...][...]Que cada homem faça saber a espécie de governo que lhe mereceria orespeito: isso será o primeiro passo no sentido de obtê-lo.[...][...]Afinal de contas, a razão prática por que, estando o poder uma vez nasmãos do povo, permite-se a uma maioria que continue a governar por umlongo período, não é a de que seja mais provável que tal maioria esteja certa,nem a de que isso pareça o mais justo à minoria, e sim a de que a maioria éfisicamente mais forte. Toda via, um governo em que a maioria governe emtodos os casos, não se pode basear na justiça, pelo menos naquilo que oshomens entendem por tal. Não poderá, então haver um governo em que caibaà consciência, não às maiorias, decidir virtualmente o que seja certo ouerrado? Em que as maiorias decidam apenas aquelas questões as quais seaplique a regra de conveniência? Deve o cidadão, mesmo por um momento, ouem caso extremo, abdicar de sua consciência em favor do legislador? Então,para que serve a consciência do indivíduo? Penso que devemos ser homens,em primeiro lugar, e só depois súditos. Não é desejável cultivar, pela lei,respeito igual ao que nutrimos pelo direito. A única obrigação que me cabeassumir é fazer, a qualquer tempo, aquilo que julgo direito. Costuma-se dizer,com acerto, que uma corporação não tem consciência; uma corporação dehomens, porém, é uma corporação com consciência, A lei nunca tornou oshomens mais justos, no mínimo que fosse; e, por via de seu respeito a ela,mesmo os de boas disposições vêem-se diariamente convertidos em agentesda injustiça. Resultado natural e comum do indevido respeito pela lei, é o de sepoder ver um destacamento de soldados – coronel, capitão, cabos, praças depré, e o resto – marchando, com ordem admirável, por morros e vales, para aguerra, contra as suas vontades, ai!, contra o seu bom senso e suasconsciências, o que torna deveras árdua a marcha, na verdade, e produz umapalpitação no coração. Nenhum deles tem dúvida de estar metido num negócioodioso; todos têm inclinações pacíficas. Pois bem: o que são eles? Homens deverdade? Ou pequenos fortes e paióis de munição a serviço de algum homeminescrupuloso no poder? Visitai o Estaleiro Naval e contemplai um fuzileiro – serque o governo norte-americano pode fazer, ou um homem com suas feitiçarias– uma simples sombra, uma vaga reminiscência de humanidade, um homemainda de pé, vivo, mas já, bem se poderia dizer, sepultado em armas, comacompanhamento fúnebre[...][...]A maioria dos homens serve ao Estado dessa maneira, não como homensde fato, mas como máquinas, com seus corpos. São o exército permanente, osmembros da milícia, os carcereiros, os policiais, os posse comitatus, etc. Namaioria dos casos, não há livre exercício nem do raciocínio nem do sensomoral; eles se colocam, porém, ao nível da arvore, da terra, da pedra; talvez sepossam manufaturar homens de madeira que sirvam a tal propósito de modo
 
igualmente satisfatório. Homens que tais não merecem maior respeito que umespantalho ou um torrão de barro. Seu valor é da mesma espécie que o decães e cavalos. No entanto, indivíduos desse estofo chegam, inclusive, a sertidos por bons cidadãos. Outros – como a maior parte dos legisladores,políticos, advogados, ministros e funcionários públicos – servem ao Estadoprincipalmente com a cabeça; e como raras vezes fazem distinções morais,poderão, com tanta probabilidade, embora sem tencioná-lo, servir ao diabocomo a Deus. Uns poucos – a exemplo dos heróis, dos patriotas, dos mártires,dos reformadores no mais alto sentido, e dos homens – servem ao Estado comsuas consciências também, e por isso resistem-lhe necessariamente, na maiorparte dos casos; e são comumente tratados por ele como inimigos. Um homemsensato só poderá ser útil como homem; não se sujeitar a servir de “barro”para “tapar um buraco e vedar a entrada do vento”; deixará tal tarefa, pelomenos, para as suas cinzas[...][...]Aquele que se dá inteiramente aos seus semelhantes parece-lhe inútil eegoísta; entretanto, o que se dá apenas em parte é considerado por eles umbenfeitor e um filantropo.[...][...]Todos os homens reconhecem o direito de revolução, isto é, o direito derecusar obediência ao governo, e resistir-lhe, quando ele se revele despóticoou sua ineficiência seja grande e intolerável. Mas quase todos sustentam queesse não é o caso atual. Mas foi-o, acreditam eles, na Revolução de 75. Sealguém me viesse dizer que este é um mau governo porque tributa certasmercadorias estrangeiras que lhe chegam aos portos, é muito provável que eunão faça bulha nenhuma a respeito, pois posso passar sem elas. Todas asmáquinas têm o seu atrito, e possivelmente haverá, aspectos bons quecompensem os maus. De qualquer modo, será um grande mal suscitaragitação por causa disso. Mas quando a fricção chega a dominar sua máquina,e a operação e o roubo se organizam, afirmo eu que não devemos maissuportar tal máquina. Por outras palavras, quando um sexto da população deuma nação que se comprometeu a ser o refúgio da liberdade se componha deescravos, e um país inteiro seja injustamente invadido e conquistado por umexército estrangeiro e sujeitado à lei militar, acho que não é cedo demais paraos homens honestos se rebelarem e promoverem uma revolução. O que tornaesse dever ainda mais urgente é o fato de que o país assim invadido não énosso: é nosso, porém, o exército invasor.Paley, autoridade universal para muitos no que se refere a questões morais, nocapítulo que consagrou ao “Dever de Submissão ao Governo Civil”, reduz todaobrigação civil à conveniência, e prossegue dizendo que “enquanto não sepuder resistir ou mudar, sem inconveniência pública, o governo estabelecido, évontade de Deus... (...) que o governo estabelecido seja obedecido – e nãomais que isso. Uma vez admitido tal princípio, a justiça de cada caso particularde resistência se reduz ao cômputo da quantidade de perigo e agravo, de umaparte, e da probabilidade e dispêndio de reparação, de outro”. Disto, diz ele,
 
cada homem ajuizará por si próprio. Mas Paley parece nunca ter levado emconta aqueles casos em que a regra de conveniência não se aplica, em quetodo um ovo, tanto quanto um indivíduo, deve fazer justiça, custe o que custar.Se injustamente arranquei a tábua de salvação a um homem que se afogava,devo devolver-lha, embora me afogue. Isto segundo Paley, seria inconveniente.Mas aquele que quiser savar sua vida, em tal caso, a perderá. Este povo devedeixar de manter escravos e de fazer guerra ao México, embora isso lhe custesua existência como povo.[...][...] Há novecentos e noventa e nove patronos de virtude para cada homemvirtuoso. Mas é mais fácil tratar com o verdadeiro possuidor de algo do quecom o seu guardião temporário.[...][...] Um homem sensato não deixará o direito à mercê do acaso, nem quereráque triunfe pelo poder da maioria. Há escassa virtude na ação de multidões dehomens. Quando a maioria votar, por fim, pela abolição da escravatura, há deser por que lhe é indiferente a escravidão, ou porque sobrou muito pouco delapara ser abolida pelo voto. Os votantes serão, então, on únicos escravos. Sópode apressar a abolição da escravatura o voto daquele que afirme sua próprialiberdade através desse voto.[...][...] Oh, para um homem que seja homem e que, como diz o meu vizinho,tenha nas costas uma espinha que não deixe dobrar![...][...]Não é dever de um homem, na realidade, devotar-se à erradicação denenhum mal, por maior que seja; é-lhe devidamente permitido ter outraspreocupações a solicitá-lo; mas é seu dever, pelo menos, lavar as mãos emrelação a ele e, caso não queira mais pensar a respeito, não lhe dar,praticamente, seu apoio. Se me devoto a outras ocupações ou contemplações,cumpre-me ver, pelo manos, se não as pratico sentado sobre os ombros deoutros homem. Devo, primeiramente, apear-me, para que ele possa tambémpraticá-las. Vede que gritante contradição se tolera.[...][...] O soldado que se recusa a servir numa guerra injusta é aplaudido poraqueles que não se recusam a sustentar o governo injusto que faz a guerra; éaplaudido por aqueles cujos atos e autoridade ele despreza e aos quais não dánenhum valor, como se o Estado fosse um penitente que chegasse ao ponto decontratar alguém para flagelá-lo enquanto pecava, mas não ao ponto de deixarde pecar, um momento que fosse. Desse modo, em nome da Ordem e doGoverno Civil, somos todos levados a, por fim, prestar homenagem e apoio ànossa própria mesquinhez. Após o primeiro rubor do pecado, vem aindiferença; e, de imoral, ela se torna, por assim dizer, amoral, e não de tododesnecessária àquela vida que levamos.Quanto mais óbvio e mais comum o erro for, tanto maior deverá ser a virtudeque exige para manter-se. É muito mais provável que as pessoas nobresincorram no brando reproche a que está comumente sujeita a virtude de

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