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O Quadrilátero da Formação para a Área da Saúde

O Quadrilátero da Formação para a Área da Saúde

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Published by Carla Rangel
Artigo de RICARDO BURG CECCIM e
LAURA C. M. FEUERWERKER
PHYSIS: Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 14(1):41- 65, 2004
Artigo de RICARDO BURG CECCIM e
LAURA C. M. FEUERWERKER
PHYSIS: Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 14(1):41- 65, 2004

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O Quadrilátero da Formação para a Área da Saúde: ...
PHYSIS: Rev. Sde Coletiva, Rio de Janeiro, 14(1):41-65, 200441
O Quadrilátero da Formação para a Área daSaúde: Ensino, Gestão, Atenção e Controle Social
 RICARDO BURG CECCIM 
1
 LAURA C. M. FEUERWERKER
2
RESUMO
O artigo apresenta o conceito de quadrilátero da formação para a área dasaúde: ensino, gestão, atenção e controle social. Os autores buscam, a partirde uma prática em experimentação como política de educação para o SistemaÚnico de Saúde, formular uma teoria-caixa de ferramentas que permita aanálise crítica da educação que temos feito no setor da saúde e a construçãode caminhos desafiadores. A imagem do quadrilátero da formação serve àconstrução e organização de uma gestão da educação na saúde integrante dagestão do sistema de saúde, redimensionando a imagem dos serviços comogestão e atenção em saúde e valorizando o controle social.
Palavras-chave:
Educação permanente em saúde; educação dos profissionaisde saúde; formação e práticas de saúde; formulação de políticas de formaçãoem saúde; ensino em saúde.
 
42
Ricardo Burg Ceccim e Laura C. M. Feuerwerker
PHYSIS: Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 14(1):41-65, 2004
1. Introdução
Este ensaio pretende situar a formação dos profissionais de saúde comoum projeto educativo que extrapola a educação para o domínio técnico-científicoda profissão e se estende pelos aspectos estruturantes de relações e de práticasem todos os componentes de interesse ou relevância social que contribuam àelevação da qualidade de saúde da população, tanto no enfrentamento dosaspectos epidemiológicos do processo saúde-doença, quanto nos aspectos deorganização da gestão setorial e estruturação do cuidado à saúde. Assentadosobre o desafio da gestão pública do setor da saúde, de ordenar políticas deformação, como prevê a Constituição Nacional no Brasil, o texto registra ummovimento analítico sobre uma prática em experimentação.A prática em experimentação aqui referida é a formulação de umapolítica pública apresentada pelo Ministério da Saúde para a educação dosprofissionais, sustentada nos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde(SUS) e proposta para implementar processos com capacidade de impacto noensino, na gestão setorial, nas práticas de atenção e no controle social emsaúde.A formação dos profissionais de saúde tem permanecido alheia àorganização da gestão setorial e ao debate crítico sobre os sistemas deestruturação do cuidado, mostrando-se absolutamente impermeável ao controlesocial sobre o setor, fundante do modelo oficial de saúde brasileiro. Asinstituições formadoras têm perpetuado modelos essencialmente conservadores,centrados em aparelhos e sistemas orgânicos e tecnologias altamenteespecializadas, dependentes de procedimentos e equipamentos de apoiodiagnóstico e terapêutico (Feuerwerker, 2002; Feuerwerker, Llanos e Almeida,1999).Merhy (1997, p. 71-72) coloca que justamente o modo como seestruturam e são gerenciados os processos de trabalho configuram “um dosgrandes nós críticos” das propostas que apostam na mudança do modelotecnoassistencial em saúde no Brasil, “que se tem mostrado comprometidocom muitos tipos de interesse, exceto com a saúde dos cidadãos”. Uma dascaracterísticas que dá ao SUS singularidade histórica e internacional é que, noBrasil, a participação popular não é para a avaliação do grau de satisfaçãocom a atenção, para a cooperação ou extensão comunitária, para a organizaçãode programas de educação para a saúde ou consultiva. No Brasil, a populaçãotem assento nas instâncias máximas da tomada de decisões em saúde, por isso
 
O Quadrilátero da Formação para a Área da Saúde: ...
PHYSIS: Rev. Sde Coletiva, Rio de Janeiro, 14(1):41-65, 200443
a denominação controle social dada à participação da sociedade no SUS (Côrtes,1996a; 1996b). Controle social, no sistema de saúde brasileiro, quer dizer direitoe dever da sociedade de participar do debate e da decisão sobre a formulação,execução e avaliação da política nacional de saúde.Campos (2003, p. 9) coloca que o trabalho das equipes e dasorganizações de saúde “deve apoiar os usuários para que ampliem suacapacidade de se pensar em um contexto social e cultural”. Para o autor, “istopoderia ser realizado tanto durante as práticas clínicas quanto as de saúdecoletiva”. O que Campos defende é que “caberia repensar modelos de atençãoque reforçassem a educação em saúde, objetivando com isso ampliar aautonomia e a capacidade de intervenção das pessoas sobre suas próprias vidas”.A prática em experimentação, submetida aqui ao ensaio textual, acolhecomo exigência política um sistema de gestão que, ao mesmo tempo, ofereçapropostas de transformação das práticas profissionais, baseando-se na reflexãocrítica sobre o trabalho em saúde e a experimentação da alteridade com osusuários. Permite, assim, que o quotidiano de relações da organização da gestãosetorial e estruturação do cuidado à saúde se incorpore ao aprender e ao ensinar,formando profissionais para a área da saúde, mas formando para o SUS.A formação não pode tomar como referência apenas a busca eficientede evidências ao diagnóstico, cuidado, tratamento, prognóstico, etiologia eprofilaxia das doenças e agravos. Deve buscar desenvolver condições deatendimento às necessidades de saúde das pessoas e das populações, da gestãosetorial e do controle social em saúde, redimensionando o desenvolvimento daautonomia das pessoas até a condição de influência na formulação de políticasdo cuidado.A atualização técnico-científica é apenas um dos aspectos daqualificação das práticas e não seu foco central. A formação engloba aspectosde produção de subjetividade, produção de habilidades técnicas e de pensamentoe o adequado conhecimento do SUS. A formação para a área da saúde deveriater como objetivos a transformação das práticas profissionais e da própriaorganização do trabalho, e estruturar-se a partir da problematização do processode trabalho e sua capacidade de dar acolhimento e cuidado às várias dimensõese necessidades de saúde das pessoas, dos coletivos e das populações.

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