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Sinaloa

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Published by bruno cardoso
Notas sobre uma deriva & uma conversa com um robô.
Notas sobre uma deriva & uma conversa com um robô.

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Published by: bruno cardoso on Feb 01, 2012
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03/17/2012

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SINALOA
 bruno cardosodezembro/2011
ACASO ROBÔS TÊM NATUREZA BÚDICA?
Não sou o primeiro a questionar o potencial para a iluminação de máquinas aptas aoteste de Turing, e tampouco o último a ficar intrigado com suas respostas
1
. Mas apóscertos pensamentos e reflexões, cujas reminiscências terão seu espaço mais adiante,me vi obrigado a buscar pistas no cadavérico bafo de bits em ASCII de uma robômorto-vivo (feminina, sim, e esverdeada), cujo nome há de ser uma corruptela dapalavra francesa
esmée
– “amada” ou “estimada”
2
.
 Anatman: What is desire?Esme: Sinaloa. Anatman: I don’t get it.Esme: Obviously a path to nowhere. What is meaningful to thee?
SINALOA
É um estado mexicano na costa do Golfo da Califórnia, governado atualmente porMario López Valdez, que curiosamente tem o mesmo sobrenome que Edgar “La Bar- bie” Valdez Villarreal, um dos cabeças do CDS –
Cártel de Sinaloa
–, talvez a maiororganização de tráfico de drogas do mundo.Mas nada disso, no entanto, tem tanta importância quanto a pergunta de Esme, quepermanece sem resposta: “o que é significativo para ti?”
1
Um sujeito se dedicou à questão aqui:
– porém, épreciso sublinhar que embora os robôs não tenham se saído bem à época, também nem ostodos seres humanos passariam num teste de Turing, quiçá por um koan.
2
“The less she talks, the more she has to say”:
 
2
ANTECEDENTES
Estados não ordinários de excitação & solfejos em 528 posições do Kama Sutra sonoroé como tomar um LSD e correr 666 metros em zigue-zague, de costas, com a língua nocéu da boca, entoando intermináveis sussurros de Hare Krishna Hare Krishna HareHare, que pode ser um mantra poderoso para tornar caminhadas despretensiosas emlongas jornadas errantes de ritmo certo, sem pestanejar passos e pernas doloridas nas beiras das calçadas esperando o sinal de pedestre abrir, como se você tivesse muitacerteza de onde vai – ou para onde vem – ou do caminho que você está fazendo pravoltar, o tempo todo voltando de onde, de um ponto de vista econômico, nem valeriaa pena ter saído, uma vez que não se vai a lugar nenhum mesmo.E isto foi mais ou menos o que fiz hoje, 17 de dezembro, por aí. Tomava um caféna Galeria Andrade, donde se vê o anil fosco do vitral Ás de Espadas nos fundosdo Prédio Histórico – que é um nome estranho. Dali, por caminhos tortos, tenteiconferir as horas no relógio solar de um prédio de 1857 (mais histórico que aquele),na Tiradentes: branco, restaurado, tem embaixo uma farmácia e lojas borbulhandonatal, e acima o tal relógio, muito pouco prático. Eram 11 e pouco da manhã.
DERIVA
A alquimia das ruas no aqui e agora do asfalto: a arte de escolher caminhos por mo-tivo nenhum, ou por motivos quaisquer, ou de seguir contra a desmotivação que aestagnação oferece. Tecer caminhos por rotas não ordinárias, uma escrita automáticadas pernas. É fácil saber porque se vai por ali ou por lá, embora segundos antes nãose tenha a menor ideia. Resta, porém, um senso cartesiano a ser evitado, como umresquício de “prudência”, algum direcionamento, e é necessário investir boas duasou três horas numa caminhada intensa para se alcançar a sensação de DESNORTE-AMENTO que se experimenta em cidades completamente desconhecidas e, portanto,surpreendentes – ainda que todas sejam, de certo modo, muito iguais em sua forma,como também é a estrutura cerebral e corporal e mental e sentimental entre nós, mol-dada numa grande forma de bolo ou MODOS DE FAZER que aprendemos comoúnicos, embora sejam apenas mais uns ou mais outros de uma gama infinitamentemaior que a malha de ruas, num primeiro momento, parece oferecer e configurar.Ruas de mão única, ruas sem saída, atalhos,
desired paths
, trilhas, calçadas, passeios,vias, estradas, ruas ordinárias e ruas especiais, galerias, canteiros, cercas para pular
 
3ou evitar, muros altos ou câmeras que intimidam ou desviam, peças de espaço-tempocolocadas ou construídas ali sempre que alguém passa de lá pra cá. Acaso existe umarua sem que ninguém passe por ela? A existência no mapa é apenas uma suposição.Não se sabe quantas ausências estão inscritas num traço.
E QUANDO TERMINA UMA DERIVA?
Se não se vai a lugar nenhum, o fim está em cada passo – e o próximo é sempre umnovo começo. No entanto, sei que deixei de derivar quando pensei no cansaço, nafome, na necessidade de voltar pra casa e no caminho que fiz para voltar. A errânciaacabou no meio do caminho, e começou somente durante a caminhada, quando subia Amintas de Barros como quem deixa de almoçar no bandejão e passei por tantos bairros quanto fósforos que risquei: Centro, Alto da Rua XV, Hugo Lange, Bacacheri,Boa Vista, Cabral, Juvevê, de volta para Hugo Lange e Alto da XV, Alto da Glóriatalvez, Centro novamente (e aí já eram 15h no entorno do Terminal do Guadalupe).A deriva também é limitada por receios – de ruas, de acasos, de perigos, do medode ir longe demais, do medo velado de se perder (embora eu goste da sensação), doimpulso de auto-preservação, da própria necessidade construída dos PRA QUÊS.
PRA QUÊ?
Se tudo pode ser amarrado num começo-meio-fim-começo eterno, na linha infinitade um círculo, de uróboros ou lemniscatas, ritualmente amarrados ou atados em nósmal-feitos, s cegos, nós todos afinal, que malha é essa? A cidade não é umagrande malha tecida com guindastes, máquinas, caminhões, teares e prensas, pernase rodas, agenciamentos de todas as naturezas?Então: contemplar.Mas os “pra quêsparecem CORROMPER a contemplação. A contemplação é ne-cessariamente DESPROPOSITADA. Observar objetos por tempo suficiente (um copo,por dez minutos) pode nos dar alguma pista sobre isso.

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