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Herbert Spencer, fragmentos biográficos, idéias e críticas.

Herbert Spencer, fragmentos biográficos, idéias e críticas.

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Um apanhado genérico, acompanhado de fragmentos autobiográficos, que ilustra pressupostos básicos que deram sustentação à filosofia de Herbert Spencer, a saber, evolucionismo, mecanicismo, homogeneidade, e algumas críticas que visaram ao questionamento desses mesmos pressupostos, a começar por Henri Bergson, inicialmente seu seguidor, mas que acabou por tomar uma linha própria, dando relevo à intuição. Em segundo lugar, Bertrand Russel, que se opôs, seja aos pressupostos sustentados por Spencer, seja à filosofia de Bergson. Em terceiro lugar, Gabriel Tarde e seu questionamento à evolução, à suposta homogeneidade das coisas e à idéia de organismo social.
Um apanhado genérico, acompanhado de fragmentos autobiográficos, que ilustra pressupostos básicos que deram sustentação à filosofia de Herbert Spencer, a saber, evolucionismo, mecanicismo, homogeneidade, e algumas críticas que visaram ao questionamento desses mesmos pressupostos, a começar por Henri Bergson, inicialmente seu seguidor, mas que acabou por tomar uma linha própria, dando relevo à intuição. Em segundo lugar, Bertrand Russel, que se opôs, seja aos pressupostos sustentados por Spencer, seja à filosofia de Bergson. Em terceiro lugar, Gabriel Tarde e seu questionamento à evolução, à suposta homogeneidade das coisas e à idéia de organismo social.

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Herbert Spencer, fragmentos biográficos, idéias ecríticas.
Maristela Bleggi TomasiniHerbert Spencer, autobiographic fragments, ideas and critiques. Resumo
Um apanhado genérico, acompanhado de fragmentos autobiográficos, que ilustrapressupostos básicos que deram sustentação à filosofia de Herbert Spencer, a saber,evolucionismo, mecanicismo, homogeneidade, e algumas críticas que visaram aoquestionamento desses mesmos pressupostos, a começar por Henri Bergson,inicialmente seu seguidor, mas que acabou por tomar uma linha própria, dando relevoà intuição. Em segundo lugar, Bertrand Russel, que se opôs, seja aos pressupostossustentados por Spencer, seja à filosofia de Bergson. Em terceiro lugar, Gabriel Tarde eseu questionamento à evolução, à suposta homogeneidade das coisas e à idéia deorganismo social.
Palavras-chave:
Herbert
 
Spencer, Henri Bergson, Bertrand Russell, Gabriel Tarde.
Abstract
A general selection, whit biographic fragments, that lists the basic sustentationpresupposes of the Herbert Spencer philosophy, that was the evolutionism, themechanics, the homogeneity and some critiques about this presupposes, beginning byHenri Bergson, Spencer’s disciple, who gives importance to the intuition. In secondplace, Bertrand Russell, who had questioned the presupposes sustained by Spencerand the presupposes sustained by Bergson. Also Gabriel Tarde and his contestation of evolution, about the suppose homogeneity of the things and about the idea of thesocial organism.
Keywords:
Herbert
 
Spencer, Henri Bergson, Bertrand Russell, Gabriel Tarde.
Por quê?
O nome Herbert Spencer surgiu numa conversação sem qualquer formalidade. Alguémme perguntou o que tinha sobre ele, e acabei reunindo algum material. Pensando noassunto, ocorreu-me que freqüentemente se encontram referências ao seu sistema,hoje desacreditado. Do próprio Spencer, do homem que ele foi, pouco se fala. Menosainda do que o levou a pensar o que pensou, das influências que sofreu, das bases queserviram de alicerce à sistemática que propôs e no que tais bases foram criticadas.Constato uma certa despreocupação em relação às fontes, o que tem levado muitos denós a fazer uso de uma bibliografia recente, moderna, atualizada. De certo modo, araridade das obras antigas não permite sua consulta e isso nos afasta da pesquisadireta, tanto quanto da informação original, muitas vezes surpreendente, porque seexpressa com franqueza e, até mesmo, com humor, fazendo-nos sentir mais perto dequem escreveu, mais íntimos do tempo em que viveu, das experiências e influênciassofridas e transformadas individualmente. Daí a idéia de reunir esses fragmentosbiográficos, procurando dar relevo a aspectos pessoais, particulares a cada um dospersonagens que aparecem no texto. Perto de mim, algumas coisas de Spencer, talcomo sua
Educação Intelectual, Moral e Física,
editada em Porto, em 1888, ondedestaca a importância de uma metodologia educacional. também
Recent Discussions in Science, Philosophy, and Morals,
quase intacto, desde 1890. Lembro-me
 
de haver lido sua obra intitulada
 A Justiça,
editada em Lisboa, sem data, livro queperdi, mas onde ele me pareceu haver pregado uma concepção próxima à luta pelavida, justificando o triunfo do mais forte. Um alerta bem intencionado, sem dúvida, deacordo com as suas crenças. E tenho ainda outras coisas bem interessantes ereveladoras, ainda que em formato virtual, entre estas, sua detalhada autobiografia,de 1889, onde ele nos conta também como nasceu o evolucionismo liberal. Além disso,sua
Introdução à Ciência Social,
1903
 
e, por fim,
O indivíduo contra o Estado,
1885.Na biblioteca blica, dois volumes da edão francesa de seus
Principles de psychologie,
cuja tradução foi feita por ninguém menos que Ribot e Espinas, Paris, oprimeiro volume aparecido em 1874 e o segundo, um ano depois.
Dados biográficos. No que Spencer acreditava.
Herbert Spencer veio ao mundo em 1820, deixando-o oitenta e três anos depois. Noterceiro capítulo de sua autobiografia [1] que data de 1889, fala-nos da criança que elefoi entre os anos de 1820 a 1827. Nascido em Derby, a 27 de abril, seu pai chamou-oHerbert em rao da admiração que tinha por Herbert Knowles, poeta enorecentemente falecido (p.29, I). Foi uma criança curiosa, que costumava tudo observare, desde cedo, compunha teorias sobre os objetos de suas percepções. De certo modo— ainda que devamos considerar a época em que escreveu sua própria história —mostrou-se uma criança sensível: “Ainda que me acontecesse atirar pedras emssaros por esse amor à brincadeira no qual adestreza manifestada constitui o principal prazer,todavia, em todos os casos em que havia aí imposão de sofrimento sem o elemento dahabilidade, não apenas eu me abstinha, mas aindaprotestava contra os atos de meus companheiros,opondo-me sempre a que, gratuitamente, se fizessemal aos animais e a que se divertissem, por exemplo,torturando insetos
(p. 34)
” 
.
Tenho certeza de que vai ser surpreendente, para alguns, ler isso, mas, apesar de, atéperto dos trinta anos, não ter uma idéia precisa do que fosse a filosofia, Spenceracabou por tornar-se o fisofo do sistema evolucionista, assim como um dosfundadores da sociologia, e não exageram aqueles que o consideram como o maiorfilósofo inglês de seu tempo. É que Spencer sabia se comunicar. Ele escrevia comsimplicidade, franqueza, método e precisão, fazendo uso de um vocabulário acessívelaos
não-iniciados
. Partindo do princípio de que tudo passa naturalmente de um estadode homogeneidade confusa para uma heterogeneidade definida, adotou o princípioevolucionista que procurou ampliar ao mundo moral e social. De seus trabalhos, sãofundamentais os
Primeiros princípios
(1862), os
Princípios de Biologia
(1864)
.
Escreveu também uma
Introdução à ciência social 
e muitas outras obras e opúsculos.Curioso, todavia, é encontrar em sua autobiografia, no período compreendido entre1846-48 (p.102, I), que pouca atenção lhe mereceram os livros escritos sobre moral epolítica, embora estes tenham sido temas sobre os quais muito falou. Diz-se um leitorimpaciente, de livros fáceis, o que lhe tornou difícil a leitura de livros
sérios
; era-lheimpossível ler um, cujas idéias fossem fundamentalmente diferentes das suas (p.103,I). Talvez por isso não tenha lido Kant, embora não ler Kant pudesse parecer inviável aalguém que pretendesse a condição de filósofo. Em 1944, tendo em mãos a
Crítica
recentemente traduzida, diz (p. 128, I) haver lido as primeiras páginas, “mas, tendodesaprovado a leitura ali contida, não fui adiante”. Ele próprio reconhece que areceptividade passiva lhe era estranha, não se deixando impressionar pelo pensamento
 
dos outros (p. 82, I). A maria de suas conclues deveria desenvolver-seinteriormente. Idéias e sentimentos estranhos, se não rejeitados imediatamente, eramao menos aceitos com indiferença e logo abandonados. “Tal é a natureza de todosaqueles que pensam verdadeiramente por si mesmos, e esta natureza sempre foiacentuada em mim (p. 83, I)”. Suas idéias sobre filosofia e psicologia ter-se-iamformado a partir de conversações, algumas leituras e muita observação. Interessou-sepela frenologia quando jovem e, “naturalmente, nessa idade, a fé é mais forte que oceticismo (p.68, I)”. Pareceu simpatizar, por outro lado, com a conclusão de AdamSmith quanto à excitação simpática dos sentimentos agradáveis como sendo a origemdas ações beneficentes (p.128, I). Daí, talvez, sua conclusão de a justiça explicar-sedo mesmo modo que a bondade. Não é raro encontrar o nome de Spencer associadoao de Comte. “Os discípulos de Comte estimam que eu lhe devo muito: isso é verdade,mas não do modo como eles entendem (p. 155, I)”. É certo que adotou a palavra
altruísmo,
assim como
sociologia,
na falta de outra, sendo censurado por isso.Reconhece dever-lhe, todavia, o “antagonismo que existe em nós”.Escreveu muitas obras sobre educação, ainda que celibatário.Seu interesse por essecampo começou após um esgotamento nervoso que o levou, a conselho médico, aprocurar não viver só. Com isso, em Londres, vai residir com uma família em Saint-John’s Wood: “um advogado arruinado por sua negligência, e cuja mulher tentavaaumentar a renda da família com um pensionista (p. 13, II)”. A casa encontrava-seperto da residência de Huxley, com quem Spencer relacionou-se durante muitos anos.O casal tinha duas filhas pequenas que, parece, comoveram o solteirão que nãoexperimentou nenhuma dificuldade em relacionar-se com elas, pois reconhecia nelemesmo “um desejo natural de estar cercado de crianças, sobretudo, de meninas (p.14, II)”. Como costumava teorizar sobre tudo aquilo que observava, Spencer logochegou a algumas conclusões a respeito do comportamento infantil: “Pude observar
en passan
que é preciso poucotempo para estar em bons termos com as crianças;isso se deve a que, no modo pelo qual as trato,respeito sua individualidade. Muito freqüentemente,colocam-se a acariciá-las sem saber se isso lhesapraz. As criaas revoltam-se muitas vezesinteriormente, senão exteriormente, contra essa faltaà sua dignidade e, quando se lhes inteiraliberdade, e quando se as deixam fazer os primeirosavanços, elas mostram freqüentemente umapreferência por aqueles que as tratam assim (p. 14,II)”.Em 1857 pôs-se a escrever um artigo sobre a educação moral das crianças; em 58,dedicou-se à obra
 A Educação.
A teoria da evolução, — diz ele (p. 29, II), —conscientemente ou não, serviu-lhe de guia. “Uma das concepções iniciais é que, como aconstituição hereditária deve ser sempre o principalfator na determinação do caráter, é absurdo suporque não importa qual sistema de disciplina moralpossa produzir um caráter ideal ou nada mais queum progresso moderado na direção desse caráter (p.29)”.Em sua obra,
Educação Intellectual, moral e phisica,
(1888), explica-se. Embora ahereditariedade representasse, para Spencer, um aspecto nada desprezível em relaçãoao desenvolvimento individual, a falta de método e a ignorância também contribuíampara com o aparecimento de doenças e conseqüente debilidade dos jovens, coisas

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