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Herança Cultural, Decifra-me, ou Te Devoro !

Herança Cultural, Decifra-me, ou Te Devoro !

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Herança Cultural, Decifra-me, ou Te Devoro ! - Julio Carvalho - *1ª versão escrita em 26 fevereiro 2010
Herança Cultural, Decifra-me, ou Te Devoro ! - Julio Carvalho - *1ª versão escrita em 26 fevereiro 2010

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"Herança Cultural,Decifra-me, ou Te Devoro !"
"Em Curitiba até os 'loucos' são conservadores."
O que há de mais conservador em Curitiba, é a critica dos(as) curitibanos(as) aos(as)curitibanos(as), assim como estou fazendo agora ! Não estou me excluindo deste processo conservador, ainda faço parte dele, e nesse caso tudo não passa de uma analise particular, a analise de mim mesmo em relação a certos aspectos culturais que venhoobservando.
"Todos de cabeça baixa com uma enxada , capinam a terrinha do seu próprioumbigo, marcando o tempo pela boca maldita do cuco no relógio da praça: -"Nascemos para estar ocupados!"
A muitos anos atrás li um livro do Profº Wilson Martins , "Um Brasil Diferente" (1955),sobre a formação do povo do Paraná , e uma de suas observações na conclusão do livrodizia + ou - assim: "- O Paraná não é feito de astros nem estrelas, e sim do trabalhocotidiano". Incrível, quando li essa frase foi um choque cultural, pelo fato dele ter 
 
definido tão bem o que, mais de 50 anos depois continua valendo. Observe que, nãoquero suprimir ou substituir nada, não nego todos os pontos positivos que essa atitude proporciona, nem de todos os benefícios gerados por essa cultura laboral dosantepassados. Mas quero atentar para uma particularidade derivada dessa cultura , quetem dominado e influenciado muito a criação artística e cultural da cidade, e a expressão pessoal de seus habitantes.
'Complexo da Europa Perdida".
Tentando definir essa particularidade eu a chamei de 'Complexo da Europa Perdida,onde a rigidez em aplicar antigos padrões de expressão, predominam em grande partedas gerações descendentes, levando a uma infantilização da expressão artística, esupressão de qualquer espontaneidade da imaginação criativa e improviso ,ou contatocom o inconsciente subjetivo.
"- Eu só quero o meu 'gramur'!"
O que defino como 'Complexo da Europa Perdida' , é a característica que leva aosdescendentes, a não se relacionarem culturalmente com a terra em que vivem, fazendoisso somente através dos instrumentos de trabalho, institucional e corporativo ,excluindo ou reduzindo toda tentativa de renovação artística e cultural comodesnecessária ao desenvolvimento, deixando exclusivamente o padrão de relaçãoemocional reservada aos antepassados. Isso em pleno século XXI pode parecer estranho, ou até mentiroso, levando em conta que apesar de tudo , estamos no Brasil.Mas justamente essa particularidade influencia a tal ponto a percepção cultural dosindividuo, que eles não se percebem como 'brasileiros', e sim ainda como descendentesde tal ou qual povo imigrante. Falando francamente, culturalmente aqui ninguém quer ser 'brasileiros', todos querem ser italianos, japoneses, alemães, judeus, ucranianos,americanos, menos 'brasileiros', e se tiverem que ser , lamentam por não ser paulistas oucariocas, mas não assumem a relação com sua localidade e nem com as pessoas quecompõem essa localidade. Mesmo aqueles poucos abastados que ainda podem realizar alguma produção artística ou cultural, quase nunca a criam para estabelecer uma relaçãoartística com o publico local, alegando sempre que ele é indigno de sua arte, acessívelsempre a poucas pessoas, geralmente aquelas que ele já convive, mas preferindo mesmosempre ocultar seu trabalho aqui, para expor em outro pais , ou na cidade do Rio deJaneiro ou de São Paulo. É o desprezo sistemático pelo envolvimento com localidadecaracterizada somente como "madura" e "verdadeira", a arte ou pessoa que vêm de fora,ou o que foi para fora , mesmo que tenha que pagar caro para 'parecer' que é assim: - Defora !
"- Você não é daqui né !? - Puxa nem parece !"
A recusa em identificar-se como uma pessoa local , leva a extremos de indiferençacultural e social, podendo isolar indivíduos e segmentos culturais inteiros, criando
 
aquilo que na linguagem popular define-se como 'panelinha', aberta só para o que estafora e acima, mas provavelmente nunca entrando em contato com o que está sendorealizado logo ao lado. Mesmo que a diversidade dos elementos culturais seja grande, eé grande, não acontece nenhuma movimentação justamente pelo fato de não haver relação entre seus elementos, ou quando há essa relação ela replica o padrão, adesvalorização da localidade, a simulação do pertencimento ao que é exterior, e arestrição ao relacionamento , minando qualquer tentativa emergente.
Relação aqui só a que for regulamentada, ou a Síndrome do , " - Tô pagando!" , e"- Tem que Ter Perfil!".
Tudo isso leva a um difícil impasse , e uma pesada burocratização e instrumentação dasrelações, que são replicadas até em subculturas ditas modernas ou excêntricas , ao pontode muitas vezes estas evitarem o amadurecimento e a tomada de consciência, ignorandoque o novo surja na forma do outro e a inovação fuja ao controle dos padrões préestabelecidos através daquele que vêm depois, suprimindo através de váriasregulamentações o potencial subversivo da subjetividade do seu próprio crescimento.
"A imaginação só tem liberdade para atuar na realidade dentro dos limites dadospor estarepressão, pois tudo o que pretende fazer fora destes limites “razoáveis” éuma transgressão aos tabus morais, é perversão, subversão." - Marcuse
Curitiba é tão regulamentada nos seus padrões de relacionamento cultural, que até ocontato com o inconsciente é sistematizado, assim como o contato com o subjetivo e aimaginação, negando o direito a espontaneidade e ao improviso criativo. Repito, mesmoem subculturas modernas , que deveriam por natureza ser contraculturais , são fechadasem sí , regulando a si mesmas com normas especificas de renovação, bloqueandoemergencias, mesmo da inovação e espontaneidade dos que não há tem, mas acompram. É como se quase tudo aqui fosse uma espécie rotary club , com suaengrenagem imensa e amarela, movimentando os outros diversas engrenagensorganizadas nesse estilo padrão clube/panela/engrenagem. De produtores de músicaeletrônica, aos debatedores da boca maldita, do povo com seu ritmo ditado pelo relógioda praça, aos GLBT, dos músicos de reggae, da dança, dos artistas com formaçãoacadêmica, aos Dj's de Rap, dos professores, e ativistas culturais, da malária, aosfreqüentadores do Soho Batel, do pessoal do teatro , do cinema (..)...., todos estãoimpregnados por uma profunda estagnação cultural pela impossibilidade de localizar-se,achando que sua pequena panela abafada pelo trabalho cotidiano ancestral é o universointeiro, vivendo nessa ilusão criada pela falta de habilidade em tomar conhecimento erelacionar-se com o diverso , o subjetivo, o outro.
"Comunicação verdadeira e aberta e profundo contato interpessoal, bem comogenerosidade e a partilha democrática dos instrumentos". - R.U. Sirius

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