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Metodo mezieres

Metodo mezieres

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04/03/2013

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original

 
revisão
AUTOR
Luís Coelho
11
Fisioterapeuta mézièrista,professor de Pilates e investigadorna área das raquialgias
O
M
ÉTODO
M
ÉZIÈRES
 
OU
A R
EVOLUÇÃO
N
A
G
INÁSTICAORTOPÉDICA:
O M
ANIFESTO
 
ANTI-DESPORTIVO
O
U
A N
OVAMETODOLOGIA
D
E
T
REINO4(2):
2
1-39
PALAVRAS-CHAVEtreinamento;testosterona; cortisol.KEYWORDStraining; testosterone; cortisol.
data de submissão Abril 2007data de aceitaçãoJunho 2007
O
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ÉTODO
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ÉZIÈRES
O
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EVOLUÇÃO
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INÁSTICA
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RTOPÉDICA:
 
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ANIFESTO
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NTI-DESPORTIVO
O
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OVA
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ETODOLOGIA
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T
REINO
INTRODUÇÃO
Em termos ditos ‘músculo-esque-léticos’, pode considerar-se queo conhecimento dos métodos defisioterapia que consubstanciamteorética e pragmaticamente a “in-tervenção postural” constitui umabase de sapiência fundamentalpara a boa prestação do profissio-nal de “educação física” e o profis-sional de saúde especializado.Dentro das abordagens de nature-za fisioterapêutica, diversos méto-dos de tratamento podem ser utili-zados, sendo que os mesmos podemser divididos em duas grandes ca-tegorias: tratamentos analíticos(centrados fundamentalmente nossintomas do doente e realizadossobretudo a nível local) e trata-mentos holísticos (centrados nacausa dos sintomas do doente erealizados a nível global).Os tratamentos holísticos apare-cem substanciados na forma demétodos mais ou menos globaisque tendem a ver a pessoa comoum todo inextricável. No contextodo presente artigo, são considera-dos tratamentos ditos
holísticos 
todos aqueles que centram a suaacção num ponto de análise daestrutura corporal do sujeito, vistacomo um todo. Falamos, nomeada-mente, na postura corporal e, por-tanto, nos métodos de intervençãopostural (e mais precisamente de
Reeducação postural 
).Neste contexto, surgem as dificul-dades de definição operacional doconceito de Postura e de
Reedu- cação Postural 
que tentaremosultrapassar num primeiro momentodo texto. Compreenderemos muitoprecisamente que o conceito de
Reeducação Postural 
adoptado nodocumento deriva de todos osmétodos que se iniciaram com arevolução introduzida por FrançoiseMézières (1909-1991), portanto,métodos de origem e ambientefrancófono (que iremos caracterizarpormenorizadamente à frente noartigo), cuja história remonta àsegunda metade do século XX.Estes métodos serão designadospor
mézièristas 
, sendo que têm emcomum o facto de se basearem to-dos naquela que podemos denominarde teoria das
Cadeias musculares 
.Uma explanação dos conceitos ini-ciará o percurso teorético a que secinge o artigo. De seguida, iremosanalisar resumidamente aquilo queentendemos por métodos clássicosde intervenção postural, sendo quesó depois de desenvolvermos estespré-requisitos teóricos é que iremospercorrer todo um percurso his-tórico relativo ao método Mézièrese outros de natureza “mézièrista”.No fim do nosso texto, iremos exporo conjunto das conclusões devidas,relacionadas com o percurso teó-rico coadjuvado, sendo de sublinharo agrupado de “implicações” queo campo teorético e pragmáticodos métodos de intervenção “mé-zièrista” possui sobre a prática des-portiva em geral.
Explanando
o
s
c
onceitos
b
ásicos
Diversos investigadores têm dadoluz a múltiplos métodos de “inter- venção postural” sem que umadefinição conceptual de “postura”tenha sido aprioristicamente rele- vada; daí que muitas das confusõesmetodológicas e pragmáticas dos vários métodos de “correcção pos-tural” nunca tenham sido adequada-mente resolvidas. Por exemplo,
 
22
|
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|
investigação técnico original opiniãorevisãoestudo de caso ensaio
Diferentes métodos de “intervençãopostural” agem sobre uma ou maispartes dos referidos níveis de con-trolo postural. Daí que um proces-so de “reeducação postural” nuncapossa limitar-se só à dimensãoneurológica ou só à dimensãomuscular
per si 
. Por outro lado, osdiferentes níveis de controlo pos-tural, pelo facto de estarem inti-mamente relacionados, influenciam--se mutuamente, sendo de esperarque a intervenção num nível acar-rete mudanças na totalidade dosníveis de controlo.Por exemplo, o paradigma de Bricot
2
refere-se sobretudo ao nível neuro-lógico, sendo que a sua intervenção(postural) acarreta modificações anível proprioceptivo, regendo-se estapela administração de palmilhasde reprogramação postural, pelamodulação do receptor ocular e/oupela intervenção ao nível do recep-tor dento-oclusal. Apesar de umtanto ultrapassado, o modelo deBricot constitui ainda plataformaobrigatória do estudo da posturolo-gia (esta entendida num sentido lato).Neste artigo, iremos reger-nossempre pelo seguinte conjunto dedimensões posturais: neurológica(já referida), funcional e estrutural. A relação entre as dimensões fun-cional e estrutural da “postura”pode ser considerada como comple- xa, sendo que, para o paradigmadas “cadeias musculares” não háalgo referente a verdadeira estru-tura, pois esta é, virtualmente,modificável pelos diversos métodosde reeducação postural.Neste artigo, iremos tratar de dife-rentes maneiras os conceitos de“ginástica correctiva postural” e de“reeducação postural”. A históriada primeira é bastante mais longado que a história da segunda. Aprimeira rege-se sobretudo peladimensão funcional da “postura”,tanto no método Pilates quanto no
Stretching 
fala-se de “postura”, masem ambos os métodos realizam-seconjuntos de metodologias físicasdissemelhantes, sendo que uma secentra mais na força do centro docorpo e a outra se centra mais naflexibilidade. Iremos tentar ordenartodos estes diversos campos se-mânticos e idiomáticos.Comecemos pela caracterizaçãodo termo “postura”. Este possuium significado original de “posição,atitude ou hábitos posturais”
1
. Por“postura” podemos entender, emtermos
práticos 
, “a posição optimi-zada, mantida com característicaautomática e expontânea, de umorganismo em perfeita harmoniacom a força gravitacional e predis-posto a passar do estado de re-pouso ao estado de movimento”;
funcionalmente,
pode ser conside-rada como “o conjunto de relaçõesexistentes entre o organismo comoum todo, as várias partes do corpoe o ambiente que o cerca”;
substan- cialmente 
, porém, vai de acordocom “um complexo sistema de mui-tos moldes, no qual intervém, alémdo carácter biomecânico, um con- junto de variáveis”.Enquanto “posição corpórea”, “pos-tura” pode referir-se tanto à posi-ção relativa a um tempo deter-minado, tendo como exemplo oconjunto das curvaturas vertebraisfuncionais, como à posição relativaa uma estrutura determinada, ad-mitindo agora como exemplo oconjunto estruturado (ou, como veremos mais tarde, virtualmenteestruturado) das curvaturas verte-brais (ditas anatómicas).Efectivamente, quando falamos de“postura” podemos estar a referir--nos a um “fenómeno” consubstan-ciado por diferentes perspectivas//dimensões e níveis. Tribastone
1
refere-se a planos, comparando osmecanismos de controlo posturalcom os mecanismos de controlo domovimento (a postura pode ser,inclusive, definida como um conjun-to incomensurável de múltiplos emicroscópicos movimentos - defi-nindo-se esta como uma perspec-tiva ‘dinâmica’ da postura). Temos,portanto, o plano anatómico, relati- vo à organização racional da activi-dade perceptivo-motora, alcançadaa partir de movimentos, e com anormalização do conjunto das ca-deias cinéticas, actuando na ree-quilibração das tensões miofasciaise das cadeias articulares; o planoneuromotor, relativo às sensaçõesproprioceptivas e às variáveis afe-rentes de controlo postural; e oplano psicomotor, relativo à orga-nização do esquema corporal, al-cançada a partir da percepçãoconsciente e do conhecimento dopróprio corpo, das suas modali-dades de funcionamento e da suaorganização espacio-temporal.No respeitante aos mecanismosde regulação da postura, estamosa entrar num terreno essencial-mente “neurológico” que é compostopor um conjunto de quatro níveis
1
:
1)
centros superiores, que com-preendem o cérebro, o cerebelo e otronco cerebral; a esses chegam asinformações provenientes princi-palmente dos fusos neuromuscu-lares, dos mecano-receptores arti-culares, dos órgãos tendinosos deGolgi, e também da retina, da pele edo vestíbulo;
2)
interneurónios,motoneurónios alfa e gama, conti-dos na espinal medula;
3)
músculo etodos os factores que influenciamaresposta contráctil (referimo-nosprincipalmente a músculos postu-rais, ou seja, músculos de controloessencialmente inconsciente); e
4)
fusos neuromusculares, órgãostendinosos de Golgi, vestíbulo ereceptores sensoriais.
 
Revist
 
a de Des
 
port
 
o e Saúde
da Fundação Técnica e Científica do Desporto
enquanto que a segunda “mexe”supostamente com as estruturas. A primeira, em conjunto com adimensão neurológica de “postura”,passa por diferentes métodos de“ginástica”, desde o método clássicosueco de Per Henrik Ling (1766--1839), centrado em princípios tra-dicionais de movimento e alonga-mento céleres, até ao modernométodo Pilates, centrado nos con-temporâneos estudos referentesà estabilidade lombo-pélvica
3
, pas-sando pela cinesiterapia vertebral,pela “ginástica respiratória”
1
, pordiferentes abordagens físicas detratamento da escoliose (consultarTribastone
1
), a psicomotricidade
4
eo relaxamento
5
. A segunda rege--se pela aquela que designamosde “teoria das cadeias musculares”,a qual é desenvolvida iniciaticamen-te pelo paradigma mézièrista.Importa aqui referir que para mui-tos profissionais de saúde o métodoPilates constitui um verdadeirométodo de “reeducação postural”.Não o consideramos neste artigo,pois, não obstante o conjunto inex-primível dos resultados na dorlombar obtidos com o treino deestabilidade dinâmica do tronco(para mais pormenores, consultarRichardson et al
3
), o método Pilatesnão ultrapassa as dimensões neuro-lógica e funcional mais efémerasde “postura”. Somente os métodosque designamos como “reeducaçãopostural”, centrados na “metodolo-gia das cadeias musculares” influen-ciam certos aspectos mais “perma-nentes” da postura, aqueles rela-tivos à “estrutura” ou morfologia.Tentemos, agora, definir o conceitode postura “normal”.Para Bricot
2
, a postura normalsignifica a ausência de forças con-trárias e a presença de relaçõesharmoniosas entre as diferentescomponentes esqueléticas. O resul-tado será a inexistência de dor.Já que pretendemos referenciar oparadigma Mézières, vamos referiro que é a postura perfeita parao método com o mesmo nome. AMadame Mézières costumava refe-rir-se às formas das obras de arterenascentista enquanto “formas dedimensões perfeitas”. O trabalhoem Mézières constitui um esforçode retorno à “morfologia perfeita”,conhecida como a
bela forma 
. Asproporções da bela forma corres-pondem ao número de ouro (emrelação a
5 +/-
1/2
) para o qualtodos deveríamos tender. A “bela forma” de Mézières carac-teriza-se por: vendo de face, asclavículas, os ombros, os mamilos,os espaços braquiotorácicos devemser simétricos e estar ao mesmonível; os contornos laterais do tóraxdevem ser rectilíneos e divergirdesde as cristas ilíacas até à pregada axila; de costas, a nuca deve serlonga e cheia, os ombros, as ancase as omoplatas devem ser simé-tricas e não devem apresentarqualquer relevo, o feixe inferiordo trapézio deve aparecer (numapessoa não obesa) até à décimasegunda vértebra dorsal; em posi-ção de flexão do tronco à frente,com a cabeça pendente, a colunadorsal deve apresentar-se na linhadas cabeças do astrágalo e nãorecuar para trás dos calcanhares(
recurvatum 
), e a coluna deve ser visível naquele que muitos denomi-nam de “sinal da roda da bicicleta”;de perfil, a ponta do mamilo deveser o ponto mais avançado, abaixodo qual o contorno anterior do tó-rax e do abdómen deve ser recti-líneo até ao púbis, o contorno dascostas deve ser visível, o braçosepara o 1/3 posterior do tóraxdos 2/3 anteriores.Todas as alterações relativas àpostura dita “correcta” correspon-dem a paramorfismos, se as alte-rações são temporárias e rever-síveis, e a dismorfismos, se as alte-rações se consideram fundamen-talmente irreversíveis
1
(claro queesta classificação não preenche osquesitos conceptuais do métodoMézières, já que para o mesmo alinha teórica que separa as tais“dismorfias” dos referidos “para-morfismos” é assaz espúria).Para Bricot
2
, mais de 90
%
dosindivíduos apresentam um desequi-líbrio postural. Para o autor, os de-sequilíbrios posturais comportamplanos: o plano de alinhamento es-capular e das nádegas, com aumen-to das curvaturas; o plano esca-pular posterior; o plano escapularanterior com dorso plano; e osplanos alinhados com diminuiçãodas curvaturas.É de reter também a classificaçãopostural de Kendall, dentro das quaissão paradigmáticas as
kyphosis- -lordosis posture 
,
sway back posture 
e
flat back posture 
. A avaliação postural pode ser mera-mente observacional, mas podetambém fazer uso de instrumentose metodologias complexas
1
. A maisutilizada pelos clínicos é indubita- velmente sustida pela observaçãonaturalística em
real time 
. É apartir dessa observação, e nãoesquecendo nunca a “imagem”,algo quimérica, fornecida pela
bela forma 
, que o terapeuta mézièristairá conduzir a sua acção, semprecom vista à aquisição da morfologia“perfeita”.Sem desprimor das definições apre-sentadas, diria que tanto as classi-ficações existentes de ‘postura’como as enunciações definidorasda sua “normalidade” vs. “anormali-dade” caem no erro de considerara “postura” como um arquétipo con-creto, objectivo e bem definido. Ameu ver, a “postura” está para ocorpo como a “personalidade” está

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