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José Roberto CovacKildare Araújo MeiraGilberto da Graça Couto FilhoSérgio Henrique C. Sant’anaJo Paulo de C. EcheverriaDaniel Cavalcante SilvaIara Lucas de Sá CovacHelder Costa BarizonCarlos Alberto Oliveira AmaralJosé Roberto Covac JuniorAna Cudia R. Ferreira JulioMarcos Vinicius M. CaldasMárcia Ferreira Costa de Araújo
PARECER CSA/DF nº 61 de 14 de novembro de 2008.EMENTA
: Análise da Medida Provisória n. 446, de 7 denovembro de 2008. Perspectivas do novo cenário da filantropianacional.Prezados Senhores, Trata-se de estudo formulado com o objetivo de analisar as novasdiretrizes apontadas pela Medida Provisória n.º 446, de 7 de novembro de 2008 e aconjuntura do sistema nacional de regência da filantropia brasileira, mormente em funçãodo novo marco regulatório e das conseqüências diretas e indiretas que incidirão sobre asmais diversas instituições assistenciais do país.Resumidamente, o presente parecer visa promover uma abordagem sistemática da novalegislação de regência da filantropia como um todo, bem como os aspectos procedimentaise tributários que estão atrelados ao regime de certificação das entidades beneficentes deassistência social.
 
I.C
ONTEXTO
 
POLÍTICO
O exaustivo debate hoje em torno da viabilidade jurídica e política da Medida Provisória n.446, encaminhada pela Presidência da República ao Congresso Nacional no último dia 7 denovembro de 2008 agora coloca todo o sistema de assistência social do Brasil emcondições precárias e sem um rumo definido, principalmente se considerada a falência dosistema anterior, que demorava até 10 anos para processar um único pedido de certificação. Nesse contexto, para que se questionar a atitude do Governo, que ainda acredita na parceriacom as instituições assistenciais, é necessário que seja esclarecida a conjuntura na qual amedida provisória foi publicada, o que revela elementos importantes para se determinar oalcance desse novo marco legal da filantropia. Na ordem cronológica dos acontecimentos, a orquestração da “operação fariseu”encampada pela força tarefa criada pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal eReceita Federal cujo objetivo seria a desmoralização do Conselho Nacional deAssistência Social como instância de certificão das entidades filantpicas e oesquecimento do princípio constitucional da participação da sociedade civil no processo decertificação – foi fundamental para a apresentação do Projeto de Lei n. 3.021/2008 (depoisapensado ao PLS 7494/06).Esse Projeto de Lei, por sua vez, tinha como premissa maior a centralização dos atos decertificação nas mãos do Poder Público, como ato exclusivo do Governo, sob a regênciados Ministérios da Saúde, Educação e do Ministério de Desenvolvimento e Combate aFome, e na repetição de velhos critérios quantitativos que trocam a obrigação de recolher tributos por obrigações de fazer assistência social.O efeito inicial da “operação fariseu” criou a falsa sensação no Governo de que o PL n.3.021 tramitaria à toque de caixa. Entretanto, com o passar do tempo e a ausência deconsistência nas denúncias feitas pela espetaculosa operação, somada a mobilização do
 
setor filantrópico no Congresso Nacional (notadamente as Santas casas de Misericórdia), passou a haver nítida resistência a tramitação do Projeto na velocidade esperada peloGoverno. Nesse meio tempo, correndo em paralelo, como tem sido comum ultimamente, o SupremoTribunal Federal fez prevalecer uma antiga disputa dos tributaristas e editou a SúmulaVinculante 8, que reduziu o prazo de decancia das contribuões sociais dosinconstitucionais 10 anos, que vinham sendo aplicado pela administração desses tributos, para os 5 anos, conforme previsto pelo Código Tributário Nacional, com reflexo diretosobre o enorme volume de processos administrativos de certificão pendentes noConselho Nacional de Assistência Social e no Ministério da Previdência Social (querealizava atividade recursal dos processos).Assim, por decorrência lógica da Súmula editada pela Corte Constitucional, em face daaplicação da regra de decadência em 5 anos, todos aqueles procedimentos pendentes deaprecião, seja do ponto de vista recursal ou mesmo de renovão do certificado, perderam seu objeto tributário, já que passaram a se referir a períodos inalcançáveis por qualquer fiscalização e, dessa forma, independentemente da sorte dos processos decertificação pendentes, o resultado financeiro de arrecadação passou a ser inútil com aSúmula Vinculante 8/STF.Sempre atento a moverem-se ideologicamente contra as entidades beneficentes deassistência social educacional, setores do Ministério Público Federal ligados a famigeradaforça tarefa MPF/PF/RFB, não mediram forças no sentido de pressionar o Ministro daPrevidência com a possibilidade de ação de improbidade administrativa no caso de os processos que seriam atingidos pelo manto decadencial não serem julgados até novembrode 2008, o que levou, nesse meio tempo, o Governo a editar a ilegal PortariaInterministerial nº 241/2008 que, na prática, tinha o condão de regulamentar o PL 3.021(uma situação absurda se considerando que Projeto é apenas uma lei em tese), antecipandoa divisão de competências da certificação contida naquele PL, independentemente do que

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