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Prof. Telmo - Nova Rede Urbana Do Brasil

Prof. Telmo - Nova Rede Urbana Do Brasil

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FERREIRA, S. C.Urbanização e rede urbana brasileira: orientação teórica e metodológica preliminar 
1° SIMPGEO/SP, Rio Claro, 2008 ISBN: 978-85-88454-15-6 
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URBANIZAÇÃO E REDE URBANA BRASILEIRA: ORIENTAÇÃOTEÓRICA E METODOLÓGICA PRELIMINAR
Sandra Cristina Ferreira
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1. Introdução
O modelo de desenvolvimento brasileiro, pautado fortemente no viés econômicovinculado aos interesses políticos e às estratégias de avanço e reprodução do capitalinternacional, fundamentou grande parte do setor industrial, segundo relações externasmais fortes que internas. Assim, a sociedade urbana originada sob esse contextopolítico-econômico, manteve a tendência incisiva em assimilar valores efêmeros notocante ao consumo, aliado tanto a necessidade quanto ao desejo.A informatização tornou o território e a sociedade articulada e funcional, masdesarticulado quanto ao comando local das ações que nele se exercem. Essa adequação,estreita a distância e o tempo para que a reprodução do capital nacional e internacionalaconteça. E, por meio da reincidente concentração de renda, infra-estrutura e poderpolítico-econômico, apenas algumas parcelas do espaço e da sociedade usufruem dessasinovações. Temos então, a formação de uma sociedade urbana que cria e fortalece arede urbana sob diferentes níveis de intensidade, provocando diferentes transformaçõesem sua forma e em seu conteúdo.A fim de estudar e compreender a formação dessa rede urbana, especificamenteno recorte regional, propomos discutir caminhos teóricos e metodológicos, algunsclássicos como a questão da hierarquia e centralidade urbana, ,entretanto sob novasleituras e agregando novos elementos ao debate, buscando assim, propiciar o avanço empesquisas dessa natureza.
2. Perspectivas de análise da rede de cidades contemporânea
O cenário urbano, revela um desenho espacial com múltiplos núcleos urbanos detamanho e natureza variadas, sendo que das 5.564 cidades, grande maioria são de
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UNESP/Presidente Prudente . Programa de Pós Graduação em Geografia (Doutorado).
 
FERREIRA, S. C.Urbanização e rede urbana brasileira: orientação teórica e metodológica preliminar 
1° SIMPGEO/SP, Rio Claro, 2008 ISBN: 978-85-88454-15-6 
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pequeno porte, sendo 43% até 5 mil habitantes e as demais até 100 mil
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. Esta categoriade cidades, entretanto, abriga apenas 2,4% da população. As cidades entre 100 e 500 milhabitantes que em 1970, eram 56 cidades, chegando a 173 cidades em 2000 (IBGE,2000 ), apontando uma nova realidade para a rede urbana brasileira, a emergência decidades de porte médio como centros que representam importantes nós na rede urbanabrasileira (CORRÊA, 2007), sendo as grandes cidades, número menos significativo,embora com alto índice populacional.A compreensão das vicissitudes na condução da produção sócioespacial, exigenovos exercícios intelectuais, convidando a repensar os pressupostos epistemológicosvigentes, assim como as questões metodológicas e conceituais no âmbito da Geografiaem suas diferentes vertentes. No que tange a rede urbana e a urbanização brasileira e omovimento que permeia tais processos, requer desviar a preocupação demasiada com ascoerências e atentar para as imprecisões, as rupturas, continuidades e períodos detransição com suas dissimetrias, ampliando o caminho para a perspectiva dialética. Umacompreensão fragmentada-articulada, direcionada para a aproximação com o real,desprovido de perfeições e de resultados evidentes, definitivos ou estanques.Tais esforços são válidos frente a intensificação do fluxo produtivo entre ascidades, ao percebermos que “as especializações do território são a raiz dacomplementaridade regional: há uma nova geografia regional que se desenha, na baseda nova divisão territorial do trabalho que se impõe”. SANTOS (1993, p. 64),estabelecendo assim, novos arranjos na rede urbana. As proposições de Milton Santos,se confirmaram e, atualmente tais arranjos apresentam-se consolidados e com grandepoder de mutabilidade e expansão.Assim como a industrialização no país é incompleta e concentrada, também aurbanização, as relações em rede e configuração dos arranjos produtivos não acontecemna mesma intensidade entre as mesorregiões brasileiras. Contudo, “a concentração depessoas e atividades econômicas em poucas cidades não deve ser vista como um algopermanente, e a complexidade do padrão de urbanização atrela-se ao fato da cambianteconcentração e desconcentração industrial” (SOUZA, 2001, p.392). E diga-se ainda, daconcentração agroindustrial e dos agronegócios, entre outras atividades econômicasvoláteis, próprias do capital no momento atual, onde predomina a capacidade de
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Adotamos o critério para definição do tamanho das cidades proposto pelo IBGE segundo o número dehabitantes, no qual, até 100 mil considera-se pequeno porte, e 100 à 500 médio e mais de 500, grandeporte.
 
FERREIRA, S. C.Urbanização e rede urbana brasileira: orientação teórica e metodológica preliminar 
1° SIMPGEO/SP, Rio Claro, 2008 ISBN: 978-85-88454-15-6 
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desorganização e reorganização das relações sócioprodutivas. Essas ações dominantes,tem repercussão ampla sócioespacialmente, podendo redimensionar a forma e oconteúdo da rede urbana, inclusive, por intensificar ou restringir o papel
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das cidadesmédias em seu contexto regional.A cidade precede a industrialização e a urbanização, portanto, ela é o elementonorteador da construção da sociedade urbana que toma novos rumos com a produçãoindustrial. Da própria industria emergem outras atividades derivadas e expande ocomércio e os serviços no modo de vida urbano, alimentando as relações em rede. Talprocesso, tem sido consagrado como o advento industrial que recria a problemáticaurbana à luz do mundo das mercadorias. Nesse mundo, a velocidade proporcionada pormeio dos fluxos materiais e imateriais, condiciona a vitalidade da rede urbana em váriasescalas.
 
Em sua natureza, a cidade não é produto da economia capitalista, e está presenteenquanto aglomeração humana, com funções e formas construídas segundo diferentesinfluências políticas e econômicas, culturais ou religiosas no decorrer do tempohistórico. Entretanto, é real que sua existência ganhou força e maior significadoenquanto rede de cidades com o modo de produção vigente e, desde a fase pré-capitalista era possível vislumbrar que a cidade assumia novo posicionamento nareorganização do espaço sócio-produtivo.A intensificação das trocas comerciais e crescente movimento populacionalpermitiu a formação dos sistemas de cidades e a definição de papeis às urbes com aespecialização produtiva em diferentes contextos segundo a DTT (Divisão Territorialdo Trabalho), de maneira que segundo Corrêa (1989, p.87), através da rede urbanaverificam-se os “processos de criação, apropriação e circulação do valor excedente”.XXXEssa rede acontece com diferentes intensidades segundo o potencial do capitalhumano existente e sua capacidade de aceitar, assimilar e acompanhar as mudanças,
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Tais ações são viabilizadas por meio das condições tecnológicas e científicas existentes na cidade e emseu contexto regional, de maneira que possa atrair e manter inovações que ampliem a produção, oconsumo e intensifique as infra-estruturas responsáveis pela elevação da qualidade de vida. No entanto,cabe lembrar, que tais mudanças são seguidas geralmente de um processo excludente e segregador depessoas e espaços intra-urbanos e inter-urbanos, que ao nosso ver, podem ser tratados por meio depolíticas públicas locais articuladas com a sociedade e outras escalas do poder administrativo.

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