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A Coluna Social Na Folha de Sao Borja[1]

A Coluna Social Na Folha de Sao Borja[1]

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A Coluna Social da Folha de São Borja
1
 
COSTA, Luciano
23
 Universidade Federal do Pampa/Rio Grande do Sul
Resumo:
Este projeto estuda a produção das colunas sociais publicadas no jornal Folha de São Borja desde suafundação, em 1970 até os dias atuais, perpassando por momentos de acirramento político, no qual a atividade remonta aum processo primário da imprensa, cujas características fundamentais baseiam-se na proximidade, na legitimação sociale no poder econômico. O presente estudo aponta as marcas discursivas das colunas desde esse período, em uma cidadeque faz fronteira com outro país. Analisam-se os principais colunistas sociais do jornal, Zely Espíndola e seu sucessor,Deco Almeida, buscando contribuir para a compreensão dos modos de produção jornalística e da história da imprensado interior do país.
Palavras-chave:
história; colunismo social, jornalismo.
1.
 
Introdução
Ao longo do tempo, as colunas sociais têm sido uma constante na mídia impressa. Emboraesteja presente desde os primórdios da imprensa e tenha aproveitado a própria evolução tecnológica para amadurecer junto com a prática do jornalismo, é um gênero subjugado nos estudos acadêmicosque não raramente a considera um jornalismo de menor importância. Há, também, quem não aconsidere como um gênero jornalístico e a defina, simplesmente, como uma prática de futilidades,que informa sobre o que não é necessário bem como eleva as partes mais abastadas na estratificaçãosocial, acirrando as desigualdades e a exclusão social.Porém, nos últimos trinta anos, a academia começa a voltar-se para os estudos deste gêneroem específico que, segundo os estudiosos da história da imprensa, no Brasil, é um gênero inspiradonas
 gossip columns
norte-americanas, mas, no Brasil, tornou-se único pela reconfiguraçãotipicamente brasileira.Hora relatando festas, hora perpassando suas falas pela vida mundana das “altasrodas”, essas colunas sociais construíram uma forma alternativa e particular de
1 Trabalho apresentado no GT de Jornalismo, integrante do VIII Encontro Nacional de História da Mídia, 2011.2 Acadêmico do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Pampa, Unipampa Campus São Borja. Bolsista doGrupo de Pesquisa História da Mídia e colaborador do Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Telejornalismo.lucianocostaal@gmail.com
3
EMERIM, Cárlida. Orientadora do artigo, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), que atuou na Unipampa até dezembro de 2010, onde realizava pesquisas sobre a história da mídia eorientou a presente pesquisa. carlidaemerim@cce.ufsc.br 
 
expressão da opinião de seus escritores e dos veículos de informação às quaisestavam ligadas. Informações fúteis, de caráter de curiosidades,
 fait’divers
, eramagora mescladas a fofocas sobre milionários, artistas e principalmente sobre umtipo de “celebridade” bastante peculiar: os políticos. Em sua grande parte, ligadosàs grandes famílias, esses políticos possuíam um grande capital simbólico quelhes era advindo de suas origens familiares, bem como da posição social que possuíam. A política, assim como fazia parte dos comentários dos colunistasnorte-americanos, passara a possuir uma importância vital para as colunas sociais brasileiras. (ALVES MARIA: 2008).O modo como se conta sobre a sociedade nessas colunas tornou-se referência para o mundoe a sua importância para o jornalismo e para a vida social está se solidificando nacontemporaneidade. Não só pelo reconhecimento desta trajetória apontada acima, mas também pelos estudos queas colunas sociais oportunizaram como o descortinamento da história social de diferentes regiões doBrasil, como também possibilitaram uma análise retrospectiva sobre os modos de fazer jornalismoinformativo e opinativo: ou seja, elas têm se transformado num excelente objeto de estudo paracompreender a sociedade ontem e hoje.
2.
 
As Colunas Sociais
O surgimento destas colunas, como aponta Alves Maria (2008), está na história do jornalismo americano, onde exercem um importante papel desde 1920. Segundo o autor, oscolunistas sociais estadunidenses contribuíram efetivamente para a
mudança do cenário social das grandes cidades
. Citando o sociólogo norte-americano C. Wright Mills, Alves Maria afirma que ao buscar perceber 
de que forma o cenário político norte-americano se alterou em fins da 1ª GrandeGuerra
, o estudioso compreendeu que ao ocupar um espaço privilegiado entre as famílias quedetinham linhagem e tradição, mas que estavam perdendo seu poder econômico, os colunistassociais:(...) passaram a ser meios de ascensão social por aqueles que não tinham a“linhagem” a que Mills se refere. Desta forma, as colunas sociais, passam a ser um importante meio de inserção desses novos ricos nas “altas rodas”.Politicamente, as colunas sociais adquiriram um caráter extremamente importante para a mudança da lógica das relações sociais no seio da sociedade norte-americana. Essas colunas sociais passaram a constituírem-se em locais privilegiados da criação de novas figuras políticas e sociais. O
The Social  Register 
, grande lista composta de 400 a 800 famílias que eram apontadas comoas
 principais
“famílias da América”, e que teriam passe livre para freqüentar os
 principais
clubes e círculos políticos das
 principais
cidades norte americanas noinício do século XX, passa a não ser tão conclusiva, sobretudo a partir da criaçãode novas listas feitas pelos colunistas sociais. (ALVES MARIA: 2008, pág. 01).
 
 Ao ser perguntado sobre a importância das colunas sociais no jornalismo impresso atual, o
ombudsman
do jornal O Povo (CE), Roberto Maciel (2003) aponta duas grandes justificativas, pois, para ele, a coluna social 1)
atende as demandas de um público real, palpável, que consome jornal da mesma forma que aquele que deseja informações sobre política ou esportes;
2)
tem o potencial de apresentar, em boa medida e com boa aproximação do exato, tendências de comportamento da sociedade
. Assim, não é difícil compreender por que muitos leitores elegem a coluna social como a primeira a ser lida quando abrem os jornais.Muniz Sodré (2003) afirma que a função histórica da coluna social, no seu surgimento, estáligada à concepção de modernidade, à sociedade industrial que se preocupava em “consagrar”determinados setores pertencentes a essa nova ordem social, classificado por ele como
burguesiacomercial e mercantil 
. Ou seja, o tom jornalístico das primeiras colunas oferecia visibilidade social para a ostentação das riquezas, por isso expressões como
 grand monde
,
café-soçaite
ou
 gente fina
 remetiam sempre às grandes recepções, a produtos caros não consumidos por pessoas comuns e,também, comportamentos advindos de experiências com outras culturas, principalmente aseuropéias e americanas.Tanto é verdade que foi nesse espaço que se consolidou diferentes expressões estrangeiras para classificar este mundo que todos querem participar, mas poucos podiam estar:
high society,happy few, grand monde, glamour,
entre outras. O termo
café-society
4
surgiu em 1919, cunhado pelo colunista norte-americano Maury Paul, para definir um tipo de reunião sistemática queacontecia entre um grupo de pessoas proeminentes da sociedade, mas que provavelmente não sevisitavam em casa, (ou seja, estas pessoas se reuniam em público, mas não tinham uma relação maisíntima que propiciasse as visitas ou reuniões em casa). Ao longo dos anos, este tipo de encontroganhou força política e representava uma forma de estratificação social fundada na visibilidade e no pertencimento, fora dos padrões anteriores cujo
 statu
s era baseado apenas no pertencimento àfamílias antigas, tradicionais. Essas reuniões tornaram-se referência para compreender a sociedadeque surgia na época, que passava a construir novas regras fundando-se em nomes que tinham outrotipo de patrimônio, tais como o intelectual, o talento artístico, o poder financeiro emergente, etc.As práticas de produção de jornalismo ensinam como produzir colunas, até mesmo comoescrever coluna social, pois se tratam de regras do fazer. Porém, para construir credibilidade e permanecer como referência no posto de colunista social, o jornalista precisa ter algumascaracterísticas específicas, ligadas muito mais as características pessoais, a de um perfil, a de uma personalidade, do que a conformação as características diferenciais do fazer jornalístico num
4
O esclarecimento sobre este termo foi encontrado no artigo de Maurício de Fraga Alves Maria, que cita o sociólogonorte-americano C. Wright Mills como autor da definição, baseado no estudo das práticas de escrita do colunista MauryPaul.

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