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Ultimatum - Almada Negreiros

Ultimatum - Almada Negreiros

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03/04/2012

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 Carlos CoelhoTexto de opinião – Compromisso PortugalLisboa, 3 de Fevereiro de 2004Titulo:
 
“Eu não pertenço a nenhuma dasgerações revolucionárias. Eu pertenço auma geração construtiva.”
 
“Eu não pertenço a nenhuma das gerações revolucionárias. Eu pertenço a umageração construtiva.”
Com metade da minha idade e pelo menos com o dobro do meu talento, começa assim,José de Almada Negreiros, o seu “Ultimatum Futurista”, publicado em Lisboa,Dezembro 1917, 8 anos após a implantação da república.Gostaria de partilhar com todos, neste momento de reflexão sobre as reformas do País,este documento, que apesar de ter sido escrito à 87 anos exprime na sua essência aquiloque eu hoje gostaria de ser capaz de dizer.O futuro constrói-se, com a capacidade de visionar, mas também com a humildade deencontrar no passado os alicerces para o seu desenvolvimento e as raízes das questõesque se julgam mais pertinentes, e que como este documento prova se colocam desde oinicio da democracia em Portugal.A auto-estima de um povo é a sua base, razão da sua existência, força motriz para o seudesenvolvimento e isso não é um factor conjuntural é um déficit histórico. Urge por issoa este grupo de reflexão encontrar neste e noutros documentos a força e a vontade parahonrar Portugal “(...) exaltando os vencedores(...)”, “(...) gritando as razões das nossasexistências (...)” e tendo a coragem final de assumir as qualidades que julgo não nosfaltarem, apenas precisam de ser bem orientadas.Considero por isto o documento que reproduzo na integra, com grande valor histórico esobretudo com uma elevada pertinência.
ULTIMATUM FUTURISTAÀs gerações portuguesas do século XX
Eu não pertenço a nenhuma das gerações revolucionárias. Eu pertenço a uma geraçãoconstrutiva.Eu sou um poeta português que ama a sua pátria. Eu tenho a idolatria da minhaprofissão e peso-a. Eu resolvo com a minha existência o significado actual da palavrapoeta com toda a intensidade do privilégio.Eu tenho vinte e dois anos fortes de saúde e de inteligência.Eu sou o resultado consciente da minha própria experiência: a experiência do quenasceu completo e aproveitou todas as vantagens dos atavismos. A experiência e aprecocidade do meu organismo transbordante. A experiência daquele que tem vividotoda a intensidade de todos os instantes da sua própria viva. A experiência daquele queassistindo ao desenrolar sensacional da própria personalidade deduz a apoteose dohomem completo.
 
Eu sou aquele que se espanta da própria personalidade e creio-me portanto, comoportuguês, com o direito de exigir uma pátria que me mereça. Isto quer dizer: eu souportuguês e quero portanto que Portugal seja a minha pátria.Eu não tenho culpa nenhuma de ser português, mas sinto a força para não ter, como vósoutros, a cobardia de deixar apodrecer a pátria.Nós vivemos numa pátria onde a tentativa democrática se comprometequotidianamente. A missão da República portuguesa já estava cumprida desde antes de5 de Outubro: mostrar a decadência da raça. Foi sem dúvida a República portuguesa queprovou conscientemente a todos os cérebros a ruína da nossa raça, mas o deverrevolucionário da República portuguesa teve o seu limite na impotência da criação.Hoje é a geração portuguesa do século XX quem dispõe de toda a força criadora econstrutiva para o nascimento de uma
nova pátria inteiramente portuguesa einteiramente actual
prescindindo em absoluto de todas as épocas precedentes.Vós, oh portugueses da minha geração, nascidos como eu no ventre da sensibilidadeeuropéia do século XX
criai a pátria portuguesa do século XX 
.Resolvei em pátria portuguesa o genial optimismo das vossas juventudes.Dispensai os velhos que vos aconselham para o vosso bem e atirai-vos independentesprà sublime brutalidade da vida. Criai a vossa experiência e sereis os maiores.Ide buscar na guerra da Europa toda a força da nossa nova pátria. No
 front 
estáconcentrada toda a Europa, portanto a Civilização actual.A guerra serve para mostrar os fortes mas salva os fracos.A guerra não é apenas a data histórica de uma nacionalidade; a guerra resolveplenamente toda a expressão da vida.
 A guerra é a grande experiência
.A guerra intensifica os instintos e as vontades e faz o Génio plo contraste dosincompletos.É na guerra que se acordam as qualidades e que os privilegiados se ultrapassam. E naviolência das batalhas da vida e das batalhas das nações que se perde o medo do perigoe o medo da morte em que fomos erradamente iniciados. A vida pessoal, mesmo até aprópria vida do Génio, não tem a importância que lhe dão os velhos; são instantes maisou menos luminosos da vida da humanidade. Todo aquele que conhece o momentosublime do perigo tem a concepção exacta do ser completo e colabora na emancipaçãouniversal porque intensifica todas as suas mais robustas qualidades na iminência daexplosão. E na nossa sensibilidade actual tudo o que não for explosão não existe. Émesmo absolutamente necessário prolongar esse momento de perigo até durarintensamente a própria vida. Todo aquele que se isolar desta noção não podelogicamente viver a sua época: é um resto de séculos apagados, atavismo inútil, e no seumáximo de interesse representa quando muito, a memória de uma necessidade animalde dois indivíduos e ... basta.

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