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HÁ ALGO DE NATURAL NA NATUREZA? CORPO, NATUREZA E CULTURA NAS TEORIAS FEMINISTAS

HÁ ALGO DE NATURAL NA NATUREZA? CORPO, NATUREZA E CULTURA NAS TEORIAS FEMINISTAS

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SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES
Direito,Relações Etnorraciais, Educação, Trabalho,Reprodução,Diversidade Sexual, Comunicaçãoe Cultura
04 a 06de Setembro de2011Centro de Convenções da BahiaSalvador-BA
HÁ ALGO DE NATURAL NA NATUREZA?
CORPO, NATUREZA ECULTURA NAS TEORIAS FEMINISTASÍris Nery do Carmo
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Resumo:
Compreendendo os Estudos Feministas enquanto construçõesdiscursivas, este trabalho tem por objetivo investigar o lugar ocupado pelacategoria naturezanesses estudos, isto é, trata-se de analisar como distintasescolas feministas operaram e operam com os conceitos inter-relacionados denatureza e cultura.Este exercício de interpretação crítica será realizado por meio de pesquisa bibliográfica, que não pretende esgotar toda a produçãoteórica feminista,mas, antes, está limitada a leituras pontuais de um recorteespecífico.
Palavras-chave
: gênero; corpo; natureza; cultura.
Introdução
Em 1974, Sherry Ortner (1979) publicouum artigo noqual sintetizavaquestões da época na seguinte pergunta: “está a mulher para o homem assimcomo a natureza para a cultura?”. A questão tem persistido e sido reformuladapordiversas correntes de pensamento feminista, figurando em suas basesepistemológicas de diversas maneiras a partir dos aportes teórico-metodológicos específicos. Os conceitos de corpo,sexo e gênero, entre outros,tem a sua construção diretamente ligada a essa problemática, seguindoparadigmas que por vezes se aproximam mais do construcionismo sociale por vezes da desconstrução pós-moderna
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. Ao longo do século passado,as teorias feministas passaram pomudanças paradigmáticas que resultaram em diversas concepções sobreesses conceitos. Compreendendo os Estudos Feministas enquanto
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Bacharel em Sociologia pelaUniversidade Federal da Bahia, mestranda do Programa de Pós-Graduaçãoem Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo (PPGNEIM/UFBA)e orientanda daProfª. Drª. Alinne Bonetti.
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Sobre o construcionismo, Filho (2007) diz que: “Se há um postulado que pode resumi-lo, é o que afirmaque o mundo humano-social, em toda sua diversidade e em todos os seus aspectos, é produto de
construção
humana, cultural e histórica. Uma concepção construcionista implica compreender a realidadesocial como um resultado da ação dos próprios seres humanos nos seus espaços de viver e nas diferençasculturais e históricas.” Para Miskolci (2009), a diferença reside em que, ao passo que orientaçõesconstrucionistas enfocam a construção social da identidade, o método desconstrucionista desconfia da própria estabilidade dos sujeitos e foca as estratégias sociais normalizadoras que criam as classificaçõessociais.
 
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Direito,Relações Etnorraciais, Educação, Trabalho,Reprodução,Diversidade Sexual, Comunicaçãoe Cultura
04 a 06de Setembro de2011Centro de Convenções da BahiaSalvador-BA
construções discursivas, este trabalho tem por objetivo investigar o lugar ocupado pela categoria naturezanesses estudos, isto é, trata-se de analisar como distintas escolas feministas operaram e operam com os conceitos inter-relacionados de natureza e cultura. Pretende-se também dar conta dosembates em torno dos significados atribuídos a essas categorias, emseusdiverso
 
s contextos e as tensões entre modernidade e pós-modernidade,essencialismo e desconstrução. Este exercício de interpretação crítica serárealizado por meio de pesquisa bibliográfica, que não pretende esgotar toda aprodução teórica feminista,mas, antes, está limitada a leituras pontuais de umrecorte específico.
1.O sujeito descorporificado e o corpocomo natureza interna
De acordo comLucilaScavone (2008), Simone de Beauvoir lançou asmatrizes teóricas para o que posteriormente viria a ser denominado “estudossobre mulheres”, marcando a passagem do feminismo igualitarista (sufragista)para o feminismo centrado na mulher enquanto sujeito.Daí a importância d’OSegundo Sexo,livro no qualBeauvoir(2009)utilizou a dicotomiacultura/natureza como cerne da sua teoria emancipatória: no modelo dialéticoexistencialista, a mulhero Outroescondenada à imanência poisencerrada em suas funções reprodutivas enfadonhas e repetitivas, as quaisnão lhes permitem colocar-se um Projeto.Ela é a “escrava da espécie”; sua menor força física ecapacidade dereprodução são vistas como fatos naturais pré-existentes. Neste quadrofilosófico,a imanência significaviver no limite do próprio corpo, sem conseguiultrapassa-lo. Para alcançar a transcendência, é preciso que a mulher adoteentão um modelo masculino de emancipação, negando a maternidade eexercendo atividades públicas. Contudo, para talé preciso dominar a natureza,para que se adquiraentão o status de ser humano, e não mais subordinar suaexistência à animalidade da espécie.Informadas pelo modelo científico universalista da época,muitasfeministas nos anos sessenta do século vinte irão, assim comoo fez Beauvoir,buscar pelas origens: vão relacionar a causa da subordinação da mulher à sua
 
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associação com a natureza, reforçada pelos atributos biológicos“femininos”,taiscomo a reprodução. Levando ao extremo as premissas de Beauvoir, nadialética do sexo de Shulamith Firestone (1976), a dependência feminina sedaria em função direta da sua biologiamenstruação, menopausa, partosdolorosos eamamentação, entre outros,asfariam dependentes dos homens. Assim, é
 
como se abiologia instaurassea desigualdade. Para ambas, aopressão da mulher remontaria aos primórdios da humanidade.Sherry Ortner(1979), partindo do pressuposto de que a opressão damulher é um fato universal e “pan-cultural”, tentou explicar a mesma através daidentificação que todas as culturas fazem da mulher com a natureza, emcontraste do homem, que é visto como ocupando “o importante território dacultura” (p.114).Não surpreende que, para a autora, “cultura”é a noção deconsciência humana através da qual“a humanidade procura garantir o controlesobre a natureza” (p.100).Nas palavras deOrtner, em síntese, “o corpo feminino parece condena-la a mera reprodução da vida; o homem, em contraste, não tendo funçõesnaturais de criação deve [...] basear sua criatividade ‘artificialmente’ por meiode símbolos e tecnologia.” (p.104). Devido ao seu corpo e suas funçõesreprodutivas, a mulher pareceria um ser intermediário entre natureza e cultura.Esta é uma visão perigosa e cujas consequências levam a tomar comofato naturale ontológicoleituras masculinistas sobre o corpo feminino: Ortner argumenta que os processosque se passam no corpo feminino são causas dedesconforto, dor e perigo; a menstruação é vista como desconfortável edolorosa envolvendo “incômodas tarefas de limpeza e recolhimento daexcreção” (p. 103); a gravidez exauriria as forças e energias da mulher,queseriam canalizadas para nutrição do feto; o nascimento então seria doloroso eperigoso.Portanto, o corpoentendidoenquanto natureza internae a“naturezasão o Outro que deve ser dominado na dialética existencialista entre eu e outro,para que a mulher se constitua como ser-para-si. Nesse sentido, concordo coma interpretação de Maria Mies (1993, p.294), para a qual,assim como ohomem, no pensamento de Beauvoir, alcança a liberdade e transcendência aofazer da mulher o seu Outro, a autodeterminação feminina seria alcançada de

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