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Quatro Mitos Do Brasil Atual

Quatro Mitos Do Brasil Atual

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QUATRO MITOS DO BRASIL ATUAL 
 A função primordial das análises de conjunturas é oferecer uma leitura realista, sistemática e articulada de uma determinada situação geopolítica, política,econômica e social. Os diferentes agrupamentos políticos se orientam a partir do cruzamento das análises de conjunturas com os princípios e propósitos que lhe são particulares. Neste sentido, organizações políticas e sociais, diferentes ou até mesmo rivais, podem produzir análises de conjuntura bastante similares, sem, contudo, serem convergentes no ponto de vista da ação. A análise de conjuntura possibilita a prática consciente e planejada num determinado contexto. É certo que não existe um modelo de análise de conjunturauniversal, tampouco este é o objetivo a ser perseguido, porém a mesma não pode ser construída arbitrariamente, sem critérios e referências articuladas e hierarquizadas a partir do real, das relações sociais concretas. Logo, as referidas análises são, a um só tempo, necessárias e problemáticas. Necessárias porque em sua ausência não há ação consciente na disputa política coletiva; problemáticas porque sempre estarão sujeitas às limitações da apreensão do real.Outro problema recorrente é que a clareza do conceito não é suficiente parainformar ação prática, é necessário ter fidelidade ao momento histórico, ou seja, fidelidade às possibilidades que são reveladas no processo de análise de conjuntura. Em outras palavras, é preciso se comprometer com as análises que fazemos e levá-las às últimas consequências. Nem o intelectual, nem as organizações de militantes podem escapar desta verdade, sob o risco de cair no descrédito ou apontar por caminhos fora do curso ou das exigências do tempo presente. No entanto, de forma sub-reptícia, alguns setores confundem a análise de uma situação concreta com agitação ideológica, autoproclamações ou mesmo
 
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 justificativas para a inércia e o abandono da iniciativa política. Sem nenhum compromisso com a situação conjuntural, sem nenhuma responsabilidade com a organização e mobilização das massas, sem nenhum cuidado com as condições devida das maiorias, estas posições infames, ao serem repetidas cotidianamente, se transformam em culturas políticas setoriais (ou internas a uma determinada organização ou movimento). Toda cultura baseada em construções abstratas, em princípios fechados e retro- alimentados pela crença de que sua bandeira e seus
valores são “eleitos” e a razão não reside nos outros, inevitavelmente cria seus
 mitos, laicos ou não. Este fundamentalismo secular, com uma suposta base científica, gera distorções substantivas nas análises de conjunturas que, no lugar de verificar os contornos da realidade, são reduzidas a pequenos instrumentos delegitimação de um determinado discurso.Quais seriam então alguns importantes mitos em circulação no momento atual? Passamos a discutir alguns deles.
MITO 1:
“A crise mundial é financeira” 
 
queles que defendem a noção na qual a crise que foi revelada ao mundo
em 2008 é de natureza financeira, criada por uma suposta “bolha”
especulativa no setor imobiliário, estão defendendo explícita ou
implicitamente a postura liberal, que recolhe “problemas
 
no capitalismo” sem,
contudo, entender ou admitir a dinâmica do próprio circuito de reprodução do capital,necessariamente concentrador e desequilibrado. Alguns defendem que o problema
foi o descuido para com a chamada “economia real”, ou seja, industrial
. O problemadesta análise é óbvio, a separação entre capital bancário e industrial é apenas teórica,na realidade trata-se do mesmo capital em etapa diferente de seu ciclo de reprodução
ampliada. A ideia de “bolha” pretende isolar artificialmente um deter 
minadomomento do circuito de reprodução do capital, dando uma feição isolada para osuposto ponto de origem da crise. Ambas as análises procuram acobertar o que éprincipal: A crise atual é uma crise de reprodução do capital.Não há dúvida que as dificuldades enfrentadas ultrapassam o limite do setorfinanceiro, pois existe, sobretudo, uma crise de alternativas. Os governos nãoconseguem respostas confiáveis para a bancarrota das economias centrais. Ao quetudo indica não poderão produzi-las com o repertório liberal. Ou seja, apostando noajuste fiscal, em medidas restritivas de direitos e injeção permanente de recurso nosbancos. Para os trabalhadores isto tem significado especialmente a supressão dedireitos trabalhistas e garantias sociais históricas, que foram conquistas de muitos
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anos de luta. Este ataque do capital orquestrado pelo Estado aos direitos dostrabalhadores soma-se às estratégias existentes de transferência de valor da periferiaao centro e reforça os elementos contra-tendenciais da crise capitalista, ou seja, oselementos que invertem o movimento tendencial de redução da taxa de lucro naprodução capitalista. O resultado imediato desta dinâmica só poderia significar maiscentralização do capital à custa do empobrecimento crescente dos trabalhadores.Desta forma, em países como Grécia, Espanha, Itália e Inglaterra, por exemplo, ostrabalhadores retomaram sua agenda de lutas. Também no Oriente Médio, emespecial nos países árabes da região, tem havido um acirramento da luta de classes.O que move os trabalhadores do mundo é a luta pela defesa de suas conquistastrabalhistas e sociais e a negação de um sistema que, embora nunca tenha produzidotanta riqueza, o faz concentrando renda, elevando o desemprego, mercantilizandodireitos, intensificando a pobreza e elevando o grau de exploração da força detrabalho.A resposta às condições acima expostas e à consequente deterioração dalegitimidade das estruturas de poder político se expressa nas mobilizações de massascada vez mais internacionais e frequentes. No entanto, a indignação, que assumefeições anticapitalistas, ainda não tem conseguido apontar para a superação dosistema.Faltam proposições capazes de disputarem a preferência das maiorias, oferecendoindicações
de uma alternativa à crise civilizatória. Depois de dizer “não”, é hora de pensar: “e agora, para onde vamos?”.
O capitalismo, mesmo com sérias dificuldades de reprodução, ainda éhegemônico e não pode ser subestimado. Cabe às organizações revolucionáriasdisputarem uma nova concepção de humanidade e trabalhar da melhor formapossível o momento atual. Certamente a correlação de forças ainda é desfavorável àclasse trabalhadora, mas pelo menos a situação oferece um novo terreno de combateque pode implicar em uma retomada da ofensiva política.
MITO 2:
“A crise não chegou ao Brasil” 
 
ão é coincidência que a tese da crise financeira seja acompanhada poroutra: a de que a crise não chegou ao Brasil. Defende-se que, graças àatuação decidida e responsável do governo juntamente com a força denosso mercado interno foi possível blindar a economia brasileira. Uma análise umpouco mais rigorosa
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e histórica
 – 
revela que esta tese não passa de pura apologia
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