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A APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO DO SEGURADO ESPECIAL

A APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO DO SEGURADO ESPECIAL

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A APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO DO SEGURADO ESPECIAL - Iracildo Binicheski
Publicado em JAN de 1999.
Iracildo Binicheski
 Advogado em Três de Maio - RS
 
SUMÁRIO:
 1. O rurícola no regime da Lei Complementar nº 11/71; 2. O rurícola no sistema vigente (Lei 8.213/91 e Lei nº 8.212/91); 3. De como se
 
forma e se conta a carência; 4. Razões de cunho histórico, social e político.  O trabalhador rural, antes muito desorganizado até por força da repressão sofrida pelos primeiros movimentos de aglutinação, sempre representou umainestimável força de trabalho, capaz de manter o Brasil, por tantos e tantos anos, como um país de vocação eminentemente agrícola.Todavia, apenas em 1971 o Governo reconheceu-lhe determinados direitos, por força da Lei Complementar nº 11, de 25 de maio de 1971, depoismodificada pela Lei Complementar nº 16, de 30 de outubro de 1973.
1. O RURÍCOLA NO REGIME DA LC 11/71
Em maio de 1971, com a edição da LC 11/71, através do reconhecimento de mais do que elementares direitos, há que se reconhecer um sensívelavanço quanto aos direitos do homem do campo.Reconheceu-se-lhes direito a alguns benefícios, sendo de se destacar, quanto à aposentadoria, o reconhecimento àquelas decorrentes da
velhice
e
 
da
invalidez 
. Nenhuma delas era devida a dois membros da mesma família, o que gerou o conhecido jargão segundo o qual "a mulher agricultoradeveria perder o marido para poder aposentar-se".Sensível, a jurisprudência caminhou no rumo de que a esposa de aposentado rural por invalidez poderia, como chefe da unidade familiar, aposentar-sepor velhice.A carência, nos termos do art. 4º da referida LC, era demonstrada pela prova do exercício da atividade, sendo que o art. 5º da LC 16/73 impôs acomprovação da atividade pelo período de três anos.As contribuições eram aquelas decorrentes do desconto compulsório de percentual incidente sobre o valor da comercialização dos produtos agrícolas.A caracterização do
segurado
(art. 3º da LC 11/71), era dada como de
trabalhador rural 
, assim considerado aquele que, pessoa física, prestasse serviçorural a empregador, e ainda o "produtor, proprietário ou não, que, sem empregado, trabalhe na atividade rural, individualmente ou em regime de
 
economia familiar, assim entendido o trabalho dos membros da família indispensável à própria subsistência e exercido em condições de mútuadependência e colaboração".Com isso, tínhamos uma categoria de
segurado rural 
. Depois, com a edição da Lei nº 6.260, de 6 de novembro de 1975, alguns direitos previdenciários
 
foram reconhecidos também aos denominados
empregadores rurais
.Estes, segundo a Lei, seriam a "... pessoa física, proprietária ou não, que, em estabelecimento rural ou prédio rústico, explore, com o concurso deempregados, em caráter permanente, diretamente ou através de prepostos, atividade agroeconômica, assim entendidas as atividades agrícolas,
 
pastoris...".E cabe aqui uma breve nota acerca de tremenda injustiça, perpetrada tanto na seara administrativa quanto na judicial, por largo tempo, em que
 
inúmeros trabalhadores rurais (homens e mulheres) tiveram negados seus benefícios porque nos cadastros do INCRA de suas terras, por serem
 
proprietários de áreas superiores a um módulo (na Região Noroeste do Rio Grande do Sul seriam 20 hectares), figuravam como
empregadores rurais
,mesmo trabalhando em regime de economia familiar. Pelo Decreto nº 1.166/71, visando a esvaziar os Sindicatos de Trabalhadores Rurais, sempre maiscombativos, o regime militar objetivou encorpar os Sindicatos de Empregadores, então ideologicamente submetidos ao Estado, considerando o máximo
 
de proprietários como empregadores.E tínhamos, então, duas categorias de segurados rurais: os
trabalhadores
e os
empregadores
.
2
. O RURÍCOLA NO SISTEMA VIGENTE (
LEI Nº 8.
2
13/91
E
LEI Nº 8.
2
1
2
/91
)
 
As leis de
custeio
e de
benefício
, atualmente vigentes, integraram em definitivo o homem do campo no Regime Geral de Previdência Social. E extinguiuas categorias existentes, criando em seu lugar as dos
empregados
(art. 11, I, da Lei 8.213/91), dos
empresários
(11, III), dos
trabalhadores
 
autônomos
ou
equiparados
(11, IV, V e VI), e dos
segurados especiais
(11, VII).As contribuições a serem vertidas por cada uma das categorias têm disciplina no texto daLei nº 8.212/91, sendo importantes, neste singelo estudo, asimpostas ao
segurado especial 
. Neste sentido, veja-se o que dispõe o art. 25 da lei:"Art. 25. A contribuição da pessoa física e do
segurado especial 
referidos, respectivamente, na alínea
a
do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei,
 
destinada à Seguridade Social, é de:I - dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção;II - um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações poracidente do trabalho.§ 1º. O
segurado especial 
de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no
caput 
,
 poderá contribuir 
, facultativamente, na forma doart. 21 desta Lei.§ 2º. A pessoa física de que trata a alínea
a
do inciso V do art. 12 contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei" (nossos os
 
grifos).De plano, temos que o
segurado especial 
tem apenas uma obrigação contributiva, cuja exação é recolhida compulsoriamente mediante o desconto sobreo valor dos produtos que comercializa. Afora esta obrigação, há uma faculdade, segundo a qual poderia contribuir complementarmente, ainda dentro domesmo regime.Todavia, o rurícola
autônomo
(art. 12, V,
a
, da Lei nº 8.212/91, ouart. 11, V,
a
, da Lei nº 8.213/91), este sim deve contribuir
também
sobre a Escalade Salários-Base.Pois bem, se do
segurado especial 
, por força de lei, não se pode exigir nenhuma outra contribuição (e, anote-se, não há, como propalado, uma previsão
 
de futura exigência de contribuição complementar),
é porque sua carência é formada pela contribuição compulsoriamente descontada na venda dos
 
 produtos rurais
.Ou seja, para este, a par do novo regime constitucional ter
ampliado
o rol dos benefícios,
manteve-o no mais na mesma situação
: continuarácontribuindo como antes, e tendo seus direitos reconhecidos desde que passou a desenvolver atividade economicamente importante, dentro da unidadefamiliar (
vide
 inciso VII do art. 11 da Lei nº 8.213/91eart. 195, § 8º, da CF
 
).
 
Ou seja, mais uma vez, sua
carência
continua sendo constituída como no regime precedente, da LC 11/71.Considerando-se, neste passo, que oart. 202, II, da CFlegou
aos trabalhadores em geral 
(o texto não faz qualquer ressalva) o direito de seremaposentados pelo
tempo de serviço
, basta que alguém tenha implementado o tempo necessário e vertido as contribuições obrigatórias, e pronto: terá
 
direito ao benefício correspondente.A Autarquia tem apresentado como óbice ao deferimento deste benefício o disposto noart. 143 da Lei nº 8.213/91, que assim dispõe:"Art. 143. O trabalhador rural ora enquadrado como segurado obrigatório no Regime Geral de Previdência Social, na forma da alínea
a
do inciso I, ou do
 
inciso IV ou VII do art. 11 desta Lei, pode requerer aposentadoria por idade, no valor de um salário mínimo, durante quinze anos, contados a partir dadata de vigência desta Lei, desde que comprove o exercício de atividade rural, ainda que descontínua, no período imediatamente anterior aorequerimento do benefício, em número de meses idêntico à carência do referido benefício."Artigo com redação dada pela Lei 9.063, de 14.06.1995 (DOU de 20.06.1995, em vigor desde a publicação).Todavia, este dispositivo não pode ser aplicado pura e simplesmente a partir de sua singela leitura; afinal, foi abandonado por vetusto o princípio do
inclaris, cessat interpretatio
. Anote-se que o dispositivo trata dos
trabalhadores rurais
(categoria inexistente na lei atual), e queseriam
agora
enquadrados como segurados obrigatórios no Regime Geral de Previdência Social.Então, forçoso é admitir-se que o dispositivo em tela trata dos
trabalhadores rurais
que não exerceram atividade durante o período mínimo necessário,antes da vigência das leis atuais. A estes, bastando que comprovem atividade rural por período igual ao da carência, podem eles requerer, até 2006, a
 
Aposentadoria por Idade.Não tinha por que o artigo fazer referência à
aposentadoria por tempo de serviço
, se a exigência refere-se apenas ao requisito
idade
, conjugado com orequisito
carência
, e refere-se aos que não exerceram, ainda no regime da LC 11/71, atividade por período suficiente para habilitar-se ao benefíciodecorrente do tempo de serviço.Portanto, distinta é e distinta tem que ser a investigação relativamente a quem já
exercia a atividade hoje reconhecida como de "segurado especial" 
- eque somado este tempo com o decorrido após os atuais Planos de Custeio e de Benefício pode requerer a Aposentadoria por Tempo de Serviço -,daqueles que podem habilitar-se apenas a benefício decorrente da
idade
, porque não implementam tempo suficiente para a jubilação. Esta distinção quea lei traça é inteligente: aquele que, chegando à idade de aposentação (55 ou 60 anos), apenas pode comprovar atividade ao longo do período mínimode tempo (art. 282 do Decreto nº 612/92), ainda assim podem requerer suas aposentadorias por idade.Todavia, aqueles que exerceram a atividade ao longo dos anos necessários (30 ou 35 anos),
 porque a Lei não excluiu os segurados especiais do direito
,podem requerer suas aposentadorias por tempo de serviço.
3. DE COMO SE FORMA E SE CONTA A CARÊNCIA
Finalmente, considerando-se que a única contribuição exigível do
segurado especial 
é aquela descontada da comercialização dos produtos semeados,manejados e colhidos com o esforço do conjunto da família, é imperioso ter-se como elemento formador da
carência
o próprio exercício da atividade.Desta sorte, além de impróprio, é totalmente contrário ao texto da lei falar-se na ausência da prova da carência, do segurado especial que prova tempo
 
de serviço, mas não prova outras contribuições que não as pré-faladas.Neste sentido, o§ 2º do art. 55 da Lei nº 8.213/91trata única e exclusivamente do cômputo do tempo de atividade rural para fins de formação de
 
carência relativamente ao pedido de benefícios da área urbana (Contagem Recíproca do Tempo de Serviço).
4
. RAZÕES DE CUNHO HISTÓRICO, SOCIAL E POLÍTICO
Não se pode desconhecer que a possibilidade do exercício do direito de aposentar-se por tempo de serviço, por parte dos Segurados Especiais, causa
 
pavor em muitos, tendo em vista que, admitindo-se a procedência do direito, inúmeros seriam os que viriam a ser beneficiados.O raciocínio que leva a esta preocupação é meramente atuarial ou econômico, e considera o abrupto aumento das despesas do caixa da Previdência.Todavia, ousamos sustentar, tal despesa precisa ser considerada como de
investimento
, e como tal encontra fonte de custeio noart. 195,
caput 
, da
 
CFe farta justificativa para ser suportada pelo conjunto da sociedade.Nossos agricultores, e muito especialmente os catalogados como
segurados especiais
, garantiram e garantem a histórica vocação rural do Brasil. Suasaída do meio rural é que incrementou e ainda aumenta os cinturões de miséria que cercam as zonas urbanas, pelo correspondente êxodo rural. Deles éque provêm os produtos primários de melhor qualidade e maior quantidade (livres de pesticidas e produzidos com qualidade ecológica). Todavia,ninguém mais do que eles sofre com as incertezas climáticas e com o desequilíbrio do meio ambiente.A incerteza e a insegurança, além do fator atrativo exercido pela possibilidade de remuneração mensal independente das condições climáticas e
 
ambientais propiciadas pelas atividades urbanas, é que determinam a queda da atração da atividade, e eliminam a fixação do homem ao campo.Dentro deste contexto, deve ser debitada à conta da sociedade uma determinada gama de "vantagens" a serem atribuídas ao campesino, que faça com

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