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Micro Histórias
Luís Soares
 
 
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Índice
Introdução....................................................................................................................3O Suicida......................................................................................................................4O Acidente...................................................................................................................5A Fraude.......................................................................................................................7O Trabalhador.............................................................................................................8A Cortesã e o Vassalo...............................................................................................10Silent Rave..................................................................................................................12Leite com Chocolate..................................................................................................13O Ciber Espaço..........................................................................................................15Habib...........................................................................................................................17O Rapaz do
Call Center 
.............................................................................................19A Rapariguinha do
Shopping
...................................................................................20O Medo.......................................................................................................................21Conduzido..................................................................................................................22
 
 
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Introdução
Alguém desatento acreditaria que a emergente cultura de
snacks
e
clips
é umadescoberta ou invenção desta primeira década do Século XXI, mas não.Afinal quanto tempo demora a contar uma história?Vou usar, permitam-me, o exemplo da música.Condicionados pelas
 playlists
radiofónicas e pela necessidade que as estaçõestêm de agarrar as audiências, os compositores de música popular habituaram-se a exprimir-se no tempo máximo de três minutos, três minutos e meio.Ah, não, esperem! Isto não é coisa da rádio, é coisa mais antiga. Essa semprefoi a duração média razoável de uma cantiga, desde a Idade Média aoRenascimento, passando pelas
lieder 
do Séc. XIX.Esse é também o tempo médio para uma ária de ópera, daquelas maispopulares, mas uma ópera completa, tal como uma peça de teatro, durarámais perto de duas horas, tal como uma longa metragem de cinema. Já umasérie de televisão tem um tempo que se aproxima mais do formato épico, daleitura de um romance. A própria telenovela tem a sua raiz óbvia no folhetimde jornal ou de rádio.Há excepções, claro, estamos a falar de média.Conta-se hoje uma história em trinta segundos de telemóvel, como se contou já num Haiku ou numa cantiga de amigo.Deixo-vos por isso estas treze histórias.
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