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Construtivismo de Piaget a Emilia Ferreiro

Construtivismo de Piaget a Emilia Ferreiro

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08/20/2013

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Aalf abetizaçào
Psicogênese da língua escrita
Os anos 80 assistiram, no Brasil e na América Latina, a um crescenteinteresse pelo tema da alfabetização inicial. A constituição e o aprofundamentodos debates sobre este tema específico podem ser testemunhados pelo grandenúmero de seminários, mesas-redondas, artigos e textos publicados durante o período. A difusão rápida das idéias de Emilia Ferreiro dirigiu grande parte dareflexão teórica e da discussão sobre a alfabetização, não só entre pesquisadores,mas também entre um grande número de professores atingidos pela divulgaçãodos postulados desta pesquisadora.Emilia Ferreiro é argentina de nascimento e psicopedagoga de formação.Doutorou-se pela Universidade de Genebra, orientada por Jean Piaget, de quem posteriormente tornou-se colaboradora. Iniciou suas pesquisas empíricas naArgentina, em trabalho conjunto com Ana Teberosky, e os resultados foram publicados na obra
 Los sistemas de escritura en e/ desarro//o dei nino,
em 1979.Posteriormente, transferiu-se para a Cidade do México, passando a dar aulas noInstituto Politécnico Nacional - ao mesmo tempo coordenava grupos de pesquisa.O seu primeiro livro traduzido no Brasil,
 Psicogênese da língua escrita,
representou uma grande revolução conceitual nas referências teóricas com que setratava a alfabetização até então, iniciando a instauração de um novo paradigma para a interpretação da forma pela qual a criança aprende a ler e a escrever.Ao lado da consistência teórica que tais investigaçõesexibiam, a participação freqüente da própria Emilia Ferreiro em eventos deapresentação e difusão de suas concepções trouxe uma outra dimensão àdivulgação de suas idéias. O carisma pessoal exibido pela investigadora tem comoum dos elementos que o explicam o caráter de inserção no real testemunhado por ela. Nas pesquisas que coordenou existe uma clara integração de objetivoscientíficos a um compromisso com a realidade social e educacional da AméricaLatina. ..Analisando essa realidade educacional, a Autorademonstra que o fracasso nas séries iniciais da vida escolar atinge de modo perverso apenas os setores marginalizados da população. Dificilmente a retençãoou deserção escolar faz parte da expectativa de uma criança de classe média queingressa na escola. Para outros segmentos sociais marginalizados, no entanto, osíndices de fracasso chegam a níveis alarmantes, constituindo-se num verdadeiro problema social. Se fosse a única, essa já seria justificativa suficiente para dar relevância a novas investigações que ajudassem a descrever e explicar os processos pelos quais as crianças chegam a aprender a ler e escrever. No entanto,não é a única.Também do ponto de vista teórico, as pesquisas de Ferreiro & Teberoskytrazem uma contribuição original. Tomam como objeto de estudo um conteúdo aoqual Piaget não se dedicava - resgatam os pressupostos epistemológicos centraisde sua teoria, para aplicá-Ios à análise doaprendizado da língua escrita. Na contramão de outros estudos teóricos, o objetivo de suas investigaçõesnão é a prescrição de novos métodos para o ensino da leitura e da escrita.Muito menos a proposta de novas formas de classificar dificuldades doaprendizado. Ao estudar a gênese psicológica da compreensão da língua escrita nacriança, Ferreiro desvenda a "caixa-preta" desta aprendizagem, demonstrandocomo são os processos existentes nos sujeitos desta aquisição.Isso porque, até queuma proposta empírica desta natureza fosse feita, o tema da aprendizagem daescrita era considerado apenas uma técnica dependente dos métodos de ensino.Coerente com a sua filiação epistemológica, Ferreiro demonstra que aabordagem da alfabetização como questão meramente meto do lógica forasustentada por teorias psicológicas vinculadas ao associacionismo ou empirismo.Ou seja, avaliar que a melhor ou pior aprendizagem da língua escrita estaria emcorrespondência com melhores ou piores métodos de ensino implica interpretar essa aprendizagem como decorrente da apropriação de elementos externos feitos por um sujeito passivo. Ora, isto nada mais é que aplicar à linguagem escrita os pressupostos mais gerais do associacionismo, que explicam a constituição dainteligência como resultante da interação entre estímulos e respostas, como jácomentamos anteriormente.Ao contrário desta tendência, as investigações de Ferreiro articulam-se parademonstrar a existência de mecanismos do sujeito do conhecimento (sujeitoepistêmico), que, na interação com a linguagem escrita (objeto de conhecimento),explicam a emergência de formas idiossincráticas de compreender o objeto. Emoutras palavras, as crianças interpretam o ensino que recebem, transformando aescrita convencional dos adultos. Sendo assim, produzem escritas diferentes eestranhas. Essas transformações descritas por Ferreiro são brilhantes exemplos dos
 
esquemas de assimilação piagetianos. O professor ensina, por exemplo, a palavraOA TO e alguns de seus alunos escrevem 00 ou AO ou OT. O que Ferreirodesvenda é a razão destas transformações e a lógica empregada pela criança, ou os processos psicológicos que produzem tais condutas. A escrita produzida é fruto daaplicação de esquemas de assimilação ao objeto de aprendizagem (a escrita),formas utilizadas pelo sujeito para interpretar e compreender o objeto.Vale ainda acentuar que a consideração destas escritas desviantes - como 00,AO, OT para GATO - é uma forma nova de olhar para o desempenho escritoinfantil. Assim como fizera Piaget com as respostas erradas, tornadas centrais nainterpretação dos testes de Burt, também' Ferreiro & Teberosky interpretam oserros cometidos pela criança em fases precoces de aquisição. Isso constitui umaforma nova de olhar para a escrita infantil, muito diferente daquela que longatradição escolar nos ensinou. Os erros _ sistemáticos, regulares e recorrentes chamam a atenção das pesquisadoras e levam-nas a perguntar se não seriam indícios de uma certa forma de compreender alinguagem escrita. Existiria uma gica que os sustenta e que explica suaregularidade e persistência?As investigações empreendidas propõem respostas a essas questões, partindodo pressuposto de que as crianças adquirem u conhecimento da linguagem escrita porque, em interação com este objeto, aplicam a ele esquemas sucessivamentemais complexos, decorrentes do seu desenvolvimentocognitivo. O desdobramento que se segue é o estabelecimento de diferentesmomentos de aquisição, articulados sistematicamente, constituindo um modelo deaquisição em níveis, fases ou períodos. Estes sucedem-se em graus crescentes decomplexidade e aproximação da escrita convencional.A interpretação do acesso ao conhecimento da escrita acentua a existência deum processo evolutivo ao longo do desenvolvimento infantil, cuja gênese é precisodescrever e explicar.Em nota preliminar à primeira edição da
 Psicogênese da língua escrita,
asautoras declaram a perspectiva sob a qual a investigação se realizará:[...] Pretendemos demonstrar que a aprendizagem da leitura, entendida comoquestionamento a respeito da natureza, função e valor desse objeto cultural que é aescrita, inicia-se muito antes do que a escola imagina, transcorrendo poinsuspeitados caminhos. Que, além dos métodos, dos manuais, dos recursosdidáticos, existe um sujeito que busca a aquisição de conhecimento, que se propõe problemas e trata de solucioná-Ios, segundo sua própria metodologia...Insistiremos sobre o que se segue: trata-se de um sujeito que procura adquirir conhecimento, e não simplesmente de um sujeito disposto ou mal disposto aadquirir uma técnica particular. Um sujeito que a psicologia da lecto-escritaesqueceu [...] (Ferreiro & Teberosky, 1986, p. 11Esses breves comentários iniciais são suficientes para demonstrar a rupturaque os trabalhos agora examinados representam em relação ao conhecimentocientífico anteriormente acumulado sobre o tema.Veremos, a seguir, a forma como foram coletados os dados que sustentam ainterpretação teórica.
Coleta de dados: princípios e metodologia
Toda investigação científica pressupõe alguns pontos de partida. O recursoaos fatos, isto é, a busca empreendida pelo pesquisador de evidências da realidade,é precedido de algumas alternativas para a resolução de problemas. Não são osfatos "puros" que falam ao pesquisador. A seleção dos eventos na realidade, aforma de olhá-Ios, ou os "recortes" do real são decisões tomadas pelo cientistatendo como ponto de partida o compromisso com uma concepção teórica sobre osujeito da aprendizagem, assim como sobre o objeto a conhecer. Não existe"neutralidade" científica, no sentido de que o olhar do pesquisador está informadode concepções prévias que permitem a observação de alguns fatos em detrimentode outros. Algo só se torna observável, pois, em função de informações prévias.Sobretudo na pesquisa psicológica, as evidências são fragmentárias, nem semprecontínuas, e a observação está restrita às condutas que apenas indicam processosmentais não observáveis diretamente. Fazer a conexão entre esses fatos, e dar coerência e articulação a eles, exige uma construção de caráter teórico por parte do pesquisador.As publicações de Ferreiro refletem em muitos momentos essas questõesreferentes à natureza do trabalho científico em psicologia e às questõesmetodológicas que o cercam. Dessa forma, a pesquisadora procura deixar claro oconjunto de postulados que informa o seu olhar sobre os dados. Tendo claro que oedifício teórico piagetiano acumulava poucas pesquisas sobre a linguagem,reservando a esta um papel marginal na constituição das competências cognitivas,Ferreiro busca na Psicolingüística as ferramentas disponíveis para enfrentar seusobjetivos.
 
A partir da década de 60, a contribuição desta ciência passa a incorporar mudanças importantes na forma de compreender a aquisição da língua oral. Osestudos anteriores a este período focalizavam predominantemente a aquisição doléxico - classificado segundo as categorias da linguagem adulta (verbos,substantivos, adjetivos, etc.) -, sem, no entanto, explicar ou descrever a aquisiçãodas regras sintáticas. O modelo associacionista de interpretação da aquisição dalinguagem não dera conta de explicar de que forma a criança chega a combinar  palavras em frases aceitáveis. .Enfatizando a contribuição de Noam Chomsky, Ferreiro indica que a ênfasedo trabalho deste pesquisador no estudo da aquisição das regras sintáticas dalinguagem demonstrou a existência de uma distinção entre a competência e odesempenho exibidos pelos sujeitos. Do ponto de vista de Ferreiro, esta distinçãotambém se encontra na base da teoria piagetiana da inteligência (cL Ferreiro &Teberosky, 1986).Tal distinção acentua que a existência de um conjunto de conhecimentossobre um domínio particular, inconsciente para o próprio sujeito, não pode ser confundida com o que este mesmo sujeito é capaz de fazer numa situação particular.o fato, por exemplo, de uma criança não ser capaz de repetir oralmente palavras conhecidas da língua oral não pode ser interpretado como umaincapacidade para compreender e produzir distinções no uso da língua materna.Ora, itens desse tipo estão presentes em grande parte dos testes para verificar aexistência dos pré-requisitos para a alfabetização.Ao ingressar na série onde começa a ocorrer o ensino sistemático das letras, acriança já detém uma grande competência lingüística que não é considerada. Essaação equivocada da escola tem origem em dois desvios. O primeiro deles é tratar aaquisição da escrita como se esta fosse idêntica à apropriação da fala. O segundo éque o modelo de aprendizagem da língua oral que a maioria dos métodos dealfabetização reproduz sustenta-se num conhecimento já ultrapassado. Esses conhecimentos, anteriores ao trabalho de Chomsky, sãoassim sintetizados por Emilia Ferreiro:lu.] a progressão clássica que consiste em começar pelas vogais, seguidas dacombinação de consoantes labiais com vogais, e a partir daí chegar à formação das primeiras palavras por duplicação dessas sílabas, e, quando se trata de orações,começar pelas orações declarativas simples, é uma série que reproduz bastante bem a série de aquisições da língua oral, tal como ela se apresenta vista
"do
ladode fora" (isto é, vista desde as condutas observáveis, e não desde o processo queengendra essas condutas observáveis). Implicitamente, julgava-se ser necessário passar por essas mesmas etapas quando se trata de aprender a língua escrita, comose essa aprendizagem fosse uma aprendizagem da fala (Ferreiro e Teberosky,1985, p. 24).Como conseqüência, quando o modelo de aquisição da língua oral é utilizado paraa escrita, o critério "falar bem" ou ter "boa articulação" é considerado importante para aprender a escrever. Reaprender a produzir sons da fala, como condiçãonecessária para escrever, baseia-se, assim, em dois falsos pressupostos. O primeirodeles é que uma criança aos 6 ou 7 anos não é capaz de distinguir fonemas de sualíngua, hipótese negada pelo gosto que as crianças desta idade têm pelos jogosverbais. A segunda falácia é a concepção da escrita como uma forma precisa detranscrição da fala. Nenhuma escrita, examinada nas relações que tem com ocódigo oral, realiza a transcrição fonética da língua oral. Na verdade, Ferreiro apóia-se na concepção de que a linguagem atua comouma representação, ao invés de ser apenas a transcrição gráfica dos sons falados.Omundo verbal, incluindo fala e escrita, é ao mesmo tempo um sistema comrelações internas entre ambos os códigos (fala e escrita), onde não há estritacorrespondência entre ambos. Além disso, a escrita é também um sistema que serelaciona com o real.Do ponto de vista interno, isto é, no contexto lingüístico, as relações entre osdois códigos não são homogêneas, porque a escrita não é o espelho da fala e asrelações entre letras e sons são muito complexas. Não há uma regra única quedefina esta relação.Do ponto de vista da relação entre mundo verbal e realidade, a escrita é umsistema simbólico de representação da realidade. Sendo assim, ela substitui eindica algo, permitindo que com o seu uso seja possível operar sobre' a realidadeatravés da palavra.As escritas alfabéticas, como é o caso do português, podem ser caracterizadascomo representações que se baseiam nas diferenças entre significantes (palavrasescritas ou faladas). Outras escritas, como as ideográficas (baseadas emideogramas), privilegiam a distinção dos significados.Apesar dessa distinção, nenhum sistema é inteiramente puro e a escrita

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